Arma sísmica
As Armas Sísmicas
**21 de setembro de 2002 - completado
em 1º de março de 2006 **
Tudo parte de uma declaração de William Cohen, secretário de Estado da Defesa americano, datada de 2 de abril de 1997 (assinalada pelo meu velho amigo de Poitiers, o pesquisador Gérard Morin):
Others [terrorists] are engaging even in an eco-type of terrorism whereby they can alter the climate, set off earthquakes, volcanoes remotely through the use of electromagnetic waves. So there are plenty of ingenious minds out there that are at work finding ways in which they can wreak terror upon other nations.It's real, and that's the reason why we have to intensify our[counterterrorism] efforts.
Secretary of Defense William Cohen at an April 1997 counterterrorism conference sponsored by former Senator Sam Nunn. Quoted from DoD News Briefing, Secretary of Defense William S. Cohen, Q&A at the Conference on Terrorism, Weapons of Mass Destruction, and U.S. Strategy, University of Georgia, Athens, Apr. 28, 1997.
Tradução:
Outros terroristas estão engajados num tipo de ação "ecológica" em que podem alterar o clima, desencadear terremotos, erupções vulcânicas, utilizando ondas eletromagnéticas. Muitas mentes engenhosas trabalham atualmente para imaginar meios de aterrorizar nações inteiras. Tudo isso é real e é a razão pela qual intensificamos nossos esforços na guerra contra os terroristas.
Secretário da Defesa William Cohen, abril de 1997. Conferência dedicada ao contraterrorismo organizada pelo senador Sam Nunn. Declarações relatadas ao Departamento da Defesa (DoD). "Conferência sobre o terrorismo. Armas de destruição em massa e estratégia americana. Universidade da Geórgia, Atenas, 28 de abril de 1997.
Tradução em claro: Sabe-se que tudo isso funciona, pois o experimentamos há muito tempo. Os meios tecnológicos a empregar continuam acessíveis e sem comparação com um esforço de nuclearização.
Notar-se-á a menção aos terremotos e ao desencadeamento de erupções vulcânicas. Isso pode parecer loucura, mas, afinal, uma causa mínima, bem localizada, pode engendrar um cataclismo se este estiver pronto a desencadear-se. Os terremotos estão ligados a deslizamentos de placas, ao longo de falhas. Sabe-se que um terremoto ocorrerá inevitavelmente ao longo da falha de San Andreas, na Califórnia, e que seus efeitos serão devastadores. Não se sabe quando isso ocorrerá, o que equivale também a dizer que não se conhece a priori a energia que bastaria para desencadear o fenômeno. Quanto mais próximo o estalo, menor será essa energia. A técnica permite agir nas camadas profundas do solo com ondas eletromagnéticas. Os russos haviam construído um enorme gerador chamado "Pamir" nos anos setenta, do qual eu tinha visto fotos em 1983 em Chicago, num congresso de MHD, que podia ser transformado num grande caminhão. Era uma das n variantes do gerador de Sakharov, de compressão de fluxo. Este tinha a forma de uma caixa de camembert de seis metros de diâmetro. Esses geradores, que se soube depois equiparem os canhões eletromagnéticos instalados no solo pelos russos, chamam-se também geradores de Pavloski. Seu funcionamento, por "compressão de fluxo", é análogo ao sistema MK1 de Sakharov que todo o mundo começa agora a conhecer. Aciona-se, no centro, um explosivo químico que interage com um potente solenoide (para o especialista: em regime de alto número de Reynolds magnético).

Esse sistema "permitia fazer circular fortes correntes elétricas no solo". Oficialmente o dispositivo era apresentado como um sistema de análise da situação de um terreno, medindo em grandes distâncias e a grande profundidade a condutividade elétrica do solo. Sabe-se agora que uma variação dessa condutividade é o sinal da iminência de um terremoto. Eu tinha, em 83, discutido em Chicago com os responsáveis russos desse projeto, antigos alunos de Vélikhov, ele próprio aluno de Sakharov. Percebo hoje que tal sistema podia permitir não só estudar a situação pré-sísmica de um terreno mas eventualmente desencadear o sismo. Assim, "o estudo geofísico" constituía o "projeto-tela" que escondia a verdadeira finalidade dessa tecnologia, inimaginável por um não especialista.
