Biografia de Jean-Pierre Petit
J-P. Petit: Biografia

...Jean-Pierre Petit nasceu em 1937. Em 1961, ele obteve seu diploma da Escola Nacional de Aeronáutica de Paris (especialidade mecânica dos fluidos).
...
...Na escola, ele realizou um certo número de trabalhos pessoais inéditos sobre uma bocal de disco supersônico, bem como sobre jatos hipersônicos muito finos, que estavam cheios de características paradoxais.
...Em 1961, ele foi convidado para se juntar à Universidade de Princeton, e para a viagem, ele embarcou no transatlântico chamado Mauretania, aquele que foi construído logo antes do Titanic, na Inglaterra. Felizmente, a viagem foi boa e nenhum iceberg foi encontrado.
...Em Princeton, ele se juntou ao Centro James Forrestal, dirigido pelo professor Bodganoff, mas sua estadia foi muito curta.
...Quando ele chegou ao laboratório, encontrou-o vazio, pois todos tinham saído para almoçar. A curiosidade de Petit tomou o controle e ele decidiu dar uma volta. Ele ignorou os painéis que indicavam "área proibida, acesso restrito às pessoas autorizadas", e descobriu uma máquina muito estranha, com forma de disco. Ele decidiu inspecioná-la e entrou.
...Quando o Dr. Bogdanoff voltou do almoço, Petit decidiu falar sobre o que havia visto. Bodganoff ficou furioso:
"Você está louco! Você sabe que é uma máquina muito secreta!"
Petit respondeu:
"Não brinque, isso nunca funcionará. É apenas uma máquina de efeito de solo, você nunca conseguirá decolar com isso."
...A conversa virou uma discussão, e Petit teve que sair da universidade e deixar Princeton imediatamente. Sem um tostão, ele ganhava a vida em Nova York vendendo desenhos no Village de Greenwich para reunir dinheiro para sua passagem de volta.
...O transatlântico que ele pegou para voltar à França foi a "Liberté" da famosa "French-Line", e foi sua última viagem, pois ela foi vendida a uma empresa japonesa que desejava transformá-la em um hotel flutuante.
...Nenhum iceberg foi visto durante a volta, apenas uma tempestade de outono com ventos fortes vindos do oeste. As ondas atingiam 30 metros de altura e o mar estava coberto de espuma. Quase todos sofreram muito com o mal de mar. A distância entre as cristas das ondas sucessivas era comparável ao comprimento do navio, aproximando-se de 300 metros. Assim como o vento, as ondas vinham de trás e de um lado. O navio, que havia sido navegado a uma velocidade aproximadamente constante, começou subitamente a oscilar. Petit se lembra:
- A cada subida e descida, o navio inclinava-se em 43°. Duas pessoas morreram a bordo. Uma senhora idosa caiu em sua cabine e bateu na sua bacia, e um empregado que não parecia saber como soltar seu bandeijão quebrou a parte superior de seu crânio no outro extremo do corredor.
Petit pôde observar esse fenômeno a partir de um convés superior do navio.
...O capitão decidiu virar para o oeste para enfrentar as ondas muito perigosas. Petit ficou fascinado com a tempestade. Uma noite, ele quis explorar o convés inferior, normalmente proibido aos passageiros, para observar de perto o mar em fúria. As montanhas de água escura e espuma bloqueavam o horizonte. De repente, Petit percebeu que uma das ondas inundou o convés do navio, que ficou cheio de água, e ele mesmo corria o risco de ser levado por uma onda, ficando sozinho no meio do Oceano Atlântico, no meio da noite, na esteira do navio. Ele conseguiu escapar por pouco.
...Quando Petit voltou à França, ele fez seu serviço militar, tornou-se tenente no exército e dirigiu um clube militar de planador em Friburgo, na Alemanha. Fora disso, ele fez 200 saltos de paraquedas em queda livre.
...Um pouco decepcionado com suas experiências em Princeton, ele se tornou artista por vários anos. Ele fez pintura e gravura em cobre e pedras litográficas em Paris. Depois, ele se juntou a uma empresa localizada no sul da França que possuía um local de teste para foguetes propulsados por pólvora.
...Mas ele se aborreceu rapidamente e se juntou a um instituto de pesquisa público. Ele trabalhou em uma usina elétrica MHD, um sistema de curta duração baseado em um "canal de choque" (túnel de choque de curta duração). Esse último produzia um fluxo de argônio quente e denso durante 200 microsegundos a uma pressão de um bar, uma temperatura de dez mil graus, uma velocidade de 2500 m/s.
...Combinando esse fluxo a um campo magnético transversal de dois teslas, obtém-se um forte campo elétrico induzido VB, e uma corrente elétrica que circula pelas eletrodos das paredes e cargas externas. A uma temperatura tão alta, a condutividade elétrica do argônio é suficientemente elevada para produzir uma densidade enorme de potência elétrica: dois megawatts para um canal MHD do tamanho de uma lata de cerveja.
