Texto atualizado em 12 de julho de 2007

A parede, logo abaixo da crista, é praticamente perpendicular aos raios luminosos. O ar quente vai criar correntes ascendentes que vão tender a puxar esta camada de ar quente para as encostas.

À meia manhã, o sistema torna-se instável.

Sobre um fundo geral ascendente, digamos a 1 m/s, devido à subida geral da massa de ar sob o efeito do vento leve, superpõem-se "bolhas", correspondendo a correntes ascendentes mais pronunciadas (de dois a quatro m/s).

Os ultraleves (delta ou parapentes) podem aproveitar este sistema para permanecer horas no ar, fazer idas e vindas ao longo de uma crista, e eventualmente saltar para outro "ascensor", após uma "transição", atravessando o mais rápido possível, sem perder muito de altitude, uma massa de ar sem correntes ascendentes ou ligeiramente descendentes.

O movimento ascendente do ar pode ser mais ou menos regular. Pode tratar-se de massas bastante extensas onde as máquinas são tranquilamente puxadas para cima. Mas os acasos da meteorologia podem dar origem a um fervilhar mais intenso, a regiões de "cisalhamento" onde coexistem, em distâncias de alguns metros, correntes ascendentes e descendentes.

Um ultraleve pode então atravessar uma região onde reinam correntes aéreas muito diferentes:
Regiões com alto nível de turbulência. Cisalhamento.

A máquina então é agitada. Um planador, que voa a 120 km/h, dificilmente notará esta turbulência local, que atravessará rápido como o vento.

Um delta verá uma de suas asas se levantar. O piloto poderá:
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Contrariar projetando rapidamente o peso do seu corpo nessa direção.
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Puxar seu trapézio para aumentar sua velocidade e sair desta situação difícil. Sua faixa de velocidade é relativamente ampla: (35 a 70 km/h).

Todas as máquinas têm seus limites específicos, seu "domínio de voo". Nesse aspecto, podemos comparar os ultraleves a barcos de lazer e, particularmente, a barcos de vela leves, que não são projetados para enfrentar qualquer tempo. Digamos que o domínio de voo do delta é mais amplo que o do parapente e vamos ver por quê.

A velocidade do parapente é muito mais baixa. O piloto não pode picar, ganhar velocidade para sair de uma situação difícil, o que um piloto de delta pode fazer. Mas, acima de tudo, a vela do parapente não foi projetada para resistir a qualquer rajada de vento. Ela se deformará, se dobrará, perdendo temporariamente suas qualidades aerodinâmicas. O piloto perderá altitude.

A deformação pode chegar até a fechamento. Para aqueles que já presenciaram um tal triste espetáculo, a asa parece então um lenço amassado.

Eu presenciei um evento assim no domingo 30 de agosto de 1998 às 16 horas no local chamado "Col Saint Jean", perto de Seyne les Alpes. As condições pareciam excelentes. Vento do norte leve (10 km/h). Ativação de um sistema de correntes térmicas (ver esquema acima). Céu azul, nenhuma instabilidade de tempestade.
De repente, a vela se fechou em "Z":

O homem caiu por cerca de vinte metros, gritando. Em seguida, a vela se abriu novamente, o incidente durando no total três segundos.

Este tipo de incidente, segundo os praticantes deste esporte, é comum, as perdas de altitude sendo em média de 50 metros.
Incidente de voo perto do relevo. O piloto voando na posição sentada
seu corpo se descolou acima da cabeça da mulher de short que está na primeira linha
Documento extraído do manual da FFVL.

Este tipo de cisalhamento ocorre com freqüência perto do solo ou perto de relevos. Neste caso, o piloto não tem tempo para reabrir sua vela antes de tocar o solo. Pode sofrer ferimentos graves, até mesmo morrer.
Os acidentes atingem os tornozelos, as pernas, a bacia, a coluna vertebral e correspondem a quedas verticais.
Os acidentes de delta correspondem, na maioria das vezes, a aterrissagens em velocidade excessiva (eventualmente com vento de ré). As mãos, os braços, os ombros são então danificados.
Recentemente, o queixo é bem protegido com a adoção de um capacete "integral" especialmente projetado para o ultraleve. Os trapézios também estão quase todos equipados com rodas de 30 centímetros de diâmetro, que permitem recuperar aterrissagens mal negociadas.
Não quero fazer polêmica, mas relatar fatos. As velas dos deltas são solidárias de um esqueleto tubular rígido. Os parapentes não têm isso. Podemos comparar estas duas velas, uma à vela Marconi de um barco, fixada à sua bôrda, a outra a um spinnaker não esticado. Todos sabem que um spinnaker pode se enrolar com a menor rajada de vento. É muito menos estável do que uma vela fixada à bôrda. Mas qual é o mecanismo típico que causa o fechamento de um parapente?
Estamos mais no estágio de paraquedas primitivos com caixas (aos quais se pede, além de permitir voos planados apreciáveis, a possibilidade de se abrir em queda livre, o que exclui alongamentos muito grandes). Um parapente é uma asa cujo perfil é muito estudado. Um sistema complexo de cabos mantém sua forma. A borda de ataque é constituída por uma espécie de grade flexível, através da qual o ar entra livremente, garantindo o enchimento das caixas. Enquanto o ponto de parada das correntes de ar se situar sobre este tecido-passo, funcionando como entrada de ar, a vela manterá sua forma.
A seguir, a circulação do ar em uma utilização normal:
Em cinza: ar em leve pressão. Mas o que acontecerá se uma turbulência, um "cisalhamento" mudar a direção do "vento relativo", como isto:
Esta parte da asa se dobrará, como indicado. Isso resultará em uma perda imediata de sustentação e uma tendência ao giro em espiral.
Assim, vemos que a configuração perigosa para o parapente é a incidência baixa (como antigamente para os "Manta"). As asas "performantes", rápidas, têm perfis planos e uma tolerância estreita quanto à incidência.
Quando um piloto quer "fazer distância", ele terá que voar de correntes ascendentes em correntes ascendentes. Entre duas "pompas", ele terá que voar o mais rápido possível para fazer sua "transição". Alguns modelos de asas "delta" são equipados com "overdrives". Trata-se de uma corda que o piloto pode manobrar em voo e que, ligada a um sistema de polias, estende sua asa e a aplaina. Assim, aumenta sua "penetração". Algumas asas podem assim atingir os cem quilômetros por hora (velocidade máxima). Para um parapente, isso é excluído. Então, para ganhar em performance o...