Fisicamente falando, esses sistemas permitem transferências de energia. A energia de partida continua sendo a do explosivo que alimenta o gerador Pamir. Esse sistema permite transportar por essa via, com ondas eletromagnéticas, uma parte dessa energia a grande profundidade. Se a falha não estiver pronta a ceder, seria necessária uma energia importante para desencadear o sismo. O sistema, utilizado com moderação, pode permitir testar o terreno, um pouco como quando se dão leves impulsos num bloco em equilíbrio para ver se ele está pronto a escorregar num barranco. Militares-geofísicos podem assim localizar em segredo pelo mundo, em territórios potencialmente "hostis" ou "a serem postos na linha", "regiões sensíveis" onde uma ação mais musculada poderia desencadear um sismo devastador. Para desencadear o sismo basta então modificar por aquecimento a natureza do terreno num ponto que serve de "retenção" na falha, de "trinco". Provoca-se então o estalo.
**1º de março de 2006 **
No fim de fevereiro de 2006 foi difundido um programa intitulado "as fúrias do clima", do qual pude ter cópia graças a um dos meus leitores. Nele se passam em revista as diferentes catástrofes ocorridas desde 2002. Natal de 2005: o Tsunami. Alguns meses depois, o terremoto no Paquistão que fez dezenas de milhares de mortos. Um geólogo americano sugeriu que o fenômeno dos terremotos podia ser desencadeado pelas marés terrestres ligadas à influência da Lua. Uma precisão: o deslocamento aparente da Lua, ligado à rotação da Terra, induz uma maré terrestre da ordem de 30 a 50 cm.
A distância Terra-Lua não é constante. O efeito de maré varia em 1/r3. Distância máx.: 407.000 km. Distância mín.: 365.000 km
DF/F = - 3 Dr/r
Resultado das contas: uma variação do efeito de maré de 30%, o que não é nada.
O efeito é acentuado quando o satélite e o sol estão alinhados. Se a Lua eclipsa o Sol e se encontra além disso no perigeu, o efeito é máximo. O sujeito previu então um certo número de sismos, alguns dos quais efetivamente se desencadearam. Por exemplo o último sismo importante em San Francisco. Foi proibido nos meios de comunicação e na universidade, dadas as paniques que podia criar a cada uma de suas previsões. Efeito: eclipse do sol pela lua mais posição da Lua em seu perigeu: fluxos migratórios. Simples observação, mas observação lógica mesmo assim.
Mesma observação feita durante o programa: o fato de que o sistema de placas tectônicas possa repercutir fenômenos a muito grande distância, inclusive em diferido. Simplesmente "porque não se sabe como isso funciona". Totalmente possível.
Acima evoquei meu encontro nos EUA com russos que me haviam mostrado, num colóquio de MHD no início dos anos oitenta, fotos de uma estranha máquina em forma de grande camembert, montada num caminhão. Os realizadores do programa mostraram fotos dessa máquina, batizada "earthquake machine", e difundiram um filme de seu funcionamento. Espero poder rapidamente passar aqui o trecho correspondente.
O gerador
MHD em funcionamento

Imagem de síntese mostrando uma máquina de Pavlowsky (ou máquina "Pamir")
No filme aparecem fugazmente imagens com texto. Arregalando bem os olhos pode-se identificar seus diferentes componentes. Há quatro elementos idênticos, justapostos para formar uma bateria. Os dispositivos circulares são solenoides. À direita, quatro foguetes de combustível sólido, provavelmente dopados com césio ou sódio (substâncias dotadas de baixo potencial de ionização). Essa bateria de foguetes é chamada "gerador de plasma".
O funcionamento é breve: menos de cinco segundos, o que autoriza altas temperaturas de combustão, talvez superiores a 3000° (3900° segundo os dados técnicos desencavados por Eric Dezoète após a publicação do meu texto). Essas quatro câmaras de combustão sopram em geradores de Faraday lineares, não visíveis, e depois os jatos são dirigidos para a atmosfera. O desenho acima mostra o modo de fixação do conjunto numa "platina" destinada a ser montada num suporte móvel, no caso um grande caminhão. As partes direitas mostram os apoios sobre os quais esses três "propulsores" empurram. Penso que os empuxos unitários desses sistemas devem ser um pouco inferiores a dez toneladas cada um, o que exige uma fixação sólida e que esses jatos sejam dirigidos para o alto.