...Agora estamos em 1965. Interessavam-se pela alta eficiência das usinas MHD (teoricamente: até 60%). Os laboratórios estavam ricos em todos os países e gastavam dinheiro.
...Os especialistas MHD sonhavam em poder acoplar seus geradores a reatores de alta temperatura (HTR). Gases inertes como o argônio ou o hélio refrigerariam o núcleo do reator e extrairiam a energia térmica. Adicionar 2% de césio aumentaria a condutividade elétrica.
...Os especialistas em HTR recusavam-se a pensar em reatores funcionando a temperaturas superiores a 1500 °C. O MHD necessitava de 2000 ou 2500...
...Então pensou-se em um sistema de duas temperaturas (nos Estados Unidos: Kerrebock, na Rússia: Shendlin e seus colaboradores). A ideia é simples. Um tubo fluorescente é um dispositivo de duas temperaturas. O gás, o argônio, é frio. Prova: você pode tocá-lo com a mão. Mas o campo elétrico dá grandes energias aos elétrons livres. Esses elétrons batem na camada fluorescente, dentro da parede de vidro, que reage, emitindo luz branca.
...Os americanos e os russos acreditavam que, em certas condições adequadas, um gerador MHD de duas temperaturas poderia funcionar, digamos, a uma temperatura do gás de 1500 °C e uma temperatura eletrônica de 2500-3000 Kelvin. Obtemos uma boa condutividade elétrica (que depende da temperatura eletrônica), uma boa eficiência, na verdade, tudo é bom.
...Mas em 1964, um jovem russo assistiu a uma reunião internacional MHD em Newcastle, no Reino Unido. O jovem E. Velikhov, membro da equipe russa. Como teórico, ele previu:
- Seus plasmas de duas temperaturas serão bastante instáveis. Você terá ondas de densidade eletrônica planas, transformando seu gás de trabalho em um... condensador, uma sequência de camadas de condutividade elétrica alta e baixa. A corrente elétrica não circulará, portanto não haverá potência elétrica, nada. "Eu calculei tudo", disse ele.
...Ninguém acreditou nele, mas acabou sendo verdadeiro. Em Varsóvia em 1967, Ricateau, o construtor francês da fábrica "Typhée" em Fontenay-aux-Roses, concluiu: "nós estamos diante do muro da instabilidade eletrotérmica de Velikhov".
...Em 1965, Petit juntou-se ao Instituto de Mecânica dos Fluidos de Marselha, dirigido pelo professor J. Valensi (falecido desde). Copiando o modelo americano de Bert Zauderer, os franceses usaram canais de choque para produzir, na fonte, um fluxo gasoso quente, rapidamente direcionado para pequenos canais MHD. Eles se revelaram experimentalmente relativamente baratos. O campo magnético de dois teslas era fornecido por uma bancada de capacitores. O canal MHD era construído em plexiglass e as eletrodos eram de cobre vermelho.
...Na França, o Comissariado da Energia Atômica (CEA, o departamento francês da energia atômica) detinha quase toda a atividade MHD em ciclos fechados. Mas seu enorme gerador "Typhée", em sua grande sala, revelou-se instável como todos os seus irmãos no mundo. A potência elétrica produzida estava próxima de zero.
Então as pessoas do CEA disseram:
- Por que não tentar simular isso com esses pequenos canais de choque, no laboratório de Marselha?
...A ideia veio de um jovem estudante de Kerrebrock: Solbès. Em Marselha, o contrato foi rapidamente assinado, embora ninguém soubesse o que era um gerador de duas temperaturas. Recentemente contratado, Petit aprendeu a física dos plasmas. Em 1967, Sutton e Sherman haviam acabado de publicar seu excelente livro (Mac Graw Hill) intitulado "Engenharia da Magneto-Hidrodinâmica". Petit compreendeu o problema, construiu e publicou sua própria teoria da instabilidade de Velikhov e teve uma ideia original. Ele descobriu, por meio de seus estudos teóricos, que quando o plasma se torna "totalmente ionizado", se for rápido o suficiente, a instabilidade não ocorre. A ionização estabiliza o plasma. Esse fenômeno foi redescoberto quinze anos depois por um japonês, que o chamou de "subir o Monte Fuji" (devido à forma particular da curva de crescimento da instabilidade, parecendo o famoso vulcão japonês).
...Em 1966, a experiência calculada por Petit teve sucesso total. Pela primeira vez no mundo, um gerador MHD funcionou com duas temperaturas e com alta potência, em condições estáveis. Temperatura do gás: 6000 °C, temperatura eletrônica: 10 000 °C. Potência de saída: dois megawatts (durante 200 microsegundos...).
