Cuba Castro Baía dos Porcos
O caso da Baía dos Porcos
No continente americano, em plural, havia deixado coisas penduradas. Cuba está muito perto de Miami, e sabe-se que esta cidade foi, há muito tempo, junto com algumas outras, um reduto da máfia americana. Assim, Cuba tornou-se um destino de férias para mafiosos. Um antigo sargento, Batista, abria-lhes as portas de seu país. A ilha era o local de todas as corrupções e extorsões. Por exemplo, os rendimentos da cobrança de pedágio na rodovia Havana-Santiago de Cuba, que percorria a ilha, eram automaticamente recebidos pela própria esposa de Batista, que destinava esse dinheiro ao aumento de um guarda-roupa já imenso.
Havana era o bordel da América. Não havia uma família na cidade que não tivesse uma filha nas ruas. Então surgiu um certo Fidel Castro, um bom burguês, antigo advogado, que se juntou aos rebeldes, impôs-se como símbolo de revolta para um povo inteiro. Do outro lado: nada salvable, nada apresentável. Batista era apenas um sargento medíocre. Um dia, tudo desabou. Havana caiu como uma fruta madura. Quase todos os notáveis cubanos fugiram logo após os mafiosos americanos terem partido primeiro, em seus iates ou aviões particulares. Cuba ficou de repente sem médicos, sem engenheiros, sem técnicos e... sem peças de reposição. O que aconteceu então? Os cubanos voltaram-se para os únicos que lhes ofereceram ajuda: os russos. Era isso ou morrer de fome. Assim, os Estados Unidos se viram com um país comunista às suas portas, a menos de cem milhas de suas costas.
A CIA foi então mobilizada. Planejou-se um plano que consistia em fazer acreditar à opinião pública internacional que o povo cubano, oprimido pela ditadura de Castro, se revoltava. Miami não estava longe, mas partir daquela parte da costa americana não parecia ser uma boa ideia. Optou-se então por partir o comando, composto por mil seiscentos cubanos exilados nos EUA, do Nicarágua.

Chegaram em canoas motorizadas, com apoio de um pequeno número de barcaças de desembarque, trazendo antigos tanques Sherman. Foi a Operação da Baía dos Porcos, no centro e sul da ilha, onde ela é mais estreita. Logicamente, esse comando de desembarque deveria rapidamente estabelecer uma ponte de apoio. Em seguida, uma parte da população, que os especialistas da CIA diziam ter sondado, deveria ou se juntar ao grupo ou assistir passivamente ao desembarque, cujo objetivo principal era cortar a ilha em dois: Santiago ao leste, Havana ao oeste. Alguns dias deveriam ser suficientes para justificar o envio de um corpo expedicionário composto por fuzileiros navais para apoiar a contrarrevolução cubana. Além disso, não se deve esquecer que, revolução ou não, os americanos possuíam (e ainda possuem) a base naval de Guantánamo, no sudeste da ilha.
Mas as coisas não aconteceram nada como os especialistas haviam previsto. Castro encontrou no povo cubano um apoio imediato e massivo, lançando um simples e vibrante apelo pela rádio: "Venham defender a sua revolução!". Ele enviou alguns antigos tanques T-34 russos. Caminhões trouxeram voluntários em massa, no local, com armamentos heterogêneos e, muitas vezes, apenas com uma vara de bambu cortada para servir de lança. Os comandos ficaram paralisados, não diante da superioridade estratégica de seus adversários, mas diante de sua quantidade. Depuseram as armas diante de uma colmeia humana. Dos 1600 homens do comando, 1500 foram feitos prisioneiros em apenas 72 horas.
Do ponto de vista midiático, o desfecho foi positivamente catastrófico para os EUA. Não apenas Castro não executou ou enforcou os que os cubanos haviam apelidado de "guzanos" (vermes), como os revendeu às famílias de cubanos emigrados, trocando-os por remédios ou dez mil dólares por homem.

Cienfuegos
Agora compreende-se por que os Estados Unidos ficaram traumatizados ao assistir ao surgimento de um socialismo chileno liderado por Allende. Dessa vez, o movimento de desestabilização foi mais corretamente preparado. A CIA podia contar com parte da população chilena, especialmente com o sindicato dos caminhoneiros. Os países têm sistemas econômicos que podem apresentar pontos fracos. O sistema de comunicação chileno era um elo frágil, que os americanos souberam explorar habilmente. Financiaram uma greve dos transportadores chilenos, colocando o país em uma situação de estresse econômico total. Paralelamente, militares, com o general Pinochet à frente, tomaram o poder. Allende foi morto defendendo, armas na mão, o palácio presidencial. O Chile passou então sob o controle de uma junta militar, ávida de poder. Pinochet eliminou sistematicamente os opositores e os progressistas, simplesmente matando-os. Graças a esses assassinatos, estabeleceu no país um equilíbrio muito particular, enquanto os Estados Unidos recompensavam tal retorno ao bom senso com um fluxo substancial de dólares.
...Em outros países da América do Sul, tal ajuda ao desenvolvimento nem sequer foi necessária. Após o derrubamento das forças democráticas em vigor e a instalação de um governo fantoche, sob o controle da CIA e do Departamento de Estado americano, o país pôde ser colocado em estado de neocolonialismo (repúblicas bananeiras). Mais uma vez, prioridade foi dada à luta contra a implantação do comunismo (o que os americanos temem mais: a negação da propriedade privada). No continente sul-americano, a política externa dos Estados Unidos pode ser considerada um sucesso. A desigualdade domina em todos os lugares, a qual, com a colaboração de poderes militares fortes, garante a estabilidade política.
De 20 de setembro a 11 de dezembro de 2001: 3024 consultas. Novas consultas:
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