Quando se olha o filme nota-se uma ejeção de gás quente, ao nível das câmaras, pouco antes da parada. Isso corresponde à abertura de "capelas" que criam um vazamento de gás nas câmaras, fazem cair a pressão e provocam a parada da combustão (para o funcionamento das "capelas" ver "a volta ao mundo em oitenta minutos", página 14). E isso antes que todo o propelente sólido seja queimado. A camada residual de não queimado desempenha assim o papel de isolante térmico. Quando a pressão cai, a temperatura cai outro tanto e a combustão para.

Gerador de Pawlosky, início da combustão
O desenho que se encontra no camembert indica sem ambiguidade que se trata de um gerador elétrico.
*Por que essa forma de camembert? *
Trata-se de enormes solenoides, não supercondutores, feitos de simples cobre vermelho que são inicialmente alimentados pela descarga de uma bateria de capacitores. Vê-se essa bateria à esquerda de uma instalação Pamir-2

Instalação no solo. À esquerda, o banco de capacitores para a excitação inicial
O gerador de Faraday funciona então em regime de autoexcitação, no sentido de que a corrente produzida é em grande parte derivada para os solenoides, reforçando o campo indutor, cujo campo eletromotor V B. O valor do campo magnético atingido é bastante elevado, o que acarreta forças consideráveis, capazes de fazer explodir as bobinas. Estas são desenhadas de modo a apresentar uma resistência máxima, isto é, circulares.
Mesmo durante tempos de funcionamento tão breves, esses solenoides, percorridos por correntes importantes, liberam bastante calor. Esses camemberts devem não só suportar o esforço mas comportar-se como poços de calor. O bocal MHD, linear, de eletrodos contínuos, também desempenha o papel de poço de calor.

O gerador em plena ação
O clarão produzido permite discernir melhor a estrutura metálica situada perto da frente do caminhão. A meu ver é um "derrick" que permite, antes do ensaio, cavar poços verticais nos quais permanecerão não tubos mas trados maciços, de simples ferro-velho, que servirão de eletrodos ao aplicar a tensão elétrica sem perda de carga em camadas situadas a uma profundidade que a meu ver poderia ir até várias centenas de metros. Antes do ensaio o caminhão comporta-se como um dispositivo móvel de perfuração e seu potente motor poderia então pôr em movimento o trépano.
No filme vê-se um esquema que se pode tentar decodificar. A descarga parece injetada numa fissuração horizontal, correspondendo provavelmente a uma camada aquífera. A passagem da corrente vaporiza essa água e produz um efeito de soerguimento da camada. Se se segue o desenho indicado, esse movimento visa desencravar uma placa unida por uma fissura vertical, ao longo da qual se exercem forças de cisalhamento.

Esse deslizamento das placas pode então ele mesmo propagar-se a grande distância (onda de cisalhamento) e desencadear um sismo bem além da zona solicitada.
Nos EUA os russos haviam apresentado essa máquina como "um sistema que permite medir a condutividade elétrica do solo", acrescentando "que uma variação de condutividade podia ser o sinal anunciador de um sismo iminente". Como "instrumento de medida" isso parecia mesmo assim bastante brutal. Um instrumento de medida não precisa funcionar durante 5 a 10 segundos.

"Instrumento de medida"
Parece totalmente lógico que parâmetros físicos, eletromagnéticos do subsolo de uma região possam ser modificados na aproximação iminente de um terremoto. Seria então lógico dispor ao redor de uma região de risco sensores seja passivos (medida de campo elétrico) ou ativos (medida de condutividade elétrica do subsolo, de permissividade, etc...). Mas no segundo caso não seria preciso, a meu humilde ver, pôr em jogo tais intensidades durante tanto tempo. Os métodos de medida, agindo além disso durante breves durações e pondo em jogo energias ínfimas, seriam incapazes de provocar o menor fenômeno, inclusive um "micro-sismo". Como instrumento de "geofísica" esse gerador MHD não é um instrumento de medida, mas sim um instrumento *que permite agir sobre o ambiente subterrâneo. *
No filme, essa "earthquake machine" é apresentada como suscetível de aliviar tensões criando "micro-sismos". Isso parte então de um excelente sentimento, mas como observa um comentarista no filme "quando se brinca com a Dama Natureza nunca se sabe muito bem até onde isso pode ir".