Os colegas de Petit eram céticos. Mas Petit disse:
- Vamos colocar 2% de dióxido de carbono no gás. Ele absorverá a energia do gás eletrônico, transformando-a em energia de vibração e emissão radiativa. O processo será muito rápido, graças à grande seção eficaz do CO2, e eu consegui calculá-lo.
...Mais uma vez, as previsões de Petit se provaram corretas. Ele confirmou que era um bom profeta e conseguiu apresentar seu trabalho na reunião internacional MHD de Varsóvia em 1967. Mais tarde, a temperatura do gás foi reduzida com sucesso para 4000 Kelvin. A estabilidade do plasma foi confirmada por fotos tiradas com a primeira câmera eletrônica americana disponível.
...O diretor do laboratório estava entusiasmado. Todos acreditavam que era a solução, e cada um sonhava em reduzir a temperatura do gás para 1500 °C. Claro, o canal de choque é apenas um simulador. Mas as pessoas acreditavam que a ideia era excelente e deveria resolver os problemas dos "grandes irmãos", os conversores MHD em escala total.
...O chefe do laboratório decidiu realizar a experiência por si mesmo, como sempre. Ele colocou sua própria equipe na usina construída por Petit com suas próprias mãos, e o rejeitou em uma pequena sala sob o telhado. Lá, Petit calculou novamente e riu: o barco está furado. A teoria mostra que esse método não permitirá reduzir a temperatura do gás abaixo de 4000 °C. Toda essa excitação por nada...
...Nos meses seguintes, Petit trabalhou como um louco para construir seu "barco salva-vidas": uma tese de doutorado baseada na teoria cinética dos gases ionizados. Ele sabia que teria que abandonar sete anos de trabalho árduo aqui e sair do laboratório.
...Embaixo, as coisas não correram tão bem. Os colaboradores do chefe cometeram muitos erros e quase destruíram o conversor MHD. Valensi ordenou a Petit que voltasse e reconstruísse a máquina quase destruída. Mas era tarde demais. A tese de doutorado de Petit estava concluída, e ele saiu do laboratório, que afundou. Cansado de todo esse barulho, Petit decidiu transformar os elétrons em estrelas, nas equações, e se juntar ao Observatório de Marselha. (Praticamente, para o especialista: transformar a equação de Boltzmann na equação de Vlasov, cujo segundo membro é nulo).
Ele trabalha lá há mais de 25 anos.
...Nós escrevemos 30 livros. Alguns foram traduzidos para o inglês (As Aventuras de Archibald Higgins). Esses livros foram impressos nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Alemanha, na Itália, em Portugal, na Rússia, na Polônia e... no Irã.
...Nas pequenas histórias do aiatolá iraniano, encontramos a heroína Sophie vestida de forma muito leve, e elas exercem seu direito de fazê-la se vestir decentemente, como é costume, com um xadô. Um artista iraniano assume essa operação por ela. O Irã não é o único país que exerce essas mudanças de roupas da heroína. O segundo país foi a América. Quando esses livros saíram nos Estados Unidos, eles foram levados pelo departamento de matemática da Universidade de Berkeley. Petit veio a essa universidade para dar uma palestra e trouxe consigo os livros já impressos na Inglaterra. Ele ofereceu os livros à biblioteca, que disponibilizou aos estudantes dois tipos de livros, todos em língua inglesa. Alguns tinham as palavras "versão limpa" e os outros as palavras "versão original".
...Isso faz vinte anos. Essas edições são, sem dúvida, difíceis de encontrar hoje. A série inclui:
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Aqui está o olho de Euclides
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Magia da computação.
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Tudo é relativo.
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Buraco negro.
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Big Bang
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A barreira silenciosa
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Corra, robô, corra.
18 títulos foram impressos na França.
...Em 1977, Petit descobriu os primeiros microcomputadores Apple-II. Ele escreveu o primeiro programa de design assistido por computador (CAD) em 3D funcionando eficientemente em pequenos sistemas (48K, os 64K). Ele vendeu 1.500 cópias desse software.
...Durante os oito anos seguintes, ele dirigiu um centro de computação. Ao mesmo tempo, ele aprendeu geometria moderna com Bernard Morin, um famoso matemático cego, e desenhou a inversão da 2-esfera. Ele também inventou uma nova inversão do toro e publicou esse trabalho na Academia Francesa de Ciências. Ele mostrou que as linhas meridianas da superfície misteriosa de Boy podiam ser elipses. Isso permitirá mais tarde a Apery construir a primeira equação implícita da superfície, de grau seis.
...Em 1975, Petit pertencia ao Observatório de Marselha. Mas as velhas ideias MHD continuavam girando em sua cabeça. Em 1965, durante as experiências MHD, o desaceleração do plasma no canal MHD era tão forte que uma onda de choque se formou e se moveu na entrada do canal. Isso foi devido à força de Lorentz JB. Produzir energia elétrica desacelera o gás: sua energia cinética se transforma em eletricidade.
