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Jean-Pierre Petit

Laboratório Lambda

...Na secção dedicada à MHD vimos que poderia ser possível, utilizando um aeródino MHD em forma de disco, navegar a velocidade hipersónica, a baixa altitude, sem criar estrondo sónico e turbulência, um voo completamente silencioso.

...Segunda questão: será possível a viagem interestelar?

...Resposta clássica: não, devido às restrições da relatividade especial.

...Uma solução sugerida por O'Neill: os homens poderiam viajar para outras estrelas se aceitassem que apenas os seus descendentes distantes poderiam alcançar esses outros sistemas. Seria uma viagem só de ida, sem possível retorno, o que implica naves espaciais enormes, tão grandes como grandes cidades terrestres, transportando erva, árvores, animais, tudo. A versão moderna da nave de Noé. Fonte de energia: o hidrogénio recolhido pelo caminho, combinado com o processo de fusão. Fonte de materiais: asteroides.

...Poético...

...Claro: nenhuma possibilidade de falar com os homens que ficam na Terra. Sou cético. Mais, penso que se construíssemos tal monstro e nos instalássemos nele, ao chegar a outro planeta distante, orbitando outra estrela e habitado por criaturas humanas, ao aterrar, esses tipos diriam:

  • Que bom conhecer-vos. Esperávamos por vós. Os vossos descendentes avisaram-nos há vinte mil anos. Sabem, agora há formas mais modernas de viajar.

...Não correria o risco de ser tão ridículo. Então, podemos pensar em algo bastante diferente?

...O leitor pode consultar os artigos do meu site, dedicados à cosmologia teórica. Trabalhos recentes serão apresentados em Marselha, França, em junho de 2001, no encontro internacional sobre astrofísica e cosmologia, intitulado "Onde está a matéria?", organizado pelo Laboratoire d'Astrophysique de Marseille (ao qual pertenço).

1 - Geometria do universo gémeo.

...O conceito de universo gémeo foi introduzido pela primeira vez por Andrei Sakharov, em 1967 ([1], [2], [3], [4]). Mais tarde publiquei dois artigos nos Comptes Rendus de l'Académie des Sciences de Paris ([5] e [6], desconhecendo os trabalhos anteriores de Sakharov). A estrutura geométrica subjacente corresponde a um fibrado de dois pontos. Dê-se à fibra deste fibrado a estrutura métrica (g, g*), onde g e g* são métricas riemannianas com assinaturas (+ - - -).

Fig.1 Universo gémeo: um fibrado de dois pontos com estrutura métrica riemanniana (g, g*).

...Obtemos uma aplicação ponto a ponto, ligando dois "pontos conjugados" M e M*, que podem ser descritos por um mesmo sistema de coordenadas {µi}. Chamemos F e F* às duas fibras que compõem o fibrado. Com as duas métricas podemos construir sistemas de geodésicas mas, como F e F* estão desconexas, as duas famílias de geodésicas estão desconexas. Em conclusão, se estas métricas dão geodésicas nulas e se se assume que a luz viaja ao longo delas em ambas as fibras, qualquer estrutura de uma dada fibra será geometricamente invisível a partir da outra.
...Na Relatividade Geral clássica considera-se uma única fibra, associada à equação de campo (equação de Einstein):
(1)

S = c T - L g

onde S é um tensor geométrico, c é a constante de Einstein, T é o tensor energia-matéria e L a chamada e enigmática constante cosmológica, introduzida pelo matemático francês Elie Cartan.
...Considere-se o seguinte sistema de equações de campo acopladas:
(2)

S = c ( T - T* )

(3)

S* = c ( T* - T )

do qual obtemos imediatamente:
(4)

S* = - S

Note-se que isto definitivamente não implica g* = - g

...A aproximação newtoniana dá a seguinte equação de Poisson:
(5)

D y = 4 p G (r - r*)

. Neste novo modelo:

  • a matéria atrai a matéria, através da lei de Newton.
  • a matéria gémea atrai a matéria gémea através da lei de Newton.
  • a matéria e a matéria gémea repelem-se mutuamente através de uma "lei anti-Newton".

E quanto à verificação local clássica da RG?

