Santa Lúcia
Santa Lúcia
Pousamos um dia, meu filho e eu, em 1974 na ilha de Santa Lúcia, nas Caraíbas. Tínhamos pegado o avião errado. Enquanto esperávamos para conseguir ser repatriados, o que não foi tão fácil assim, fomos hospedados por um rapaz da região, que vivia em uma cabana com cinco irmãos e irmãs, de pais diferentes. A mãe havia ido embora. Era ele o chefe da família. Dormíamos em caixas de papelão. À noite ele saía para trabalhar, nos restaurantes. Era um artista que cuspiu fogo. Eu disse:
- Se quiser, eu te acompanho.
- Mas, você sabe cuspir fogo?
- Claro, na França todos os astrofísicos aprendem a cuspir fogo.
- Ah é...
Não vou explicar como se faz isso porque teria medo de causar acidentes. Para dizer a verdade, os astrofísicos que sabem cuspir fogo são bastante raros. Reeves, em particular, não sabe fazer isso. É verdade que ele tem barba, o que aumenta ainda mais os riscos.
Santa Lúcia, pensa em mim Na minha cabana de madeira Meu Deus, você não deixe Pobre negro abandonado Eu ouço chorar meus irmãos e irmãs Lá em Santa Lúcia, ela se importa pouco Se tiver frio, se tiver fome E se tiver pele preta Então você não tem esperança Eu ouço gritar meus irmãos e irmãs Lá Chapéu branco, vestido de seda Aqui o branco é rei Você vai sob a chuva Na lama, na noite Eu ouço lutar meus irmãos e irmãs Lá Santa Lúcia, acabou Amanhã eu serei partido No navio dos brancos Ele está aí, me esperando Eu vejo vir meus irmãos e irmãs Lá