Documento sem nome
Roland Dumas fala
Entrevistado em 21 de dezembro de 1010, publicado em 26 de dezembro de 2010
| - Obrigado por nos receber para esta entrevista. Gostaria de voltar à emissão em que você participou com o senhor Taddeï, esta noite ou nunca. Você declarou "não acreditar no 11 de Setembro". Simplesmente, o que quis dizer com isso? | - Bem, eu quis dizer que houve uma controvérsia que se desenvolveu, que ainda se desenvolve, primeiro nos Estados Unidos, depois na Europa, sobre as condições desse incidente grave. Porque é claramente muito grave. Mas, enfim, eu não quis entrar nos detalhes das coisas porque eu não sei a verdade -até agora- mas ainda estou impressionado pelos argumentos que são apresentados dos dois lados. | - O que quer dizer? Você se apoia em elementos específicos, por exemplo, para duvidar da versão oficial? | - As demonstrações foram feitas pelos especialistas, especialmente pilotos, professores universitários, cientistas, que mediram os diferentes locais, especialmente na fase em que o avião teria entrado no Pentágono e tentaram demonstrar que isso não correspondia em absoluto às dimensões dos aviões, etc. Então, se você quiser, são detalhes técnicos que, acumulados uns com os outros, fazem com que haja uma controvérsia. E, como toda controvérsia, há argumentos a favor e contra. | - Eu conheço a teoria oficial, ou seja, a do Estado americano, e também conheço as teorias que foram elaboradas e apresentadas por professores universitários -eles são vários- e pelos especialistas que estudaram esse problema. E, portanto, há uma controvérsia. Você sabe que o próprio de todas as controvérsias é que há argumentos de um lado, argumentos do outro. | - Sobre quais elementos você se apóia para duvidar da versão oficial do 11 de Setembro? | - Elementos públicos. Tudo o que foi publicado, especialmente na América, na Europa, também na Alemanha, por toda parte, e que relata claramente esse evento de gravidade excepcional que merece justamente, por causa da sua gravidade, que se discuta. Há argumentos que oficializam a doutrina americana e outros que a contradizem. É uma controvérsia. | - Mas a versão [oficial] parece-lhe, então, mais ou menos mentirosa? | - Ah, não, eu não diria isso. Diria que há argumentos para aqueles que defendem a tese oficial e outros que a contestam. Mas quero dizer que eles têm tanto valor oficial uns quanto os outros, valor de força, no mínimo. | - Muitos oficiais americanos falaram, não de culpa americana, mas de "cobertura", de "cover-up", como dizem nos EUA - em inglês: ou seja, que a Administração Bush teria voluntariamente ocultado elementos comprometedores na investigação sobre o 11 de Setembro. | - Isso, eu não sei se é verdade. Mas, enfim, o que me parecia surpreendente era que "o aparelho" americano, que dispõe de tantos meios, que coloca tantas riquezas em sua proteção, não tenha tido informações anteriores e simultâneas, mais precisas, sobre esses eventos. Então, isso já levanta suspeitas. | - Que não houve uma defesa aérea digna desse nome, por exemplo? | - Isso, por exemplo, claro. Quando se pensa que há alguns anos, um avião soviético sobrevoou o Extremo Oriente -ou talvez um avião americano- e a alerta foi dada imediatamente, o avião foi abatido nas segundas que se seguiram. Então, o que é verdade para o Extremo Oriente não seria verdade para a proteção do coração do Império? Isso me parece criticável. De qualquer forma, pelo menos, há algo a ser investigado. | - Mas você acredita, no entanto, na implicação da Al Qaeda nos ataques do 11 de Setembro? | - Eu não acredito. Eu não tenho de forma alguma... Eu não me substituo aos que estudam... Primeiro, eu não sou americano e, em seguida, eu não tenho os elementos. É possível que tenha sido a Al Qaeda, e então isso aparecerá em algum momento... | - Então, sobre a implicação da Al Qaeda, qual é sua opinião? | - Eu não encontrei, no que li, nenhuma indicação formal da implicação da Al Qaeda. Tudo é possível, tantas coisas são atribuídas... Tenho a impressão de que a Al Qaeda é algo informal, ao qual se atribuem todos os tipos de eventos, mais ou menos diretos. Não é uma oficina, com um endereço, um plano e funcionários que estariam lá, na hora ou não, etc! Acredito -repetindo- que é um satélite, como esse, que reúne muitas ações. | - O senhor Guy Sorman, que foi seu oponente no debate de Frédéric Taddeï, o qual o qualificou, no dia seguinte, em seu blog, como "teórico da conspiração". O que você responde a isso? | - "Teórico da conspiração", sim... É uma expressão que lhe pertence. Não sei como ele justifica isso. Se ele quer dizer que eu explico algo que se parece com uma conspiração, por que não! Eu sou como todo mundo. Mas não vejo por que haveria uma desonra em explicar algo simplesmente porque alguém pensa com sua cabeça e bom senso. | - Você passou muito tempo, senhor Dumas, nos meios políticos e diplomáticos. O que acontece, no que diz respeito ao 11 de Setembro, nesses meios? Qual é sua percepção do que se diz? | - Não se fala muito na França. A França está muito mais preocupada com, fora dos serviços especializados como o Quai d'Orsay -do qual não faço mais parte- e os serviços de inteligência -inteligência militar-, fora dessas partes muito informadas que têm trocas com países aliados -somos aliados dos americanos-, os franceses estão muito mais preocupados com as eleições presidenciais e seu renovação. | - Mas você acha que compartilham seus desconfiamentos, por exemplo, no seu círculo? | - Isso, eu não sei. Eu não fiz uma pesquisa. | - Você não teve a oportunidade de falar com amigos políticos ou no meio diplomático? | - Não, não... | - Se bem entendi, você não tem uma teoria particular sobre o 11 de Setembro? Você tem uma dúvida sobre a teoria oficial. | - Eu simplesmente tenho uma dúvida sobre... por coisas que são inexplicáveis ou inexploradas, que podem ser explicadas, mas então é preciso reexaminar o processo e aprofundá-lo. | - Até agora, não houve uma análise formal estabelecendo que foi um ataque da Al Qaeda. Eu não acredito ou talvez eu esteja enganado -ou eu esqueci- mas ainda precisa ser provado. | - A menos que a Administração Bush tenha acusado formalmente a Al Qaeda. | - Sim, mas isso é outra coisa, são os americanos. Estávamos falando dos franceses e europeus. | - Você gostaria que houvesse uma investigação internacional, por exemplo, para formalizar essa acusação? | - Por exemplo, claro. Poderia haver uma investigação internacional, por que não. Com especialistas, aeronautas, pessoas especializadas, um pouco bem equilibradas e que diriam a verdade. | - Acredito que o Irã, no próximo ano, quer justamente criar um júri internacional para investigar o 11 de Setembro. O que você acha disso? | - É uma boa ideia, mas...