O filme evoca um efeito que vai até 50 km de profundidade. Fala-se de espécies de "impactos de raio".
Diferentes observações:

**Registro da saída em potência, ao longo do tempo. Em abcissa: segundos, em ordenada megawatts. ** - Uma potência, tão lentamente variável no tempo, não é a priori suscetível de gerar ondas.
-
Se se aposta no efeito primário, indutor, a corrente e o desprendimento de vapor por efeito Joule podem localizar-se em fissuras que correm através da rocha, um pouco em qualquer lugar.
-
Se a máquina cria realmente um início de deslizamento, isso pode propagar-se a distâncias e a profundidades a priori não limitadas. Simples relaxamentos de tensões, em cascata, com propagação de perto em perto.
Em conclusão a máquina Pamir poderia muito bem revelar-se capaz de criar sismos, inclusive sismos importantes. A importância não depende da máquina mas da quantidade de energia armazenada na falha, por consequência de um deslizamento, acumulada ao longo de séculos ou milênios.
O filme difundido na televisão avança a ideia de que essa máquina teria sido "vendida aos americanos" e que "ninguém sabe o que teria sido dela". Isso é um pouco invenção de jornalista. A verdade é mais simples. Esses estudos deram lugar a um contrato e a uma colaboração entre o Instituto das Altas Temperaturas de Moscou e a Air Force, e é tudo.
Encontra-se uma descrição e dados técnicos a respeito desses geradores na Internet. Eles podem ser utilizados como fonte de potência durante uma duração limitada (até 10 segundos) e alimentar por exemplo armas de energia dirigida implantadas no solo, por exemplo lasers. Aparentemente cada camembert pode desenvolver 5 megawatts, o que representaria uma vintena de megawatts para uma instalação de quatro unidades justapostas.
http://www.ihed.ras.ru/mg/otdel6.htm
Victor A. Novikov é o responsável pelo departamento dos geradores MHD pulsados do Instituto das Altas Temperaturas da Academia de Ciências da URSS. Ver a descrição do sistema Pamir 3 (15 MW). Documentação desencavada por Eric Dezoète.
http://www.ihed.ras.ru/mg/Pamir3U.htm
Esse sistema pesa 12 toneladas. Os bocais sopram sob um ângulo de 19°. A semeadura é bem obtida com nitrato de césio (10% da carga do propelente sólido). A potência térmica liberada é de 600 MW. A temperatura nas câmaras de combustão é de 3900° K, o que permite ao plasma ter uma boa condutividade elétrica (50-60 Mhos/m) apesar de um funcionamento em equilíbrio termodinâmico. Dado o valor elevado do campo magnético impõe-se uma pressão forte, de trinta bars, no bocal MHD para permanecer em regime de parâmetro de Hall baixo. Essa forte pressão na seção MHD é confirmada pela forma cônica do jato, ao ar livre (aqui num hangar de ensaio):
Na saída a temperatura do plasma ainda atinge 3000°. O gerador pode fornecer quinze a vinte e cinco mil amperes sob uma tensão da ordem do quilovolt. Os eletrodos de grafite são substituídos a cada ensaio. Parece que os solenoides, dotados de 64 enrolamentos, conseguem desenvolver vários teslas. 4,8 T no máximo. Toda a máquina faz poço de calor e se resfria naturalmente após cada tiro.
2 de março de 2006: Quando a realidade supera a ficção
Compreendemos, em 2006, o sistema que permitia utilizar um gerador MHD pulsional (funcionando de 5 a 10 segundos, que existe há meio século), utilizado para vaporizar a água de um lençol freático nas proximidades de uma falha "transformante" para fazer dela uma arma sísmica. É uma tecnologia relativamente rústica, da qual descrevemos as grandes linhas, que mete medo.
Reflitamos. Esse sistema poderia perfeitamente ser aplicado no fundo dos mares. Modificar um submarino em consequência não coloca nenhum problema técnico. Esse mesmo submarino poderia ter uma aparência muito "banalizada". Os motores-foguete utilizados, de propelente sólido, funcionam muito bem na água e sob pressão. Trinta bars correspondem a 300 metros de profundidade. Seria assim perfeitamente possível pôr em obra um gerador do tipo Pamir nas proximidades de uma falha e longe das costas. Seu funcionamento não seria detectado na superfície.