...O sistema solar é uma porção muito densa do universo. Na porção adjacente da fibra gémea, a matéria gémea é afastada. Então o sistema está muito próximo de:
(6)

S = c T

(7)

S* = - T

...A equação (6) identifica-se com a equação de Einstein, de modo que todas as verificações clássicas se ajustam. E quanto aos gravitões? Que caminho seguem? A resposta compõe-se de dois argumentos:

  • As equações de campo fornecem uma descrição macroscópica do universo, que ignora a existência de partículas e apenas dá sistemas de geodésicas.

  • A propósito: o que é um gravitão?

2 - A questão do poder repulsivo do vácuo. Uma resposta alternativa.

...Quando olhamos para a equação (2) vemos que T* atua como uma "constante cosmológica". Representa o "poder repulsivo do universo gémeo", que pode desempenhar um papel em soluções acopladas não estacionárias. A hipótese de homogeneidade e isotropia dá às métricas riemannianas a bem conhecida forma de Robertson-Walker, como se segue:
(8)

(9)

...As distâncias radiais entre pontos conjugados (mesmo u, uma "distância radial" adimensional, em relação a um ponto arbitrário) não são automaticamente iguais:
(10)

r = R u .......................r* = R*u

Escrevam-se coordenadas adimensionais, onde t é o marcador temporal.
(11)

{ t , u , q , j }

... { u , q , j } são coordenadas esféricas clássicas. Lembre-se que uma equação de campo é invariante em coordenadas. A escolha de coordenadas permanece livre, em cada fibra, onde podemos definir diferentes tempos cósmicos:
(12)

. t ...e ... t*

Estas variáveis estão ligadas à variável adimensional t através de:
(13)

t = T t ............t* = T * t

onde T e T* são escalas de tempo características. Introduzindo tempos próprios adimensionais s e s*:
(14)

s = cT s .........s* = - c*T * s*

transformamos as duas métricas nas suas formas adimensionais, introduzindo fatores de escala adimensionais R(t) e R*(t), através de:
(15)

R = cT R

R* = c*T* R*

(16)

(17)

...Colocamos as equações de campo nas suas formas adimensionais, usando:
(18)

r = ro w

r* = r*o w*

p = po p

p* = p*o p*

Seguem-se estes tensores, escritos nas suas formas adimensionais:
(19)

No final, obtemos quatro equações diferenciais acopladas de segunda ordem (em vez de duas, na abordagem clássica).:
(20)

(21)

(22)

(23)

...Precisamos de algumas hipóteses adicionais. Assuma-se que os dois universos têm "vidas paralelas" durante a sua época radiativa, i.e:
w (t) = w* (t),
o que impõe índices de curvatura negativos (k = k* = -1). Após o desacoplamento negligenciamos os termos de pressão (universos de poeira):
(24-a)

(24-b)

(24-c)

(24-d)

do qual obtemos imediatamente:

(25-a)

(25-b)

Introduzindo a conservação de massa em ambas as fibras:
(26)

w R3 = constante w* R*3 = constante

o sistema torna-se:
(27-a)

(27-b)

...Note-se que R = R* dá R" = R*" = 0. Por outro lado, se os dois universos estivessem "totalmente acoplados", i.e. R*/R = constante, esta solução peculiar corresponderia a modelos de Friedmann, com "evoluções paralelas". Mas consideramos que estão acoplados pelo campo gravitacional, através de (27-a) e (27-b), o que mostra que a expansão linear é instável. Se, por exemplo, R > R* então R" > 0 e R*" < 0. O sistema pode ser resolvido numericamente. A solução típica corresponde à figura 2.

Fig.2: A evolução dos parâmetros de escala do universo e do universo gémeo.

...Vemos que este sistema de dois universos interagindo através da força gravitacional é instável. Se um universo acelera, empurrado pelo seu gémeo, o outro abranda. A aceleração observada do nosso universo é então causada pelo "poder repulsivo do seu universo gémeo". As histórias dos dois diferem. O nosso é mais frio e mais rarefeito. O gémeo é mais quente e mais denso.

3 - Outras confirmações observacionais.

...A teoria do universo gémeo oferece muitas confirmações observacionais. Ver os artigos no site, e as referências [5], [6] e [7]. A ação da matéria gémea repulsiva sobre a matéria das galáxias explica o "efeito de massa em falta" e a planura da curva de rotação correspondente, à distância:

Fig.3: Galáxia confinada por matéria gémea circundante (geometricamente invisível).

Fig.4: Curva de rotação correspondente.

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