...Quanto maior a produção de eletricidade, maior o efeito de desaceleração do gás. Como previsto por Petit, uma onda de choque deveria aparecer, e ela apareceu.
...Mais tarde, no final dos anos 60, experiências de aceleração engenhosas e de baixo custo foram realizadas no Instituto de Mecânica dos Fluidos de Marselha por dois pesquisadores: B. Fontaine e B. Forestier. Eles mostraram que, usando o conversor MHD como acelerador, a velocidade do plasma de argônio (2.750 m/s na entrada do canal) poderia atingir 8.000 m/s em um acelerador MHD de dez centímetros de comprimento.
...Mas no início dos anos 70, a pesquisa MHD parou em todos os países.
...No seu observatório, Petit continuava a pensar no maravilhoso mundo MHD. Um dia, ele disse:
- Se o efeito da força de Lorentz é intenso o suficiente para que eu possa produzir uma onda de choque, por que não posso cancelar uma onda de choque localizada na frente de um corpo se movendo em um gás a velocidade supersônica, simplesmente aspirando esse gás com um campo de força de Lorentz bem projetado? Em uma palavra, é possível voar sem onda de choque a velocidades supersônicas?
...A ideia parecia completamente louca para os especialistas convencionais de mecânica dos fluidos. Eles diziam:
- Você *deve *ter um sistema de onda de choque.
...Petit não estava convencido. Quando ele frequentava sua escola aeronáutica em Paris, ele usava um simulador analógico de superfície livre de água. Hoje, eles desapareceram completamente das universidades e laboratórios. Mas, na década de 60, eles eram usados para simular o sistema de ondas de choque ao redor, por exemplo, de uma asa plana:

...Se alguns leitores estiverem interessados, informações poderão eventualmente ser fornecidas neste site sobre os temas MHD e a anulação das ondas de choque.
...Em resumo, em 1976, Petit calcula os parâmetros de uma experiência MHD, usa um campo magnético de um tesla, água, ácido clorídrico, fluxo de superfície livre, eletrodos e cancela a onda de água localizada na frente de um modelo de um centímetro.
...Mais tarde, ele orientou uma tese de doutorado sobre o assunto, a de Bertrand Lebrun.
...Para o especialista em mecânica dos fluidos, as ondas de choque aparecem porque "as linhas de Mach se concentram":
...Onde as linhas de Mach se acumulam, as ondas de choque tendem a crescer. Mas a força de Lorentz modifica o ângulo de Mach local e o sistema de linhas de Mach. Com seu aluno, Bertrand Lebrun, Petit mostrou em 1982 que, com um campo de força de Lorentz adequado, o cruzamento das linhas de Mach pode ser evitado, de modo que as ondas de choque não se formam.

...Além disso, tudo isso poderia ser experimentalmente testado com um campo magnético transversal e um conjunto de eletrodos. Petit e Lebrun apresentaram seu trabalho no 7º Congresso Internacional de Tsukuba, no
Versão original (inglês)
Biography of Jean Pierre Petit
J-P. Petit : Biography

...Jean-Pierre Petit was born in 1937. In 1961 he graduated from National Aeronautical School of Paris (fluid mechanics speciality).
...
...At school he accomplished a certain amount of unpublished personal works on a supersonic disk nozzle, and on very thin hypersonic flat jets, which were full of many paradoxical features.
...In 1961 he was invited to join Princeton University and for the journey there he boarded the steamer named Mauretania, the one which was built just before the Titanic, in England. Fortunately it was a good journey an no iceberg was encountered.
...In Princeton he joined the James Forrestal Center, directed by Professor Bodganoff, but his stay was very short.
...When he arrived at the laboratory, he found it was deserted as everyone had gone out for lunch. Petit's curiosity got the better of him and he decided to have a look around. He neglected the signs saying "restricted area, authorized persons only", and he discovered a very strange machine which was disk shaped. He decided to inspect it, so he got on-board.
...When Dr. Bogdanoff got back from his lunch, Petit decided to talk to him about what he'd seen. Bodganoff got angry :
' Your crazy" he says "do you know that is a top secret machine !".
Petit replies :
"No kidding, it will never work. It is just a ground effect machine, you will never de able to take off with that '".
...The conversation turned sour and Petit had to quit the university and leave Princeton immediatly. Without a penny, he earnt his living in New York selling drawings in Greenweich Village in order to earn the money for his return ticket.
...The steamer he took for his journey, back to France, was the "Liberté" of the well-known "French-Line" and this was to be the last trip as she had been sold to a Japanase Comany who wanted to transform her into a floating hotel.