A atividade tectônica se prolonga sob o mar. Tomemos por exemplo a Islândia. Ela é percorrida por uma falha orientada sul-sudoeste - norte-nordeste que prolonga a falha da dorsal médio-oceânica. Essa região do globo é sede de muito fortes tensões tectônicas. Poder-se-ia dizer que seria relativamente fácil desencadear um sismo na Islândia agindo nas proximidades da costa, seguindo o prolongamento submarino da falha. Com os desenhos seguintes tentei mostrar a que poderia parecer um submarino desencadeador de sismo.

**Colocação de uma arma sísmica nas proximidades das costas **
Acrescentemos que nas profundidades previstas: cem, duzentos, trezentos metros, a intervenção de mergulhadores autônomos saindo do submarino e depois reintegrando uma "câmara de saturação" não coloca nenhum problema. Tais intervenções são correntes nas proximidades das plataformas petrolíferas offshore. Descobrimos assim uma nova forma de guerra discreta ("silent war") em que enfraquecer um adversário pode consistir em criar em sua casa "fenômenos naturais" que poderiam, com meios espantosamente modestos, criar nele efeitos destruidores, a grande distância, e mesmo em diferido. Ainda que propondo em seguida sua "ajuda humanitária", operação que permite eventualmente retomar completamente um país em mãos.
Tudo isso parece tão simples e lógico que se pode realmente perguntar se isso já não teria sido posto em obra.
Aqui evocou-se um efetor que consiste em levar à ebulição a água de um lençol freático, situado seja sob a superfície terrestre, seja sob o leito oceânico, sendo a energia fornecida por um gerador MHD. É astucioso e potencialmente eficaz. Utiliza-se assim a água como "macaco". Mas há outras maneiras de criar choques suscetíveis de desencadear sismos operando nas proximidades de falhas, como por exemplo perfurar discretamente e depois fazer detonar uma carga nuclear enterrada a uma certa profundidade. Penso em particular em ações levadas a cabo nas proximidades de costas "sensíveis".
Retorno ao texto de 2003:
Mesma observação a respeito de um possível desencadeamento do vulcanismo. A filosofia é a mesma: trazer energia em profundidade. Antes de pensar num vulcão, vejamos como funciona um gêiser. Andei bastante pela Islândia há muitos anos com meu filho e com Maurice Kraft (que morreu intoxicado por uma emanação de gás, assim como sua mulher Katia). A palavra gêiser vem da localidade geisir, na Islândia, onde eles são numerosos.

Um gêiser é uma coluna que mergulha nas profundezas da terra num lugar onde se encontra uma fonte de calor. Na Islândia o calor está por toda parte. Essa coluna é cheia de água. Muito frequentemente ela aflora numa bacia mais ou menos importante. Fica-se surpreso ao descobrir que essa água é tingida de verde por bactérias que vivem dentro dela "consumindo essa energia" e não a energia do sol. Aliás não se sabe muito bem se a vida terrestre não teria nascido nessas condições que nos parecem insuportáveis. Seja como for, essas bactérias morrem se a temperatura cai abaixo de um certo limiar, talvez oitenta ou noventa graus. Em qualquer ponto da coluna a água está próxima da ebulição. Quanto mais elevada a pressão, mais alta é a temperatura à qual a água pode se manter no estado líquido, e vice-versa. Conto isso porque todos os montanheses sabem como é difícil cozinhar macarrão em alta montanha, simplesmente porque a baixa pressão ligada à altitude diminui a temperatura de ebulição e que mesmo em água fervente se tem dificuldade em provocar as reações químicas do cozimento do alimento por causa disso. Na coluna de água do gêiser a temperatura cresce com a profundidade, simplesmente porque se aproxima da fonte de calor. Se a ebulição não se produz (o gêiser então deixa de ser ativo) é porque em qualquer ponto o peso da coluna de água cria uma pressão suficiente para impedir a ebulição à temperatura que reina nessa profundidade.
