Bacteriologia história varíola colonização
Comentário sobre a história do uso de armas bacteriológicas pelos ingleses na América do Norte.
Fonte: e-mail de Alex Bérubé (Canadá), datado de 5 de agosto de 2002
Quanto ao seu breve comentário sobre o uso da varíola pelos ingleses na Nova Zelândia, gostaria também de informar que eles já haviam feito essa experiência anteriormente no Canadá. Naquela época, os ameríndios viviam em excelente convivência com os colonos da Nova França, após a Grande Paz de 1701, assinada em Montreal, na Pointe Calumet. Este foi o mais importante acordo firmado entre europeus e ameríndios. O acordo reconhecia a coexistência no território da América Francesa dos dois grandes povos: por um lado, os franceses, e por outro, a união das Nações Huron e Iroquesas dos Grandes Lagos. Poderíamos comparar esse acordo à União Europeia, mas, neste caso, trata-se da União Ameríndia. Após a doação do território da Nova França por Luís XV, alegando tratar-se apenas de alguns arpentos de neve (referindo-se a uma área que se estendia da Nova Escócia até os Grandes Lagos ao norte, e que ia dos Grandes Lagos até a Louisiana, deixando apenas para os ingleses uma pequena faixa entre o rio Tennessee e a costa da Nova Inglaterra), o território foi cedido aos ingleses. Mas as grandes nações Huron e Iroquesa não tinham sido consultadas. O grande chefe da Grande Nação naquela época, chamado Pontiac, recusou-se a reconhecer a derrota francesa e decidiu expulsar os ingleses do território. Naquela época, a nação Huron contava com grande número de pessoas. Os Hurons eram sedentários, viviam em grandes aldeias com até 6.000 habitantes, praticavam a agricultura de milho, abóbora e outras plantas. Tratava-se, portanto, de um povo organizado e capaz de guerra. Quando os ingleses perceberam o que se preparava, tiveram uma ideia genial. Solicitaram uma reunião amistosa entre os chefes das cinco principais nações. Conforme a tradição da época, tais reuniões eram sempre acompanhadas por trocas de presentes. Um general inglês teve a brilhante ideia de fazer fabricar caixas de prata, dentro das quais foram colocados panos contaminados com varíola, obtidos de pessoas que tinham sobrevivido à infecção, e depois seladas nas caixas. O resultado foi a extinção das Nações Huron e Iroquesa da região dos Grandes Lagos, com perdas que chegaram a 90%. É difícil estimar os danos reais, pois alguns desses vilarejos eram isolados e muitas vezes desconhecidos pelos europeus, que ainda não tinham explorado aquelas regiões. O que sabemos é que hoje não existe mais nenhuma evidência dessas nações. Apenas as Nações do Oeste (Sioux) foram poupadas. Vilarejos inteiros foram dizimados durante o inverno. Todos conhecem o resto da história; hoje, o que resta desse episódio é apenas uma marca de automóvel.
Existe um episódio de uma série de televisão sobre a história do Canadá exibida em 2000 ou 2001 pela TV, em inglês e francês. radio-canada.ca