...No icebergs were seen during the return voyage, just an autumn storm with an extremely violent west wind. The waves were 30 meters high and the sea was covered in foam. Nearly everyone suffered terribly with sea-sickness. The distance between to tops of the successive waves finished comparable to the length of the ship, approaching 300 meters. Like the wind, the waves arrived from behind and on one side. The ship which has been navigated at just about the same speed, suddently started to oscillate. Petit remembers :
- On all the ups and downs, the ship inclined at 43°. On board two were dead. An old lady fell in her cabin and knocked herself on her basin and a stewart who didn't have the presence of mind to let go of his tray, smashed the top of his head at the far end of the corridor.
Petit was able to observe this phenomenon from a superior deck of the ship.
...The captain decided to turn to the west in order to face the very dangerous waves. Petit was fascinated by the storm. One night he wanted to explore the lower deck, normally forbidden to passengers, to observe at close quarters the raging sea. The mountains of block water and whote foam blocked the horizon. Suddently Petit realises that one of the waves floods the ship bridge, which becomes swamped with water and he himself risks being swepted out by one of the waves to be left alone in the middle of the Atlantic Ocean, in the middle of the night, in the ship's wake. He just manages to save himself.
...When Petit returned to France, he took up his military service, became a lieutenant in the Army, and ran a military gliding club in Fribourg, Germany. In his spare time he made 200 free-fall parachute jumps.
...Somewhat disappointed by his experiences in Princeton, he became an artist for several years. He made a profession in painting and engraving copper and lithographic stones in Paris. Then he joined a company located in the south of France which had a test-site for powder propelled rockets.
...But he he got rapidly bored with it and joined a State Research Institute. He worked on a MHD power plant, a short duration system based on a so-called "shock-tube" (short-duration shock driven wind tunnel). The latter produced hot and dense argon flow during 200 microseconds at pressure : one bar, temperature : ten thousandd degrees, velocity : 2500 m/s.
...Combining this flow to a transverse two tesla magnetic field, one gets a strong induced electric field VB, and an electric current, flowing through wall electrodes and external loads. At such high temperatures the electric conductivity of argon is high enough to have huge amounts of electric power density : two megawatts for a MHD channel as large as a beer can.
...We are now in 1965. People were interested in high efficiencies of MHD power plants (theoretically : up to 60 %). The labs were rich in all countries and they spent money.
...MHD men dream to be able to couple their generators to high temperature reactors (htr). Inert gases like argon or helium would cool the heart of the reactor and pick out thermal energy from it. Adding 2% of cesium would increase the electrical conductivity.
...Htr people refuse to think about reactors working at temperatures higher than 1500°. MHD needs 2000 ou 2500.....
...Then people think about a two temperature system (in the US : Kerrebock, and in Russia Shendlin and his coworkers). The idea is simple. A fluorescent tube is a two temperature device. The gas, neon, is cool. Proof's that you can touch it with your hand. But the electric field gives large energies to free electrons. These electrons strike the fluorescent layer, inside the glass wall, which therefore reacts, emiting white light.
...Americans and Russians think that in certain adequate conditions, a two temperature MHD generator can work, say at a gas temperature of 1500° and electron temperature of 2500-3000° Kelvin. You get good electrical conductivity (which depends on electron temperature), good efficiency, in fact, good everything.
...But in 1964 a young Russian went to an International MHD meeting in Newcastle, U.K. The young E.Velikhov, who belonged to the Russian team. As a theoretician, he prohesizes :
- Your two temperature plasmas will be fairly unstable. You will have plane electron density waves, transforming your working gas into a ... capaciror, a succession of high and low electrical conductivity layers. The electric current will not flow, therefore no electric power, nothing. "I have calculated all that" he said.
...Nobody believed him, but it turns out to be the true. In Warsaw in 1967, Ricateau, the French builder of the plant "Typhée" in Fontenay-aux-Roses, concludes :"we face the wall the the Velikhovs electrothermal instability".
...In 1965 Petit joined the Institute of Fluid Mechanics at Marseille, which was directed by Professor J.Valensi, (now deceased). Copying the American Bert Zauderer, the French used shock tubes to produce at source hot gas flow, quickly driven towards small MHD channels. They proved to be relatively low cost experiments. The two teslas magnetic field was delivered by a capacitor bank. The MHD channel was built in plexiglass and the electrodes were made of red copper.
...In France the French Commissariat à l'Energie Atomique (CEA, the Frenche department dor atomic energy) held almost the MHD activity in "closed cycles". But their huge generator "Typhée", in its large room, turned out to be unstable as all his brothers over the world. The electric power output was close to nothing.
Then the guys at the CEA say :
"Why don't we try to simulate that with these small shock tubes, in the lab of Marseille ?".