Mas esse sistema é instável. A pressão que reina na coluna não pode ser modificada. Ela só depende da geometria do sistema, da altura de água. Por outro lado a fonte de calor subterrânea pode trazer calorias ao ponto de criar a criticidade. Então uma bolha se forma que sobe para a superfície e provoca a ebulição da água que se encontra em seu caminho. O volume de vapor que sobe cresce assim e pode atingir vários metros cúbicos. Quando a bolha atinge a superfície, esta se levanta. Depois a bolha rebenta em sua parte superior (figura da direita) e é isso que provoca a emissão de uma coluna de vapor. Aqueles que viram gêiseres em funcionamento conhecem esse fenômeno, bastante rápido, que se estende por um tempo da ordem do segundo.
Como anedota existe um meio de "reanimar os gêiseres", que Maurice Kraft usava e que fazia a alegria do meu filho que tinha dez anos na época. Infelizmente perdi a foto que havíamos tirado do fenômeno. O truque consiste em esvaziar o conteúdo de um frasco de produto para louça no gêiser. Este desce abaixando o valor da temperatura de vaporização. Quando o produto atinge o fundo da coluna, o gêiser se desencadeia e produz então dezenas de milhares de bolhas de sabão, as maiores podendo atingir uma vintena de centímetros de diâmetro.
Um vulcão tem um funcionamento análogo no sentido de que é uma coluna de magma contendo gás.

Pode-se comparar esse magma a champanhe. Os gases que povoam a superfície da Terra aliás foram criados pela desgaseificação de vulcões, depois transformados por um fenômeno chamado "vida". Os vulcões rejeitam numerosos gases diferentes, dos quais bastante CO2. Tomemos agora um vulcão "ativo", isto é, suscetível de entrar em erupção periodicamente. Sua coluna de lava está em equilíbrio à maneira da do gêiser. Em geral ela está ligada em profundidade a uma bolsa magmática. O mecanismo que assegura a subida do magma na chaminé é a desgaseificação que tende a se acentuar à medida da subida. Compreende-se então como pode ser possível, com a ajuda de micro-ondas pulsadas em muito baixas frequências, capazes de trazer energia térmica a grande profundidade, aquecer o magma e tornar o sistema instável, se ele está próximo de sua criticidade.
Se o secretário da Defesa William Cohen pronunciou essas palavras é que tinha excelentes razões para pensar que tudo isso era factível. Penso mesmo que se ele disse isso é que isso já pôde ser testado pelos cientistas americanos (...).
23 set 2002. livre opinião (o autor da mensagem preferiu permanecer anônimo):
Como se pode supor que esse responsável americano, Cohen, não diz qualquer coisa, é-se no direito de se perguntar se uma arma sísmica não teria já sido utilizada em algum lugar com as consequências previsíveis. A esse respeito, pode-se notar que o sismo devastador na Armênia em dezembro de 1988 coincidiu de forma surpreendente com o início dos distúrbios étnicos nessa região, também em 1988, entre os armênios e os azeris (do Azerbaijão) e que eram anunciadores do fim da URSS. Consciente de que a União se dirigia para a explosão, poder-se-ia imaginar um general soviético cabeça-quente utilizar o brinquedo descrito em seu artigo para "domar a insurreição" na região? Simples hipótese.
A passagem nas proximidades da Terra de um asteroide férreo, detrito de supernova, dotado de um campo magnético muito forte. As supernovas, pouco antes de seu fim brutal, possuem um núcleo central constituído de ferro, associado a um campo magnético de altíssima intensidade, difícil de quantificar (cem teslas ou mais, talvez). O sol nasceu num aglomerado de algumas centenas de estrelas que se dispersou em algumas dezenas de milhões de anos. Digamos 50 milhões de anos. As estrelas massivas (20 massas solares) ejetaram as pequenas por efeito de funda. No caminho essas estrelas massivas tiveram tempo de se transformar em supernova, portanto de explodir, antes que o aglomerado fosse dispersado. Elas então o povoaram de elementos pesados (dos quais somos constituídos). Se algumas supernovas podem dar nascimento por compressão a resíduos sob forma de estrelas de nêutrons, é muito possível que em outros casos a compressão não seja suficientemente simétrica para assegurar a transformação do núcleo de ferro em massa de nêutrons em contato. O núcleo teria então sido deslocado. Tenho na mesa do meu escritório um mini-meteorito do tamanho de um amendoim que sem dúvida habitou outrora o coração de uma estrela gigante e constitui hoje um ínfimo fragmento saído da desintegração desta. Ninguém pode prejulgar o tamanho dos fragmentos. Na Terra alguns aterrissaram que tinham tamanhos respeitáveis (portanto o que deu nascimento ao "meteor crater" no Arizona). É totalmente possível que possam existir maiores, ejetados longe do sol, portanto então indetectáveis salvo em fase de aproximação final, já que à diferença dos cometas eles não desgaseificam. Imagine que um fragmento de supernova do tamanho de Fobos passe perto da Terra, sem a atingir. Ele a varreria com seu campo magnético. Este seria então capaz de agir sobre o campo terrestre ao ponto de fazê-lo bascular, de invertê-lo. As inversões sucessivas do campo magnético terrestre, constatadas por medida do paleomagnetismo das lavas, vêm talvez daí.
Os físicos são sempre incapazes de explicar "a razão suficiente" (como diria o professor Pangloss) da presença de um campo terrestre (0,4 gauss, se minhas lembranças são exatas). Fala-se há décadas de "efeito Dínamo".
Voltemos a essa história de asteroide metálico que não colide com a Terra, mas a roça suficientemente perto. Ele pode no momento de sua passagem criar forças de Laplace no seio do magma terrestre. Mesmo que essas forças não sejam bastante intensas para modificar sensivelmente a forma do nosso geóide, elas podem ser suficientes para desencadear terremotos, vulcanismo e mesmo fenômenos de maior amplitude ainda, como surgimentos ou desabamentos de porções da crosta terrestre. A água salgada também é condutora de eletricidade. No seu seio as forças de Laplace criariam correntes fluídas. Pode-se imaginar que esse asteroide possa assim provocar o fim de civilizações, como a de uma eventual "Atlântida". Não gosto desses cientistas que procuram reduzir tudo, passar tudo em seu moedor intelectual imaginando que sabem tudo sobre tudo, baseando-se num saber que creem definitivo. Nosso passado permanece bem misterioso. Foi só muito recentemente que nossos astrofísicos consideraram que o sol possa ter nascido num aglomerado (Artigo de Serge Jodra: "Onde foram parar as irmãs do Sol?" em Ciel et espace de abril de 1998, nº 336 página 60). Antes os astrofísicos pensavam que o sol nascera sozinho no seu canto. Mas em ciência, tudo procede por "catástrofes" (de kata, ao lado, e strophedein, o sulco). O discurso científico se parece com um disco. De tempos em tempos um evento faz com que o braço do toca-discos salte, mude de sulco. Um discurso se interrompe então brutalmente para que outro se encadeie, que eventualmente nada tem a ver com o precedente. Outro exemplo: a passagem brutal da "teoria dos geossinclinais" à da tectônica de placas, após a descoberta da deriva dos continentes. De passagem eu gostaria que alguém me enviasse fotocópias de páginas de cursos de geologia datando de antes dessa descoberta da deriva dos continentes (a enviar a J.P.Petit, villa Jean-Christophe, chemin de la Montagnère, 84120, Pertuis). Pertenço com efeito a uma geração que teve de aprender (de cor) essa teoria dos "geossinclinais" que então se encontrava na prateleira "geologia" do ensino secundário. Era surrealista. Arranjava-se para explicar como o fundo de lagos ou de mares chegava a formar... montanhas. Ficaria encantado de levá-las ao conhecimento dos leitores para que os mais jovens vejam como conhecimentos podem assim bascular na escala de uma geração. Os cientistas (e neste caso os geólogos) são como os gatos que, como todos sabem, têm a arte de "pôr seus cocôs debaixo do tapete da sala".
O discurso científico é na verdade um discurso de tipo religioso. A ciência tem seus padres, seus Pangloss, como Hubert Reeves, grande distribuidor de poeira de estrelas, tal um moderno vendedor de areia. Suas frases começam por "pensa-se que..." e para quem sabe seguir discursos em longos lapsos de tempo, elas evoluem, elas também. Você sem dúvida ouviu o cientista dizer "que o mito da Atlântida" estava simplesmente ligado à explosão do vulcão de Santorini, nas ilhas gregas. Fui lá. Efetivamente deve ter sido algo. O maremoto que resultou pode ter pulverizado algumas civilizações costeiras. Platão pode também simplesmente ter fabulado, a menos que se trate do efeito da passagem desse asteroide férreo evocado acima. Note uma coisa de passagem. Suponha que esse asteroide passe a fraca distância da superfície da Terra. Pequeno demais, pouco massivo, ele poderia não engendrar nenhum fenômeno de maré, embora os efeitos de maré sejam em 1/r3. Não roçando nossa atmosfera ele não criaria nenhum fenômeno aerológico (se não aquele que seria devido a uma potente agitação de nossa ionosfera pelas forças de Laplace, porque esta é ionizada). Na medida em que esse asteroide não desgaseificaria (os cometas se revelam sobretudo por sua "cabeleira" e começam a desgaseificar a uns seiscentos milhões de quilômetros da Terra, após terem franqueado a órbita de Júpiter) seria mesmo possível que ninguém o notasse. E no entanto ele teria sido talvez capaz de provocar numa noite o engolimento de um continente inteiro, o dos "Atlantes".
