Documento sem nome
O comentário de uma leitora grega, que reage a esta tirinha
22 de junho de 2010
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Caro Jean-Pierre, Após ter lido seus comentários sobre sua viagem, eu estava pensando sobre suas perguntas sobre a aquisição de um grande hovercraft russo, por parte da Grécia. É preciso saber que o país enfrenta sozinho a política expansionista da Turquia. Exemplo incontestável é o problema de Chipre. O território está ocupado ilegalmente desde 1974 pelos turcos, mas a comunidade internacional e os "irmãos europeus" permanecem surdos a essa situação. Por quê? Porque, por um lado, os americanos queriam instalar bases lá, e por outro lado, a Turquia atual é uma criação dos ingleses, franceses e alemães, estes últimos tendo organizado o limpeza étnica na Ásia Menor. Além de ser uma terra de riquezas, a Ásia Menor era e continua sendo um ponto geestratégico excepcional, entre o oriente e o ocidente.
Se eu explico isso, é para demonstrar que a Turquia sabe que pode atacar a Grécia com total impunidade, pois sempre foi apoiada de forma não oficial pelos ocidentais.
A Turquia quer as ilhas do Egeu e abalar a soberania da Grécia sobre elas.
Tudo pode acontecer muito rapidamente (ex: o episódio da ilha de Gavdos em 1996): assim, tal arma não é um luxo ou um delírio paranoico, mas o reflexo de um problema diplomático grave. É preciso saber que a Grécia sofre diariamente violações de seu espaço aéreo e marítimo pelos turcos, pois eles recusam reconhecer a convenção da ONU. O espaço grego também é o espaço europeu, então por que os europeus deixam a Grécia sozinha diante deste problema? Talvez porque lhes convém...
Além dos problemas econômicos e diplomáticos, o mais grave é a perda da soberania nacional grega.
O fato de Papandreou ter pedido ajuda ao FMI constitui uma tutela da Grécia em relação aos Estados Unidos. O fato de ele ter aceitado que a França e a Alemanha fizessem o famoso plano de salvamento, que é nada mais nada menos que uma especulação sobre a Grécia e uma vontade deliberada de afundar o país no endividamento, também constitui uma tutela. Você sabe, durante as manifestações que custaram a vida de três pessoas, era transmitido na televisão grega o que se dizia na assembleia. Papandreou fazia um discurso meloso para pedir calma, enquanto um deputado do KKE lhe disse: "O que você está fazendo, você nem é grego! Queimem a assembleia, queimem a assembleia!".
Papandreou tem uma mãe americana, por isso seu apelido "o pequeno americano" e por isso o sentimento de traição do povo grego.
Por fim, o fato de ele ter se encontrado com Erdogan e qualificá-lo como histórico para que saísse a aceitação do desarmamento da Grécia diante de uma Turquia que vai muito aproveitar da situação de fraqueza, exacerba esse sentimento de traição.
Além disso, eu acrescentaria o exemplo das marcas do Partenon que a Grécia ainda não conseguiu recuperar, enquanto o Egito teve recentemente algumas de suas obras restituídas. Isso prova novamente a forte influência da Inglaterra no país. Vem se juntar o problema da Macedônia, onde a Grécia ainda é apontada porque se recusa a dar o nome da província de Alexandre, o Grande, a um país que não tem absolutamente nada a ver com essa história.
Farei uma pequena pausa com o problema da imigração, onde a Turquia não respeita os acordos feitos com os europeus, ou seja, não fazer da Grécia uma zona de amortecimento. Agora há 3 milhões de imigrantes entre 10 milhões de habitantes. A Turquia continua sem nenhuma repreensão, enquanto o pequeno país endividado tenta lidar com esses fluxos, estando apertado pelo pescoço. Recentemente, ouvi que Berlusconi fez um acordo com o Egito para que este enviasse os imigrantes para a Grécia e não para a Itália. Sem comentários, mas tantas coisas para concluir!
A Grécia, portanto, não tem soberania sobre sua nação nem sobre sua própria cultura.
Sem esquecer o fato de a Alemanha ter realmente dado o golpe com, por um lado, a famosa polêmica do jornal Focus, ignorada na França, e por outro lado, o deputado alemão pedindo que se vendesse o Partenon e nossas ilhas. Merkel teve que apresentar desculpas durante sua última visita à Grécia, pois estávamos no limite da ruptura diplomática. Mas o pior é que, de fato, o comércio das ilhas começou.
Sou muito pessimista quanto ao futuro da Grécia e é por isso que fiquei tão irritada quando você representou um grego aproveitador em sua tirinha.
Porque a realidade é mais perversa, essas pessoas são marionetes das grandes potências e, ao mesmo tempo, o povo que é qualificado de preguiçoso pelos meios de comunicação sofre uma subjugação e opressão inqualificáveis.
Theodora