...The idea came from a young student of Kerrebrock : Solbès. In Marseille the contract was rapidly signed up, although there nobody knows what a two temperature generator is. Recently engaged, Petit learns plasma physics. In 1967 Sutton and Sherman had just published their excellent book (Mac Graw Hill) entitled "Engineering magnetohydrodynamics". Petit understood the problem, buildt, and published his own theory of Velikhov's instability and had an original idea. He discovered, through his theoretical studies, that when the plasma becomes "fully ionized", if fast enough, the instability does not occur. The ionization stabilizes the plasma. This phenomenon was rediscovered fifteen years later by a Japanese, who called it "to climb the mount Fuji" (due to the peculiar shape of the instability growth rate curve, looking like the famous Japanese vulcano).
...In 1966, the experiment calculated by Petit was fully successfull. For the first time in the world a MHD generator works with two temperatures and large power output, in stable conditions. Gas temperature : 6000°, electron température : 10,000°. Output power : two megawatts (during 200 microseconds...).
Petit's collegues were skeptical. But Petit said :
- Let's put 2% of carbon dioxyde in the gas. It will absorb the energy of the electron gas, transforming it into vibration energy and radiative output. The process will be very fast, due to large cross section of the CO2, and I have been able to compute that.
...Once again, Petit's predictions were sound. He confirmed that he is a good prophet and he was able to present his work at the International MHD Meeting of Warsaw in 1967. Later the temperature of the gas was successfully lowered to 4000° Kelvin. The stability of the plasma was confirmed by photos taken of it on the first available american electronic camera.
...The director of the lab was enthusiastic. Everybody thought that this was the solution and all dream to lower the gas temperature to 1500°. Of course, the shock tube is just a simulator. But people think the idea is great and should solve the problems of the "big brothers", the full size MHD converters.
...The lab's boss decides to run the experiment on his own, as usual. He put his own team on the plant built by Petit by his own hands, and rejects him in a small room, under the roof. There, Petit calculates again and laughs : the boat is a pierced boat. The theory shows that this method will not allow them to make the gas temperature lower than 4000°. All that excitement for nuts....
...During the next few monthes Petit works like hell to build his "lifeboat" : a Phd thesis based on kinetic theory of ionized gases. He knows he will have to give up seven years of hard work, here, and leave the lab.
...Downstairs, things don't work so well. The boss' collaborators have made many errors and almost destroyed the MHD convertor. Valensi orders Petit to come back and rebuild the almost destroyed machine. But too late. Petit's Phd thesis has come to an end and he leaves the lab, whick sinks. Tired by all that noise, Petit decides to transform electrons into stars, in the equations, and to join the Observatory of Marseille. (Practically, for the specialist : transforming the Boltzmann equation into the Vlasov equation, whose second member is zero).
He works there since for than 25 years.
...We writes 30 books. Some were translated into English (The Adventures of Archibald Higgins). These books were printed in the US, England, Germany, Italy, Portugal, Russia, Poland and... Iran.
...In the little stories of the Iranian Ayatollah, you find the heroine Sophie scantilly dressed, and they exercise their right to make her dress decently as customary, with a tchador. An Iranian artist takes charge of this operation for her. Iran is not the only who exercises these changes of clothing of the heroine. The second country was America. When these books came out in the U.S.A., they were taken by the department of mathematics at the University of Berkeley. Petit came to this University to give a conference and he brought with him the books already printed in England. He offered the books to the library which put at the disposition of the students two types of books, all in English language. Some carried the words "cleaned version" and the others" carried the words "original version".
...It was twenty years ago. These issues are, without a doubt, difficult to find now. The series includes :
-
Here's looking at Euclid
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Computer magic.
-
Everything is relative.
-
Black hole.
-
Big Bang
-
The silent barrier
-
Run, robot, run.
18 titles were printed in France.
...In 1977 Petit discovers the first micro-computers Apple-II. He writes the first computer's assisted 3d designer program (Conception Assistée par Ordinateur ou CAO), which works efficiently on small systems (48K, the 64K). He sells 1,500 copies of this software.
...During the next 8 years he runs a computing Center. At the same time he learns modern geometry with Bernard Morin, a famous blind mathematician, and draws the eversion of the 2-sphere. He also invents a new eversion of the torus, and publish this work at the French Academy of Science. He shows that the meridian lines of the mysterious Boy's surface can be ellipses. This will later enable Apery to build the first implicit equation of the surface, sixth degree.
...In 1975 Petit belongs to the Observatory of Marseille. But the old MHD ideas still run around inside his head. In 1965, during the MHD experiments, the slowing down of the plasma, in the MHD channel, was so strong that a front shock wave occured and moved at the input of the channel. This was due to Lorentz force JB. Producing electric energy slows down the gas : its' kinetic energy is transformed into electricity.