Existe outra tese a respeito do desaparecimento de uma civilização antiga, devida ao politécnico Jacques Deruelle, publicada num livro intitulado "A Atlântida e seus Megalitos", obra que passou totalmente despercebida. Existe entre a Inglaterra e a Noruega um vasto banco onde a profundidade é inferior a 30 metros em alguns pontos, creio. É o famoso "Dogger Bank", bem conhecido dos pescadores. As glaciações não só abaixam o nível dos oceanos mas fazem subir os leitos oceânicos nas proximidades das barreiras glaciais. É como quando você pressiona num ponto sobre um colchão de espuma. Isso faz subir ligeiramente a parte vizinha. Quando os gelos derretem, a geleira recua. O nível do mar sobe e o leito oceânico afunda. Poderia ter existido uma civilização vivendo na idade do ferro que teria se agarrado ao que se tornou agora "Dogger Bank" fazendo dele um... pôlder. Quando se trata de preservar um território, dezenas de milhares de homens podem trabalhar durante séculos, ou mesmo milênios, para edificar diques de trinta metros de altura. Tanto mais que o afundamento foi progressivo. As obras puderam começar desde a pré-história, desde o fim dessa glaciação. E depois um dia uma tempestade excepcional rompe a barragem. Numa noite tudo é engolido. As tempestades seguintes completarão o trabalho. Alguns séculos mais tarde nada subsistirá de uma civilização que teria podido ser florescente e constituir talvez aqueles que se chamaram "os Povos do Mar" e que causaram sérios problemas ao Egito numa certa época. Povos muito avançados em matéria de navegação, com navios de quilha, dominando o ferro (enquanto os egípcios, atacados, só tinham suas espadas de bronze para enfrentar). Há talvez coisas fabulosas a descobrir efetuando testemunhagens no fundo do Dogger Bank. Encontram-se bem massas de ossadas de mamute ao largo da Dinamarca, que datam da época em que essas planícies ainda estavam emersas.
8 de abril de 2006: Correspondência de um leitor:
Senhor petit,
seu site é extraordinário passei várias noites em claro no seu site e um assunto particular chamou minha atenção: Os terremotos. Sou de origem turca e pensei a mesma coisa que você a respeito do desencadeamento dos terremotos. Tenho 22 anos e na época do terremoto eu tinha 15 e tinha pensado talvez numa carga nuclear posta na base americana de
Duzce(epicentro do sismo na época) segundo certa fonte a base estava como por magia vazia naquele dia nenhum soldado presente na base Amigos tendo sobrevivido ao terremoto me dizem ter visto uma luz no céu e um barulho infernal.
Não seria aí o clarão da máquina de que você fala você me fez descobrir sua existência
Agradeço-lhe gostaria de tratar o assunto dos terremotos com você.
Bravo pelo que você faz
David Fumero
Senhor petit,
seu site é extraordinário passei várias noites em claro no seu site e um assunto particular chamou minha atenção: Os terremotos. Sou de origem turca e pensei a mesma coisa que você a respeito do desencadeamento dos terremotos. Tenho 22 anos e na época do terremoto eu tinha 15 e tinha pensado talvez numa carga nuclear posta na base americana de
Duzce(epicentro do sismo na época) segundo certa fonte a base estava como por magia vazia naquele dia nenhum soldado presente na base Amigos tendo sobrevivido ao terremoto me dizem ter visto uma luz no céu e um barulho infernal.
Não seria aí o clarão da máquina de que você fala você me fez descobrir sua existência
Agradeço-lhe gostaria de tratar o assunto dos terremotos com você.
Bravo pelo que você faz
David Fumero
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