...A produção de eletricidade mais alta, maior o efeito de desaceleração do gás. Como previsto por Petit, uma onda de choque deveria aparecer, e apareceu.
...Mais tarde, no final da década de 1960, experimentos inteligentes e de baixo custo de aceleração foram realizados no Instituto de Mecânica dos Fluidos de Marselha, por dois pesquisadores: B. Fontaine e B. Forestier. Mostraram que, usando o conversor MHD como acelerador, a velocidade do plasma de argônio (2.750 m/s ao entrar no canal) poderia crescer até 8.000 m/s em um acelerador MHD de dez centímetros de comprimento.
...Mas no início da década de 1970, a pesquisa MHD foi interrompida em todos os países.
...No seu observatório, Petit continuava pensando no maravilhoso mundo MHD. Um dia, disse ele:
- Se, com a força de Lorentz, consigo gerar um efeito intenso o suficiente para produzir uma onda de choque, por que não posso cancelar uma onda de choque localizada na parte dianteira de um corpo em movimento a velocidade supersônica no gás, simplesmente sugando esse gás por meio de um campo de força de Lorentz bem projetado? Em outras palavras, será possível o voo sem ondas de choque, em velocidades supersônicas?
...A ideia parecia completamente absurda para especialistas convencionais da mecânica dos fluidos. Eles diziam:
- Você precisa ter um sistema de onda de choque.
...Petit não se convenceu. Quando frequentava sua escola aeronáutica em Paris, usava um simulador análogo de fluxo sobre superfície livre de água. Hoje, esses dispositivos desapareceram completamente das universidades e laboratórios. Mas, na década de 1960, eram usados para simular o sistema de ondas de choque em torno, por exemplo, de uma asa plana:

...Se alguns leitores estiverem interessados, informações adicionais podem ser eventualmente fornecidas neste site sobre temas MHD e cancelamento de ondas de choque.
...Em resumo, em 1976, Petit calculou os parâmetros de um experimento MHD, usou um campo magnético de um tesla, água, ácido clorídrico, fluxo sobre superfície livre, eletrodos e cancelou a onda d'água localizada na frente de um modelo de um centímetro.
...Mais tarde, dirigiu uma tese de doutorado sobre o tema, a de Bertrand Lebrun.
...Para o especialista em mecânica dos fluidos, as ondas de choque ocorrem porque "as linhas de Mach se concentram":
...Onde as linhas de Mach se acumulam, as ondas de choque tendem a crescer. Mas a força de Lorentz altera o ângulo de Mach local e o sistema de linhas de Mach. Com seu aluno, Bertrand Lebrun, Petit demonstrou em 1982 que, por meio de um campo de força de Lorentz conveniente, o cruzamento auto-induzido das linhas de Mach poderia ser evitado, impedindo assim a formação das ondas de choque.

...Além disso, tudo isso poderia ser testado experimentalmente com um campo magnético transversal e um conjunto de eletrodos na parede. Petit e Lebrun apresentaram o trabalho no 7º Encontro Internacional de Tsukuba, Japão, em 1987 (mas, por falta de dinheiro, não puderam comparecer).
...Lebrun calculou o campo com um conjunto de computadores Mac Intosh antigos, pertencentes a colegas de Petit. A cada noite, cada máquina trabalhava em uma parte do campo, e toda manhã Lebrun pegava os resultados enquanto passava de moto e os sintetizava em seu próprio Mac Intosh. Um sistema multiprocessador original.
...De qualquer forma, os cálculos foram bastante convincentes. Petit planejava testá-los com um canal acionado por onda de choque, como de costume. Esses sistemas antigos estavam quase obsoletos, mas um laboratório em Rouen, França, ainda possuía um. Petit convenceu o CNRS francês (Centro Nacional de Pesquisa Científica) a apoiar sua pesquisa e um programa MHD foi planejado, com algum suporte financeiro. A ideia era simples. O antigo tubo de choque fornecia um fluxo de argônio quente (10.000 K), denso (pressão: 1 bar) e de curta duração (200 microssegundos). Em uma primeira etapa, um sistema estereoscópico baseado na luz de um pequeno laser mostrou o sistema de ondas de choque ao redor de uma asa plana com borda aguda.
...Depois, em outro teste, o MHD seria operado com um campo magnético adequado (um campo de 2 teslas, fornecido por um banco de capacitores) e descargas elétricas apropriadas no plasma através de eletrodos na parede (também devido à descarga dos capacitores). Esperava-se então que a força de Lorentz cancelasse a onda, especialmente as ondas dianteiras.
Petit:
- Tenho certeza de que teria funcionado com sucesso no primeiro teste. Tudo foi cuidadosamente calculado...
...Mas o Exército Francês interrompeu tudo isso. Os militares estavam muito interessados no conceito, para uso próprio, mas sua ideia subjacente era... um míssil de cruzeiro supersônico e talvez algo mais, quem sabe.
...No final da década de 1980, Petit descobriu que a razão do Estado era uma realidade sólida.
...Ninguém pode lutar contra o Exército. Ele finalmente desistiu e mudou-se para a cosmologia teórica, em 1987.
...Em 1987, Petit veio ao departamento de Mecânica dos Fluidos da Berkeley, cujo diretor, hoje aposentado, era seu velho amigo Tonio Oppenheim, que o convidou para dar uma palestra sobre MHD e cancelamento de ondas de choque.
...Na mesma sala, sentava-se outro colega chamado Kunkle. Ele era o diretor do acelerador de partículas da Universidade de Berkeley. Durante a palestra de Petit, ele ria o tempo todo. Finalmente, Oppenheim, perplexo com o comportamento incomum do colega, perguntou:
-
Caro professor Kunkle, somos amigos há muitos anos. Por que está perturbando a conferência do meu amigo?
-
Desculpe, é só que é demais para mim. Petit está explicando, para todos esses jovens estudantes, em palavras claras, muitas pesquisas que estão sendo realizadas atualmente no Laboratório Lawrence Livermore. Mas lá, são consideradas altamente classificadas. Na verdade, tão classificadas que não tenho autorização para lhe dizer uma única palavra sobre elas. Mas são... muito semelhantes. É tudo o que posso dizer.
Em 1987, para Petit, foi o fim da história do MHD. Publicou três artigos de cosmologia teórica na Modern Physics Letters A, nos anos 88-89.
...Desde 1977, Petit tinha grande interesse pelas ideias de Sakharov (modelo do universo gêmeo). Publicou dois artigos nos Comptes rendus de l'Académie des Science franceses, neste ano. Dez anos após o intervalo MHD ter sido encerrado definitivamente, ele voltou ao tema.
...Publicou um novo artigo no Nuovo Cimento em 1994, intitulado "O problema da massa faltante" (reproduzido em Geometrical Physics A, 1). Outro em Astrophysics and Space Science, 1995 (reproduzido em Geometrical Physics A, 2). Então começaram os problemas. Muitos artigos enviados a várias revistas foram devolvidos sem serem submetidos a um revisor, com frases curtas como:
- Desculpe, não publicamos trabalhos especulativos.
...Em fevereiro de 1997, finalmente, uma resposta, da Astronomy and Astrophysics. O revisor respondeu: "Acho que o artigo é provocador e interessante" e fez uma dúzia de perguntas diferentes.
...O jogo começou e continuou por dez meses. As perguntas eram relevantes, mas ampliaram muito os artigos. O artigo inicial tinha 22 páginas. À medida que novas perguntas chegavam, o artigo crescia cada vez mais, chegando finalmente a 90 páginas.
...O revisor pediu um modelo cosmológico completo e fez... sessenta perguntas. Petit escreveu sete versões sucessivas. As trocas epistolares com esse especialista anônimo foram sempre cordiais. Petit agradeceu ao revisor por suas perguntas relevantes e o revisor agradeceu a ele pela paciência.
Como o artigo agora era muito grande, Petit sugeriu dividi-lo em duas partes. Então, de repente, em dezembro de 1997, o Diretor da Revista, James Lequeux, escreveu a Petit:
- Chega agora. Isso nunca vai acabar. Vou interromper. É minha decisão e é definitiva.
...Nenhum aviso, nenhuma sugestão para encerrar o trabalho, nada. Apenas essa decisão abrupta e inesperada.
...Petit pediu uma chance de publicar algumas páginas na Astronomy and Astrophysics e sugeriu submeter uma versão resumida ao revisor, composta apenas do que o homem havia aprovado ao longo da longa correspondência. Lequeux recusou.
...Petit pediu ao Dr. Lequeux para transmitir uma última carta ao seu revisor, na qual perguntou:
- Você confirma a decisão de rejeição do Diretor da Astronomy and Astrophysics? Se sim, poderia me enviar seus argumentos científicos finais?
...Nenhuma resposta foi recebida desde 1998, dia 12. Em uma carta final (26/03/98), o Dr. Lequeux escreveu a Petit (veja o Livro de Registro):
- Relembro que o Diretor da Revista é o único que decide se um artigo é ou não adequado para publicação e que o relatório do revisor é apenas consultivo.
Fim da história.
O site criado por Petit tem vários objetivos:
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Apresentar trabalhos passados e novos a cientistas, para receber suas opiniões e observações, caso tenham alguma a formular. Serão reproduzidos. Se forem relevantes, os artigos serão eventualmente modificados. Se não forem, o autor tentará explicar por quê.
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Divulgar conhecimentos sobre teoria de grupos, geometria e outros tópicos diversos.
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Informar as pessoas.
Desde 2005, 3 de setembro, número de conexões: