A lição de Fukushima:
Nuclear: suicídio, manual de instruções

14 de março de 2011 - 31 de maio de 2011
25 de abril de 2013:
Os vídeos de Jesse Ventura, para os quais havia direcionado meus leitores (
11 de setembro, campos de internamento da FEMA, Bilderberg, projeto HAARP, etc.
), tornaram-se imediatamente inacessíveis.
Link
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8 de abril de 2013
Reação de um leitor datada de 26 de abril de 2013. Barreiras anti-suicídio no metrô parisiense
21 de abril de 2012:
O livro de J.P. Biberian sobre a fusão fria
Como indicado por um leitor, existe um site, o Next Up, que traduz sistematicamente para o francês os anúncios divulgados pelo grande jornal japonês (8 milhões de leitores) Asahi Shimbun, que, em princípio, apresenta garantias de "seriedade máxima".
Acesso aos anúncios diários do Asahi Shimbun, traduzidos para o francês
O blog de Kokopelli
21 de julho de 2011:
Fukushima já não está mais em pauta.
A lição não foi de forma alguma aprendida
A descida inexorável do corium
Como os reatores japoneses foram construídos. Um testemunho comovente
A "cobertura midiática" de um evento é apenas passageira. Pode-se questionar a relativa brevidade desse acompanhamento. Quem é responsável por esse desinteresse? Devemos acusar os jornalistas da imprensa oficial de não cumprirem seu trabalho? E quanto ao comportamento do público? Constantemente se menciona o cansaço de uma população que vê seus problemas de emprego e materiais aumentarem exponencialmente. Isso é compreensível.
Se você clicar neste link, que menciona o que está acontecendo na própria cidade de Fukushima, verá que não é nada insignificante.
É simplesmente o que representa o que pode acontecer na Europa a qualquer momento, como indicava o engenheiro Bernard Laponche em um artigo publicado no Télérama.
A Alemanha opta por se comprometer com a saída do nuclear. Em contraste, o parlamento inglês acabou de votar a continuidade dos programas. Nessa atitude persiste sempre a ideia fixa da independência energética. Os recursos petrolíferos do Mar do Norte estão em vias de esgotamento.
O Reino Unido simplesmente esquece que se encontra a 1200-2000 quilômetros de um Eldorado energético: a Islândia, que dispõe de consideráveis recursos geotérmicos, eólicos e hidrelétricos. O transporte da energia elétrica não é de forma alguma um problema. Basta estabelecer uma ligação submarina por meio de alta tensão em corrente contínua. O processo não é de forma alguma uma novidade.
Pesquise "HVDC" no Wikipedia (Corrente Contínua de Alta Tensão) e você terá acesso a uma grande quantidade de informações que os ingleses parecem ignorar totalmente.
Em inglês.
Em francês.
As linhas vermelhas, no gráfico a seguir, representam as ligações desse tipo, já existentes. As linhas tracejadas representam as conexões em projeto. Saiba que, por esse processo, a perda na linha, submarina ou terrestre, é de 3% por mil quilômetros.
Ninguém no Reino Unido sugeriu a promoção da instalação de uma ligação submarina com a Islândia, cujo potencial hidroelétrico, eólico e geotérmico poderia satisfazer as necessidades de vários países da Europa, respondendo às preocupações de países que temeriam, por meio do projeto
DESERTEC
(Wikipedia), colocar-se sob a influência de países e regiões politicamente menos estáveis.

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As ligações por corrente contínua de alta tensão, existentes ou em projeto.
Sempre com base nessas informações provenientes das enciclopédias, você aprenderá que o processo é muito antigo. De fato, toda ilha que não dispõe de uma geradora elétrica local só pode ser alimentada por corrente contínua. Caso contrário, toda a potência seria dissipada por indução no meio líquido circundante.
A potência total transportada no mundo ultrapassa 100.000 MW, em 142 instalações. O HDVC se impõe sempre que as ligações ultrapassam 1000 km. Isso é o caso de países extensos como a China (6400 MW transportados em 500 kV). Veja
este pdf
sobre os aspectos técnicos (em inglês).
Essa técnica está se desenvolvendo exponencialmente em todo o mundo.
Temos a tendência de pensar que as pessoas só reagem quando isso afeta sua pele. Concordo com Bernard Laponche quando escreve que a Europa não escapará um dia de um acidente nuclear grave, simplesmente pelo envelhecimento de suas centrais. Chernobyl não foi um aviso suficiente. Aparentemente, Fukushima "não foi ouvido pelos ingleses" ("sem pânico"). É preciso se dizer claramente que, se a tempestade de 1999 na Gironde (imprevisível) tivesse sido um pouco mais violenta, não seriam dois de quatro dos sistemas de bombeamento de emergência (de refrigeração) dos reatores nucleares que teriam sido danificados, mas quatro de quatro, na central do Blayais. Teríamos tido nosso Fukushima francês, embora não vivamos em um país com alta sismicidade.
Nos meses anteriores, assistimos a uma dramática elevação das águas no Missouri, que saiu de seu leito, inundando vastas regiões agrícolas. Um olhar para a bacia hidrográfica do Missouri é suficiente para compreender a situação. Não se trata do efeito de chuvas torrenciais, mas do efeito de uma neve excepcional nas regiões do norte, na fronteira com o Canadá.

Com a chegada do verão e o derretimento da neve, os reservatórios reguladores (Dam, em inglês: barragem) não conseguem mais conter esse fluxo de água. Daí as inundações que atingiram as instalações nucleares de Fort Calhoun e Cooper. A primeira já provocou uma evacuação significativa das populações vizinhas. Abaixo, a instalação de Fort Calhoun antes da enchente. Como muitas outras (em especial no Japão), está ao nível da água. Ninguém previu a construção de um simples muro circundante de 5 metros de altura em torno das instalações sensíveis da central, o que as teria colocado fora do alcance das maiores enchentes.
Abaixo, a central nuclear de Fort Calhoun antes da inundação:

E após o aumento das águas:

Primeira medida dos americanos: proibir o sobrevoo da instalação nuclear, na navegação no Missouri "por razões de segurança".
Antigamente, os egípcios cercavam seus templos com simples muralhas de tijolos crus, revestidas de betume ou calcário, para protegê-los das enchentes do Nilo. Mas não, em Fort Calhoun previu-se um sistema de proteção surrealista, um bolo cheio d'água, capaz de conter o aumento das águas até alguns metros:

:
As águas continuaram a subir

e essa barreira se provou insuficiente. Os moradores tiveram que ser evacuados além de um raio de 16 quilômetros. Instalações de alta tensão tiveram que ser protegidas por... sacos de areia.

A dique de borracha não foi suficiente! ...

A imagem que mostra que o dique de proteção, em borracha, foi submerso

Quando as fotos valem mil palavras
Poderíamos esperar ver essas imagens nas capas de nossos grandes magazines. Mas não. A vida sexual de Dominique Strauss-Kahn impõe-se como o folhetim cheio de reviravoltas.
Minha interpretação sobre esse assunto
.
Do Japão:
A poderosa empresa Hitachi, apesar das preocupações expressas em seu próprio país quanto à construção de novas centrais nucleares, mantém sua política de exportação e espera colocar 38 novos reatores até 2050, em países asiáticos.
Fonte:
http://search.japantimes.co.jp/cgi-bin/nb20110721a1.html
Segundo o Sr. Hiroaki Koide da Universidade de Kyoto, a situação na central de Fukushima é desesperadora:
"Penso que o corium, uma mistura fundida baseada em urânio, danificou o fundo das vasilhas e está se infiltrando através do concreto e se espalhando pelo solo. O combustível do núcleo dos reatores não derrete a menos de 2800 graus (a radioatividade impede a medição da temperatura atual).
Há cerca de cem toneladas de corium. As vasilhas de pressão e os metais usados na estrutura do edifício derretem a 1500 graus. É, portanto, provável que o corium tenha caído no fundo das vasilhas, que parte tenha atacado o solo e que outra parte se tenha misturado com a água contaminada, causando a fusão das paredes.
O combustível está vazando para fora dos reatores e difundindo uma forte radioatividade no ambiente. O Sr. Koide qualifica essa situação catastrófica de "melt-out".
Se o corium atacar as águas subterrâneas, mesmo que se refresque, isso não impedirá a expansão da radioatividade. É necessário interromper essa infiltração subterrânea para não contaminar o oceano. Não deveria ser considerada a construção de uma estrutura subterrânea ao redor da central? Isso protegeria as águas subterrâneas do corium e dos solos contaminados."
Como já dissemos anteriormente, nada foi construído em caso de fusão de um reator, nem no nível das estruturas, nem no nível das vasilhas. Era desde o início um fracasso garantido. É por isso que é necessário considerar medidas para o caso de entrarmos na fase "melt down", pois é apenas uma questão de tempo até que o corium escape das vasilhas, perfure as estruturas externas e se infiltre nos porões da central."
Acrescentaria que ninguém conhece o estado de fissuração dos radier em concreto, com 8 metros de espessura, sobre os quais estão construídos os reatores. Um terremoto de força 9 fissura... qualquer coisa.
Em contraste, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) elogia os progressos realizados pela TEPCO em sua "rota", com o objetivo de controlar a situação até 2012.
Fonte:
A TEPCO admite publicamente o fracasso na ventilação do reator número 1, cujas válvulas permaneceriam abertas.
Fonte:
http://mdn.mainichi.jp/mdnnews/news/20110722p2a00m0na001000c.html
Os líderes empresariais da região de Kansai apresentaram uma "petição de emergência" para que o governo, na quinta-feira, convocasse a retomada dos reatores nucleares, a fim de garantir um fornecimento estável de energia.
Fonte:
http://search.japantimes.co.jp/cgi-bin/nb20110722a1.html
etc....
No leste, nada de novo...
Pergunta-se frequentemente como os japoneses reagem desde o mês de maio. Existe uma constância no comportamento dos japoneses. Não é apropriado expor seus sofrimentos diante dos outros. A reserva é obrigatória. Essas pessoas têm uma grande capacidade de internalizar suas dores. Isso as permitiu atravessar inúmeras situações dramáticas, sejam elas as consequências da Segunda Guerra Mundial ou desastres naturais, que continuam a atingi-las periodicamente. Elas suportam, permanecem em silêncio, reconstruem como formigas. Mas o drama de Fukushima é de uma essência totalmente diferente. Trata-se de um envenenamento duradouro, que provavelmente está apenas começando, e que é a consequência direta da negligência reinante no país quanto à produção de energia.
Mazarino costumava dizer: "O tempo é um grande mestre". É verdade em escala de anos, décadas. Mas com este drama, a escala de tempo ultrapassa totalmente a escala das vidas humanas. O corium contém radionuclídeos de longa duração. Em Chernobyl, os russos temiam mais que tudo que o corium, que já havia derretido dois andares de concreto, atingisse as águas subterrâneas, contaminasse o rio Pripyat e, além do Dniéper e do Mar Negro. Eles sacrificaram em urgência centenas de mineiros para escavar uma galeria sob o reator e derramar uma laje de concreto de 30 metros por 30 metros sob ele. Em Fukushima, nada semelhante foi feito, nem mesmo considerado. Contentaram-se em manter cerca de vinte funcionários, periodicamente substituídos, cuja tarefa era tentar resfriar os reatores com mangueiras de água. O que acontecerá se as cem toneladas de corium em Fukushima atingirem as águas subterrâneas e contaminarem com elementos de longa duração as costas pacíficas próximas?
Como os japoneses lidarão com esse desespero de vida, com qual fatalismo e ausência de revolta?
Meus leitores devem pensar: "Ele foi muito parcimonioso com artigos nos últimos meses. Estava em férias?". Bem, não. A redação desses artigos me consome muito tempo. É preciso fazer capturas de tela, montar, dar comentários, se possível esclarecedores, pesquisar arquivos na internet. As dezenas de horas passam.
Paralelamente, lembro-me de que na minha página inicial, embaixo e à direita, coloquei um anúncio oferecendo à venda o álbum A Ambra e o Vidro. Sessenta e quatro páginas coloridas. Acredito que o livro é bom, útil. É vendido desde agosto de 2010, em benefício da associação Ciência e Cultura para Todos, oito euros e cinquenta centavos, frete incluso. É modesto, democrático. Se fossem vendidos em média três por dia, a operação seria viável. Que operação? Relançar a edição dessas histórias em quadrinhos das Aventuras de Anselme Lanturlu.
Bem, não. Uma venda por dia: é necessário um ano de vendas para pagar uma nova tiragem. Escrevendo estas linhas, nem sequer tenho vontade de colocar um link para a página de pedido do álbum.
Estou decepcionado com a falta de resposta. Isso me dá um pouco a impressão de que, entre meus leitores, que me enchem de agradecimentos emocionados "obrigado por existir!", uma grande quantidade se instala pela manhã diante do seu café, pela manhã, e acende o computador, pensando: "Então, o que esse homem tão corajoso, tão ativo, apesar de seus setenta e quatro anos, produziu mais uma vez?"
Em novembro de 2010, havia feito um escândalo, colocando meu site em cruz enquanto as vendas não decolasse. Passamos para dez vendas por dia. Depois, muito rapidamente, o entusiasmo desapareceu. Não vou praticar esse tipo de terrorismo editorial para vender livros. Tenho uma boa dúzia de títulos, em gêneros muito diversos, em meus arquivos, alguns totalmente finalizados, mas penso que, se for para vender um por dia, isso não me dá vontade alguma de imprimi-los.
Ah: A Eurocopter reimprimiu exemplares em francês e inglês da Paixão Vertical. No processo, essas pessoas tiveram a gentileza de nos fornecer um certo número de exemplares, com o cabeçalho da Ciência e Cultura para Todos, que serão vendidos em seu benefício. Inicialmente, pensei em pedir que essa edição especial fosse feita em formato reduzido e vendida, como o outro álbum, a um preço muito apertado. Mas, finalmente, para fazer entrar dinheiro nas caixas da associação, renunciei a essa fórmula. Os álbuns, superbamente impressos, com capa dura, poderão ser adquiridos por 30 euros, frete incluso. Incluirei em cada envio um desenho original, dedicado. Em breve colocarei o anúncio na minha página inicial. Aos que acharem esse preço muito alto, os encaminharei para o site do Saber sem Fronteiras, onde poderão baixar a versão em preto e branco gratuitamente.
Quanto ao meu site: vou reduzir o ritmo.
Isso significa que vou cortar minhas rosas e fazer longas sonecas? Não, mas provavelmente reinvestirei o que me resta de energia um pouco em outro lugar.
Me envolvi bastante após o drama de Fukushima. Expliquei a meus leitores coisas que, muitas vezes, eu mesmo descobria, sobre esse terrível drama. Quanto mais aprofundava a questão, mais percebia a gravidade e profundidade do drama nuclear japonês e, por conseguinte, o perigo que os nucleocratas irresponsáveis (que meu amigo Albert Souzan chama de nucleopatas) faziam correr ao planeta. Tornou-se cada vez mais evidente que éramos governados, geridos, por idiotas incompetentes.
Além da crítica, que sempre é fácil, era necessário imaginar um outro modo de desenvolvimento, e minha investigação me fez descobrir uma impressionante gama de soluções, pouco conhecidas e possivelmente ocultas. Soluções simples, realistas, testadas, não especulativas. Sinto-me desapontado com todos os fanáticos pelos rendimentos supérfluos, mas parece-me que, com muitas fórmulas mais prosaicas, mas abrindo acesso a reservas inesgotáveis de energia, já temos bastante trabalho pela frente e soluções que podem ser implementadas imediatamente.
Ao mesmo tempo, fui ao colóquio internacional de Biarritz, realizado em 6 de junho, dedicado às máquinas Z, onde estavam presentes as pessoas mais representativas nesse novo campo. Meu amigo, o inglês Malcom Haines, fez a primeira apresentação, na segunda-feira às 8h30. Na véspera, havíamos nos encontrado e conversamos longamente. Malcom acabara de publicar, dois dias antes,
um artigo de 64 páginas
na prestigiada revista de física de plasmas Plasma Physics and Controlled Fusion, praticamente uma monografia sobre o tema.
Os bilhões de graus de 2006, medidos em Sandia, foram confirmados. Nenhuma crítica, nada. Após essa apresentação, que registramos, imagem e som, apesar da recusa dos organizadores franceses, e que constituirá uma prova, questionei Valentin Smirnov, o número um russo nesse campo, diretor do departamento de fusão do Instituto Kurtchatov de Altas Temperaturas de Moscou. Obviamente, questionei-o primeiramente sobre o que Haines havia confirmado. Em outro momento, darei o detalhe de tudo o que pude aprender nesse colóquio. É bastante fácil em tais colóquios, quando não se intervm apresentando um artigo, passar por um universitário aposentado que frequenta os colóquios "para manter contato com o meio científico". Um original que, tendo uma aposentadoria confortável, prefere gastar seu dinheiro em colóquios em vez de golfe ou cruzeiros para terceira idade (embora essas participações nos colóquios sejam financiadas pela ajuda financeira fornecida por meus leitores). O anonimato é obtido prendendo o crachá na camisa desabotoada, virado. Assim pensa-se no aposentado distraído que colocou seu crachá ao redor do pescoço antes de botar a camisa. Um homem assim, não se desconfia dele. Então conversa-se, conversa-se...
Vou apenas mencionar o final da minha conversa com Smirnov, muito cortês, durante o coffee break. Sabem que os russos sempre foram os mestres absolutos em MHD. Em 1954, André Sakharov produziu 100 milhões de ampères com o gerador magneto-cumulativo que havia inventado.
Consulte o dossier que coloquei no meu site

.
Piquei o russo sem piedade.
- Na Coréia, em setembro de 2010, ouvi seu colega Grabowski apresentar seus resultados sobre sua máquina Z Angara V. Franchamente, com esse monte de ferrugem, e seus 5 milhões de ampères, você faz má figura diante dos 26 milhões da máquina americana ZR!

A máquina Z russa Angara V
Smirnov se ergueu imediatamente (revelando algo que, por exemplo, Haines ignorava):
- Na Rússia, estamos concluindo a construção de uma máquina Z cuja intensidade atingirá 50 milhões de ampères, com um tempo de subida de 150 nanossegundos.
Pouco tempo depois, questionei um tipo do Laboratório Lawrence Livermore (Califórnia). Corria o boato de que os russos estavam montando algo onde a energia primária era um explosivo. Esse homem do LLL acreditava (o que os russos lhe disseram) que a fórmula era menos cara do que usar bancos de capacitores.
Mas como os russos conseguem obter tempos de subida tão curtos?
É preciso confiar neles. Se estão colocando todo o esforço assim, "deve haver algo". De qualquer forma, em Biarritz, experiências muito mais modestas relataram nêutrons de fusão.
Voltei de avião com Smirnov, que, se a comissária lhe tivesse oferecido um paraquedas, teria provavelmente pulado imediatamente. Pude saber que as experiências baseadas em um liner composto por dois troncos de cone (ver meus artigos de 2006) se mostraram decepcionantes. Era impossível fazer os dois jatos, criados pelo efeito de carga oca, colidirem. A melhor alvo (era Smirnov quem havia inventado o liner com fios) é um liner esférico, com dupla gaiola de fios, inventado por seu aluno Zakharov ("como em Sandia", disse Smirnov).
Entre suas frases, destaque-se esta:
- Foi difícil obter financiamento. Felizmente, os militares nos ajudaram
(...)
A corrida pelas bombas de fusão pura, que substituirão as bombas termonucleares clássicas, com seu detonador de plutônio, está lançada entre russos e americanos. Todos os que permanecem abaixo de 5-10 milhões de ampères estão automaticamente fora da disputa. De fato, o aquecimento por compressão permite obter temperaturas que crescem como o quadrado da intensidade elétrica. Os chineses, que constroem uma máquina que desenvolverá dez milhões de ampères, têm razão.
Os franceses (o Sphinx de Gramat, instalação militar no Lot) não entenderam que a brevidade do tempo de subida era um elemento-chave (a descarga do Sphinx, por falta de "compressão adequada", ocorre em 800 nanossegundos). Uma descarga cujo tempo de subida é de 100 nanossegundos equivale a uma corrente HF de 10 megahertz. Assim, os 70.000 ampères que passam por fios do diâmetro de um fio de cabelo não circulam
no centro do metal
, mas
na periferia
, por "efeito de pele". Se a descarga for muito lenta, os fios se sublimam e as instabilidades do plasma prejudicam a focalização.
Então os jovens de Gramat usam um liner cônico com o qual fazem jatos. Em resumo, fazem... astrofísica.
Contando desde o início com uma fonte primária constituída por 150 quilos de explosivo, os russos podem estar prestes a superar os americanos, como havia feito Andréi Sakharov com a arma termonuclear, optando desde o início pela "bomba seca", com hidreto de lítio sólido.
Se você não sabe, foi Sakharov quem projetou a
Tsar Bomba
(50 megatons). Uma bomba FFF, ou seja, fissão-fusão-fissão. Em potência total teria desenvolvido 100 megatons, mas foi "limitada" substituindo sua cobertura de urânio-238 por chumbo. Após essa magnífica experiência de física ao ar livre, Sakharov (que relata isso em suas memórias) calculou o número de cânceres que aquilo causaria. Decidiu então abandonar a energia nuclear militar, em 1967, dedicando-se desde então à cosmologia. Foi aí que propôs pela primeira vez um modelo cosmológico composto por duas entidades com setas do tempo anti-paralelas. Descobri isso apenas em 1983, lendo o livro dedicado às suas obras científicas (publicado na França pelas edições Anthropos, Paris).
Ter uma suspeita é uma coisa. Ser confrontado com discursos que parecem provas é outra. Esse colóquio, aparentemente "civil", tinha fortes cheiros de segredo de Estado. Malcom pensa, como eu, que as temperaturas atingidas com ZR poderiam se aproximar dos 8 bilhões de graus. Com seus 50 megampères, os russos poderiam alcançar 20 bilhões de graus. A física de plasmas ultra-densos e ultra-quentes está se desenhando. Mas, como se pode ver, o objetivo prioritário será a elaboração de novas armas, bombas termonucleares de fusão pura, potencialmente miniaturizáveis, com nanotecnologias. Com misturas como Bore11 + Hidrogênio1, obteremos até "bombas verdes", sem emissão de nêutrons.
Levei algum tempo para me recompor após esse colóquio de Biarritz, confesso, tocando mais uma vez a incompreensível estupidez humana (como em Brighton em janeiro de 2001).
Com amigos aposentados, vamos relativamente rapidamente compor um livro, uma monografia de 180 páginas, cujo formato será semelhante aos livros que anteriormente ofereci à venda em meu site. Ganhamos 10 euros por livro, líquido. Os livros serão vendidos em benefício da Ciência e Cultura para Todos. No menu, quatro partes.
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Nuclear: suicídio, manual de instruções
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Um beco sem saída chamado ITER
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Soluções baseadas em energias renováveis, à escala das necessidades do planeta.
-
A física de plasmas ultra-densos e ultra-quentes: armas primeiro, energia depois.
Os políticos poderão se beneficiar das informações contidas, para eventualmente incluí-las em seus programas eleitorais. Com o dinheiro arrecadado, poderemos viajar e fazer reportagens sobre instalações já operacionais no mundo, na Espanha, EUA, Canadá, China, etc. Pessoas de imagem nos acompanharão e produzirão vídeos diferentes dessa insondável inutilidade que foi o reportagem feita pela Arte sobre a fusão.
NOVIDADES
GUIA
PÁGINA INICIAL
1º de junho de 2011:
Surrealista:
a Agência Internacional de Energia Atômica elogia a forma como a TEPCO geriu a crise
31 de maio de 2011.
Uma interessante
resposta de Jeremy Rifkin
às alegações de Nicolas Sarloky, no site do Next Up. Mas sua solução é incompleta.
A Alemanha debate seu projeto de saída do nuclear.
Angela Merkel
A decisão foi tomada!
15 de maio de 2011:
Michio Kaku muito pessimista sobre a evolução da situação

O professor Michio Kaku acha que o local de Fukushima permanecerá extremamente vulnerável a outra tremor sísmico. Diz que os técnicos da central continuam regando os reatores, mas há vazamentos e uma massa de água contaminada invade os porões, deve ser bombeada, e quando os tanques de armazenamento dessa água estão cheios, os japoneses a liberam no oceano. As medidas de cobertura dos reatores planejadas pela TEPCO visam apenas tentar impedir que poeiras radioativas se espalhem pela atmosfera, contaminando as terras vizinhas. Os líderes da TEPCO são incompetentes e pensaram apenas em uma coisa: salvar seu investimento.
Kaku é extremamente crítico e diz que a confiança do povo japonês em seu governo está em queda livre. Acrescenta que os japoneses se iludem ao perguntar "quando poderão voltar às suas moradias". Uma "zona morta" permanecerá. Termina dizendo que foi necessário esperar 14 anos para abrir a vasilha do reator de Three Miles Island, cuja parte do núcleo havia derretido, mas onde o corium não havia saído da estrutura do reator, sua vasilha, o que não é o caso no Japão. Estima em pelo menos trinta anos o tempo necessário para os japoneses limparem o local de Fukushima.
As coisas não parecem melhorar, no país do Sol Nascente. O edifício de um dos reatores, o número 1, está inclinado e parece estar afundando no solo.
Nenhuma medida energética, à altura da situação, "à russa", foi tomada nos dias ou semanas seguintes ao desastre. Teria sido necessário remover imediatamente os acessos (o que a TEPCO só começa a considerar agora!). Em seguida, remover os escombros, para poder... fazer algo. Os japoneses não ficam atrás em matéria de manipulação de cargas muito pesadas com pontes rolantes, em suas instalações portuárias e em sua indústria siderúrgica. A implementação de tais meios para limpar o local, remover os escombros que cobrem os reatores, não foi iniciada por avareza, incompetência e indecisão. Como observa Kaku em sua entrevista, no Japão ninguém sabe quem "gerencia" essa situação de crise. Na verdade, ninguém. As autoridades políticas são incompetentes. O primeiro-ministro é uma marionete que "renuncia ao salário", como foi a única coisa que conseguiu fazer. Os especialistas em nuclear, requisitados para se deslocar ao local e assumir o controle, se esquivaram.
O tonel das Danaides
Para colocar em funcionamento meios pesados ou construí-los, seria necessário realizar requisições, colocar bilhões de dólares na mesa, ter um verdadeiro plano, assumir as coisas. Mas na TEPCO ninguém parece ter um plano. Observa-se e rega-se...
Como lembra Kaku, o que está armazenado em Fukushima é uma verdadeira bomba, especialmente devido aos elementos combustíveis "gastos" ou ainda não utilizados, contidos nas piscinas. Se uma das piscinas desabar, esses elementos, jogados uns contra os outros, podem entrar em criticidade.
Algumas vasilhas de reatores, para não dizer todas, se comportam como
tonéis das Danaides.
É provavelmente a imagem mais pertinente.
No terreno, dezenas de técnicos fazem um pouco de tudo, enquanto líderes do grupo renunciam ou se esmagam contra o chão.
Como nada foi feito, exceto o resfriamento com mangueiras de irrigação, o que é apenas um remédio paliativo, a situação evoluiu desfavoravelmente nos diferentes reatores. Vai-se cada vez mais pensando que a explosão do reator número 3 não foi devida apenas a uma explosão de hidrogênio, mas possivelmente a uma "reação rápida", a um início de reação em cadeia em um conjunto de barras combustíveis armazenadas na piscina próxima ao reator. Diz-se que fragmentos de barras combustíveis teriam sido encontrados a grandes distâncias da central.
14 de maio de 2011
:
Últimas informações
:
Divulgações da TEPCO: Reator nº 1, invólucro de aço inoxidável 304L fissurado e vaso perfurado devido ao colapso e fusão das barras combustíveis, vazamentos muito altos de radioatividade, refrigeração impossível, nível da água a menos de cinco metros, o núcleo do reator está agora exposto ao ar (...), o futuro torna-se problemático e incerto também para os reatores nº 2, 3 e 4.
O cronograma do plano de estabilização da TEPCO totalmente questionado, criação de sarcófagos de encapsulamento dos edifícios dos reatores em concreto fixados sobre a rocha a menos de 50 metros em estudo de emergência com zeólita para absorver materiais radioativos.
Última informação, sujeita a confirmação: o edifício do reator nº 4 teria se inclinado ou afundado, trabalhos de reforço de emergência estariam em andamento (essa informação americana também é visual, em princípio sem efeito de ótica; se confirmada, poderia indicar desenvolvimentos graves).
Lembrete: a confirmação dessa informação está pendente.
Anúncio da General Electric, na época da venda de seus reatores para a TEPCO!
13 de maio de 2011.
Fonte:
The Mainichi Daily News
TÓQUIO (Kyodo) — A Tokyo Electric Power Co., operadora da usina nuclear danificada de Fukushima Daiichi, revelou na quinta-feira que buracos tinham sido criados por combustível nuclear derretido no fundo do vaso de pressão do reator nº 1.
A empresa disse ter encontrado múltiplos buracos somando vários centímetros em tubulações soldadas. Mais cedo naquele dia, disse que a quantidade de água dentro do reator problemático era inesperadamente baixa — insuficiente para cobrir o combustível nuclear — sugerindo que uma grande parte do combustível havia derretido após estar totalmente exposta.
A TEPCO revelou na quinta-feira (12 de maio de 2011) que haviam sido descobertos buracos no fundo do vaso do reator número 1, em decorrência da fusão do combustível dentro dele.
A companhia disse ter encontrado vários buracos, nas junções soldadas dos sistemas de bombeamento. Mais cedo naquele dia, foi revelado que o nível da água no reator danificado era baixo, a um ponto que não se suspeitava. Assim, essa água já não conseguia cobrir os elementos combustíveis, o que implicaria que uma parte significativa desses elementos poderia ter derretido após ficar sem água.
Minha observação:
Essa situação é sinal de grande instabilidade e pouco favorece um retorno rápido à normalidade. No núcleo "parado", a decomposição da centena de radionuclídeos produzidos libera calor. Esse calor tende a diminuir com o tempo. Foi assim que, finalmente, foi possível abrir o vaso do reator de Three Mile Island e examinar seu conteúdo, várias décadas após o evento, constatando, visualmente, que 45% do núcleo havia derretido. Enquanto isso "esse retorno à calma" não ocorre, foi necessário refrigeração do reator. A evolução da situação depende da eficácia da refrigeração. Em Fukushima, essa refrigeração é problemática.
12 de maio de 2011:
Não é segredo para ninguém que o drama que se desenrola atualmente no Japão, em Fukushima, passou totalmente despercebido pelos grandes meios de comunicação franceses, com raras exceções. Mencionaremos o número especial da Science et Vie de maio de 2011, bem ilustrado e documentado. Fora disso, quando consulto meus "yahoo-news", encontro apenas futebol e alguns boatos sobre algumas "celebridades da atualidade". É lamentável. Por que esse silêncio? Pode-se pensar em um bloqueio "acionado" pelo lobby nuclear. É possível. Mas é subestimar a superficialidade e a vaidade dos "meios oficiais", onde as redações vivem "no evento". Esse terremoto, essa catástrofe nuclear, para esses meios, é um
evento passageiro
. Fazem a manchete e passam adiante. Enquanto é evidente que esse assunto assume caráter crônico e pode se estender por anos.
No número da Science et Vie li uma menção à desonestidade criminosa da empresa TEPCO, que durante décadas cobriu fissuras com tinta e falsificou relatórios de inspeção de suas centrais. Em outro lugar, descobre-se a coligação entre os "nucleocratas" japoneses e o mundo do crime organizado, os famosos Yakuza, responsáveis por recrutar desempregados para limpar os vasos dos reatores. Também se pode pensar que durante décadas esses mesmos Yakuza se encarregaram de silenciar aqueles que tentavam denunciar tal situação, enquanto os operadores, ávidos por enriquecerem, compravam o silêncio dos outros. Nesse caso, não se trata de prosternações de líderes, mas de um seppuku adequado e formal. As tradições estão se perdendo.
Nossos jornalistas seriam tão incapazes de entender isso? É possível. Eles também refletem a surdez e a fuga do cidadão comum diante de situações angustiantes, às quais ele se recusa a enfrentar.
Encontrei um trecho de um vídeo arquivado onde se vê o idiota Giscard d'Estaing declarando, no momento da passagem da nuvem de Chernobyl, "que isso não teria consequências para a saúde pública". É verdade que ele foi o principal artífice da nuclearização da França, algo que considerava um ponto de orgulho, o ponto forte de seu sétimo mandato. Essa declaração mostra que é possível ser proveniente de uma escola dita prestigiada e ainda assim ser um completo idiota. Lembre-se de que devemos a "crânio de ovo" grandes partes da Constituição europeia.
Há um fenômeno constante entre os homens de poder e riqueza que confundem, talvez convencendo-se a si mesmos, seus próprios interesses com o interesse geral. É raro que terminem suas vidas na pobreza.
As pessoas estão começando cada vez mais a perceber que seu futuro é gerido por duas entidades:
-
As forças do dinheiro
-
Homens políticos imprudentes e totalmente desconectados da realidade. Em uma palavra, idiotas incompetentes.
Revise a passagem em que Nathalie Kusciusko-Morizet é entrevistada no programa "Complément d'enquête" de abril de 2011, onde pronuncia essa frase assustadora:

- Nada foi previsto para o desmantelamento das usinas solares J
Tive que ouvir novamente esse trecho para saber se não havia sonhado. O que ela quer dizer com "desmantelamento das usinas solares"? Essa mulher é totalmente incompetente. Poder-se-ia esperar que ela mencionasse o "desmantelamento das barragens hidroelétricas", enquanto estamos nisso. É um ministro-papagaio, encarregado da... ecologia, que repete uma lição bem aprendida, lança frases vazias como "...uma melhor visibilidade da cadeia nuclear". Tive a necessidade de detalhar esse programa para que vocês pudessem perceber as besteiras que nos são despejadas continuamente das "altas esferas do poder".
Joguei meu papel informando meus leitores durante essas semanas em que começou essa questão de Fukushima, tentando ao mesmo tempo dar algumas informações gerais sobre o mundo nuclear. Depois, passei bastante tempo analisando a excelente emissão "Complément d'Enquête", transmitida pela France 2. Se você não leu
esta página
, recomendo que a consulte. Muitos descobriram com surpresa que nosso país, por meio do combustível MOX, tinha 20 de seus reatores funcionando não com urânio, mas
com plutônio
. Ao mesmo tempo, entenderam que a fábrica da Hague, sob o nome de "centro de reprocessamento de combustíveis usados", não era um lixão, mas uma fábrica de recuperação de plutônio por via química, que é a base do funcionamento do MOX, que nada mais é do que uma mistura de 7% de plutônio, fissível, diluído em 93% de urânio-238, não fissível. Atualmente, 60 toneladas dessa substância extremamente perigosa, o plutônio, estão armazenadas na
Hague
. Se a França estivesse envolvida em uma guerra, esse centro, assim como todos os seus reatores nucleares e piscinas de armazenamento, seriam alvos ideais, onde se encontra material suficiente para matar toda a população da Europa. Esse MOX é, aliás (e também), o combustível dos reatores aceleradores de nêutrons rápidos, como o de Creys Malville (parado, não sabemos como desmantelá-lo).
Nos debates que vejo surgir em fóruns como Agoravox, alguns dizem que não se deve cair na paranoia e imaginar que terroristas um dia possam lançar ataques sofisticados contra nossas centrais, a bordo de aviões que ultrapassariam todos os sistemas defensivos, lançando mísseis autoguiados ultra sofisticados capazes de perfurar metros de concreto e espessas vasilhas de aço.
Manter essas ideias é se confinar no "hexágono". A França, assim como muitos outros países, como a Coréia, são países dispostos a vender reatores a... qualquer um. A países que os instalarão em zonas sísmicas. Ou a outros que, um dia, poderão se tornar alvos de opositores bem organizados. Vendemos, ao mesmo tempo, às pessoas as armas mais modernas.
Os alvos nucleares apresentam uma característica fundamentalmente diferente dos alvos convencionais. Pegue, por exemplo, um grande depósito de munições ou tanques de hidrocarbonetos. De repente, esses locais são atingidos por um ataque ou sofrem um atentado. Há explosões, destruições, um grande incêndio. Depois, tudo "acaba". As mortes: choramos e enterramos, depois as esquecemos. Os incêndios acabam por se apagar. Reconstruímos o que foi destruído.
No caso de um alvo nuclear,
o cenário é totalmente e fundamentalmente diferente.
O "incêndio" torna-se impossível de controlar, porque é... inacessível. Sob seu sarcófago que se degrada, o fogo nuclear de Chernobyl continuará a arder durante dezenas de milhares de anos e ameaça contaminar o aquífero. Os danos do nuclear podem se estender por milhares de quilômetros quadrados e serem irreversíveis. Grandes áreas agrícolas podem tornar-se inviáveis por milhares ou dezenas de milhares de anos. Zonas de extensão semelhante podem tornar-se inhabitáveis por períodos comparáveis. A saúde de milhões de pessoas pode ser afetada, sem limitação de distância.
Mas isso, nossos barões do átomo não se importam minimamente. O lucro os cega.
Agora, volto a energia que me resta para argumentar sobre o ITER, cujo abandono imediato é imperativo. Paralelamente, é indispensável construir um "plano B", com urgência. Podemos saudar os ecologistas, os "verdes", por sua clareza e, às vezes, coragem. Em contrapartida, devemos destacar a covardia dos cientistas, temendo, dada a força do lobby nuclear na França, que qualquer protesto ou análise simples lhes cause prejuízo no que mais lhes importa: sua carreira de funcionários servis.
Esse plano B passa simplesmente por um investimento forte nas energias renováveis, com tecnologias dignas do século XIX: perfurar buracos para recuperar energia geotérmica, captar energia solar com espelhos em chapas refletoras e produzir vapor sob pressão para gerar dezenas, e um dia milhares de megawatts elétricos (veja o projeto espanhol
Andasol
). Um projeto concluído, operacional, desenvolvendo 50 megawatts, que contradiz completamente esse outro idiota que é Claude Allègre ("não sabemos armazenar energia!", frase repetida pela diretora da Areva).
Nossa ciência e nossa técnica foram desviadas durante décadas, em busca de uma "Teoria do Tudo" ou para encher os bolsos de grandes empresas, servir o complexo militar-industrial, as companhias farmacêuticas, etc. Enquanto isso, o poder político se tornou cúmplice de assassinatos ou tentativas de assassinato de empresas dignas (como
Kokopelli, que mantém um blog sobre os eventos de Fukushima
). Tudo isso é lamentável, desprezível ao extremo.
Ao Leste, nada de novo. No Império do Sol Nascente, nada de novo. Uma câmera filmou uma emissão de vapor e fumaça proveniente do reator número 3. Os meios de comunicação não deram destaque a isso.

8 de maio de 2011: reacendimento no reator número 3
Outra mostra uma luz preocupante, filmada à noite pela câmera de vigilância, acima. Em torno da central, trabalham algumas dezenas de funcionários. Arrumam, refrigera com mangueiras de água. O Imperador vai confortar refugiados em um estádio. Tem-se a impressão de que as empresas e o governo escondem a gravidade da situação para evitar pânico. Moradores próximos à central perguntam ingenuamente "quando poderemos voltar para casa".
Patético
Crise energética no Japão

:
A principal rede de televisão comunicou, em 11 de maio de 2011:
sessenta por cento da energia nuclear japonesa está fora de serviço.
Impacto imediato sobre a economia nipona
23 de abril de 2011:
Faça o esforço de assistir à excelente emissão "Complément d'enquête".
É longa, mas contém o essencial do que você precisa saber, e talvez até tudo.
Complément d'enquête
Nuclear, a catástrofe que muda tudo: a catástrofe de Fukushima revela diariamente os enganos da Tepco, cujos engenheiros têm dificuldade em recuperar o controle dos reatores. Quais são os riscos reais para os japoneses? E quanto à França e seus 58 reatores?
emissão de segunda-feira, 18 de abril de 2011, às 22h10 na France 2
http://www.pluzz.fr/complement-d-enquete-2011-04-18-22h10.html
Essa emissão é longa. Meu trabalho, exaustivo, é fazer um "resumo" desses documentos, destacando os pontos essenciais, para permitir uma leitura mais rápida. Preciso acrescentar dezenas de capturas de tela, recuperá-las com Photoshop, montar uma página web, adicionar texto. Isso representa dezenas de horas de trabalho. Preciso fazê-lo, mas estou bastante exausto. Tive 74 anos recentemente e começo a sentir o peso dos anos.
O início deste trabalho
Está disponível para download (572 MB), diz um leitor, em:
http://depositfiles.com/files/onwpxsugv
Não permanecerá para sempre na internet, especialmente porque incomodará muitos.
Parabéns à equipe da France 2 que conduziu essa investigação e produziu este documento,
de excelente qualidade
Postado em 30 de abril de 2011:
A União Europeia autoriza a importação de alimentos radioativos provenientes do Japão.
Neste
vídeo
do dia 26 de abril, em inglês, Ami Gundersen, analisando os filmes (espetaculares) da explosão do reator número 3, coloca em dúvida que ela possa ser atribuída exclusivamente à mistura hidrogênio-oxigênio liberada. Ele acredita que a onda de compressão proveniente da explosão primária poderia ter comprimido os elementos combustíveis presentes na piscina adjacente, provocando uma excursão de criticidade e uma mini-explosão nuclear.
Não é impossível.
A Natureza dá um novo aviso
Em
28 de abril de 2011
, uma tempestade de força excepcional devastou o Alabama, nos Estados Unidos

Uma tempestade de nível F4, com um quilômetro de largura. Ventos giratórios soprando a mais de 300 km/h
220 mortos, 1700 feridos
A metade do condado de Madison foi quase apagada do mapa.
/ A alimentação elétrica dos sistemas de bombeamento da usina nuclear de Browns Ferry foi destruída. O sistema teve que passar para fontes de energia de emergência, utilizando geradores diesel.
http://www.world-nuclear-news.org/RS_Browns_Ferry_hit_by_major_storms_2804112.html
Após Fukushima, como me faz notar Frédéric Requin, esse evento novamente coloca a questão da sensibilidade das instalações nucleares a fenômenos naturais de escala excepcional e catastrófica (furacões, terremotos, tsunamis, e agora tornados). O que teria acontecido se a trajetória desse tornado tivesse passado exatamente onde está a piscina de armazenamento de barras combustíveis? Seu telhado também teria sido arrancado, sua água sugada, suas barras usadas e radioativas levadas para o alto e dispersadas por dezenas de quilômetros de distância. E, talvez, se as vasilhas contendo o combustível dos geradores diesel fossem acessíveis, esse tornado teria derrubado os sistemas de emergência. Teríamos tido um Fukushima-bis...
Os "filmes de catástrofe" são... a realidade. Como "não existe risco zero", é necessário optar por soluções tecnológicas que, em caso de catástrofes naturais, não resultem em consequências secundárias graves, irreversíveis do ponto de vista humano, sanitário e ecológico.
Se instalarmos milhares de hectares de coletores solares parabólicos (veja a instalação espanhola Andasol, 100 hectares gerando 50 megawatts) e se um tornado atravessar uma instalação assim, poderemos estimar os danos, financeiramente significativos, lamentar essas perdas materiais e começar a reconstruir.
Mas os destroços dos espelhos metálicos não envenenarão a região por centenas de milhares de anos.
Sob esse aspecto simples, o nuclear é uma besteira
A central solar espanhola Andasol: 100 hectares produzindo 50 megawatts

A escala dos coletores parabólicos da central Andasol.
O que é preciso compreender sem demora na França.
Sai-se do "faça você mesmo".
É isso, o solar.
Esse
ignorante
de Allègre diz, em um programa de TV: "não sabemos armazenar energia". Totalmente falso! A instalação Andasol está totalmente equipada. Esses tubos produzem gás a 400°C, sob pressão, que acionam uma turbina e um alternador. O armazenamento dia/noite é garantido em massas de sais fundidos, com alta capacidade térmica, a 400°C (sem perigo, esses). Não é uma "instalação experimental", mas um conjunto totalmente operacional.
São essas instalações que assustam os do lobby nuclear francês. Quando a senhora Kosiusko-Morisset fala de solar no programa Complément d'Enquête, ela menciona apenas o fotovoltaico, insistindo no custo da importação das células, fabricadas na Ásia, e no custo "do desmantelamento dessas instalações". Ou ela ignora a existência de instalações como a Andasol, ou as omite, o que é ainda pior.

Na emissora japonesa NHK, domingo, 23 de abril.
Houve, portanto,
fusão desses três núcleos
É necessário um programa político. Nenhum candidato tem um. É simples: "à direita" ou "à esquerda", essas pessoas pensam apenas em manter ou ajustar (o que é simplesmente impossível) o sistema existente. Os ecologistas "tradicionalistas" são afetados por miopia. Sabem o que significa a palavra megawatt (mil quilowatts), mas são incapazes de ir além. Viajam de bicicleta ou canoa.
Um reator nuclear gera 400 - 600 - 900 - 1000 megawatts e mais.
As necessidades de um país como a França somam dezenas de milhares de megawatts.
Um programa político centrado na resolução da "crise energética" oferece múltiplas facetas,
estabilizadoras.
-
Absorve os "capitais flutuantes", representa uma luta contra a especulação financeira (que nada tem a ver com a economia).
-
Cria empregos por dezenas de milhares — Desenvolve todo um setor tecnico-científico com um aspecto interessante:
o Exército não tem lugar nisso.
A menos que se pense, como no cerco de Siracusa, em queimar as velas dos navios
à distância, com espelhos parabólicos, como fez Arquimedes.
- É um projeto que protege as gerações futuras, em vez de preparar para deixá-las um país, um planeta insuportável. Um projeto que cuida da sua própria saúde. Você não percebeu que desde que deixamos os aprendizes de bruxos meterem o nariz em tudo, a saúde humana está se deteriorando? A indústria alimentícia coloca qualquer coisa em seus produtos, seleciona as espécies vegetais "mais resistentes", "mais lucrativas", mas que acabam sem as substâncias anticâncer que a Natureza colocou nelas.
Parece o filme "A asa e a coxa" com Funès — Um projeto desse porte exige uma política de
Grandes Obras
, que só podem ser geridas por Estados, e não por empresas privadas. Esses projetos não se encaixam em políticas de mercado, de lucro.
- Finalmente, todos os países considerados pobres podem seguir o exemplo. Todas essas tecnologias estão ao seu alcance. Podem desenvolver
suas próprias centrais para suas próprias necessidades
e não entrarem numa nova fase de neocolonialismo helio-hidro-aéreo.
- É fácil para ditadores, pequenos reis, se apropriarem de riquezas nacionais centralizadas, como petróleo, gás ou minérios. Menos fácil encerrar o sol, o vento ou as correntes marinhas numa conta suíça.
Almejando grande e de longo prazo, é possível, com o tempo, substituir não apenas a energia nuclear, mas também a derivada do petróleo, por uma ampla gama de energias renováveis (pense no petróleo artificial fabricado com algas!). É grandioso, vasto. O solar térmico, perfeitamente operacional na
Espanha
e nos EUA, produz um megawatt por hectare. Mas é escalável infinitamente.
Não falta terreno, nem na Espanha, nem em outros lugares.
Uma pequena observação. Quanto ao projeto Andasol, espanhol, enviei vocês para uma página mais documentada, que um amigo havia recentemente tentado colocar no Wikipedia, simplesmente traduzindo a página para o inglês.
http://en.wikipedia.org/wiki/Andasol_Solar_Power_Station
Mas, imediatamente (em menos de 24 horas), administradores do Wikipedia França, pobres pequenos idiotas, cobertos por seus sagrados "pseudônimos", apagaram a página (vá ver no
histórico
) e restauraram a página anterior. Por quê? Porque esse amigo estava "na lista negra do Wikipedia França". Sabem que pessoalmente estou "baniu para sempre" há mais de cinco anos por ter revelado a identidade de um antigo aluno da École Normale Supérieure, Yacine Dolivet, que fazia uma tese sobre cordas super e me irritava falando bobagens sobre a Relatividade Geral, à qual não entendia nada. Aliás, alguém tem notícias desse idiota? Nas últimas notícias, estava em um banco. Talvez seja "trader"...
Quer fazer algo útil: certifique-se de que a simples tradução da página inglesa se imponha no Wikipedia França, parasitado por legiões de "administradores" que são desocupados de todos os tipos, babacas. Não há palavras fortes o suficiente para estigmatizar uma tal nuisance idiota, baseada na mistura de inutilidade e vaidade.
O Wikipedia é um projeto
fantasticamente útil
, que felizmente funciona apesar desse parasitismo por pessoas medíocres, complexadas, desocupadas, que incomodam aqueles que poderiam contribuir efetivamente para seu desenvolvimento.
Voltemos ao projeto de megaecologia:
O orçamento? Em escala planetária: equivalente ao de uma terceira guerra mundial... pacífica
As energias renováveis mal se prestam à especulação, à fuga de capitais, ao bloqueio de matérias essenciais. Como especular sobre o sol, os ventos, as marés? Como parar as correntes marinhas, velar o sol, parar os ventos?
Como criar a escassez
para especular sobre tais "produtos"?
Pense: se conseguirmos montar, com o preço certo, instalações válidas que explorem todas essas energias em meio às quais nadamos, a geopolítica será radicalmente transformada. Por que lutar para controlar um produto que de repente se tornaria desvalorizado?
Vivemos a primeira Guerra Ecológica da história. Ela já começou.
A guerra das pessoas de bom senso contra os homens de lucro, de mercado, os destruidores do planeta, com sua última ideia tola, o "gás de merda", como bem disse Fillon, através de um lapsus. Uma guerra contra mentirosos, vendedores de falsas promessas (Sarkozy), pessoas sem imaginação (Hulot), palhaços (os Bodganoff), filósofos-vendedores (Bernard-Henri Lévy, criador do pensamento descartável), políticos equilibristas (Strauss-Kahn,
costurado com ouro
), cientistas vendidos (Allègre), servidores do lobby militar-industrial (muitos pesquisadores em física e especialistas em física nuclear), antigos pastores de cabras que se tornaram construtores de torres de Babel ou pistas de esqui com ar condicionado.
Sim, essas soluções são caras. É preciso injetar dinheiro, muito dinheiro, sem nos preocupar com o "retorno sobre investimento". Deixemos isso para os idiotas, egoístas de todos os tipos, pessoas sem alma, sem sonhos, sem imaginação, todos os complexados Bling-Bling, que querem tomar sua bexiga por uma lanterna.
Para as eleições presidenciais, precisaríamos encontrar um candidato ou uma candidata que adira a esse projeto de grande escala (Eva Joly?). Hulot tenta fingir ser ecologista, embora tenha sido patrocinado por todos os poluidores e destruidores do planeta (Total, EDF, etc). É apoiado por
Jean-Marc Jancovici
, jovem policial, que com ele elogia os méritos da "taxa de carbono" (para onde iriam esses recursos? A história não diz). Um tipo que nunca trabalhou, nunca produziu nada além de vento, não eólico. Um "consultor profissional", que declama o texto que escrevemos para ele, com toda a convicção de um ator, fugindo das perguntas que o incomodam.
Jancovici é à economia o que Bernard-Henri Lévy é à filosofia.
Além disso, não está provado que as emissões de gases de efeito estufa sejam o principal problema do planeta, nem que sejam a causa comprovada de um aquecimento que exigiria análise. Tudo isso é pouco claro, esconde interesses sórdidos. Para quem Jancovici trabalha? Para si mesmo, como tantos outros. Veja os lucros fabulosos que Hulot conseguiu ao vender suas ideias, "sua marca". Suponho que não chegará até o fim de sua candidatura, apenas porque seria incapaz de gerir um país em todos os aspectos. Desistirão no último momento, "vendendo seus votos" ou obtendo de outro candidato "garantias" (promessas que evidentemente não serão cumpridas). Depois voltarão para receber seus salários fabulosos, receber seus dividendos, convencendo-se de que, durante o início da campanha, serviram os interesses dos franceses e defenderam bem a causa ecológica.
O que é terrível é a lentidão da evolução das massas. No Japão, ainda há 38% de japoneses que acreditam que o nuclear é a solução. Hulot propõe um referendo. Ele sabe que, se fosse realizado, após um bom alarido midiático, os franceses, como bobos habituais, majoritariamente se declarariam favoráveis à continuação desse programa perigoso. Bastaria dizer-lhes:
- Se vocês forem contra o nuclear, vão se iluminar com vela, nossa economia vai colapsar, o desemprego vai se generalizar.
E, pior ainda:
- O céu vai cair sobre nossas cabeças.
Terá que me confrontar com pequenos idiotas como Jean-Marc Jancovici ou grandes idiotas como Claude Allègre, desmontando seus argumentos um por um, metodicamente. Jancovici prevê o desenvolvimento de uma crise grave. É verdade, se permanecermos no seu sistema tolo, ou a instabilidade é criada não por turbulências econômicas, escassez de algo ou outro, mas por turbulências financeiras, pilotadas por esses papais Ubu que manejam seus ganchos de merda e seus bastões de finanças.
Sabe o que reprovo a Jancovici e a Hulot? (Allègre nem sequer mereceria que mencionássemos seu nome)
A falta de imaginação e de arrojo épico
Assine a petição da CRIIRAD pedindo que os cidadãos sejam informados sobre a radioatividade de seu ambiente
http://petitions.criirad.org/?Petition-pour-une-transparence
Fonte:
A CIA analisa a política nuclear francesa, em relação à disseminação do plutônio
18 de abril de 2011: O ex-ministro da "esquerda" Claude Allègre voa ao serviço do poder.

- É preciso parar de andar de cabeça para baixo
O bombeiro do átomo
http://www.youtube.com/watch?v=G8rBBCKnboU
http://www.youtube.com/watch?v=XJQAC4NswgA
O que ouvi na boca desse "homem supostamente saber" me deixou furioso.
Nessa emissão, ou Allègre mente, ou é um completo ignorante, vítima de duas coisas:
-
Do efeito do lobby nuclear, que fez tudo para apresentar essas energias alternativas como "soluções viáveis em escala doméstica"
-
A impressão dada pelos ativistas anti-nucleares, que, embora tenham realizado ações corajosas durante anos, enquanto nós os observávamos, acabam sendo rotulados como esquerdistas.
Existe soluções para que, rapidamente, essas energias alternativas substituam o nuclear e as de combustíveis fissionáveis. Basta apenas colocar o preço certo. Allègre, que diz, por exemplo, que não sabemos armazenar energia, é simplesmente ignorante, desprovido do mínimo de conhecimentos em engenharia e física. Ele imagina simplesmente um país repleto de horríveis turbinas eólicas e painéis solares. Ele se zomba, com razão, dos defensores da descrescida. Se eu tivesse estado no programa, como cientista e engenheiro, teria calado a boca dele rapidamente.
De fato, basta ir a uma siderúrgica e observar o funcionamento de um forno Bessmer, onde o ferro é fundido com resistências elétricas, para perceber que nunca produziremos tanta eletricidade, mesmo combinando as contribuições de muitas casas individuais.
Os anti-nucleares demonstraram grande coragem ao enfrentar o monstro nuclear, sob uma chuva de gás lacrimogêneo, sem qualquer apoio público, indiferente como sempre.
Mas a ausência de um plano alternativo sólido é um ponto fraco nesses grupos, que carecem de engenheiros e físicos. Hulot cercou-se de "especialistas ambientais", defensores da luta contra as emissões de gases de efeito estufa, fervorosos adeptos da "taxa de carbono", como o politécnico Jean-Marc Jancovici. Ambos permanecem, no entanto, bastante duvidosos. Hulot nunca escondeu o apoio que recebia de grandes grupos como a EDF, a OREAL, etc.
É perfeitamente verdadeiro que o consumo elétrico doméstico e a forma como consideramos os transportes poderiam ser revistos, levando a uma redução substancial da conta de eletricidade. Mas:
- Essa descrescida é mal compreendida pelo público ("teremos que nos iluminar com velas!")
- Falta um projeto alternativo ao nuclear com escala suficiente. Apenas países como a Espanha e os EUA conseguiram implementar verdadeiras "centrais solares" de grande potência. Você as encontrará facilmente na internet. Os esforços realizados por países como a Alemanha tornam ridículas as bravatas eletrorralistas de Sarkozy: "Somos líderes em energia nuclear. Vamos investir e nos tornar líderes em energias renováveis" (campanha eleitoral de Sarkozy).
Central solar espanhola de Andasol: 50 megawatts, com armazenamento de energia em sal fundido.
Capaz de atender as necessidades de uma cidade de 200.000 habitantes. Expansível, como se pode ver.
O que estamos esperando para financiar tais projetos?
As necessidades de países como o nosso em energia se cifram em dezenas de milhares de megawatts, ponto final. Estou falando das necessidades atuais. Na França, devemos considerar 78.000 megawatts, dos quais 62.400 MW são atualmente cobertos pelo nuclear. Se pensarmos em um projeto de desenvolvimento de energias alternativas, devemos considerar uma produção dessa ordem, não apenas economias com lâmpadas de baixo consumo e casas bem isoladas. Embora essas economias não sejam de desprezar, é perfeitamente verdadeiro. Grandes progressos podem ser feitos na melhoria da gestão do consumo doméstico de energia.
Mas as necessidades industriais e dos transportes são incontornáveis. Não funcionaremos trens de alta velocidade colocando células fotovoltaicas em seus telhados.
O que esse ignorante Allègre, que se faz de sábio, não entende é que podemos muito bem imaginar produções de eletricidade com unidades que competiriam com centrais nucleares e centrais a óleo (os EUA estão finalizando a construção de centrais solares de 320 megawatts).
-
Ah, mas como, dirão alguns?
-
Desde que se ponha o preço certo, com instalações de grande escala.
O projeto DESERTEC dava uma imagem do que poderia ser feito posicionando essas instalações no solo, ao redor do Mediterrâneo, para alimentar essa região e a Europa. Pois o problema-chave, o do transporte de eletricidade em grandes distâncias, milhares de quilômetros, já está resolvido há muito tempo. Explicarei isso detalhadamente no artigo da Nexus de maio de 2011. Mas você também pode encontrar isso na internet.
Dito isso, o projeto DESERTEC se deparava imediatamente com o problema das relações com os "países produtores de energia solar", quando estes estavam no Magrebe, países que não gozam de estabilidade política "à prova de balas".
Li que Angela Merkel anunciou que a Alemanha havia decidido iniciar o abandono completo do nuclear para impulsionar fortemente as energias renováveis.
Essa é a saída, independentemente do custo.
Porque estamos jogando com a saúde das gerações futuras. Ouvi Allègre defender a disseminação de pequenas centrais nucleares. Isso é loucura total! Ninguém fala sobre a gestão dos resíduos! Um jornalista lhe fez notar que isso aumentava os riscos. Mas nosso antigo ministro "socialista" não se importa.
Quanto às energias renováveis, vivemos uma situação comparável a um estado de guerra. Uma guerra contra a ganância, a inconsciência, a irresponsabilidade, a incompetência (o drama de Fukushima é um exemplo perfeito, cujo povo japonês está sofrendo e continuará sofrendo por muito tempo). Devemos considerar todas as soluções e colocá-las em prática. Podemos imaginar equipar encostas de montanhas expostas ao sul. As estações de produção de energias renováveis em balsas (solar + eólica + hidroelétrica) também são soluções.
Se considerarmos a energia solar, surge o problema das áreas a equipar. Podemos produzir vários megawatts por hectare, sob nossas latitudes. As necessidades da França (78.000 megawatts) equivalem a um quadrado cujo lado é da ordem de dezenas ou algumas dezenas de quilômetros.
Na escala do país, é minúsculo, afinal.
O que sabemos com certeza é que a eletricidade é transportável em grandes distâncias. Na França, a rede elétrica é "malhada" de forma que a distância entre as unidades de produção e os centros de consumo não ultrapasse 200 quilômetros. Além de 500 km, as perdas nas linhas devido aos efeitos indutivos oneram o transporte de eletricidade em corrente alternada. Os canadenses enfrentaram esse problema. Nas décadas de 1970, no desenvolvimento do país em matéria de eletricidade, duas tendências se confrontaram.
- Uns eram a favor do desenvolvimento da energia nuclear
- Outros sugeriam explorar as imensas possibilidades de recursos hidroelétricos potenciais, localizados no norte do país, com enormes barragens em rios de grande vazão, com um desnível muito moderado, mas uma alimentação garantida.
Essas instalações causavam a inundação de vastas áreas, inicialmente consideradas territórios de caça de tribos. Se tivéssemos priorizado a integridade desses territórios de caça optando pelo nuclear, todo esse povo, incluindo as tribos canadenses, viveria hoje sob a ameaça de catástrofes nucleares e enfrentaria os problemas do acúmulo de resíduos radioativos e dos problemas de desmantelamento de centrais com vida útil relativamente curta (30 anos).
Pequena digressão. Uma central nuclear operando com água pressurizada (as mais "seguras", atualmente) é construída em torno de um tanque de aço de 20 cm de espessura. A pressão dentro desse tanque: 155 bares para as instalações francesas. Esse aço envelhece relativamente rápido devido ao bombardeio de nêutrons, que perturba sua estrutura cristalina e reduz sua resistência mecânica.
Sua vida útil não ultrapassa trinta anos.
Como me disse um dos meus vizinhos, aposentado, que trabalhou toda a vida em Cadarache, nos reatores de submarinos nucleares:
- Os reatores dos submarinos também funcionam com água pressurizada. No início, os fazíamos funcionar sob uma pressão de 150 bares. Mas no final da vida, os engenheiros acharam mais prudente reduzir essa pressão para 40 bares...
Uma instalação hidráulica não envelhece. Não desmantelamos periodicamente barragens hidroelétricas. Elas são construídas para durações indefinidas.
No Canadá, nesse combate que opunha os pró-nucleares aos defensores de uma eletricidade de origem hidroelétrica, a questão central era o custo considerável das instalações de produção e transporte de corrente. Havia também problemas climáticos (uma das usinas hidroelétricas canadenses é inteiramente subterrânea).
As unidades de produção mais potentes deveriam ser posicionadas a 1400 km ao norte dos centros de consumo de eletricidade.
Por sorte, os segundos venceram, com a criação da Hydro-Québec, empresa estatal.
Vá consultar a internet. Os números são fenomenais. O Québec tornou-se o maior produtor mundial de eletricidade de origem hidroelétrica (sua hidrografia permitia isso). Dispondo de 59 instalações hidroelétricas que produzem 36.429 megawatts. A barragem de Churchill Falls produz 5.428 megawatts. O complexo da Baía Saint James produz 16.000 megawatts sozinho.
Restava o problema do transporte da corrente, e é sobre isso que gostaria de insistir. Como explicarei no artigo da Nexus do número de maio, além de 500-1000 km, o transporte de eletricidade em forma de corrente alternada, em meio aéreo, já não é mais rentável, devido às "perdas indutivas". Se for um transporte em meio aquático (a travessia do São Lourenço), essa restrição cai para 50-100 km.
Os canadenses, portanto, optaram por um transporte em forma de... corrente contínua, desenvolvendo instalações de retificação de corrente de grande potência e alta tensão. Dou duas imagens.

Unidade de retificação do Manitoba funcionando a 150.000 volts

Uma imagem que dá uma ideia da escala das unidades de retificação canadenses
Essa corrente alternada (que chega a 750.000 volts), retificada, é então transportada em forma de corrente contínua de alta tensão, por milhares de megawatts.
As perdas nas linhas caem então para 3% por mil quilômetros!
Chegando ao destino, essa corrente contínua é reconvertida em alternada com o auxílio de inversores, e a tensão é reduzida com transformadores, etc.
Graças a esses equipamentos, o Canadá tornou-se imediatamente autossuficiente energeticamente, evitando a armadilha envenenada do nuclear. É claro que não dispomos na França de recursos tão importantes no domínio hidroelétrico.
Mas o que se deve reter é que é perfeitamente possível produzir corrente em um lugar e transportá-la por milhares de quilômetros.
Tudo isso, Allègre, que não é engenheiro, provavelmente ignora. Ficamos pasmos ao ouvir esse homem, que ainda deve ter alguns conhecimentos em geologia e hidrologia, considerar favoravelmente a exploração de recursos na forma de gás de xisto!
Esse "gás de merda", como bem o chamava Fillon
Atualmente, toda a humanidade poderia resolver todos os seus problemas. Para alimentação e saúde, isso não é segredo para ninguém. O mesmo vale para a energia. Depois de refletir bem, acho que, optando pela exploração de energias renováveis, solares, geotérmicas, marinhas, eólicas, bioquímicas, etc., transformaríamos completamente a organização social, política e econômica do planeta.
Saber é poder
O mundo das "altas tecnologias" domina os povos, os escraviza. Ao desejar implantar centrais nucleares em todo lugar, essas grandes potências não só correm um risco muito grave para todo o mundo. Elas apenas acentuariam a dependência das nações pobres em relação às nações ricas, e é isso que está em jogo. Não para melhorar o bem-estar das populações.
O mundo das energias renováveis é acessível a todos os países do mundo. A imensa maioria das tecnologias a serem implementadas baseia-se em conhecimentos há cinquenta ou até cem anos. Todos os países do mundo poderiam "jogar nesse jogo" e tornar-se independentes.
Vivemos uma época em que se pensa em "retorno sobre investimento", lucros de curto prazo. A escala das expectativas se mede em anos. Esses outros projetos não permitem um retorno sobre investimento em escalas de tempo tão curtas. Eles não podem se encaixar na avidez das sociedades que governam o mundo atualmente, e que só encontram força em nossa fraqueza e incapacidade de definir outros objetivos. Esses projetos só podem ser estatais, mundialistas no bom sentido da palavra. Não podem ser financiados por um empréstimo ladrão. É esse tipo de projeto social que falta totalmente aos nossos candidatos à função presidencial.
Se essas grandes obras fossem iniciadas, forneceriam empregos em massa, não lucros. Por isso, o mundo dos lucros as rejeita, as nega, e pessoas como Allègre se tornam os defensores, os cúmplices dessa negação, usando suas roupas de cientistas, de supostos homens de saber.
Têm todo o direito de desmontar os "anti-nucleares clássicos", que não brilham por seus conhecimentos em física e engenharia. Isso dito, essas pessoas lutaram corajosamente contra o que estava se instalando, na indiferença geral. Se não tinham projetos concorrentes, foram as primeiras a perceber a magnitude do perigo.
Citei as necessidades francesas em termos de consumo de eletricidade. Mas vou além. Ao transformar completamente nossa tecnociência, colocando-a a nosso serviço em vez de deixar outros usá-la como instrumento de poder e escravidão, poderíamos até substituir não apenas o nuclear, mas também o petróleo, encerrando todas as ganâncias e desperdícios espectaculares, como os que pudemos testemunhar diretamente em Dubai, a cidade "da Torre de Babel".
Tudo isso com tecnologias relativamente simples, comprovadas, acessíveis a todos os povos da Terra.
Tudo se resume a escala, aos valores investidos e aos objetivos perseguidos.
Há situações históricas em que os homens fazem gastos fabulosos para conceber e criar produtos destinados simplesmente a ser destruídos, "consumidos de forma violenta". Nesses casos, também estamos dispostos a sacrificar muitas vidas humanas. Essas situações se chamam guerras.
Quando se odeia, não se conta
Imagine uma discussão em que engenheiros propusessem soluções para operar o desembarque na Normandia. Imagine a reação dos financistas:
- Você imagina quanto isso vai custar? Essa construção de enormes conjuntos flutuantes de concreto com compartimentos para fazer seus portos artificiais. Você calculou o preço das pontes, das vias de acesso, de tudo o que pode garantir a manipulação desses conjuntos, seu montagem. Não, esse projeto de desembarque na Normandia é uma loucura arrasadora!
A principality de Mônaco adquiriu um cais... flutuante, que só está ligado à terra firme por uma articulação. Eis os números, fornecidos por Xavier Lafont, que em nosso grupo foi o primeiro a avançar a ideia de instalações solares, eólicas, hidroelétricas, em balsas:
Custo: 150 milhões de euros.
Altura: 19 m
Comprimento total: 352 m
Peso: 163.000 t
Largura na base: 44,0 m
Largura acima da água: 28,0 m
Calado: 16 metros
Vida útil: um século.
Fonte da imagem: http://fr.structurae.de/structures/data/index.cfm?id=s0004215

O cais flutuante do Quai Rainier III em Mônaco
Essas dimensões e essa fórmula escolhida mostram que instalações flutuantes podem resistir às tempestades mediterrâneas, que sabemos serem particularmente violentas.
Que especialista em concreto poderia nos fornecer números mais modestos, referentes a conjuntos flutuantes, menos luxuosos, modulares, produzidos em grande série e capazes de serem montados para formar verdadeiras "banquias" de concreto?
16 de abril de 2011: Desde 11 de março de 2011, ou seja, há 46 dias, estamos testemunhando os esforços despendidos pela TEPCO para "controlar a situação" em Fukushima. Vimos as imagens alucinantes obtidas por um drone sobrevoando o local e constatamos que os reatores já não eram mais do que montes de entulho de concreto e ferro.
Durante todo esse tempo, o que aconteceu? A olho nu, nada muito. Vimos algumas dezenas de funcionários, trabalhando ao redor de caminhões de bombeiros, regando os elementos do reator. ...
Aprendemos que o governo havia pedido aos especialistas em questões nucleares para irem ao local e... que nenhum deles foi!
Para avaliar a situação, estamos reduzidos às especulações. Não foi apenas o efeito do tsunami. O poderoso terremoto fraturou lajes de concreto. Fraturas cujas marcas vimos na superfície. O IRSN nos disse que os reatores repousavam sobre uma laje de 8 metros de espessura. Mas um terremoto não se importa com nada disso e fende qualquer coisa, de qualquer espessura. Lajes, piscinas de armazenamento, etc.
Ninguém conhece o estado de fraturamento das estruturas de concreto após o terremoto, nem a extensão das fugas que podem resultar disso.
Regar, tentar impedir que a temperatura dos recipientes e das piscinas suba não pode ser mais do que uma medida temporária. Como fazer o sarcófago? Aspergindo os reatores danificados com dezenas de milhares de toneladas de concreto, usando canhões de alta pressão, os espetaculares Putzmeister feitos nos EUA, cujas fotografias apresentamos abaixo? Mas qual seria a resistência de uma tampa assim, sem armadura? E mesmo que esse concreto fosse armado, o que dizer desse sarcófago no próximo terremoto? Observaríamos novas fissuras, que então deveriam ser seladas novamente?!
Quando a temporada de tufões chegar, o que farão os japoneses? Lê-se que a TEPCO estaria considerando "colocar os reatores sob lonas"
...
Primeira constatação: seria necessário limpar o local. No entanto, 46 dias após a catástrofe, nada foi feito nesse sentido.
Nem sequer foi feito o alargamento das vias de acesso. As pessoas do átomo no Japão parecem "paralisadas".
É verdade que os "responsáveis" não conseguem mais encontrar trabalhadores dispostos a se deslocar para locais tão hostis e perigosos. Então, elevam os níveis "toleráveis".
O CEO da TPCO, corajosamente, renuncia...
Quanto à população japonesa, vive uma multi-catástrofe de escala excepcional. 27.000 mortos, problemas de abrigo, abastecimento, cuidados médicos. Para as pessoas que tiveram diante dos olhos o espetáculo da destruição de suas cidades e a morte de seus entes queridos, o risco nuclear, sobre o qual se polarizam as nações estrangeiras, deve parecer bem secundário. Preocupam-se primeiro com o que veem. Não houve manifestações anti-nucleares em massa no Japão até hoje.
Allègre diz-nos, em uma entrevista recente: "Houve mortes devido a esta catástrofe nuclear? Não. O nuclear é inevitável. Um dia seus domicílios serão equipados com um pequeno reator nuclear".
Esse tipo é um idiota.
Voltemos ao estado dos reatores. Quando os russos viveram a catástrofe de Chernobyl, o tempo de confusão, de hesitação, não ultrapassou alguns dias. Meios consideráveis foram mobilizados, tanto materiais quanto humanos. Os riscos foram rapidamente avaliados por um grupo de cerca de vinte físicos de alto nível que residiram na cidade de Pripyat, a 3 km do reator.
Os sacrifícios humanos foram imensos, os danos consideráveis. As responsabilidades foram indiscutíveis, o que levou, anos depois, ao suicídio de um dos gestores do nuclear russo, Valeri Legasov. Ele percebeu que a catástrofe de Chernobyl foi o resultado de uma gestão burocrática irresponsável dos locais nucleares russos. Antes de seu suicídio, enviou um relatório à Pravda.
Em Chernobyl, após a espetacular explosão, uma fina faixa de fumaça, indicando a combustão do grafite, subia das ruínas do reator número quatro. Consulte este excelente relato dos eventos no Wikipedia, muito completo.
http://fr.wikipedia.org/wiki/Catastrophe_de_Tchernobyl
Essa fumaça dispersava venenos mortais na atmosfera. O coração ardente estava no fundo de um cráter de 10 metros de diâmetro. Poderia manter a combustão de uma enorme massa de grafite, sem limitação de tempo. Foi necessário enchê-lo, cobrir tudo com dezenas de toneladas de materiais sólidos, areia, cimento, boro, chumbo. Mil jovens pilotos de helicóptero e membros da tripulação perderam suas vidas. Mas era a única maneira de parar essa emissão contínua de radionuclídeos mortais.
Os russos são grandes físicos. Rapidamente, tomaram consciência do perigo, e se não o tivessem feito, se tivessem permanecido aturdidos, como os "nuke-men" japoneses hoje, a Europa teria se tornado inhabitável.
Parece que a primeira coisa a fazer seria esvaziar essas malditas piscinas de seus conjuntos, usados ou novos. Isso poderia ser feito extraíndo-os rapidamente e imediatamente remergindo-os em um recipiente cheio de água, garantindo assim seu transporte até um local de armazenamento que neutralizaria seus efeitos.
Mas o que fazer, quando os elementos do reator estão cobertos de escombros e vigas representando os restos da estrutura do telhado, relativamente leve, e fragmentos de concreto provenientes, para o reator número três, de uma explosão cujos detalhes ainda não conhecemos.

Se não houvesse radioatividade, um exército de homens já estaria trabalhando, cortando essas vigas com maçaricos. Mas essa radioatividade proíbe qualquer aproximação.
Então seria necessário mobilizar meios à altura do problema. Enfrentar o problema "à russa", menos o aspecto "sacrifício de material humano" que foi implementado lá. Primeiro, desobstruir o que cerca os próprios reatores, com escavadeiras remotas. Isso existe. Basta decidir trazê-las.
Após esse trabalho, obteríamos o seguinte:

O reator número três, após a desobstrução de uma área, para permitir a intervenção no local
Seria necessário então conceber um poderoso portal móvel. É possível que já exista, em oficinas de construção naval. Além disso, não seria uma única unidade, mas tantos portais quantos os reatores a desobstruir:
Seria necessário equipar esse portal com um poderoso meio de elevação, um braço remoto capaz, à distância, de realizar um corte com maçarico. As câmeras, zoomando no local de trabalho, poderiam ser transportadas para protegê-las da radioatividade. Mas, de qualquer forma, se essas câmeras estiverem em caixas de chumbo e a visão for feita por meio de um espelho, isso não resolveria o problema de sua resistência?
Combinando as ações do maçarico de corte remoto e da grua móvel, mais pinças de manipulação, seria possível trazer os elementos que impedem o acesso às partes sensíveis do reator para caminhões planos, capazes de levá-los até uma área de desobstrução. Se a radioatividade for alta logo acima dos escombros, as câmeras poderiam ser transportadas, fixadas em braços distantes, e observar, fazendo-as observar a cena por reflexão em um espelho, enquanto elas mesmas estivessem protegidas por coberturas de chumbo.
Ainda seria necessário adaptar as vias de acesso nesse sentido.
Você já viu esses trabalhos em andamento no local? Eu não, a não ser algumas dezenas de bombeiros e veículos equipados com mangueiras de água.
Quando se tratou de lançar no mar as 11.000 toneladas de água contaminada com resíduos radioativos, que se espalharam poluindo as águas de países vizinhos, teria sido mais apropriado transferir essa água para um simples recipiente ou um petroleiro destinado ao ferro-velho, que a marinha japonesa teria afundado a milhares de milhas de distância, sem abrir suas câmaras. Essa água radioativa se dispersaria progressivamente, quando a corrosão fizesse seu trabalho, após várias décadas. Mas não. Os japoneses simplesmente liberaram essa água perto do local, "pedindo desculpas aos moradores e pescadores"....
Abaixo, uma visão desse tipo de portal, fácil de imaginar e realizar:

Uma vez a parte superior dos reatores desobstruída dos escombros que os obstruem, os operadores poderiam extrair os conjuntos das piscinas, transportando-os em caminhões com grandes tanques, onde imergiriam imediatamente esses objetos longos de 4 metros de comprimento.
Uma fila de caminhões poderia transportar esses conjuntos até uma grande piscina, a água sendo a melhor maneira de neutralizar seus efeitos.
Por fim, se fosse necessário colocar os reatores sob sarcófagos, seria necessário considerar estruturas flexíveis, capazes de suportar os piores tremores sísmicos, com mantos de chumbo protetores ao redor dessas criaturas.
Você já viu os responsáveis da TEPCO agitando projetos semelhantes? Não. Temos apenas diante dos olhos indivíduos prostrados, em silêncio, com os olhos baixos.

46 dias depois: nenhuma medida importante, nenhum plano:
o espetáculo escandaloso de uma lamentável incompetência
Você está diante do rosto do liberalismo-catastrófico. Enquanto se trata de receber dividendos, falsificando, se necessário, documentos relacionados à segurança, visando o lucro máximo, estamos presentes. Quando se trata de enfrentar uma catástrofe desse porte, não há mais ninguém. Qual seria, de fato, o "retorno sobre investimento" de uma operação de salvamento assim? Quem pagaria?
A segurança não é um nicho lucrativo
(Uma frase que ouvi da boca de um engenheiro da empresa Beuchat, em Marselha, fabricante de equipamentos para mergulho subaquático, a quem apresentei um protótipo de sistema de segurança e salvamento para apneístas sincopados, após a morte de meu filho, em 1990). Ao ver o rosto desses japoneses de roupas azuis, acredito ouvir novamente essa frase.
Sabe-se que os trabalhos relacionados à catástrofe de Chernobyl custaram aos russos somas vertiginosas. Em 1986, no momento da catástrofe, até a conclusão do sarcófago de aço e concreto: cem bilhões de dólares.
Desde essa catástrofe (foi necessário, em particular, reconstruir a cidade de Pripyat, com 45.000 habitantes):
vários centenas de bilhões de dólares. Fala-se até em mil bilhões de dólares e alguns estimam que essa carga continuou a precipitar a queda do Império Soviético.
Atualmente, os russos estão tentando reunir o dinheiro necessário para abrigar o sarcófago atual de concreto, já fissurado, sob outro, de aço e chumbo. Custo: 1,5 bilhão de euros
Em Fukushima há seis reatores a tratar.
O custo se cifraria em bilhões de dólares.
Você já ouviu "responsáveis" falarem sobre um orçamento assim? Não. A TEPCO estaria considerando colocar esses reatores "sob lonas".
A verdade é que simplesmente não querem pagar.
Adicione, como você sabe, que o local nem sequer estava assegurado!
Onde estão os fundos previstos no Japão para uma operação assim? Onde estão os engenheiros que trabalham nesse projeto?
Tenho medo de que, nesse nuclear japonês, não haja mais ninguém no comando

Ó como eu a aprovo!
Os japoneses construíram um reator acelerador de nêutrons rápidos, com o qual se apressaram em provocar uma fuga de sódio, que se incendiou imediatamente ao contato com o ar:
http://fr.wikipedia.org/wiki/Centrale_nucl%C3%A9aire_de_Tsuruga
5 de dezembro de 1995, reator Monju: vibrações intensas no circuito secundário de refrigeração causam a ruptura de uma sonda termométrica, permitindo a fuga de várias centenas de kg de sódio. O sódio se incendiando ao contato com o ar, um intenso incêndio ocorre, sem provocar imediatamente alarme nem parada de emergência. O reator é desligado manualmente 90 minutos após o início da fuga.
15 de abril de 2011:
Se nos referirmos ao blog de Dominique Leglu (Diretora da redação da Science et Avenir), um sério problema acabou de surgir com o reator número quatro, cuja vasilha não estava carregada, mas cuja piscina continha, além de conjuntos usados, conjuntos "novos"; susceptíveis de entrar em criticidade, se acidentalmente reunidos. A análise dos efluentes dessa instalação parece indicar um início de criticidade nesse espaço de armazenamento.
14 de abril de 2011
No momento em que meu amigo Richard Touitou (ex-engenheiro do setor petroquímico) e eu estamos trabalhando em projetos de unidades gigantes de produção offshore de energia solar (assunto que aparecerá no artigo de 16 páginas, a ser publicado na edição de maio da revista Nexus), descubro com surpresa, espanto, a existência de um projeto
FLEXBLUE
Não é um golpe, algo que eu tinha tentado acreditar no início.
Deixo vocês descobrir esta nova loucura, proveniente das mentes doentes dos engenheiros da École Polytechnique trabalhando na
DCNS
:
A DCNS concebe e desenvolve sistemas navais militares em todos os domínios (navios de superfície, submarinos convencionais e nucleares, sistemas de combate, torpedos...), tanto para manutenção (manutenção em condições operacionais: MCO) quanto para novas construções.
Você lerá. Estamos superados, ultrapassados. Os militares encontraram uma maneira de abastecer os países que carecem de energia elétrica, pelo menos as regiões costeiras, imergindo perto dessas costas reatores nucleares de baixa potência (25 a 60 megawatts), aproveitando a técnica desenvolvida para a propulsão dos submarinos nucleares. O nível de segurança dessas unidades é o mesmo que o dos reatores de terceira geração. O combustível nuclear é isolado do mar por três câmaras consecutivas:
-
Os tubos de zircônio contendo as pastilhas de óxido de urânio
-
O tanque de aço que contém o núcleo
-
A casca desse elemento submerso.
Exemplo de fonte
:
http://www.europe1.fr/France/Flex-Blue-centrale-nucleaire-du-futur-380077/

O projeto francês de reator submerso Flexblue
DCNS desenvolve com Areva, EDF e o CEA um projeto inédito de reator nuclear submerso.
O futuro do nuclear francês passará por criar mini reatores colocados no fundo do oceano? É isso que acredita a DCNS, que revelou na quarta-feira o projeto Flex Blue. Qual o princípio? Um reator cilíndrico de 100 metros de comprimento e 15 de largura submerso a 100 metros de profundidade e ligado à terra firme por um cabo elétrico.
Fruto de dois anos de trabalho, o Flex Blue foi elaborado pela DCNS, que concebe, por exemplo, os submarinos nucleares da marinha francesa, em parceria
com a Areva, EDF e o CEA
Para ilhas e cidades costeiras
O reator submerso imaginado terá uma potência de 50 a 250 megawatts e será capaz de fornecer eletricidade a entre 100.000 e um milhão de pessoas. Destinado a abastecer ilhas, regiões isoladas e alguns países em desenvolvimento.
Para a indústria nuclear francesa, o Flex Blue seria assim uma alternativa ao reator nuclear de terceira geração EPR, mais potente, mas também mais caro e rejeitado pelos países emergentes.
Transportável por navio, o mini-reator será construído nos estaleiros de Cherbourg, onde também serão realizadas as operações de manutenção e recarga de urânio. Com um custo de algumas centenas de milhões de euros, ele apresenta vários benefícios em relação a um reator clássico: construído em série, mais rapidamente (2 anos), permite a economia dos custosos trabalhos de engenharia civil.
"O projeto é viável"
"O projeto é viável no papel", diz
Bruno Tertrais
, pesquisador da Fundação para a Pesquisa Estratégica, entrevistado pelo Europe1.fr. Para esse especialista em nuclear, "há um mercado para os pequenos reatores para os países que não têm recursos para se dar ao luxo das centrais clássicas". Um ponto de vista compartilhado pela DCNS, que prevê um mercado potencial de 200 unidades nas próximas 20 anos para esse tipo de reator.
Resta a questão da segurança de uma central submersa no oceano. Sobre o tema, os especialistas se mostram tranquilos. "A localização subaquática dos mini-reatores torna impossível qualquer risco de sabotagem ou ataque terrorista", afirma Bruno Tertrais. Quanto aos riscos de poluição marinha, eles são descartados, justamente por causa da imersão do reator. "A água é a melhor barreira contra a irradiação", argumenta a DCNS.
Esse entusiasmo não é compartilhado pelo Greenpeace. Segundo a associação ecológica, o projeto não apresenta nada concreto tanto no plano técnico quanto no da segurança". Prova do seu ceticismo, os membros do Greenpeace acreditaram, durante a apresentação do projeto, "em um peixe de abril".
Esses sistemas funcionarão de forma completamente automática. Não se preocupe com um mau uso: essas unidades, com 100 metros de comprimento e 15 de diâmetro, estarão protegidas por uma grade espessa.

A central nuclear submersa Flexblue, protegida dos ataques dos cachalós por uma grade espessa
Pergunta
:
Esse reator nuclear será refrigerado com água do mar. Como o sistema de circulação foi previsto? Como impedir que as criaturas vivendo sob o mar entrem pelos orifícios, pelos furos, como hotéis.
Se a refrigeração foi prevista em toda a superfície, como impedir que algas se fixem nas paredes e reduzam o transferimento térmico?
Tente imaginar uma queda brusca de refrigeração, uma fusão do núcleo, uma criticidade a 100 metros de profundidade.
Do James Bond....
Finalmente, como imaginar que essas muitas unidades, submersas a profundidades acessíveis ao primeiro mergulhador subaquático, não constituam riscos insustentáveis?
O capitão Nemo deve estar se virando na sua tumba
Como alguém pode ser tão bobo para imaginar algo assim, simplesmente para ganhar dinheiro, para "capturar mercado"? Isso me ultrapassa....
17 de abril de 2011
: Não acredite que os franceses sejam os únicos a considerar tais loucuras. Os projetos estão por toda parte. No Novo México, os laboratórios Sandia não estão atrás. Você consultará
este dossier
, em inglês. Este movimento tem um nome:
TerraPowerCompany
Mesma loucura do lado russo, que já instalou em junho de 2011
a primeira instalação nuclear offshore
"totalmente autônoma", qualificada "ecológica", pois quando ela é removida, ela não deixa nenhuma marca no ambiente.
Mas o que fazer com os resíduos ???
Adicione que em caso de guerra, tais instalações seriam bombas instaladas em casa, totalmente vulneráveis. Eles também são alvos ideais para o terrorismo. Parece um mau James Bond.
Nessa festa dos loucos, você encontrará o incontornável Bill Gates, que defende a difusão das
Personal Nuclear Power Plants
. Normal. Primeiro vieram os grandes computadores, depois os computadores pessoais". Gates acredita que o conceito deve ser estendido ao nuclear....
Não, você não está sonhando. Nos preparamos simplesmente um pesadelo.
Bill & Melinda Gates Foundation lists as one of its "Guiding Principles" that "science and technology have great potential to improve lives around the world".
Um dos princípios diretores de Bill e Melinda Gates é que a ciência e a tecnologia devem melhorar a vida dos homens, em todo o mundo....
13 de abril de 2011
:
Tivemos a oportunidade de ler, mais abaixo
a entrevista dada por Thierry Charles
, diretor do Instituto de Radioproteção e Segurança Nuclear francês (IRSN) ao jornalista Antoine Bouthier, em 12 de abril de 2011, para a revista Le Monde.
Abra os olhos, leia ou releia. Apesar das destruições espectaculares que pudemos ver em fotografias de alta resolução capturadas por um drone (de uma pequena empresa privada japonesa), tudo isso é recuperável. A situação está sob controle. Em algumas semanas ou meses, bastará uma boa limpeza e uma reabilitação para que os moradores possam voltar. Não estou inventando nada, leia ou releia:
"
O pior já passou
....
Encontramos poças muito radioativas sob a central, o que pode ser devido a pequenas vazamentos sob os tanques
.... O combustível fundiu parcialmente e assistimos a perdas de refrigeração, facilmente gerenciáveis
....
Os engenheiros avançam lentamente e têm razão em tomar seu tempo. Mais ainda, eles conseguem alimentar os reatores com água sem problema
....
Antes de reiniciar o sistema
,
é necessário verificar todos os circuitos elétricos, as bombas e a água que se encontra nos tanques, que pode conter detritos e crostas de sal
....
O iodo 131 é um elemento radioativo com vida relativamente curta, ela diminui por um fator 2 a cada semana.
Em três meses, seu nível será completamente secundário
e os moradores poderão teoricamente voltar
....
Uma vez que o sistema de refrigeração seja restabelecido, quando não houver mais necessidade de adicionar água continuamente nos tanques, o trabalho ainda estará longe de terminar. Eles terão que limpar todo o local, remover o combustível e colocar a central a abrigo do vento
....
Compare agora com o conteúdo deste artigo do Le Monde
:
Fonte
:
http://www.independentwho.info/Presse_ecrite/11_03_26_LeMonde.fr_FR.pdf

Tokyo, visto pelos correspondentes do jornal
:
Subinformados pelas autoridades, cada vez mais conscientes do risco de uma catástrofe de que, na maioria dos casos, são incapazes de avaliar a gravidade, os japoneses estão agora ainda mais preocupados, pois hoje, ao ler a imprensa e graças aos depoimentos de especialistas em nuclear divulgados por canais de televisão privados ou por blogs, surge à tona o fundo repugnante desse drama: a força do que, por pudor, chamamos de "lobby nuclear".
Um meio rico e poderoso cujo coração bate no Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI), que tem o controle total da política nuclear, e cujas ramificações incluem a Federação das Companhias de Eletricidade (FEPC), a Agência de Segurança Industrial e Nuclear (NISA), os grupos industriais que constroem as centrais - Toshiba e Hitachi em primeiro lugar - e os operadores.
Esse lobby, que vê antigos altos funcionários dos ministérios e agências ligados ao nuclear "pantouflar" em empresas de eletricidade, é mestre na arte de fechar as informações.
Financia importantes campanhas publicitárias na imprensa e na televisão para garantir que o nuclear é perfeitamente seguro.
A chegada ao poder, em 2009, de uma nova maioria não mudou a situação, pois o Partido Democrata do Japão (PDJ) apoia a poderosa confederação sindical Rengo, cuja principal componente é a filial que reúne os trabalhadores do setor energético, muito ligados ao nuclear. Essa colusão em larga escala entre a alta administração, as agências de supervisão, os construtores de centrais e os operadores não só silencia as oposições, mas também evita qualquer questionamento sobre o nuclear.
Não faltam provas - apoiadas por documentos - de negligências, mentiras por omissão ou puras falsificações.
Essas ações se traduziram,
em 2002
, pela acusação das dez empresas de eletricidade do país por ocultação de incidentes desde as décadas de 1970, início do nuclear no Arquipélago. A empresa de eletricidade de Tóquio (Tepco), proprietária e operadora das centrais de Fukushima, foi a primeira visada.
Agora, há testemunhos - chamados a serem verificados e reinterpretados - de antigos da Tepco. Mas, por enquanto, "brutos de decocção", essas revelações fazem arrepiar. Se elas refletirem a realidade, parece que os operadores - Tepco, certamente, mas também seus homólogos -
priorizaram a rentabilidade a curto prazo em detrimento do imperativo de segurança a longo prazo,
ou, no melhor dos casos, não consideraram suficientemente o risco em um país com forte atividade sísmica e tsunamis.
As centrais de Fukushima foram projetadas para resistir a uma onda de 5,5 metros, tomando como referência a que atingiu o Chile em 1956...
Os reatores resistiram ao terremoto e desligaram automaticamente, mas o sistema de refrigeração,
insuficientemente protegido,
parou de funcionar. Dois engenheiros da Toshiba que participaram da concepção da central de Fukushima, citados pelo jornal Tokyo Shimbun, acreditam que um "risco muito baixo" foi escolhido como base de cálculo.
Com relutância, o ministro da economia reconheceu que "quando a situação de crise for controlada, teremos que examinar a gestão da Tepco".
Certamente, mas até lá, quantas vítimas serão contabilizadas?
Um antigo engenheiro da Toshiba, que testemunha anonimamente, é mais direto: "Não é a uma catástrofe natural que o Japão está confrontado, mas a uma catástrofe provocada pelo homem."
Um longo artigo do Wall Street Journal retoma os dados apresentados por Hidekatsu Yoshi, deputado comunista e antigo engenheiro nuclear, que demonstrou, em um livro publicado em 2010, baseado em documentos da NISA, que a central de Fukushima é a que, no Japão todo, teve o maior número de incidentes, incluindo cerca de quinze acidentes entre 2005 e 2009, e que seus funcionários foram os mais expostos às radiações durante a década passada. Também é apontado o uso, para a manutenção das centrais, de subcontratados muitas vezes inexperientes, que hoje pagam um alto preço na luta contra a catástrofe.
A reação tardia da Tepco também é colocada em causa.
"A Tepco considerou o perigo com lentidão", disse um alto funcionário à agência de notícias Kyodo. Nos dois primeiros dias que se seguiram ao terremoto e ao tsunami, o cuidado em preservar os equipamentos parece ter prevalecido sobre a consideração do risco para as populações.
Os 8 funcionários da Areva, empresa francesa líder mundial no nuclear, que estavam no local durante o terremoto, rapidamente compreenderam o perigo, pois foram entre os primeiros a sair.
A Areva nunca havia expressado qualquer preocupação sobre os riscos apresentados pelas centrais de seu cliente Tepco.
Philippe Mesmer e Philippe Pons
Você pode comparar esses dois lados da moeda. Além disso, é fácil obter grandes quantidades de informações, provenientes de relatórios oficiais japoneses. Detalhá-los seria trabalhoso. Mas você pode se referir a eles, se acreditar que eu dou uma interpretação "orientada". Esses documentos são fáceis de encontrar.
Todo mundo pode perceber a cacofonia que envolve essa catástrofe de Fukushima. Ao mesmo tempo que são emitidas declarações tranquilizantes (como as do IRSN, que acabam lembrando estranhamente as do professor Pellerin, em 1986, sobre o comportamento da nuvem de Chernobyl), mencionando "doses que não ultrapassam... etc", lê-se que a Autoridade de Segurança Nuclear japonesa elevou
ao nível 7
a gravidade do evento, ou seja, quantitativamente comparável à de Chernobyl.
A zona de exclusão foi aumentada de 20 para 30 km em torno da central. Os níveis de radioatividade nas proximidades das instalações tornam o trabalho cada vez mais difícil. Uma estratégia baseada no uso de robôs deveria ter sido implementada imediatamente. Estranha imprudência, em um país que se via como líder nesse campo.
É difícil analisar o comportamento da população japonesa. A regra geral é a ausência de reações individuais, a impossibilidade de identificar um indivíduo, ou um grupo de indivíduos, como responsáveis. Os japoneses devem "fazer corpo com um grupo". Nós estivemos acostumados, durante anos, com a submissão dos funcionários das empresas; como se os membros de um corpo social preferissem ignorar o comportamento patológico de "sua cabeça". Chegou a hora de tomar consciência de uma realidade. O "plano nuclear japonês" foi conduzido com uma visão de lucro, não com o objetivo de atender às necessidades das populações, de maneira tão estúpida quanto possível.
Documento sobre o assunto, em inglês
Todas as incompetências se conjugaram, todas as irregularidades foram cometidas, todos os mentirosos foram proferidos. O povo japonês parece não ser capaz de identificar responsabilidades oligárquicas, prefere viver em um clima de responsabilidade coletiva.
Em todos os lugares, ausência de revolta.
Em Tóquio, uma manifestação "anti-nuclear" reuniu ... mil pessoas.
Fatalismo e resignação
: essas duas palavras resumem o comportamento dos japoneses
http://www.liberation.fr/economie/01012331339-a-iwaki-sous-la-menace-de-l-atome
O parque nuclear japonês, mesmo que desejássemos prolongar seu uso, por falta de alternativa, é impossível de melhorar. Nem sabemos desmontar as instalações (nem lá nem aqui, de resto). Não sabemos o que fazer com os resíduos acumulados durante décadas, em "piscinas". A terceira economia mundial, cantando o credo do liberalismo, do "retorno sobre investimento a curto prazo", vive uma crise grave. O custo da "reconstrução" mascara o problema das escolhas econômicas. O impensável aconteceu, embora se recusasse a pensar nele, e nada foi previsto nesse sentido, por exemplo, intervenções por robôs blindados (basta blindar com chumbo as partes sensíveis dos equipamentos, essencialmente sua eletrônica).
O comportamento dos políticos japoneses, dos industriais e além disso da população, evoca o de um ser humano que descobre ter uma grave doença, e que prefere não ver, mentir para si mesmo, acreditar que "as coisas acabarão por se resolver" e que, em qualquer caso, não tomará e não tomará medidas drásticas à altura da gravidade da situação.
Não sabemos, atualmente, se o reator número 3, carregado com MOX, essa magnífica invenção francesa, que equipa vinte de nossos reatores, e que contém 7% de... plutônio, não vai começar a rejeitar essa substância de perigo sem precedentes.
14 de abril de 2011:
Um artigo de Christophe Perrais, no Agoravox
O MOX e o dinheiro do MOX
13 de abril de 2011
: uma infografia, divulgada pelo mundo "que permite compreender o que aconteceu em Fukushima em 3 minutos".
C'
está bem, com uma ressalva: no reator 3, a explosão não só destruiu o andar superior. É sem dúvida muito mais grave. Na verdade, não sabemos o que realmente aconteceu no local, nem a extensão dos danos. Ouvi, em declarações oficiais, responsáveis da EDF insistirem na ideia de que os danos no Japão eram essencialmente devidos ao tsunami. Ele esquece os efeitos inestimáveis do terremoto, cujos efeitos podemos ver na borda do mar.

Não foi o tsunami que criou essa fissura, que se propagou até um tanque contendo tubos e conexões elétricas!
Os japoneses, por não poderem inspecionar os locais, são incapazes de avaliar os danos, fissuras (sinônimos de vazamentos) que poderiam ter afetado todas as estruturas da Central.
13 de abril
:
A emissora japonesa comunica que a temperatura na piscina do reator número 4, que contém toneladas de "combustível usado", aumenta, e agora atinge 90°C. Esses elementos ainda estão sob 2 metros de água (em vez de 5, normalmente). Se esse nível baixar e esses elementos não forem mais refrigerados, eles liberarão na atmosfera grandes quantidades de resíduos radioativos.
Essa elevação de temperatura é reveladora da "ativação" dos conjuntos.
Fonte
:
http://www3.nhk.or.jp/daily/english/13_35.html
13 de abril
:
TEPCO tenta tranquilizar as populações dizendo "que a maioria desses conjuntos (que foram levados a alta temperatura quando deixaram de ser cobertos pela água de suas piscinas", "
não foram danificados".
Fonte
:
http://www3.nhk.or.jp/daily/english/13_37.html
A verdade é que eles não têm a menor ideia da extensão desses danos.
Fora das muitas réplicas, em certas regiões do Japão, fortemente afetadas pelo terremoto e suas réplicas, com os efeitos de reorganização profunda dos solos, que criam uma pressão na água subterrânea, que sobe, causando o fenômeno de liquefação e fratura dos solos, causando grande preocupação à população.
Vídeo
:
http://fr.wikipedia.org/wiki/Liqu%C3%A9faction_du_sol
http://www.youtube.com/watch?v=Wi-ka8fhrhQ&feature=related.
Eu vi que Nicolas Hulot decidiu se candidatar às eleições presidenciais e estava buscando uma indicação junto à Europe Ecologie.
Figura-chave na mídia, Hulot poderia mudar as coisas. Ainda que os ecologistas, em geral, entendam que é impossível "lançar projetos relacionados a energias renováveis, que sejam rentáveis,
em termos de retorno sobre investimento
".
A escala desses projetos ultrapassa totalmente as capacidades do setor privado e seu imperativo de lucro a curto prazo.
Essas empresas só poderiam tomar a forma de GRANDES OBRAS, com financiamento estatal maciço, garantindo ao mesmo tempo um emprego imediato, dada as tarefas a serem lançadas.
Não se trata de substituir o nuclear "progressivamente", em algumas décadas, mas de considerar a substituição do nuclear e dos combustíveis fósseis
em menos de dez anos
. Cinco, talvez. Para todos os países, as necessidades estão na faixa de dezenas de milhares de megawatts. As soluções, mencionadas no artigo da Nexus (16 páginas), a ser publicado, seriam, entre outras, além do equipamento de encostas de montanhas, lagos, o desenvolvimento de um grande projeto de exploração solar offshore, em balsas que, montadas, constituiriam verdadeiras "ilhas de concreto", de dezenas e, no final, centenas de quilômetros quadrados.
Projetos onde seria inútil, a curto prazo, operar comparações em termos de custo por quilowatt-hora. Na verdade, se pensarmos em termos de orçamento, esta operação, não nacional, mas global, representaria uma mobilização de capital, de recursos humanos e matérias-primas equivalente ao custo de uma... terceira guerra mundial.
Uma "Guerra Ecológica", a primeira, do homem contra sua ganância e sua estupidez
A boa pergunta é
:
Quanto se estima o custo de uma vida humana?
A seguir, devo mudar para a finalização do artigo a ser publicado na edição de maio da Nexus.
is
11 de abril de 2011 :
Alguns leitores talvez tenham ficado surpresos ao ver essa página mudar de título ao longo das semanas. Inicialmente, eu a havia intitulado "É necessário sair desse nuclear". Naquela época, ainda tinha a ilusão de que soluções poderiam surgir de tecnologias de ponta, como a fusão aneutrônica Bore 11 + Hidrogênio 1. Uma via de fusão que a fantástica descoberta de 2006, realizada, por acaso, no laboratório Sandia, Novo México, pela equipe de Chris Deeney. Um trabalho analisado pelo inglês Malcom Haines, pioneiro na física de plasmas. O artigo foi publicado em 2006 na revista Physical Review Letters, intitulado "Mais de dois bilhões de graus". Imediatamente, eu me apeguei a essa nova e publiquei uma análise detalhada desse artigo, alguns meses depois.
Em setembro de 2008, fui ao colóquio de Vilnius, sobre Altas Potências Pulsadas e tive longas conversas com Keith Matzen, responsável pela Z-machine na qual esse resultado foi obtido, com 18 milhões de ampères, tornando-se desde o início de 2008 "ZR" (Z "refurbished"). Lá, qual não foi minha surpresa ao ouvir Matzen, apoiado por seu adjunto Mac Kee, me declarar que essa publicação não tinha fundamento, que Haines se enganou ao analisar os espectros, etc.
Por que Matzen não publicou uma correção? "Para não magoar o velho Haines".
Quem acredita nessa fábula?
Interrogado, Gerold Yonas, diretor científico dos laboratórios Sandia (que eu conheci pessoalmente desde 1976, ao visitá-lo) me respondeu "essa questão me preocupa. Vou pedir a Matzen que publique uma correção".
Que nunca veio.
Em outubro de 2008, Sytgar, que deveria apresentar os resultados da ZR no colóquio de Jeju, Coreia, onde eu estava novamente presente, se "desapareceu". Desculpa: "seu pai estava muito doente". Mas, após investigação no secretariado, ele nem se inscreveu no colóquio. Estranho, para aquele que, no meio de 18 signatários, deveria apresentar os resultados no colóquio mais importante, tratando das Z-machines, no plano internacional.
.
Após ele ter dito ao ouvido do chairman que Sytgar não estava presente, e que este levantou a sessão, Oliver, da Sandia, caiu sobre mim e me declarou que era preciso parar de contar qualquer coisa, que Haines se enganou, é isso.
Questionado sobre isso, Oliver me disse que a Sandia "publicaria uma correção em 2011".
Eu aposto qualquer coisa que essa correção nunca chegará. Porque Haines não se enganou, na decodificação dos dados experimentais e em seus cálculos. É impossível negar esses dois aspectos, impossível fornecer argumentos científicos que possam demolir essa afirmação.
Então?
Então, os americanos desinformam, porque esse resultado nunca deveria ter sido publicado. Se ele representa um esperança fantástica para a humanidade, a de uma fusão não poluente, que não dá "cinzas" senão hélio, também é a chave para novas bombas "de fusão pura", onde reações de fusão podem ser iniciadas com um compressor MHD e não com a ação de uma bomba A, não miniaturizável devido ao problema da massa crítica, que impõe um limite inferior de várias hectonotas de TNT.
Esses compressores foram inventados pelos russos, na década de 1950. Explico tudo isso no meu site (&&& vou colocar os links, mas não posso fazer isso agora, tendo queimado um disco rígido).
Durante minha viagem a Brighton, em janeiro de 2001, tendo conhecido americanos trabalhando em "black programs", fiquei chocado ao ver que a única coisa que os interessava, no dossier de ovnis, era a possibilidade, a partir de novos conceitos, de conceber novas armas: torpedos MHD hiperveloces, aviões hipersônicos equipados com entrada de ar "MHD controlada".
Na época, o choque já havia sido bastante forte. Mas com esse assunto de fusão aneutrônica e sua orientação imediata para aplicações militares, o ciclo estava completo. Essas bombas podem ser miniaturizadas. Elas são, portanto, ... utilizáveis. Além disso, ao optar por uma fórmula Boro Hidrogênio, obtemos uma ... "bomba verde".
Para me desgostar completamente desse assunto. Isso já foi feito.
Vou até mais longe. Os cientistas atuais não têm mais nenhuma consciência. Eles são comprados por um preço baixo. Lembro-me de um número do Courrier du Cnrs onde Charpentier, então diretor do departamento "ciências físicas para engenheiros", escreveu "o exército não dispõe de contratos de pesquisa suficientes para satisfazer as demandas dos pesquisadores".
Descobrimos as técnicas de manipulação genética? Após um moratória que durou pouco, estamos com OGM. Os pesquisadores desenvolvem medicamentos na forma de "novas moléculas", patenteadas, é claro. A Organização Mundial da Saúde lança uma campanha de vacinação para ... deixar as pessoas doentes. A indústria agroalimentar mistura aditivos em nossa comida, que degradam nossa saúde. A pesquisa agrícola fecha os olhos para as motivações imundas dos vendedores de fertilizantes e sementes estéreis.
Os engenheiros da École Polytechnique do "Corpo dos Minas" criaram na França um império do átomo. Você lerá
o relatório interno divulgado pela AREVA, que analisa "o impacto do evento de Fukushima no mercado do nuclear".
Em breve, resíduos nucleares nos materiais de construção, nos embalagens.
E no front da ciência? Nada, há décadas. Os físicos teóricos se tricotam meias para o inverno com supercordas. No acelerador de hádrons do CERN de Genebra, os caçadores de bósons de Higgs voltam vazios. Em Cadarache, os "nucleocratas" nos prometem o "Sol em proveta", lançando um projeto de 1500 bilhões de euros, em plena névoa tecnológica, mas garantindo uma carreira em um país de cocagne, ao final da qual poderão dizer "bem, nos enganamos".
Eles podem se desculpar, como os tecnocratas japoneses, em relação a uma população que paga o preço de sua inconsciência e irresponsabilidade.
A imprensa? Ela está sob controle, ou cega, surda. Ela dedica artigos a "garotas de programa", prostitutas levadas por seus meios de comunicação ao status de estrelas. Por que não fazer dessas garotas que vendem suas bundas, ministros, já que temos ministros que são, na verdade, prostitutas.
A filosofia? Bernard Henri Lévy inventa o pensamento descartável. Na hora em que a metafísica está em crise, a filosofia de bistrô está em plena forma.
Com alguns amigos engenheiros e técnicos, elaboramos um relatório sobre o uso das energias renováveis. Está avançando bem. Além disso, é evidente que é necessário parar com o nuclear, que se tornou uma loucura homicida. O nuclear "civil" é o primeiro passo para um nuclear militar, para uma concentração de poder nas mãos de oligarquias totalmente desconectadas de seus povos. A França é, e sempre foi, pronta para vender esse know-how a qualquer um. Existem outras formas de produzir energia, isentas de aplicações militares, a menos que se pense em imitar Arquimedes, queimando as velas dos navios inimigos concentrando, dizem, as chamas do Sol sobre elas. É necessário que essa decisão de virar a página do nuclear seja exigida e tomada. Apenas os povos, e não seus representantes corrompidos e servis, poderão formular essa exigência, desde que lhes sejam fornecidos um "plano B", uma saída, que pouco tem a ver com os projetos fracos dos nossos ecologistas em declínio, nenhum dos quais é capaz de imaginar projetos que Jules Verne não teria desprezado.
É necessário exigir o imediato encerramento do "reprocessamento de resíduos nucleares", na fábrica de La Hague, que na verdade visa a recuperação do restante de urânio e plutônio presentes nos conjuntos de "combustível gasto". É necessário imediatamente parar a produção de MOX, esse combustível para usinas que contém 7% da substância mais perigosa de todo o universo, inventada pelo homem: o plutônio. Os franceses já o usam em vinte de seus 58 reatores nucleares. É necessário parar esse desperdício tão caro quanto absurdo que é o projeto ITER, "catedral para engenheiros" ou "plano social", segundo a face da moeda em que se decide se concentrar.
Existem outras formas de criar empregos em massa. É necessário deixar de usar mísseis nucleares como uma força de ataque. É necessário enterrar definitivamente projetos estúpidos como as chamadas usinas de quarta geração. Os reatores rápidos, a sódio ou chumbo fundido, que são empresas suicidas.
É necessário dedicar dinheiro, energia e criatividade para coisas que melhoram as condições de vida do ser humano, em vez de as degradar continuamente um pouco mais. É necessário colocar muito dinheiro, muito esforço e muito criatividade.
Mas, nesse último aspecto, após um recenseamento, não faltam ideias.
É necessário denunciar o luxo, pregar a sobriedade e a simplicidade de vida, e não se maravilhar diante dos mais ricos, dos mais poderosos, adorar o bezerro de ouro, deixar-se embriagar por discursos vazios. É necessário condenar esses vaidosos estúpidos que andam em carros, constroem torres de Babel de 800 metros, pistas de esqui no deserto, refrigeradas com ouro negro.
Como se surpreender que tantos desfavorecidos, pessoas desorientadas, se voltem para ideologias antigas de vários séculos, quando não temos nada a oferecer senão o espetáculo da nossa violência, injustiça e desordem.

4 de abril de 2011: Jonhatan Bellocine começa a traduzir esta página para o inglês
Atualização de 20 de março de 2011
Atualização de 27 de março de 2011. Os relatórios do IRSN, datados de 25 de março
3 de abril de 2011: A morte em subcontratação

Os acidentes só poderiam ser devidos a erros humanos.
Foi o que nos disseram. Que mentirosos!
9 de abril: o filme profético de Kurosawa
9 de abril de 2011: O cínico desespero da AREVA
9 de abril de 2011: Tradução para o francês deste mesmo relatório.
Tento montar oficinas de tradução voluntária para páginas como esta
12 de abril de 2011:
Fonte:
Uma entrevista com Thierry Charles, diretor do Instituto de Radioproteção e Segurança Nuclear francês (IRSN), conduzida pelo jornalista Antoine Bouthier para o Monde:
Desde 11 de março, o Japão está mergulhado em uma crise nuclear sem precedentes.
O Instituto de Radioproteção e Segurança Nuclear (IRSN) acredita hoje que o "pior já passou", mas que ainda será necessário "semanas, talvez meses" para que a situação seja estabilizada na usina.
Quando você percebeu o quanto este acidente era sério?
Começamos a nos preocupar desde a primeira explosão [24 horas após o terremoto]. Inicialmente, estávamos considerando um cenário como Three Mile Island.
O combustível havia derretido parcialmente e havia perdas de resfriamento, facilmente gerenciáveis (...).
Mas quando vimos a explosão, sabíamos que havia hidrogênio na câmara e que as consequências poderiam ser muito graves.
Como você avalia a situação atual?
Desde dez dias, a situação está aproximadamente estabilizada.
Os engenheiros conseguem resfriar os reatores continuamente com água doce.
Foram encontradas poças muito radioativas sob a usina, o que pode ser devido a pequenas vazamentos sob as câmaras
(?...).
Mas há uma camada de oito metros de concreto sob o reator, que por sua vez foi construída sobre rocha. Agora há poucas chances de que o magma comece a se infiltrar no solo.
Observação simples: existe um fenômeno capaz de rachar ou quebrar qualquer espessura de concreto.
Este fenômeno chama-se terremoto
Além disso, a câmara de contenção está cheia de nitrogênio, o que é bom. Isso permitirá evitar a formação de hidrogênio e minimizar os riscos de explosão.
O pior já passou,
mas é apenas o início da conquista. A situação estará completamente controlada quando o sistema de resfriamento funcionar novamente.
Os engenheiros avançam lentamente e têm razão em tomar seu tempo. Isso é ainda mais verdadeiro, pois conseguem alimentar os reatores com água sem problemas
(?...).
Antes de reiniciar o sistema
(???)
,
é necessário verificar todos os circuitos elétricos, as bombas e a água que se encontra nas câmaras, que pode conter detritos e crostas de sal. Isso pode levar semanas, talvez meses.
Por que a zona de exclusão foi ampliada?
Foi ampliada para 30 km. Isso corresponde à zona pós-acidente, onde são observados depósitos de radioatividade no solo. Acreditamos que seja uma medida razoável. O iodo 131 é um radioelemento de vida relativamente curta, reduz-se pela metade a cada semana.
Em três meses, seu nível será completamente secundário e os moradores poderão voltar teoricamente.
(ou seja, a poluição está relacionada apenas a radioisótopos de curta duração)
O que você acha da gestão da Tepco?
É necessário se colocar no lugar deles. Eles acabaram de sofrer uma grande catástrofe natural, onde potencialmente perderam membros da família quando tiveram que lidar com uma situação nuclear inédita, com vários reatores danificados ao mesmo tempo.
Sua principal falha foi apostar tudo no resfriamento dos núcleos e negligenciar as piscinas de combustível no início da crise.
Com mais distância, poderemos analisar como eles deveriam ter reagido idealmente
(...).
Como as autoridades vão desligar a usina?
Uma vez que o sistema de resfriamento for restabelecido, quando não houver mais necessidade de adicionar água continuamente nas câmaras, o trabalho ainda estará longe de terminar. Eles precisarão limpar todo o local, remover o combustível e proteger a usina do vento.
Ao ver as fotos do local, onde vários reatores são apenas emaranhados de ferro e concreto, eu ficaria feliz se o Sr. Thierry Charles nos explicasse como os japoneses vão lidar com "limpar o local" e "remover o combustível, dos núcleos e piscinas". Como acessá-los? ?
Eles ainda precisam pensar na estratégia correta, que será diferente de Chernobyl, onde tiveram que construir um sarcófago.
Então, a colocação em sarcófago não é necessária?
Aqui, o reator não está ao ar livre. Além disso, não estamos seguros de uma nova tremor sísmico. Não descartamos a possibilidade de abalos ou novas emissões radioativas na atmosfera.
Antoine Bouthier
Comentário simples:
aqui estão as fotografias da bomba de concreto de grande vazão, alugada pelos japoneses aos americanos (empresa Putzmeister), que estão carregando, na costa oeste dos Estados Unidos, em um avião de carga gigante Antonov 22, para que esse equipamento seja transportado para o Japão.
Fonte:
http://www.11alive.com/rss/article/186581/3/Massive-pumps-heading-to-damaged-reactors-in-Japan
Tradução:
ATLANTA (Associated Press) - Um avião de carga gigante pousou em Atlanta na sexta-feira para embarcar uma das bombas de concreto mais grandes do mundo, que foi modificada para poder projetar água sobre as instalações nucleares do local japonês atingido pelo terremoto e tsunami.
Este aparelho, com peso de 95 toneladas, foi projetado no Wisconsin, pela empresa Putzmeister e repousa sobre 26 rodas. Seu braço permite operar a 60 metros de altura, o que permite operar em partes difíceis de alcançar no local de Fukushima Dai-icji, no Japão.
Eventualmente, esta bomba também pode ser usada para criar um sarcófago de concreto
Após a catástrofe de Chernobyl em 1986, a empresa Putzmeister enviou 11 bombas para enviar concreto para a instalação danificada na Ucrânia.
Sobre este envio mencionado, Dave Adamas, da Putzmeister, disse que toda a empresa esperava que este equipamento pudesse ajudar a resolver os problemas lá.
........
Um representante oficial da empresa Putzmeister contactou a empresa japonesa TPCO após ver que os japoneses estavam tentando regar as instalações danificadas usando helicópteros e caminhões de incêndio.
A empresa desviou uma bomba Putzmeister menor, que deveria inicialmente ir ao Vietnã. Uma dúzia de trabalhadores usou esta bomba para regar a piscina de armazenamento de um dos reatores com 150 toneladas de água do mar, o que pôde ser feito em três horas e demonstrou o interesse de usar este sistema de fornecimento com uma mangueira.
O deslocamento de um sistema Putzmeister de grande dimensão levou o Japão a alugar um avião de carga russo Antonov N-124, um dos maiores do mundo.
.... é previsto que esta bomba, bem como outra, recuperada do aeroporto internacional de Los Angeles, possa sair dos EUA no sábado. A empresa Putzmeister planeja enviar instalações menores da Alemanha, os custos sendo cobertos pelos japoneses
(Lembra-se que a empresa TEPCO não considerou adequado garantir as instalações do local de Fukushima).

O super canhão de concreto da empresa Putzmeister, carregado em um Antonov 22 russo

Essas bombas de concreto tornaram-se objetos extremamente comuns no mundo inteiro e permitem que operários realizem concretagem em locais frequentemente difíceis de acessar. No momento em que escrevo estas linhas, uma bomba como esta está em operação a alguns centenas de metros da minha casa (Pertuis).

Uma bomba de concreto em operação em Pertuis, 11/4/2011, empresa Cemex
Diâmetro da mangueira de injeção desta "mini-bomba": 12 cm. O despejo é feito por cestas de 8 metros cúbicos.

Detalhe da abertura onde a cesta descarrega sua carga
O veículo carregado no Antonov possui uma janela de alimentação análoga
A máquina gigante, carregada no avião de carga russo, não parece, a priori, se adequar à aspersão de água. Para isso, seria necessário modificar totalmente a parte traseira do veículo, acredito. Acredito que o diâmetro da sua mangueira de descarga seja de 25 cm, e seu fluxo de 60 litros por segundo. A verificar.
Com base nestas imagens, surge uma pergunta: Os japoneses estariam se preparando para enterrar os reatores com dezenas de milhares de metros cúbicos de concreto?
O problema não é simples. Em Chernobyl, o núcleo, entrando bruscamente em criticidade (devido a um "envenenamento pelo xénon), transformou uma grande quantidade da água de resfriamento em hidrogênio e oxigênio. Acima de mil graus, este mistura, resultante da dissociação das moléculas de água, não pode se reconstituir em moléculas de vapor d'água. Quando a temperatura se torna mais baixa, uma recombinação ultra-rápida é possível e esta mistura "estequiométrica" se transforma em um poderoso explosivo. O fenômeno consiste em pegar água, comunicar-lhe energia, durante "um certo tempo" (alguns minutos? dezenas de minutos?), para fazer um explosivo poderoso que restituirá esta energia em um milésimo de segundo. Em Chernobyl, a potência explosiva foi suficiente para enviar a laje de concreto armado de 12 toneladas, que cobria o reator, a dezenas de metros acima. Ela girou e caiu a 45°, pulverizando uma grande quantidade de grafite, em estado sólido, usado como moderador.
Os reatores de Fukushima estavam todos cobertos por uma laje semelhante. O que aconteceu com a do reator número 3?
O núcleo começou a manter a combustão do grafite, no ar, e os 25 bombeiros que tentaram, sem sucesso, parar este fogo com suas mangueiras foram irradiados e morreram todos nos poucos dias que se seguiram. Eles enfrentaram o que acreditavam ser apenas um simples incêndio sem qualquer equipamento de proteção.
Ao queimarem, o grafite levava elementos radioativos para cima. Ele próprio se tornou fortemente radioativo. A prioridade dos russos foi, então, parar este fogo a qualquer custo.
Para isso, era necessário tampar o buraco de 10 metros de diâmetro, através do qual se podia ver o núcleo do reator, mantendo a combustão do grafite. Isso não poderia ser feito com bombas de concreto. Os russos sacrificaram 600 equipes de helicópteros, que despejaram, a 200 metros acima dessa boca aberta, milhares de toneladas de areia, boro e até chumbo (que, novamente, começou a participar da poluição do ar). Todos esses pilotos e mecânicos morreram devido às doses recebidas. Mas, em urgência, não havia outra solução.
Quando o núcleo foi coberto, sua temperatura subiu, e os russos se viram diante de um novo problema. Este núcleo atacava o concreto e corria o risco de entrar em contato com outra massa de água importante, acumulada no subsolo, resultante da tentativa feita pelos infelizes bombeiros, que poderia, por sua vez, se transformar em explosivo e enviar os destroços do núcleo fundido a centenas de metros, mas a dezenas de quilômetros, ou mais. Discussões ainda ocorrem sobre o que poderia ter acontecido. Mas todos os especialistas concordam que esta segunda explosão poderia ter tornado uma boa parte da Europa simplesmente inabitável!
Os russos sacrificaram mais uma centena de homens, bombeiros, para esvaziar esta água. Mas, após terem se aproximado por meio de galerias e terem feito uma abertura com um maçarico, perceberam que o magma-corium, após ter invadido esta sala, tinha temperatura suficiente para atacar a próxima camada de concreto, última barreira em relação à água subterrânea, em comunicação com o rio Pripyat, afluente do Dnieper, que deságua em um mar fechado, o Mar Negro....
Mineiros, trazidos por avião, escavaram um túnel de 140 metros de comprimento, em solo mole, a 13 metros por dia e sob uma temperatura de 50°. Em seguida, sob o reator, eles criaram uma laje de 30 metros por 30, que parou a descida do magma.
Finalmente, os engenheiros conceberam um imenso e caro sarcófago, mistura de fortes vigas de aço, concreto e chumbo, com uma vida útil estimada em 30 anos. Atualmente, está se lutando para reunir os fundos, importantes, para poder cobrir este sarcófago com uma estrutura em abóbada, totalmente metálica, cuja vida útil se estima em um século.
Se os japoneses decidirem a "colocação em sarcófago", como procederiam? Seria necessário considerar de encher totalmente os reatores com uma massa de concreto (50.000 metros cúbicos?). Como armazenar este concreto e impedir que ele se fissure devido às tensões térmicas? Tudo o que consegui encontrar foi um número sobre o fluxo dessas bombas gigantes: 200 metros cúbicos/hora.
Continuarei este texto reproduzindo o relatório da comissão oficial japonesa, datado de 4 de abril, que admite que ninguém conhece a altura da água nas câmaras; a temperatura das câmaras de aço e o estado dessas diferentes barreiras de contenção. Indícios (provenientes da análise da água salgada usada para refrigeração e de suas abundâncias isotópicas) sugerem que o corium se espalhou nos volumes situados abaixo das câmaras de alguns reatores. Em que quantidade? Onde? Ninguém sabe.
O diretor do Instituto de Radioproteção e Segurança Nuclear francês, Sr. Thierry Charles, exibindo um otimismo tranquilo e racional e não se deixando abater pela emoção, parece ter tido acesso a informações das quais os oficiais japoneses não dispõem. Se for o caso, seria urgente que ele as lhes transmitisse.
8 de abril de 2011-A:
Uma luz estranha no núcleo do reator número 3 de Fukushima:
Esta foto do local foi tirada por satélite em 4 de abril de 2011.

Em azul, os números dos diferentes reatores. O tamanho das sombras indica que a foto foi tirada ao meio-dia.
Detalhe do reator número 3:

Você vê a luz indicada pela seta? Um Chernobyl-bis em preparação ???
Pergunta suplementar:
Você percebe os veículos blindados de construção, bem como a multidão de técnicos e engenheiros que se aglomeram ao redor dos quatro reatores danificados?
G
8 de abril de 2011-B:
Há alguns dias, já tínhamos alertado que as usinas vizinhas de Fukushima; Onagawa e Tokaï, instaladas também ao nível da água, e com dispositivos antisísmicos notoriamente insuficientes, haviam sofrido o impacto do terremoto e do tsunami do 11 de março. Em 13 de março, a usina de Tokaï, após uma falha em seu sistema de resfriamento, teve que passar para seu sistema de emergência (fonte). Menos de um mês após o terremoto de magnitude 9 do 11 de março, um novo terremoto, de magnitude 7,4, ocorreu, sempre na falha localizada no nordeste do Japão. A usina de Onagawa foi atingida e foram constatadas vazamentos, no nível das piscinas de armazenamento dos elementos usados. Lembra-se que estas piscinas contêm todos os resíduos, os detritos altamente contaminantes, provenientes dos carregamentos anteriores do núcleo do reator. Mesmo que sistemas de emergência permitam manter o nível de água nestas piscinas, para evitar seu aumento de temperatura, a difusão da água que contém os elementos usados representa uma fonte de poluição nuclear do Pacífico e das costas.

Existe uma maneira de negociar os efeitos dos terremotos para edifícios "compactos", e não para torres". Isso consiste em realizar importantes trabalhos de melhorias nos terrenos onde os edifícios devem ser implantados, estratificando-os como "mille-feuilles", com uma sucessão de camadas de naturezas diferentes, que proporcionam assim uma forte atenuação dos efeitos dos movimentos horizontais.
8 de abril de 2011-C:
Aqui estão algumas imagens que permitem saber um pouco mais sobre o que está acontecendo em Fukushima. Nos dias que se seguiram ao terremoto, os engenheiros rapidamente constataram uma importante fissura que havia aparecido em um tanque localizado ao contato imediato com a água do porto, ligado ao reator número 2

É neste local que ocorre uma fuga de água radioativa para o mar

Vista da fissura criada pelo terremoto. Atrás, o poço

Vista em perspectiva do poço fissurado. Chegada das tubulações elétricas

O poço, submerso em concreto, esperando selar as fuga.
Clicando neste link, você poderá baixar a versão em inglês do relatório editado, datado de 6 de abril de 2011 pelo METI (Ministério da Economia, Comércio e Indústria: Ministério da Economia, Comércio e Indústria) intitulado "Urgência Nuclear no Japão".
O relatório oficial do governo japonês datado de 6 de abril
Página 17
pode-se constatar que o circuito das águas que passam pelas salas das turbinas das diferentes unidades, que constituem o circuito de resfriamento do vapor que circula nas turbinas, depois no núcleo dos reatores, após condensação segue tranquilamente ao longo da costa marítima:

Aparentemente
, .
Relatório oficial japonês de 4 de abril de 2011: causa dos danos
Os japoneses não haviam previsto que a onda pudesse ultrapassar dez metros. É provável que os equipamentos diesel tenham simplesmente sido submersos durante a submersão pela onda.
Os japoneses recorrem aos americanos, que emprestam uma balsa permitindo trazer água doce ao local:

A balsa americana cheia de água doce, rebocada

A chegada do rebocador norte-americano, puxando a balsa de água doce, para abastecer os caminhões de bombeiros: 31 de março de 2011
Os japoneses recorrem aos russos, pedindo-lhes que enviem sua unidade flutuante especializada capaz de tratar efluentes líquidos, extraíndo quimicamente os componentes radioativos. Capacidade de tratamento: 35 metros cúbicos por dia, 7000 por ano.

7 de abril de 2011
: As coisas ficam cada vez mais claras. Enquanto
AREVA difunde um pdf
onde a única causa de explosão dos reatores se refere à explosão de hidrogênio na sala de manobras do andar superior (o que foi o caso para a unidade número 1, mesmo os japoneses, apesar da censura, e dos silêncios embaraçosos de seus irresponsáveis, começam a dizer que as explosões dos reatores 1 e 3 tiveram naturezas fundamentalmente diferentes, a segunda podendo ser atribuída a um início de criticidade, ou ao menos a uma explosão que teve origem nos andares internos.

Duas explosões com pontos de partida totalmente diferentes
Para ter uma ideia das escalas, o diâmetro do tanque que contém o núcleo é de 5,5 m
A tampa de contenção amarela de aço mede 10,5 m de diâmetro
A explosão do reator 3 contradiz o relatório publicado pela AREVA
Um leitor que vive no Japão me informa sobre a existência de um site, infelizmente em inglês,
que traça a inacreditável negligência das autoridades nucleares japonesas no gerenciamento do parque de reatores, ao longo das três décadas anteriores (tão grave que a TEMCO não encontrou nenhum segurador disposto a assumir o risco de segurar as instalações de Fukushima!).
Trinta anos de ocultações e mentiras!
http://fukushimaleaks.wordpress.com
5 de abril de 2011:
As coisas pioram dia a dia no Japão. Há vazamentos importantes de água tornada fortemente radioativa, para o Pacífico, e as tentativas de selagem falharam. A água radioativa escorre livremente para o mar, desde a unidade número 2. Os japoneses recorreram aos russos, que já tiveram problemas com vazamentos em fase líquida provenientes de reatores de submarinos afundados no Báltico. Assim que engenheiros da Toshiba entraram em contato comigo (meu dossier é lido no Japão) eu recomendei esse contato, cuja evidência me parecia inevitável.
As fotos aéreas tiradas permitem compreender a magnitude do problema. Há nas "piscinas" todas as cargas dos reatores, correspondendo a décadas de funcionamento, a uma taxa de recarga anual (...). O terremoto rachou algumas dessas piscinas, que vazam, e as tentativas de selagem, com meios improvisados e desesperados, se mostraram ineficazes. Não se pode esvaziar essas piscinas para selá-las, sob risco de ver a temperatura dos conjuntos subir bruscamente. Isso dito, lembro-me que na represa subterrânea de Port-Miou (que deságua ao leste de Marselha na calanque do mesmo nome), onde eu tinha feito mergulhos, tentaram bloquear a subida da água do mar com um concreto especial, de baixa densidade, que poderia ser lançado debaixo d'água. Eu tinha sido solicitado para fazer desenhos desse dique, in situ, acompanhado por Bernard Zappoli, então jovem estudante em Marselha (ver o escândalo do Cnes-Toulouse, com seu comparsa politécnico Alain Esterle). Zappoli, que desejava fazer um mergulho comigo, saiu morto de medo dessa excursão subaquática.
Os japoneses começaram na segunda-feira, 4 de abril, a liberar cerca de 11.500 toneladas de água fortemente contaminada, armazenadas em uma grande cuba, cheia até a borda, "pedindo desculpas aos moradores". Em qualquer caso, sabendo que seria necessário, cedo ou tarde, se livrar dessa água, seria melhor planejar transportá-la para o meio do oceano em bargas, que seria preferível afundar a longa distância, pois elas mesmas se tornariam radioativas. Inútil, na verdade, considerar rebocar bargas. 11.500 toneladas nem chegam ao peso do petróleo transportado por um pequeno petroleiro. Bastaria bombear essa água em um petroleiro fora de uso, que seria levado ao largo por uma tripulação pilotando o navio a partir de uma timonaria protegida por placas de chumbo. Em seguida, o navio seria afundado, após a tripulação ter sido evacuada por helicóptero. A água contaminada seria retida inicialmente na quilha do navio, para ser liberada gradualmente durante sua degradação.
O fato de os engenheiros japoneses que gerenciam essa crise não terem considerado isso demonstra sua imprudência, sua incompetência e sua incapacidade de lidar com essa situação. Parece que todas as "ações" deles são condicionadas pelo impacto que elas poderiam ter sobre o público, tanto sobre sua própria população quanto aos olhos do mundo inteiro. A imagem do Japão, país das Altas Tecnologias, está em risco. Levar um navio-tanque perto do local, para bombear a água contaminada, teria feito um mau efeito, especialmente se anunciasse depois que o navio seria afundado no fundo e que sua tripulação teria que levá-lo para sua última viagem protegida por placas de chumbo.
A situação está muito ruim. O serviço meteorológico japonês sofre pressões para não dar informações, se os ventos estiverem orientados para grandes metrópoles "para não causar pânico na população".
Se o governo anunciou "que os reatores seriam desmontados", um simples olhar nas fotos tiradas pelo pequeno drone (ver abaixo) é suficiente para perceber que esse "desmonte" é um projeto irrealizável.
Também não é possível extrair as centenas de conjuntos das piscinas de armazenamento. Para fazer isso, seria necessário desobstruir o topo dos destroços desses reatores dos conjuntos de vigas que os cobrem. Se não houvesse a radioatividade, equipes poderiam proceder ao seu corte, no local, com um maçarico. Mas isso é impossível. Não foi previsto um robô capaz de operar isso à distância, e o tempo falta para conceber tais dispositivos.
A única solução é o sarcófago. Em emergência, é necessário despejar materiais sólidos sobre os três reatores para parar as emissões radioativas. Essas emissões são "por leves fumaças", como foi o caso para o reator de Chernobyl, após a explosão espectacular do núcleo. Mas a aparência dessas fumaças não deve enganar sobre o que elas contêm.
Em várias vídeos, vê-se partes de edifícios abertos que emitem luzes.

Luzes indicando a radiação emitida por elementos do reator
Não se deve se surpreender que os materiais emitindo radiação criem fenômenos luminosos, visíveis a olho nu. Antes, era isso que se fazia colocando uma substância radioativa nas pontas dos relógios para que seus proprietários pudessem ler a hora à noite. Se fotos do local fossem tiradas à noite, por um drone ou a partir de um helicóptero, as imagens obtidas provavelmente causariam pânico na população. Elas lembrariam as luzes sinistras que emergiam do cráter do reator aberto de Chernobyl, subindo até as nuvens, visíveis à noite.

A aparência do reator número 4 de Chernobyl, à noite, antes que o cráter fosse preenchido
Voltemos à essa questão da colocação em sarcófago (que não resolveria os problemas relacionados à uma possível difusão de corium abaixo do reator). Em Chernobyl, o grafite estava queimando, e o buraco pelo qual as partículas de poeira radioativa escapavam tinha cerca de dez metros de diâmetro. Os russos, então, enviaram jovens pilotos de helicópteros pesados Hind, com suas tripulações, para despejar milhares de metros cúbicos de areia, cimento, chumbo e boro nesse buraco. E foi somente quando essa chaminé do diabo foi obstruída que a poluição nuclear cessou. Realizar a mesma operação em Fukushima implicaria submergir os reatores com dezenas, ou centenas de milhares de metros cúbicos de materiais sólidos, antes que as emissões gasosas e de partículas sólidas cessem.
Para esse fim, os japoneses trouxeram ao local uma distribuidora de cimento:

Construção da laje de cimento de um edifício com uma distribuidora

A distribuidora em ação (com água)
Mas se tentássemos uma colocação em sarcófago com um dispositivo desse tipo, o início do cimento seria muito lento. O fluxo seria totalmente insuficiente (essa incapacidade de compreender o problema era visível quando os japoneses enviaram helicópteros para despejar baldes de água nos reatores). Os americanos, portanto, teriam enviado, por mar, um dispositivo semelhante, garantindo um fluxo mais alto, acrescentando "que essa viagem seria sem volta, pois o aparelho, após o uso, teria se tornado muito radioativo para poder ser trazido de volta aos EUA".
Outra notícia, transmitida por um meu contato. Uma reunião de crise, reunindo equipes da AREVA e do ITER, bem como representantes de grupos estrangeiros, incluindo alemães, foi realizada em Aix-en-Provence em 4 de abril de 2011. Um dos participantes carregava uma pasta mencionando o código de nome deste:

Godzilla
Nuclearshadock
Na emissão "Complément d'enquête" (ver acima), o responsável pela produção de eletricidade nuclear na EDF
:
- Quanto mais nossos reatores envelhecem, mais eles são seguros....
1º de abril de 2011
:
Embora eu esteja muito ocupado com a redação, com urgência e antes do fechamento, de um segundo artigo para o número de maio da Nexus (o primeiro, de dez páginas, já está em composição. Esse apresentará soluções alternativas realmente em escala global), devo continuar informando meus leitores sobre o desenvolvimento do drama de Fukushima. Esta manhã, ao amanhecer, posso reproduzir um texto mínimo, que aprofundarei mais tarde durante o dia, com contribuições pessoais e imagens. Aqui está esse texto, ao qual me comprometo 100% e que coincide com as informações que recebo de meus contatos no Japão, as mais preocupantes. Se o autor aceitar ser citado (sempre faço a solicitação prévia, o farei).
As autoridades japonesas, esperando o pior e sem informar o público, há vários dias estão fazendo estoque de uma geléia, espalhada por avião, destinada a colar ao solo os rejeitos de matéria radioativa, antes do limpeza pelos "liquidadores", como foi feito anteriormente em Chernobyl. Não é impossível, no caso de uma criticidade se manifestar, com uma rejeição importante, que eles tenham que usar esse produto.
F
Fonte
:
Está confirmado: a fusão das barras de combustível está em andamento e a situação está realmente fora de controle.
O núcleo radioativo em um reator da usina de Fukushima parece ter derretido no fundo de sua câmara de contenção, segundo o alerta de um especialista ontem. Temas de preocupação foram levantados sobre os gases radioativos que poderiam ser liberados em breve na atmosfera.
Richard Lahey, que foi chefe da segurança de reatores na General Electric, diz que os trabalhadores agora perderam sua batalha. O núcleo derreteu através do fundo de seu recipiente, no reator número 2, e parte dessa substância agora está no piso.
Os trabalhadores são pagos muito caro para tentar acabar com esse pesadelo, expostos a um nível muito alto de radiação, mas parece que sua coragem suicida pode se provar inútil e mortal!
O operador da usina espera parar a contaminação em andamento, caso contrário 130.000 pessoas serão forçadas a deixar suas casas.
Até hoje, leite está contaminado, vegetais e água potável. A água do mar ao redor da usina também está contaminada, sem contar as marés que dispersarão os elementos radioativos. As autoridades notaram quantidades de plutônio no solo fora da usina. Os túneis que conectam os reatores 1, 2 e 3 estão cheios de água contaminada e a níveis altos.
A Agência de Segurança Nuclear do Japão afirma que os níveis de plutônio não são perigosos para a saúde humana [realmente?], mas confirma também que a situação é extremamente grave e que uma fusão parcial está em andamento em pelo menos um reator.
Os engenheiros continuam tentando reparar o sistema de refrigeração, mas são obrigados a trabalhar cercados por radiação e sem eletricidade.
Florent B.
Sexta-feira 1º de abril de 2001, 2h47
Fonte
:
http://edition.cnn.com/2011/WORLD/asiapcf/03/30/japan.daini
/ C
e não é mais uma usina, mas duas usinas nucleares de Fukushima que estão fumando!
Fumaça foi detectada em outra usina nuclear no norte do Japão na quarta-feira segundo Tokyo Electric Power.
A empresa declarou que fumaça foi detectada no prédio da turbina número 2 do reator da usina por volta das 18h.
Essa usina nuclear está localizada a cerca de 10 km da usina de Fukushima.
Uma ordem de evacuação foi dada para os moradores que vivem em um raio de 10 km dessa usina.
Desde então, as autoridades não expressaram outros comentários sobre a situação.
Florent B.
1º de abril de 2011
:
Iodo 131 foi detectado em amostras de leite francês e americano, relatam simultaneamente o Instituto Francês de Proteção Radiológica e Segurança Nuclear (IRSN) e a Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA). Os resultados das análises confirmam que esse isótopo radioativo vem dos rejeitos da usina nuclear de Fukushima.
Finalmente, aqui estão fotos de alta resolução, que foram tiradas por um drone, em 20 de março de 2011, pertencentes a uma empresa privada AIR PHOTO SERVICE. Eu não ajustei as imagens ao tamanho da tela, e vocês, para algumas delas, serão obrigados a usar seus "elevadores". Elas mostram os danos sofridos pelos reatores do local e não precisam de comentários. Logicamente, essas fotos deveriam ter ocupado páginas duplas nos grandes "revistas de informação". Lembrem-se da frase de Paris-Match "o peso das palavras, o choque das fotos". Mas não tenho certeza de que encontraremos tais imagens em outro lugar que não na internet. Nesse caso, sua opinião será formada.

Há grandes chances de que esses buracos tenham sido feitos durante o retorno dos fragmentos da laje de concreto que cobria o reator

Estou escrevendo um segundo artigo para o número de maio da Nexus, que me abriu suas colunas. Partirei de uma série de artigos ilustrando o número especial do Point, dedicado ao nuclear.

O que vocês poderão ler nesse número especial os surpreenderá. Resumo:
Páginas 58 a 95
, generalidades.
Páginas 76 a 77
duas páginas de Claude Allègre, que nos afirma que temer os efeitos da sismicidade na França é "andar de cabeça para baixo".
Páginas 96 a 103
, um curso sobre os diferentes tipos de usinas, presentes e "em futuro".
Página 106
, uma entrevista com Robert Klapish, antigo diretor de pesquisa no CERN.

Robert Klapisch, antigo diretor de pesquisa no CERN
Tudo está perfeito no melhor dos núcleos possíveis
É tão absurdo, irresponsável, marcado pelo selo de total falta de imaginação que deixo a vocês o prazer de descobrir, folheando em sua casa de imprensa e indo até essa página.
Página 108
, Pascal Colombani, antigo administrador geral do CEA "nos demonstra que precisamos do nuclear, mas os riscos são altos". Ele conclui dizendo que o drama de Fukushima "nos obrigarão a ser mais criativos".
Página 100
: "A França, viciada no nuclear"
.
A única alternativa é ... reabrir nossas minas de carvão, e reorganizar nossas instalações portuárias para acolher carvão estrangeiro.
Página 112
: "Há vida após o átomo?"
Lendo esse número vocês poderão, se ainda não o fizeram, perceber que somos governados por imbecis e geridos por loucos perigosos ou irresponsáveis inconscientes.
Soluções existem, e eu as exponho no número de maio da Nexus. Basta ter um pouco mais de imaginação do que os ecologistas clássicos, com suas descrescidas e seus painéis solares nos telhados, e basear-se
no que funciona
, em tecnologias comprovadas, não em especulação ou "o que funcionará no horizonte, 2030..."
Precisamos de um plano à altura das necessidades e da urgência e eu o exponho.
Além disso, novas notícias chegam dizendo que os dois locais vizinhos de Fukushima também sofreram danos. Publicarei também fotos das três usinas, antes da catástrofe, mostrando que todas as três, instaladas ao nível do mar, atrás de uma instalação portuária, estavam apoiadas em colinas importantes, todas próximas. E isso, ninguém fala. Bastaria que a empresa privada encarregada da instalação desses reatores os posicionasse a alguns metros de altura para protegê-los dos tsunamis, frequentes e de forte intensidade na região do Japão. Por que isso não foi feito?
Para preservar os lucros dos acionistas, garantir um bom retorno sobre o investimento.
1º de Abril de 2011
: Consulte
o pdf representando a análise dos eventos, dada pela AREVA.
Vamos reanalisar algumas páginas tentando entender. Esta representa "a ponte de manobra" do reator. Vemos o poderoso guindaste, capaz de extrair a espessa laje de concreto que cobre o reator, em vista de uma operação de descarregamento-recarregamento. As balaustradas dão a escala. Após remover a laje, as duas câmaras de aço do reator tendo sido despressurizadas, enchem-se tudo, depois extrai-se, sempre com o guindaste, os dois chapéus de aço do sistema, que são depositados. Finalmente, pelo estreito corredor ligando o local ocupado pela câmara do reator e a piscina, move-se, sempre imerso, os elementos de montagem extraídos do núcleo, todas essas operações sendo realizadas em imersão.

Fora do guindaste, esse local é quase vazio. Distingue-se no fundo tubulações de ventilação. A estrutura é de chapas relativamente finas, fixadas a uma estrutura de perfis leves. No
pdf da AREVA
, explica-se que quando a temperatura do vapor de água contido na câmara do reator ultrapassou 1000°C e que o topo do reator começou a emergir da água, esta foi decomposta pelo zircônio dos "bastões" contendo as pastilhas de combustível, envoltórias que também são chamadas de "tubos". No caminho, por que o zircônio? Porque esse metal é transparente em relação aos nêutrons e, portanto, não interfere nas reações de fusão.
A pressão na câmara de 20 cm de espessura, que contém o núcleo, começou a subir. Ao mesmo tempo, hidrogênio, proveniente da decomposição das moléculas de água, foi liberado. Os técnicos o enviaram para esta sala de manobra. O oxigênio foi fixado por oxidação pelas barras de zircônio. Isso liberou as pastilhas de combustível, misturando-se à água e ao gás, contaminantes radioativos.
Nesta sala de manobra, um mistura hidrogênio-oxigênio foi formada. Em seguida, o que vemos claramente na explosão do reator número
1
, houve explosão. A onda de choque esmagou as chapas de aço, mas os suportes estruturais permaneceram em pé.
A explicação da AREVA:

Essa explicação é compatível com as imagens que temos do reator 1, mas
totalmente incompatível
com as de outros reatores, como o 3 e o 4, onde algo de um nível muito diferente aconteceu, que interessou os níveis situados abaixo do piso de manobra. Revise essa imagem da explosão do reator 3. Algo totalmente diferente aconteceu lá.

A menos que a AREVA produza um novo relatório,
seu relatório
totalmente descredita suas afirmações

Uma foto de um dos reatores de Fukushima. O operário em pé, no topo, dá a escala.
Diâmetro do tanque: 5,5 metros. Diâmetro do chapéu de aço, do primeiro plano: 10,5 metros
O aumento da radioatividade, devido aos rejeitos da usina de Fukushima. Le Figaro
:
Não é uma usina atingida, mas três.
A costa sudeste do Japão é particularmente vulnerável aos tsunamis, estando cercada por um vasto platô continental descendente em inclinação suave, o que reforça a onda. Houve na região dois tsunamis atingindo a magnitude 7 desde 1960. Isso não impediu os nucleocratas japoneses de instalar sistematicamente suas usinas ao nível das ondas, construindo simplesmente um porto para trazer material, etc. Olhe este mapa

:
Duas usinas, cercando a de Fukushima
Vulnerabilidade
: máxima:

A 120 km ao nordeste de Fukushima:
a usina de Onagama
, com os pés na água.
Foi atingida diretamente pelo tsunami. Ondas de 15 metros de altura.
Um início de incêndio pôde ser controlado. Observe as colinas, logo atrás.
Onagama tem três reatores, sempre a água fervente, o mais antigo data de 1980. O vilarejo de Onagawa foi totalmente destruído. Como toda a atenção está voltada para a usina de Fukushima, a empresa privada Tohoku Electric Power atribuiu a radioatividade que reina ao redor dessa usina aos rejeitos feitos desde a usina de Fukushima. Mas a população, agora, hesita em acreditar no que lhe dizem. E depois, com todos esses mortos e sem abrigo, o nuclear é mais um desastre.
Agora, vamos para o sul:

A usina de Tokaï
, também ao nível da água, apoiada em colinas.
Terceiro operador privado: a empresa japonesa JAPC. Um reator a água fervente de 1000 MW, colocado em serviço em ... 1978, há 33 anos....
A bomba de emergência pôde ser colocada em funcionamento.
Aparentemente, sou o único (não li isso em nenhuma imprensa) a dizer que seria mais prudente, em uma região sensível aos tsunamis, instalar reatores a alguns metros de altura, e não ao nível das ondas. Não fiz o tour de todas as usinas japonesas, mas também em Fukushima, essa usina tem alturas muito próximas.

O que ninguém diz: Em Fukushima, bastaria, pelo menos, colocar os geradores e os tanques de combustível nas colinas ao redor
para protegê-los dos maiores tsunamis e permitir que alimentem as bombas elétricas
Os japoneses não têm o monopólio da burrice. Se o ITER balbuciar, vou contar uma boa. O reator liberará na natureza, com uma chaminé, seu conteúdo, incluindo deutério e
trítio
(radioativo, duração de vida: 12 anos).
Em Paris, os politécnicos que desenharam o Iter, ou os alemães, ou outros, disseram "o hidrogênio, leve ou pesado, sobe).
Vinon está ao lado do Iter que eu já frisei várias vezes. Essa região, querida pelos voadores, se presta ao voo de ondas, um fenômeno oscilatório muito frequente nessa região, se o vento for forte o suficiente. Como o mistral, por exemplo.

Regime de onda (meteorologia e voo em asa delta)
A onda é o prato do asa delta. O desenho indica onde o planador deve se posicionar para aproveitá-la. No topo dos ressaltos de ar: nuvens lentículas. Abaixo, um rotor, que pressiona o ar no solo. Um ar possivelmente carregado, nesse dia, de ... trítio.
E o que há a jusante do Iter, em um regime de onda?
O Lago Santa Croix, reserva de água doce de Marselha.
Não há serviço meteorológico previsto nas equipes do Iter. E se fosse necessário criá-lo, seria necessário um representante de cada país participante.
Um dia, os habitantes da região PACA talvez ouçam em seus meios de comunicação "que quantidades muito pequenas de trítio foram encontradas nas águas do lago, mas a uma taxa que não representa perigo para a saúde das pessoas que beberem essa água...."
A seguir ....
29 de março de 2011
:
Uma situação de gravidade extrema
.
Em 28 de março de 2011, André Claude Lacoste, presidente da ASN: Autoridade de Segurança Nuclear, realizou uma coletiva de imprensa.

André Claude Lacoste, presidente da Autoridade de Segurança Nuclear
Ao consultar o site da ASN (organismo governamental, que é difícil suspeitar de atitude anti-nuclear militante), você pode ler o ponto, formulado por esse serviço. Abaixo, uma fita de áudio enviada por um leitor, reproduzindo trechos da
sua palestra de 28 de março de 2011
.
Como você poderá constatar,
a situação em Fukushima é de extrema gravidade
e está tomando uma muito má direção, incluindo no plano mundial. A situação foi inicialmente gerida de forma surrealista. Enquanto um acidente nuclear exige intervenções rápidas, o primeiro-ministro japonês pediu que nada fosse feito antes que ele pudesse sobrevoar o local para medir a situação. Enquanto ele não conhece nada sobre nuclear.
Além disso, os japoneses recusaram educadamente as ofertas de ajuda feitas por diferentes países, por orgulho, vaidade estúpida, "para não perder a face aos olhos do mundo". Eles recusaram o envio de robôs especializados. Hoje, os técnicos que atuam no local devem agir com rapidez, dada a nível de radiação ambiente. Lacoste fala de duas minutos. Assim, encontramos uma situação evocando o que aconteceu em Chernobyl em 1986. Revise o filme "A Batalha de Chernobyl" para se lembrar da gravidade extrema de um acidente nuclear...
http://cequevousdevezsavoir.com/2011/03/19/la-bataille-de-tchernobyl
Eu assisti a um vídeo mostrando o local de Fukushima, filmado a partir de um helicóptero. É impressionante. Vemos colunas de fumaça subindo de diferentes locais. Os japoneses não deram nenhum número sobre os níveis de radiação nesses pontos quentes do local de Fukushima. É preciso lembrar que logo após a catástrofe, eles anunciaram que esta era de nível 4. Mas a ASN os obrigou a revisar esse número para cima, para o nível 6 (7 para Chernobyl). A probabilidade de que os tanques contendo os núcleos dos reatores tenham sido quebrados e liberem combustível fundido é alta. Tem-se a impressão de que os japoneses não controlam o que está acontecendo lá. É verdade que, além dessa catástrofe nuclear, eles têm que lidar com as consequências de grande escala de um terremoto e de um tsunami. Mas quem teve a ideia estúpida e criminosa de instalar os reatores ao lado da água, em uma região onde tsunamis de força 7 ocorreram em datas muito recentes (1962 e 2008, acredito). Vá ao Google Earth e instale a opção que faz aparecer os eventos sísmicos.
E
AFukushima houve fusões nos núcleos, possivelmente muito importantes. Em Three Miles Island, nos EUA, 45% do núcleo tinha derretido e o "corium" se havia acumulado no fundo do tanque, que, por milagre, havia resistido.

O reator de Three Miles Island, após desmontagem, um ano depois
Diâmetro do tanque: 5 metros
A forma dessa câmara é tal que quando os elementos fundidos caem no fundo do tanque, a geometria desse tanque faz com que esses elementos se acumulem e o risco de criticidade aumente com o percentual do núcleo que entrou em fusão.
É por isso que os japoneses tentam desesperadamente resfriar esses tanques. É um colchão sobre perna de madeira, recuar para pular melhor. Mas se eles não fizerem isso, será todo o combustível que derreterá e se acumulará no fundo do tanque. Então o risco de entrada em criticidade será grande. Se essa criticidade for atingida, todo o corium escorrerá para fora do tanque, em um local cheio de água enviada para refrigeração. Esse corium estará a uma temperatura suficientemente alta para causar a dissociação das moléculas de água (a partir de 1000°C), rapidamente. Então, uma massa gasosa explosiva, um mistura estequiométrica de hidrogênio-oxigênio, se formará. A explosão destruirá o reator, como aconteceu em Chernobyl, a força da explosão projetando o tampa de concreto do reator, de 12 toneladas, a dezenas de metros.
(Que aconteceu durante a explosão espectacular do reator número 3, com sua fumaça cinza e fragmentos de concreto do tamanho de um forte, enviados a centenas de metros no ar ?).
Essa explosão, se ocorrer, e o risco existe, resultará em uma liberação massiva de elementos radioativos. É preciso compreender a quantidade de matéria fissionável que se encontra em um reator, que sempre se conta em toneladas do mesmo tipo que meus reatores japoneses )
nes, enquanto uma bomba contém apenas alguns quilos. O caráter espectacular de uma explosão nuclear militar vem de sua brevidade. Uma certa quantidade de energia é liberada em um tempo muito curto, um milésimo de segundo. A onda de choque destrói tudo no seu caminho. O calor da bola de fogo causa incêndios e queima seres vivos. Os raios também são muito intensos. Mas a poluição, ou seja, a quantidade de resíduos radioativos que caem no solo, permanece relativamente baixa, porque o enorme calor gera uma ascensão que leva os resíduos para a altitude, onde são dispersos pelos ventos.
No caso da explosão de um reator nuclear, o lado de liberação é muito maior, pois não há ascensão para levá-los. Se você assistir ao filme "A Batalha de Chernobyl", verá que dezenas de milhares de homens e mulheres foram irradiados por rejeitos que se materializavam sob a forma de uma coluna de fumaça quase invisível. Era então a combustão do grafite, mantida pelo aquecimento intenso do núcleo fundido.
Eu ficaria curioso para saber o teor em materiais radioativos desses pequenos pilares de fumaça ou vapor que sobem das usinas abertas. Haveria mil maneiras de saber, mesmo que apenas arrastando um sensor sob um helicóptero, ou enviando um drone controlado.
Tudo isso não me diz nada de bom.
ATchernobyl, os russos tomaram medidas rápidas e dramáticas para controlar a situação. Após algumas horas de letargia e incredulidade em Moscou, os engenheiros enviados ao local compreenderam a situação e agiram de acordo. Trinta horas após o desencadeamento da catástrofe, os 45.000 habitantes da cidade de Pripyat, localizada a 3 km da usina, foram evacuados em ordem em 3h30 em mil ônibus.
Os russos sacrificaram de 600 a 1000 pilotos de helicópteros para largar sacos de areia e boro na boca do monstro (um buraco de 10 metros de diâmetro, que exigia uma aproximação em baixa altitude, a 100 metros de altura). Os ocupantes do helicóptero tinham que soltar sua carga. Todos foram irradiados mortalmente.
Isso só aconteceu quando uma grande quantidade de areia, concreto, boro e chumbo pôde ser despejada que as emissões cessaram. Mas não a radiação emitida pelos muitos resíduos. As vapores de chumbo também causaram muitas doenças na população (simples observação: nossos politécnicos, para substituir o sódio fundido perigoso (5000 toneladas), fluido térmico dos reatores de nêutrons rápidos, esses "reatores de quarta geração" sugerem resfriar o núcleo, uma tonelada de plutônio, com uma quantidade equivalente de ... chumbo fundido).
Onde estão os japoneses? É excluído que eles possam recuperar as unidades de sua usina. O que vai acontecer? Se os tanques vazarem, os elementos radioativos vão se espalhar nos prédios, muito degradados. O calor causará uma emissão pouco espectacular, mas transportando quantidades crescentes de radioelementos.
Esses radio-núcleos diversos e variados já fizeram o redor da Terra. No longo prazo, parece que a única solução será a colocação em sarcófago, considerando que os reatores já são inacessíveis devido à alta radiação. Tomar essa decisão seria um reconhecimento de fracasso para os japoneses. Não de fracasso diante dessa situação, mas de fracasso de sua tecnologia, de sua política energética, de seu modo de vida. Todo o país convive com 54 reatores nucleares, cuja manutenção e concepção já sofreram muitas críticas. Condenar os reatores de Fukushima traria uma crise de confiança do povo japonês, que não possui nenhuma fonte energética alternativa. Os desafios econômicos, sociais, humanos são consideráveis.
É possível que as autoridades japonesas, que frequentemente demonstraram incompetência e falta de determinação, deixem a situação seguir seu curso até o ponto em que:
-
A situação pode se tornar pesadelo no local.
-
A poluição nuclear atingir uma escala prejudicial para todo o planeta.
De qualquer forma, para mim, a conclusão é evidente. É necessário abandonar o nuclear e desenvolver, sem esperar e com urgência, energias alternativas. É possível
Isso é possível
É uma questão de sobrevivência da espécie humana.
Sairei com um artigo de 10 páginas no próximo número da Nexus, que já está em andamento (ele estará nas bancas em maio do próximo ano). Estou terminando de escrever uma sequência, que será publicada no mesmo número e que indica
soluções reais
. Ou seja, a instalação de fontes de energia alternativas
em escala realmente global
. Não se trata, por exemplo, de colocar painéis solares e turbinas eólicas nos telhados das casas e usar lâmpadas de baixo consumo, mas de buscar a energia solar onde ela se encontra e enviá-la a longa distância, em alta tensão, em corrente contínua. Não se trata de especulação, mas da aplicação de técnicas já em uso há muito tempo, em diferentes países. No Canadá, o transporte da corrente produzida por barragens situadas no norte é feito por 1400 km. A empresa Siemens está terminando de construir, para conta da China, uma ligação que ligará as barragens das Três Gargantas às regiões costeiras, através de uma conexão por corrente contínua. Potência: 5000 MW. Uma ligação por cabo subaquático já permite enviar 1000 megawatts da França para a Inglaterra. Mas o recorde refere-se a uma ligação Dinamarca-Noruega, com 450 km de cabo subaquático. Você lerá tudo isso no meu artigo. Trata-se de buscar rapidamente nas fontes de energia alternativa que a Natureza nos oferece em abundância. O abandono do nuclear é necessário. Quanto mais cedo, melhor.
Não é tarde demais, mas é hora.
A CRIIRAD detectou iodo 131 na Drôme-Ardèche, em água da chuva. Aqui está o endereço do vídeo mostrando a animação da Météo-France, sobre a dispersão da massa de ar carregadora de radioatividade.
http://www.irsn.fr/FR/popup/Pages/irsn-meteo-france_19mars.aspx
Essa sequência é eloquente e mostra que ela se espalhou por todo o hemisfério norte.

A massa de ar carregando partículas radioativas já cobriu todo o hemisfério norte
O relatório de análise e os comentários da CRIIRAD datados de 29 de março de 2011
As pessoas recebem palavras tranquilizantes, sobre a poluição por elementos radioativos. Eles lhes mostram números, que são qualificados de muito moderados, ou mesmo insignificantes. Mas o principal risco reside na inalação de poeira, ou em sua ingestão, seguida de sua fixação no corpo da pessoa.
É aí que está o principal risco.
: carregar este elemento radioativo em si, no seu corpo.
Pode-se morrer vivendo em uma região onde a radioatividade ambiente parece fraca, simplesmente porque se absorveu um fragmento poeirento microscópico, no momento errado.
14 de março de 2011
Desde alguns dias o mundo descobre, atônito, a extensão dos danos causados ao Japão pelo terremoto, e especialmente o tsunami que se formou no meio do oceano Pacífico, a cerca de 140 quilômetros da costa nordeste do Japão.

Uma vídeo impressionante, mostrando o tsunami
Se você quiser ter uma visão geral desses danos, veja este vídeo chinês.
Os danos causados ao Japão pelo Tsunami
Essas imagens são extremamente impressionantes. Aqui estão alguns exemplos:

A chegada do tsunami

Um grande redemoinho formado pelo recuo da massa líquida. Veja um barco perto do centro, que parece minúsculo

Incêndio em um parque de armazenamento de hidrocarbonetos

Outro incêndio
(
armazenamento de gás )

Incêndio urbano, cidade de Sandaï

Filmado a partir de um helicóptero, o tsunami desaba no aeroporto de Sandaï

Parte do aeroporto de Sandaï, destruído pelo tsunami

Sem comentários.....
Diz-se que "governar é prever". Nesse caso, é prever as consequências, que podemos chamar de "secundárias" ou "colaterais" de uma tal catástrofe natural. O Japão, superpovoado, possui 58 reatores nucleares, para atender suas necessidades de eletricidade. Um reator nuclear é um tanque de aço, muito resistente, no qual se encontram barras de material físsil. Tecnicamente, são tubos chamados de "canetas" nas quais são empilhados elementos físsis, misturas de óxidos, que têm a aparência de comprimidos de aspirina.
Em comparação com uma bomba atômica, que se comporta como um explosivo, um reator parece um monte de brasas. Nesses tubos, a decomposição do urânio 235, ou até uma certa porcentagem de plutônio 239, libera calor e provoca a emissão de nêutrons que, atingindo outros átomos de urânio 238, provocam reações secundárias.
Para compreender bem o funcionamento de um reator, baixe minha quadrinhos "
Energéticamente seu
" no site de Savoir sans Frontières
http://www.savoir-sans-frontieres.com
(próximos de 400 quadrinhos da série Aventuras de Anselme Lanturlu, gratuitamente baixáveis, em 36 línguas, sem eco midiático, todas as editoras juntas).
É necessário um "fluido calorífico" que circule permanentemente nesse tanque, esse núcleo do reator, para evacuar o calor, o calor liberado pelas reações de fissão, senão o pior pode acontecer.
Não sou omnisciente.
Considerando que tenho a obrigação de tentar esclarecer informações, me esforço para divulgá-las. Me informo, muitas vezes com urgência, quando não é precipitação, quando se trata de fatos atuais. Faço isso à margem das muitas atividades que tenho que conduzir (tenho dois novos livros para escrever e pesquisas de MHD a conduzir, cálculos complexos a fazer).
Aproveito essa observação para pedir a dezenas de leitores que, diariamente, me solicitam para que aceite figurar em "sua lista de discussão" que se abstenham de fazê-lo. Não tenho tempo para trocar mensagens, como em um blog. Estudantes secundários me solicitam para seus TPE (mesmo coisa: não tenho tempo para me ocupar deles). Outros esperam que eu responda perguntas como "você poderia me explicar a relatividade em termos simples?" ou "o que você acha da teoria da Terra oca?" . A menos que seja para me dizer "estou pessoalmente muito cético sobre ... poderia me fornecer argumentos que convencem o cético que sou?" . Alguns, tendo encontrado sites ou vídeos que chamaram sua atenção, se contentam em me "enviar" os endereços, sem explicação. Se essas não forem acompanhadas por algumas linhas de explicação, não tenho tempo material para explorar cada um desses conteúdos.
Às vezes, leitores me fazem uma pergunta à qual respondo brevemente, essa resposta podendo ser simplesmente "não sei". Às vezes o interlocutor insiste, não entendendo por que "um cientista como eu não gasta tempo para responder de maneira adequada e argumentada". Às vezes o diálogo termina com um e-mail acompanhado de insultos violentos.
Isso posto, o que recebo continuamente, diariamente, constitui uma documentação irrecuperável, e é graças a esses contribuições e esclarecimentos de especialistas que posso estar melhor equipado para tentar informá-lo. Alguns, que me seguem há muito tempo, sabem me fornecer essas informações, com algumas linhas de apresentação, ou até uma imagem, dizendo "parece-me que isso é importante", e agradeço. Outros sabem cortar um documento vídeo para extrair elementos-chave.
Quando construo uma nova página, você poderá constatar que não me contento apenas em indicar um endereço URL de um artigo ou vídeo. Faço muitas capturas de tela, componho meu próprio texto e é frequente que a montagem de uma simples página, onde tarefas elementares se acumulam, represente de 6 a 12 horas de trabalho.
No que segue, vou corrigir o que coloquei ontem, rapidamente, sobre os reatores japoneses, e que os leitores já corrigiram. Não, não se trata de
reatores a água pressurizada
, mas de
reatores a água fervente
.
D
Abordando o esquema dos reatores a água pressurizada, solução de origem americana, predominantemente implementada na França
À pressão atmosférica, a água ferve a 100°. A uma temperatura mais baixa, 85°C, no topo do Monte Branco. E inversamente, acima de cem graus se essa água estiver a uma pressão superior a um bar.
Se o calor não for evacuado continuamente, essas barras metálicas podem derreter (é a "fusão do núcleo") e o resultado dessa fusão pode se acumular no fundo do tanque, constituindo o que se deve evitar principalmente: que esse material esteja confinado, o que aumentaria drasticamente a liberação de energia, devido "a uma entrada em criticidade".
De fato, um reator nuclear é um local onde ocorrem reações em cadeia, que devem ser cuidadosamente controladas. Essas barras de material físsil estão como presuntos, no tanque do reator. Ao redor delas circula um fluido que coleta o calor (água sob 150 bar, nos reatores a água pressurizada, os PWR:
pressurized water reactors
). Essa água entra no tanque a uma temperatura de 295°C e sai a 330°C. O fluxo é considerável: 60.000 metros cúbicos por hora, ou seja,
dezesseis metros cúbicos por segundo
. Nesse esquema, decide-se isolar esse circuito primário do circuito secundário, acoplado ao primeiro por um trocador de calor, e que será enviado para a turbina a gás, acionando um gerador elétrico.

Em roxo: o circuito primário cheio de água pressurizada, circulando na estrutura do núcleo do reator. Em azul e vermelho, o circuito secundário. No trocador de calor, localizado na estrutura de contenção do reator, essa água (azul escuro no estado líquido) passa ao estado de vapor, em vermelho. Esse vapor aciona então uma turbina a gás de dois estágios: alta e baixa pressão. O vapor, descomprimido e refrigerado, passa então em um
condensador
, onde se liquefaz
Um sistema produzindo energia possui uma fonte quente e uma fonte fria. A fonte quente é os "canetas" do núcleo do reator, banhados em água sob pressão, dentro dos quais ocorrem reações de fissão, exoenergéticas. A fonte fria é o ar atmosférico (para os reatores que utilizam esse sistema terminal de refrigeração). Os dois primeiros sistemas, funcionando em ciclos fechados, estão acoplados a um terceiro, em contato com o ar atmosférico, graças a imensas torres de refrigeração que se veem, flanqueando as centrais francesas.
Faz-se escorrer a água, ao longo da parede interna dessas torres, abertas embaixo para permitir que o ar circule. Essa água comunica assim o calor coletado no condensador, ao ar que sobe na torre. Durante o percurso, parte da água é vaporizada (500 litros por segundo). É necessário, portanto, dispor de uma fonte de água próxima (rio ou mar). É essa água vaporizada que faz com que as torres sejam coronadas por um penacho de vapor, quando o reator está em funcionamento.
70% do calor produzido vai assim para a atmosfera (ou para o rio, o mar, se a fonte fria for dessa natureza). O rendimento de um reator não ultrapassa 30%.
Na França há 58 reatores a água pressurizada.
Lista dos reatores franceses.
Passemos aos
reatores a água fervente
, do tipo dos que equipam as centrais japonesas.
Como você, descubro e tento explicar. O esquema é o seguinte:

Reatores a água fervente (REB) das centrais japonesas
Ou "BWR": Boiling water reactors
Veja também
:
http://www.laradioactivite.com/fr/site/pages/Reacteurs_REB.htm
Ou este pdf em inglês, muito interessante
A comparação com o esquema anterior é imediata. Não há mais que um único circuito fechado. É a água que é enviada ao núcleo do reator que se vaporiza e é então direcionada diretamente para a turbina a gás de dois estágios. À esquerda (1), o núcleo, dentro de sua estrutura de aço. Em (2) os elementos combustíveis. Em (3) as barras de controle que, nesse arranjo, devem subir e não podem, em caso de emergência, cair por gravidade.
A água no estado líquido (azul) é um melhor condutor de calor que o vapor d'água (em vermelho, na parte superior do núcleo).
Na saída da turbina, a água em processo de retorno ao estado líquido, no condensador, é representada em roxo. Não há torre de refrigeração. É
água do mar
, em cinza, que é enviada ao condensador.
Como se controla a atividade de um reator nuclear?
Usando as
barras de controle
(por exemplo, em cádmio) que absorvem os nêutrons, mas sem que esse fenômeno dê origem a novas reações nucleares exoenergéticas. Quando essas barras estão completamente descidas (ou levantadas, no caso dos arranjos japoneses), a atividade do reator é reduzida por um fator de dez, em comparação com sua potência nominal. Nos reatores franceses, o tempo de descida das barras, em emergência, por gravidade, é de uma segunda. Vinte segundos no reator de Chernobyl. As barras de controle dos reatores japoneses sobem e são acionadas eletricamente por parafusos sem-fim (veja
o pdf em inglês
: não invento nada).
Ao contrário, é o levantamento (ou abaixamento no arranjo japonês) dessas barras que provocará o início do reator, durante sua pôr em funcionamento. Diz-se então "
que o reator diverge
".
Se for constatada uma falha qualquer no sistema de evacuação do calor produzido no núcleo do reator, onde se encontram as barras, é necessário implementar um sistema de bombas de emergência, ou reduzir drasticamente a potência produzida descendo as barras de controle (ou levantando-as, no caso dos arranjos japoneses).
A produção de energia elétrica é feita com
alternadores
, acionados por turbinas a gás. O vapor que circula nessas turbinas deve, na saída, ser transformado em água no estado líquido, no
condensador
. Esses condensadores são essas altas torres que se veem, flanqueando o local onde se encontra o reator nuclear, na França. O vapor d'água se condensa e é recuperado na parte inferior da torre. Parte da água evapora, a perda sendo de 500 litros por segundo.
Não se encontram tais estruturas sem os reatores japoneses. Por quê? Porque se utiliza água do mar para essa refrigeração. Por razões de economia e rentabilidade, os japoneses
instalaram seus reatores próximo ao oceano, o que é uma bela bobagem, em um país cujas costas podem ser atingidas por tsunamis

.
A localização das centrais nucleares japonesas, junto ao mar (...)
Imagino que os engenheiros estudaram essas instalações em relação a um certo número de riscos. Todos os reatores nucleares japoneses foram construídos respeitando normas anti-sísmicas. Essas correspondem ao valor 7 na escala Richter e traduzem uma possibilidade de aceleração horizontal de um "g". A técnica consiste em colocar o edifício sobre o equivalente aos "cilindros-bloco", em muito maior escala.
Para informação, a tremor sísmico sentido pelo Japão atingiu a
magnitude
8,9.
Clique no link. Você verá, no final da página, que um terremoto de magnitude 8,9 pode causar danos a centenas de quilômetros de distância do epicentro. Foi o que aconteceu, o epicentro localizando-se na fronteira entre duas placas, a 140 km de distância.
Grosso modo,
a magnitude é a medida logarítmica da força de um terremoto
(que deve ser corrigida levando em conta a duração dos tremores e o tipo de ondas utilizadas).
Ao dimensionar suas instalações para uma magnitude de 7, os japoneses subestimaram a potência dos terremotos futuros por um fator de oitenta (10^1,9).

Fato surpreendente: essa estrada se quebrou ao longo de sua linha média.
A explicação de um leitor: é comum que estradas sejam "construídas" em duas etapas, metade por metade, sua linha média constituindo uma fissura inicial
Lembro brevemente a "razão suficiente" dos tremores sísmicos. Em uma placa do início da página, representaram as placas tectônicas, que podem ser comparadas a placas de gelo flutuando na superfície de um rio. Essas podem se sobrepor. No caso desse terremoto japonês, trata-se do encontro entre a placa nipônica de Okhotsk e a placa do Pacífico. O epicentro localiza-se a uma profundidade de 10.000 metros. Uma das duas placas passa sob a outra (fenômeno de subducção). Essas placas não estão "lubrificadas" e esse deslizamento só pode ocorrer em saltos. Esses saltos são a fonte dos terremotos. Quando esse reajuste ocorre sob a água, o levantamento de uma das placas eleva uma vasta massa líquida. Esse levantamento, para alguém que navegasse logo acima desse evento, seria imperceptível. Pode-se avaliá-lo em dezenas de centímetros. Mas se centenas de quilômetros quadrados de oceano forem elevados de 10 cm, ou mais, isso representa uma energia potencial considerável, que se dissipará com a emissão de ondas superficiais de grande comprimento de onda, propagando-se a velocidade muito elevada (da ordem de centenas de quilômetros por hora). Quando esse tsunami chega perto de uma costa, se o levantamento do fundo ocorrer de forma gradual, o comprimento de onda diminui, enquanto a amplitude da variação de nível cresce. Assim, uma onda que representava uma variação de 10 cm, quase imperceptível, de uma onda com largura (fala-se de comprimento de onda) de dez quilômetros, se transformará, perto da costa, em uma onda de dez metros de altura e cujo comprimento de onda se conta em centenas de metros. Mais perto, a onda pode
quebrar
.
Esse terremoto teria provocado um deslocamento de toda a placa que sustenta o Japão de 2,4 metros. Esse número deve ser multiplicado por dez no nível da zona de subducção, perto do epicentro. Mapas e coordenadas GPS devem ser reavaliados. Esse movimento teve uma incidência sobre a Terra inteira, provocando um deslocamento de toda a crosta terrestre de 25 cm, o que implica um encurtamento dos dias. Esse terremoto é um dos cinco mais potentes registrados na Terra desde que se realizam medições sísmicas.
O que causou o desfuncionamento em todos os reatores do site Fukushima não vem do terremoto, mas do fantástico tsunami, com sua onda de dez metros de altura (o que nunca havia acontecido no Japão há centenas de anos). Não existe meio de se proteger contra um impacto desse tipo. Quem conhece o mar sabe o que podem produzir ondas de tempestade. Elas podem romper diques, torcer estruturas de seção forte. Havia cerca de cinquenta anos, um homem queria construir perto de Marselha uma atração que chamou de "teleférico". O princípio era o de um teleférico submerso. Mas em vez de suspender cestas em um cabo, teria acoplado cabines cheias de ar a um cabo circulando em torres fixas no fundo. O objetivo era levar os turistas submersos perto da "arca dos Farillons", no final da ilha Maïre, uma bela decoração submersa, que conheço bem. A base de partida do teleférico deveria estar localizada ao leste do "Cap Croisette".

.
O pequeno porto do Cap Croisette, em 1958, a alguns centenas de metros do ponto de partida previsto para o teleférico.
Os marinheiros alertaram o engenheiro:
- Você sabe, na nossa região, temos um vento de leste chamado Labé. E quando ele se desencadeia, em alguns dias de inverno, as ondas são realmente poderosas.
O engenheiro ignorou. Os primeiros pilares foram instalados, e foram levados como palha no inverno seguinte, pela primeira tempestade de Labé que apareceu.
Cito essa anedota para evocar a fantástica potência do mar (a água é oitocentas vezes mais densa que o ar). Um leitor me informa sobre os efeitos do tsunami que não foram mencionados nos meios de comunicação. A onda pode ter causado movimentos de sedimentos que poderiam ter obstruído as "crepines" submersas, através das quais a água do mar de refrigeração seria extraída. Os sistemas de emergência previstos, como água armazenada em grandes cisternas, poderiam ter sido inutilizados pelo impacto da onda. O mesmo aconteceria com instalações de emergência funcionando com grupos geradores.
No powerpoint acima, você pôde ver os danos que o tsunami poderia ter causado, impressionantes. Se os engenheiros japoneses tivessem projetado suas instalações levando em conta um risco sísmico, evidentemente não haviam considerado que a central poderia ser atingida por uma onda dessa intensidade. Mesmo que os prédios mais visíveis tenham resistido, o que dizer do restante da instalação, da sala das bombas, da sala de controle, do sistema de alimentação das bombas com potência elétrica? Basta que um desses elementos esteja danificado para que o ato de parar o reator, ou de refrigeração do núcleo por meio de um sistema de emergência, não possa ser implementado. Adicione, agravante, que no sistema japonês as barras de controle não podem cair por gravidade, mas devem ser levantadas!
Os reatores japoneses foram projetados para reagir à sismicidade. O tremor terrestre precedeu a chegada do tsunami. O epicentro estava a 140 km da costa e o tempo de propagação foi de 20 minutos, a onda percorreu essa distância a uma velocidade de 300 km/h. Os sistemas de segurança dos reatores, projetados para suportar tremores sísmicos de força 7, funcionaram corretamente sob o efeito de um tremor que atingiu a força 9? A estrutura destinada a assegurar o confinamento foi danificada, rachada?
As autoridades japonesas nos dizem que essas segurança funcionaram.
Atualmente (14 de março de 2011), não se conhece a natureza e a extensão dos danos sofridos pelos reatores japoneses. A situação parece piorar a cada hora. Uma falha no sistema de refrigeração pode fazer com que os elementos combustíveis, em vez de estarem banhados em água quente, fiquem cercados por vapor, cuja temperatura aumentará. Esse vapor se combinará com o metal que constitui as capas dos "canetas". Essa oxidação, que retira oxigênio, liberará grandes quantidades de hidrogênio e espalhará elementos radioativos no vapor. Falou-se nos dias anteriores sobre o envio de hidrogênio para refrigerar o núcleo. Parece que isso é falso. Quando esse hidrogênio começou a invadir o circuito único do reator a água fervente, os engenheiros tiveram que permitir que ele escapasse, para evitar que o próprio núcleo explodisse (...), se isso já não tivesse acontecido. Ao se combinar com o oxigênio do ar, isso causou essa explosão, que parece ter destruído o telhado de um dos prédios, o do reator número 1.
Falo da primeira explosão, a do sábado 12, o dia seguinte ao tsunami.
Os engenheiros japoneses chegaram a tentar controlar o aumento de temperatura do núcleo (dos núcleos dos três reatores) injetando ... água do mar diretamente, o que significava tornar essas unidades inutilizáveis, devido à corrosão.
O que ainda funciona nessas instalações? Bem difícil dizer, e é possível que os engenheiros japoneses também não saibam. Vimos que as barras de controle devem ser levantadas. Elas ainda podem ser levantadas agora? Se a resposta for não, será impossível reduzir o nível de atividade do reator. Além disso, a água do mar enviada ao núcleo sai carregando uma radioatividade que é devolvida às águas do Pacífico...
O erro principal foi:
-
Construir esses reatores junto ao mar
-
Subestimar a magnitude dos terremotos futuros (9 em vez de 7), ou seja, subestimar a potência destrutiva por um fator de 100.
Se os locais da central nuclear japonesa foram destruídos como os bairros da cidade de Sandaï, ou seu aeroporto, bom dia aos danos!
Não existe meio de se proteger de um tsunami dessa potência. Não se pode imaginar montar um reator nuclear e todas suas instalações sobre ... estacas. A solução seria alojar essas instalações acima do nível do mar, a uma altitude suficiente. Quinze metros seriam suficientes: uma simples colina. O Japão não carece disso: 71% do país é montanhoso. Mas nesse caso, ao considerar o uso da água do mar como refrigerante, teríamos perdido em rendimento, gastando potência para bombear essa água, com o forte débito necessário (dezesseis metros cúbicos por segundo).
Prever ....
Um especialista japonês em sismologia havia, em 2006, insistentemente enfatizado a necessidade de revisar as disposições relativas à resistência das centrais nucleares aos terremotos.
Crônica de uma catástrofe anunciada

O professor Ishibashi Katsuhiko
Sismólogo, professor no Centro de Pesquisa sobre Segurança Urbana da Universidade de Kobe
De qualquer forma, em um país sensível aos tsunamis, construir todas as centrais junto ao mar era total irresponsabilidade.
Reprise do segmento C
Fim do segmento C+, adicionado em 12 de abril de 20100
12 de abril de 2011
: Uma leitora, Turiya, fornece esta precisão, concernente às declarações feitas por este sismólogo japonês, em um artigo de 2007, que já havia mencionado nesta página anexa, intitulada "Crônica de uma catástrofe anunciada". Aqui está seu comentário:
No seu dossier, você escreve:
«
Os sistemas de segurança dos reatores, projetados para suportar tremores sísmicos de força 7, funcionaram corretamente sob o efeito de um tremor que se aproximava da força 9? A estrutura...
»
Mas no artigo de 2007 de Ishibashi Katsuhiko, ele diz que as centrais nucleares são previstas para suportar um terremoto de magnitude inferior (ele diz que os novos regulamentos exigem apenas 450
gal
, (o que deve corresponder a uma magnitude de 4 ± ?) e que eles deveriam consideravelmente aumentar suas normas:
Normas japonesas relativas às magnitudes sísmicas
« So the guidelines should require that a nuclear power plant, no matter where it is located, should be designed to withstand at least the ground acceleration caused by an earthquake of about a 7.3 magnitude, roughly 1000 gal.
In fact, however, the new guidelines require only about 450 gal. This figure should be raised substantially, and all existing nuclear power plants should be examined rigorously according to the revised criteria. ”
Então, afinal, as centrais japonesas deveriam ser capazes de suportar que magnitude?
Minha resposta (
12 de abril de 2011
) :
Na verdade, não sei!
Um engenheiro francês me disse que as centrais francesas foram projetadas para resistir a terremotos de magnitude 7 (o que deve ser verificado), e ele acrescentou "isso corresponde a uma aceleração horizontal de um g, e é a norma geralmente em vigor" (o que também deve ser verificado).
Então, deduzi que deveria ser o mesmo para as centrais japonesas, de forma totalmente gratuita! Um leitor pode nos esclarecer sobre este ponto &&&
Você também escreve: «De qualquer forma, em um país sensível aos tsunamis, construir todas as centrais junto ao mar era total irresponsabilidade.»
Na minha opinião, e sempre, construir centrais nucleares em si é total irresponsabilidade…)
Turiya
Ama pede, esta leitora me orientou para o conteúdo do artigo publicado em 2007 pelo professor Ichibashi, professor de sismologia na Universidade de Kobe.
Portanto, estou em condições de inserir um link para este documento.
Fonte:
http://www.japanfocus.org/-Ishibashi-Katsuhiko/2495
O artigo do professor Ishibashi
Katsuhiko
( em pdf e em inglês)
Se esta leitora, ou um leitor, puder traduzir todo este texto para o francês, será bem-vindo.
Início do segmento C+, adicionado em 12 de abril de 2011
As fotos satelitais, comparativas, mostrando o local, antes e depois:

16 de março de 2011
: Houve várias explosões. A primeira explodiu a parte superior do prédio que abriga o reator número 1. Esta parece devido à acumulação de hidrogênio produzido pela decomposição da água banhando os elementos do núcleo, o oxigênio tendo oxidado as capas metálicas dos "canetas", em zircônio. Os japoneses não podiam deixar a pressão subir no circuito fechado, interno, do reator, ou mesmo na estrutura de contenção. Eles, portanto, deixaram o hidrogênio subir e invadir o local situado acima do reator. Ao se misturar ao ar, tudo explodiu, destruindo o telhado desse local. Esta explosão causou a emissão de uma onda de choque, seguida da condensação do vapor de água produzido, o que é visível na vídeo.
A explosão do número 3 parece mais problemática:

O filme mostra que fragmentos de concreto de tamanho impressionante foram lançados a centenas de metros de altura.

O reator número 3 em construção, em 1970

:
Embaixo, no primeiro plano, o sino de aço fechando a estrutura de contenção. Os homens dão a escada

O recipiente do núcleo, em sua estrutura de contenção em forma de pêra.
C
A opinião de um leitor
:
Aqui está o esquema dos reatores de Fukushima, não há uma estrutura de contenção no sentido em que se entende este termo na França. Os BWR da General Electric japoneses, sejam assinados GE, Hitachi ou Toshiba, são construídos pela KAJIMA (o BOUYGUES japonês) no mesmo modelo, que evoca os VVR soviéticos, ou mesmo os RBMK de tipo Chernobyl: um grande monte de concreto com um hangar de chapa fina em cima.
No topo do bloco de concreto, há piscinas para armazenar os elementos combustíveis em MOX, os novos e os velhos, cerca de 20 anos de funcionamento, o que faz muitas megacurie. Também pode-se colocar nas piscinas a tampa do tanque, os parafusos (parafusos), e tudo o que emite radiação. Um grande guindaste está fixado no concreto, e serve especialmente para a manutenção das grandes lajes de concreto que selam o poço do tanque.
Claro, se o coração não estiver mais frio, as barras derreterão, reagirão com a água e formarão hidrogênio. Se o tanque estiver furado, o hidrogênio escapará passando sob a laje e se acumulará no hangar. Os descartes voluntários deveriam ser feitos pela chaminé da fábrica, é claro. Se o hidrogênio se acumulou sob o hangar, é evidentemente contra a vontade dos engenheiros, porque as tubulações de vapor estavam furadas, ou até mesmo o tanque.
A primeira explosão, no sábado, a do reator número 1, é certamente uma explosão de hidrogênio: poucos destroços, onda de choque bem visível, pouca poeira, algumas chapas voando: é uma explosão sob o hangar.
No reator 3, o acidente foi muito mais grave: acredito que o núcleo derreteu, perfurou o fundo do tanque de aço e se acumulou no fundo do poço de concreto do tanque.
Após uma longa queda, o CORIUM formou uma massa crítica. (chama-se "corium" a matéria do núcleo derretido, uma mistura de óxido de urânio, óxido de plutônio, produtos de fissão e aço e zircônio) Isso é chamado de "acidente de criticidade", ou "excursão nuclear" (uma pequena explosão nuclear, na verdade).
Acredito que a potência da explosão pulverizou o poço do tanque, e é fácil ver os grandes pedaços de concreto voando no ar nas filmagens. Note que o edifício do reator tem 46 metros de altura, o que dá a escala desses pedaços de concreto: o tamanho de um pequeno bunker da parede do Atlântico!
Faça uma pausa na imagem e meça com uma régua a altura máxima da nuvem de poeira e destroços: 300 metros! Olhe os pedaços de concreto e estime seu tamanho, sempre com uma régua. Você ainda acredita que a câmara de contenção está intacta?
Em relação a Chernobyl, o problema é que o combustível MOX contém cerca de dez vezes mais plutônio. O MOX é fabricado na França na fábrica MELOX localizada na cidade de Chusclan. Sua construção foi decidida pelo Sr. Jospin.
Os japoneses construíram sua fábrica de MOX, mas se eu me lembrar bem, parece que ela está temporariamente fechada (a verificar) desde que três operários acidentalmente misturaram produtos fissionáveis em um balde de tamanho excessivo, danificando suas células de forma irreparável devido aos nêutrons produzidos. É difícil dizer se o combustível contido no reator 3 de Fukushima foi produzido na França ou no Japão. Podemos confiar no Sr. Besson para nos esclarecer sobre esse ponto.
Não vamos nos gabar: no mesmo cenário, diante de uma explosão desse tipo, o concreto da câmara de contenção das centrais francesas não teria resistido melhor.
Por outro lado, nos EPR franceses, um sistema de "telha de crepe" de concreto refratário é suposto espalhar o corium para evitar qualquer criticidade, e resfriá-lo na forma de uma bela tábua radioativa.
Outras imagens desse tipo de reator BWR (Reator a Água Fervente)
.
De concepção americana. Um quarto do parque mundial. Potência: de 570 a 1300 megawatts.

Em azul, a "piscina" onde os elementos extraídos do reator, "parado", estavam armazenados, incluindo um lote de "canos", para serem substituídos.
Segundo um leitor, a parada de um reator não é imediata, mesmo se a subida das barras de controle interrompe as reações de fissão exoenergéticas. Essas fissões produzem elementos com certa duração de vida, que continuam, ao se decomporem, a produzir calor.
É por isso que é necessário continuar resfriando o núcleo de um reator "parado".
O leitor estima em 60 megawatts a potência térmica liberada assim. Assim, mesmo que um desses reatores estivesse "parado", a falha do sistema de resfriamento causada pelo impacto do tsunami criava um risco de fusão do núcleo. Era necessário manter o resfriamento do núcleo, custe o que custar. Sim, mas como?.

Descrição à
:
http://www.laradioactivite.com/fr/site/pages/Reacteurs_REB.htm
Um dossier, em inglês, sobre as medidas de segurança associadas a esse tipo de reatores
A temperatura do vapor é de aproximadamente 300°C e a pressão de 70 a 80 atmosferas. As barras de controle, introduzidas por baixo, são empurradas por cilindros hidráulicos, e, portanto, não podem cair verticalmente, por gravidade. Nesses reatores, é necessário controlar continuamente o nível da água em estado líquido. Isso é feito utilizando um reservatório de forma toroidal, localizado na parte inferior do dispositivo.
Entre a primeira câmara, cilíndrica, que envolve o núcleo e a segunda câmara de contenção, em forma de garrafa, encontra-se (em amarelo) um gás inerte (argônio). Uma precaução no caso de uma elevação de temperatura que causasse a produção de hidrogênio, após a dissociação da água, o oxigênio liberado combinando-se com as capas dos elementos combustíveis, em zircônio. Assim, o hidrogênio produzido, se diluindo em um gás quimicamente inerte, não poderia causar uma explosão (...).
Os dias e os meses passarão. Chegará a hora do balanço. É triste dizer, mas o fato de essa catástrofe ter ocorrido no Japão pode pesar sobre o desenvolvimento do nuclear no mundo e sua reorientação (ver mais adiante). Chernobyl foi há 25 anos. E a Ucrânia está longe, é grande. Não importa que uma região do tamanho da Provença tenha tido que ser evacuada por décadas e que milhares de pessoas tenham morrido, na época, e que tenham havido consequências da irradiação.
Se o acidente nuclear japonês tivesse ocorrido na Índia, ou na China, ou em um país do Leste, quem se importaria, mesmo que as mortes fossem contadas em centenas de milhares, mesmo que as regiões envenenadas fossem imensas.
A Índia, a China, os países do Leste, estão longe. E além disso, todo mundo sabe que essas pessoas fazem... qualquer coisa, é bem conhecido. Para que o mundo finalmente perceba a periculosidade do nuclear civil (não falemos do nuclear militar!), o que seria necessário? Que os japoneses tivessem um Chernobyl-bis, que um quarto de seu território, superpovoado, se tornasse inabitável por décadas, que ventos soprando para o oeste exigissem a evacuação imediata de Tóquio (a 250 quilômetros de distância) e dos habitantes das redondezas, o que representa 30 milhões de pessoas? Que a pesca nas águas japonesas se tornasse problemática, devido às quedas na água, em uma área costeira?
Em seis meses, "tudo voltará ao normal". "O Japão curará suas feridas", dirão.
Qual mídia levantou a questão principal: a periculosidade da instalação de centrais nucleares na beira do mar, como todas elas, o que as torna vulneráveis aos tsunamis. Mas se essas instalações foram erros, o que dizer do custo de sua relocalização em uma simples colina? O que dizer do custo das modificações a serem feitas nos edifícios para que resistam não a terremotos de força 7, mas a terremotos de força 9!
Não há risco zero....
Por trás desse fato, há a negligência das pessoas que gerenciam o destino dos homens, a irresponsabilidade dos cientistas, a incompetência dos políticos, dos tomadores de decisão, a ganância das forças do dinheiro, a visão curta. Diante disso, o irrealismo angélico dos ecologistas que imaginam que o solar, ou "economias", a "decrescida" vão resolver tudo. Vou lhes dizer uma coisa. Há dois meses, o local adjacente à minha casa, que contém o tanque de aquagym pelo qual pude sair da cadeira de rodas, me tirar sozinho do problema, pegou fogo, devido a um curto-circuito. Nas paredes: um revestimento de material plástico, com mais de trinta anos. O CES de Pailleron, localizado no 19º arrondissement de Paris, onde vinte crianças morreram em algumas dezenas de minutos, o clube noturno 5 à 7, em Saint Laurent du Pont, na Isère, 180 mortos, não lhe diz nada?
Esse revestimento não é ignífugo. Mas seu comportamento diante de um incêndio inicial é terrível. Submetido a um simples radiação, esse material se decompõe em partículas escuras, formando uma mistura tóxica, rapidamente asfixiante, para quem se encontrar impossibilitado de sair do local o mais rápido possível. Mas essa poeira, misturando-se ao ar, pode então incendiar-se de repente. Vi em uma dúzia de minutos surgir do meu local, localizado no térreo, chamas de 2 metros. Pude apagar esse incêndio, que se tornou imediatamente violento, usando a mangueira de jardim e pulverizando gotículas finas no topo das chamas, caso contrário a casa teria sido destruída. Sua rápida vaporização resfriou o fogo, que desapareceu em um minuto. Deixei algumas mechas de cabelo.
Um conselho: se sua casa ou apartamento contém revestimentos de isolamento térmico ou acústico desse tipo, substitua-os imediatamente por elementos modernos, não inflamáveis.
O local foi restaurado. Ao passar, fiz um painel solar de um metro quadrado e meio, instalado verticalmente na parede sul, embutido, disfarçado de janela falsa. Meu tanque, também isolado como uma geladeira de camping, por um revestimento de poliuretano de 8 cm de espessura, revestido com resina de poliéster e gel coat, e coberto com placas da mesma natureza, mantém uma temperatura constante de 32 graus com apenas 175 watts. Poderei manter essa temperatura com meu coletor solar (uma caixa de madeira, uma placa de chapa de 1,5 mm, um serpente de cobre, uma placa de vidro duplo de 4-6-4 e um circulador). Mas isso significa que poderei, graças a isso, aquecer minha casa, cozinhar, etc....
?
Quando nossos bons ecologistas apelam para as "novas energias", os industriais sorriem. Como alimentar as instalações industriais, fazer circular os TGV, fabricar alumínio, etc.?
Ver mais adiante
Isso dito, todos os países que se equiparam fortemente com centrais nucleares começam a se questionar. Na França, três quartos da eletricidade consumida é de origem nuclear. Não estamos em falta em termos de imprudência. Se as centrais japonesas têm 40 anos, a de Fessenheim, com 33 anos de idade, não possui uma dupla câmara de contenção. Não resistiria a um terremoto. Quando o Super-Phoenix foi construído, o teto da sala que abrigava o sistema de bomba do fluido refrigerante desmoronou em 8 de dezembro de 1990 ... sob o peso da neve!
Ninguém havia considerado essa possibilidade. Sim, na Isère, às vezes neva....
Na França, temos essa absurda chamada ITER, simples "plano social" e férias de sonho para milhares de engenheiros e técnicos, conscientes e cúmplices, que poderão, antes de aposentarem-se, admitir que "sim, foi um erro ..."
.
Mas o que é extraordinário é que dois cientistas renomados, Balibar e nosso prêmio Nobel Charpak, recentemente falecido, ao mesmo tempo que denunciavam esse projeto arrasador, atingindo o número faraônico de 1500 bilhões de euros, militavam pela retomada do projeto nuclear civil mais perigoso que o homem já imaginou até hoje:
o reator rápido de nêutrons.

Georges Charpak
, prêmio Nobel, falecido em 29 de setembro de 2010
Ele defendia, pouco antes de sua morte, com Balibar, a instalação de reatores rápidos de nêutrons

!
Superphénix, reator rápido de nêutrons de Creys Malville
(Golpe financeiro, interrompido em 1998, em processo de desmontagem)
Em 8 de dezembro de 1990, o teto da sala de bomba do reator, mal calculado, desmoronou sob o peso da neve. Os projetistas da instalação tinham esquecido que, na Isère, às vezes, nevava.
Para compreender o princípio geral, consulte minha tirinha onde tudo isso está explicado. As reações de fissão produzem nêutrons. Se essa produção ocorre em um ambiente aquoso (reator a água pressurizada), essa água desempenha o papel de moderador,
reduz
esses nêutrons.
Se conseguirmos que esses nêutrons não sejam reduzidos, eles poderão provocar uma transmutação do urânio 238 (não fissionável) em plutônio 239 (fissionável, que não existe na natureza). É assim que em reatores militares produzimos o explosivo das bombas de fissão. Associamos a um reator de nêutrons rápidos uma cobertura fértil, em U 238, que se transforma ao longo do tempo em Pu 239.
Podemos transferir esse esquema para os reatores civis, com um perigo de uso considerável. O fluido refrigerante não pode mais ser água pressurizada, que reduz os nêutrons. Devemos então optar por um sistema onde o calor produzido pela fissão é extraído no núcleo, fazendo circular sódio fundido a 550°C (a 880°C, entra em ebulição). Esse não reduz os nêutrons. Mas, liberado, ele se inflama espontaneamente no ar.
Nesse tipo de reatores, chamados
reatores rápidos
, usamos a fissão de plutônio. Em um reator rápido como o Superphénix (que supostamente renascerá das cinzas...), um funcionamento que representa uma consumo anual de quase uma tonelada de plutônio (contra 27 toneladas de urânio, com potência equivalente). Os nêutrons emitidos por essas reações de fissão poderiam transformar uma cobertura em U 238 em Pu 239.
O urânio 238 é o resíduo do reprocessamento nuclear realizado em La Hague. É, de certa forma, a "cinza" de um funcionamento com urânio, onde é o isótopo 235 que é consumido. Não é por acaso que a França se afirmou como campeã do "reprocessamento", que consiste em recuperar essa fração da "cinza" que pode ser reutilizada nos reatores rápidos de nêutrons. Uma política de longo prazo, visando "garantir nossa independência energética", infelizmente ... suicida.

O reator rápido de nêutrons.
Em amarelo, 5000 toneladas de sódio fundido, aquecidas a 550°C.
Se inflama espontaneamente ao contato com o ar e explode ao contato com a água (em caso de incêndio de uma massa de sódio, as últimas pessoas a ligar são ... os bombeiros!).
No núcleo, em vermelho, os elementos combustíveis, em plutônio. Ao redor, em rosa, os elementos "férteis", em urânio 238, que a irradiação de nêutrons transforma em plutônio 239. À direita o sistema de trocador, turbina a gás e contato com a "fonte fria".
De um ponto de vista, poderíamos dizer que o reator rápido funcionaria em "queimando as cinzas provenientes dos reatores funcionando com urânio 235". Como a França é muito rica em "cinzas", devido ao funcionamento de seus reatores a urânio, e dos serviços que oferece aos países vizinhos em termos de reprocessamento, ela assim alcançaria uma independência completa em termos de combustível fissionável.
O problema é
a extrema periculosidade do funcionamento de um reator desse tipo
. Seu núcleo está a 550° em vez de 300°. O uso do sódio fundido como fluido refrigerante representa um risco significativo de incêndio, em caso de contato com o ar. Adicione a extrema radiotoxicidade do
plutônio
. Um décimo de miligrama de plutônio, inalado e fixado nos pulmões, é suficiente para causar um tumor canceroso com probabilidade de 100%. Faça o cálculo. Carregado com uma tonelada de plutônio, um reator rápido contém uma quantidade suficiente desse veneno para matar dez bilhões de seres humanos.
Qualquer incidente significativo em um reator rápido poderia causar dez milhões de vítimas.
Não dez milhões de irradiados, mas dez milhões de mortos
Recomendar uma evolução do nuclear francês para a fórmula dos reatores rápidos de nêutrons e da total irresponsabilidade. Que essa recomendação venha de um político incompetente, poderia ser compreendido. É surpreendente que tenha sido emitida por um prêmio Nobel de física, que está a dois dedos de passar a arma para a outra mão.
Mas, na França, um reator desse tipo está novamente em estudo.
Observação simples: a França, assim como outros países, incluindo especialmente o Japão, usa como combustível fissionável, em 20 de seus reatores, uma mistura chamada MOX. É uma mistura de dois componentes. 6 a 7% de plutônio, diluído em 93% de urânio 238, não fissionável. Onde houver plutônio, a situação não é tranquila (por exemplo, no Japão.....).
24/3/11 :
O que é o MOX?
O urânio no estado natural apresenta-se na forma de óxido. Dois isótopos estão presentes - O U238, em 99,3%, não
fissionável
mas
fértil
- O U235, com teor de 0,7%,
fissionável
Para poder usar esse minério natural como combustível, é necessário dispor do moderador de nêutrons (moderador) mais eficaz: a água pesada, molécula de água composta a partir de um isótopo de hidrogênio, o deutério. Daí essa famosa "batalha da água pesada", durante a qual um comando foi destruir uma fábrica de separação isotópica localizada na Noruega, possuindo um estoque de água pesada que poderia ter sido usada pelos nazistas. O mesmo aconteceu com o acolhimento da água pesada francesa por Joliot Curie, no momento da derrocada francesa, em 1940. Esses reatores existem, no Canadá. Eles são chamados CANDU, de CANada Deutérium Uranium. Esses reatores não podem usar essa água pesada como fluido refrigerante. Há automaticamente dois conjuntos. Um circuito que retira a energia térmica e um conjunto de tubulações preenchidas com o moderador água pesada.
Daí o nome "Reatores a Água Leve" (a água pressurizada, ou "fermentada"), em oposição a esses (raramente) reatores contendo água pesada.
Fora dos reatores que usam a água pesada como moderador, será necessário realizar um enriquecimento prévio do minério de urânio, que começa, a partir do óxido, por transformá-lo em hexafluoreto de urânio.
U F 6
na forma gasosa, que é enriquecido por centrifugação, em 3 a 6% de U235. Então, realizando montagens concentrando uma massa da ordem de centenas de toneladas, essa carga pode "divergir", ou seja, tornar-se o local de reações em cadeia, produtoras de energia.
Se usarmos um combustível nuclear de baixo teor de enriquecimento, o reator terá que ser mais volumoso. Ao longo dos anos, os engenheiros do nuclear progrediram na concepção dos núcleos. De fato, em um núcleo cilíndrico, a taxa de reação de fissão será mais alta nos elementos situados perto do centro. Jogou-se com a permutação das montagens situadas perto do eixo pelos da periferia. Também jogou-se com uma distribuição não homogênea de elementos moderadores, reduzindo a taxa de reatividade no centro, de forma a ter um esgotamento homogêneo da carga dos reatores. Também usamos refletores de nêutrons, todas essas técnicas permitindo trabalhar com taxas de enriquecimento mais baixas, portanto a menor custo.
Os reatores de uso militar, como os dos submarinos e porta-aviões, exigem maior compactação e usarão urânio com um teor de enriquecimento mais alto
.
Diz-se que com taxas de 3 a 20% de U235, permanecemos no urânio civil
De 20% a 90% é mais, entramos no domínio do urânio de qualidade militar. Com altos percentuais, a fabricação de bombas de urânio é possível.
Mas, em regra geral, as bombas A são feitas com plutônio, que requer uma massa crítica mais baixa. Um urânio que é fabricado deixando os nêutrons rápidos escapar e bombardear uma cobertura fértil de U 238, segundo a reação:
U238 + nêutron dá PU239
Não há, portanto, uma fronteira clara separando o nuclear civil do nuclear militar. Se reduzirmos a moderação de um reator civil, ele pode se tornar plutonígeno, fornecendo, no final, plutônio para fazer bombas de fissão. Ver minha tirinha "Energéticamente seu", disponível gratuitamente no
site de Savoir sans Frontières
. Destacamos, por sinal, que em um funcionamento normal de um reator civil há produção de um pouco de plutônio, pois o moderador, embora reduza a quantidade de nêutrons rápidos produzidos, não pode eliminá-los totalmente. Esse plutônio, misturado ao urânio, faz parte dos "resíduos" provenientes de uma exploração civil.
Voltemos ao combustível. O enriquecimento desse urânio é realizado na França no centro de Tricastin. Consumindo a energia elétrica produzida por três centrais nucleares instaladas no local (é o maior "cliente" da EDF na França), esse centro realiza essa operação de enriquecimento a partir do minério de urânio natural, que contém apenas 0,7% de U
235
. O enriquecimento isotópico é obtido principalmente por uma cascata de centrífugas. Ao final da operação, obtemos
- Urânio enriquecido, com 3 a 6% de U
235
- O resíduo sendo urânio "enfraquecido", contendo de 0,2 a 0,3% de U
235
, que será usado para fazer cabeças perfurantes para projéteis.
Ver a esse respeito o dossier de Jean-Luc Piova
Peguemos o caso dos reatores mais comuns, os do parque francês, os REP, os Reatores a Água Pressurizada. Carregamos com um combustível contendo 3% de U
235
. Durante o funcionamento do reator, que é da ordem de um ano, a composição do combustível evolui ao longo do tempo. Há produção de plutônio Pu
239
, mais diferentes resíduos de fissão, inexploráveis. O percentual de U
235
diminui com o tempo. Quando esse taxa cai para 1% esse combustível se torna inutilizável. A densidade de matéria fissionável torna-se então muito baixa. É necessário proceder à sua substituição. Ao passo, uma certa quantidade de plutônio foi produzida, por captura de um nêutron. Mas esse plutônio não se presta à participação na produção de energia por fissão nesse regime de funcionamento com nêutrons reduzidos pela água, que desempenha ao mesmo tempo o papel de
fluido refrigerante
e de
moderador
, ou seja, de redutor de nêutrons, que são emitidos a 20 km/s e devem cair a 2 km/s para provocar fissões induzidas no U
235
.
Ao final desse funcionamento, duas opções. Ou armazenamos tal qual o conteúdo do carregamento do reator "considerado queimado", que, no entanto, contém 1% de U
235
e 1% de Plutônio.
Ou "reprocessamos" tudo isso em uma fábrica de reprocessamento (La Hague) onde separamos os resíduos radioativos, inutilizáveis, que armazenamos em blocos vitrificados, recuperando o Pu
239
, puro, por via química, com o qual fabricaremos o combustível MOX:
93% de urânio 238 7% de Plutônio
pelo qual agora fará funcionar os reatores por fissão do plutônio, este sendo recuperado a partir dos resíduos.
Abaixo, o maravilhoso mundo da energia elétrica, documento AREVA :

Isso faz décadas que os franceses decidiram jogar a carta dos "reatores de quarta geração", ou seja, dos reatores rápidos de nêutrons, como o Superphénix. Ler em textos do CEA que a questão não é se passaremos para esse formato,
mas quando tomaremos a decisão de substituir o parque de reatores a urânio pelos reatores rápidos, que serão então "desenvolvidos" no território francês.
Mas o reator rápido Superphénix, que era um protótipo desses "reatores de quarta geração", nos deu um belo susto em 1990. O teto do hangar onde as turbinas estavam abrigadas desmoronou sob o peso da neve!
Sorte, naquele dia, o reator estava parado
Senão teríamos tido uma bela catástrofe.
Isso provocou uma onda de protestos e esse reator foi desligado. Na verdade, como pode ser visto nos discursos de Balibar e do falecido Charpak, essa ideia estava sempre presente, e eles simplesmente desejavam "que o projeto retomasse seu curso".
"Barões do átomo" (politécnicos, do "corpo dos minas", em 100%, constituindo parte dessa imensa máfia francesa) encontraram "a solução": substituir o perigoso sódio, como fluido refrigerante, por ... chumbo fundido.
Tenho o que é necessário para fazer um dossier sobre Chernobyl, lembrando tudo o que aconteceu. O uso de chumbo fundido não afasta o perigo inerente à tonelada de plutônio contida nesses reatores rápidos. Se fosse só isso, uma catástrofe nuclear espalharia chumbo vaporizado, depois condensado em partículas, sobre um vasto território. Temperatura de vaporização 1750°C, rapidamente atingida em caso de acidente nuclear (como aconteceu em Chernobyl).
Além da contaminação pelo plutônio (vida útil de 24.000 anos), você teria uma contaminação pelo chumbo ( saturnismo). Adicione que, rapidamente, os vermes enterram a terra superficial até 20 cm de profundidade. A descontaminação é então impossível.
Para completar esse quadro apocalíptico, adicionemos que o urânio "enfraquecido" (com 0,3% de U235 em vez de 0,7 no minério natural) constitui um resíduo que é reutilizado para fazer projéteis combinando alta densidade e alto poder de perfuração. Após impacto, o urânio é vaporizado, transformado em partículas finas que podem ser inaladas pelo "inimigo", poluir seu solo e criar mutações genéticas em sua descendência criando monstros (Iraque), isso para "punir" o inimigo.
Ver esse dossier montado por Jean-Luc Piova
Enquanto o desdobramento dos reatores rápidos não ocorre, nossa indústria nuclear encontrou uma solução intermediária criando o
Mox
, usando a produção da fábrica de La Hague. Podemos, portanto, criar (e vender) um novo combustível nuclear, mistura de U
238
, de U
235
e de 6 a 7% de plutônio. Tudo isso funcionando nos reatores clássicos, a água pressurizada ou a água fervente (como o reator número 3 de Fukushima). Pequeno detalhe:
o núcleo contém agora plutônio,
e se um acidente nuclear ocorrer agora, não será iodo, césio ou a gama de sujeiras radioativas com durações de vida mais ou menos longas que seriam enviadas para a natureza, mas plutônio.
O plutônio tem uma vida útil de 24.000 anos, que podemos considerar como infinita.
Se um dia um acidente poluir uma região com plutônio, essa poluição será irremediável.
25 de março de 2011
: Duas observações sobre os reatores cujo fluido refrigerante é água. Há sempre
radiólise
, continuamente, ou seja, dissociação das moléculas de água sob o efeito da radiação. Essa radiólise pode se somar à dissociação da molécula de água, em torno de 1000°C. Em Chernobyl, houve bloqueio dos circuitos de refrigeração, em baixo regime, por "envenenamento pelo Xénon135". Esse gás, quimicamente inerte, é um produto de fissão. Em regime normal, ele é degradado pelo fluxo de nêutrons, em Césio, acredito. Mas se o reator estiver em regime muito baixo, o fluxo de nêutrons cai e essa transmutação do Xénon não pode mais ser realizada. Bolhas se formam, bloqueiam a circulação de água, do fluido refrigerante, e o núcleo deixa de ser refrigerado. A elevação da temperatura deformou os tubos guia das barras de controle, cuja velocidade de descida era lenta (20 segundos). Essa descida não pôde ser realizada. Tudo aconteceu muito rapidamente. A água foi dissociada em uma mistura gasosa em proporção estequiométrica, explosiva. Quando uma certa quantidade dessa mistura se acumulou, ela explodiu, impulsionando a tampa de concreto do reator para cima. Uma massa de 1200 toneladas, que caindo a 45°, quebrou o reator, ou seja, o bloco de grafite moderador e os conjuntos. Nenhuma circulação refrigerante mais atuando, a temperatura continuou a subir. Houve fusão de todo o núcleo, que formou uma massa de magma no fundo do reator, sem câmara de contenção. Essa massa continuou a liberar calor, mantendo a combustão do grafite. As fumaças partiram, levando consigo todos os poluentes radioativos. Ao mesmo tempo, a radiação emitida pelo núcleo era tão forte que ionizava o ar acima do reator, formando um feixe luminoso, bem visível à noite.
Adquiri os planos completos do reator japonês e os estudo. O fundo do tanque, evidentemente côncavo, se presta muito bem ao eventual acúmulo de matéria fundida. Além disso, as barras de controle são empurradas para cima por parafusos sem-fim motorizados eletricamente. Assim, o fundo inferior do reator é estruturado como uma peneira. Os leitores insistem em me dizer "mas por que não colocar essas barras em cima, como em outros reatores?". É impossível no reator a água fervente. A parte superior está imersa no vapor e o espaço disponível está ocupado por sistemas de secagem do vapor. Estou traduzindo o plano da instalação, as legendas em inglês.
Esse sistema de "desligamento" do reator funcionou para o reator número 3? Surpreende-se com a violência da explosão. Haveria havido radiólise de uma massa de água importante, depois explosão, não apenas no local de chapa situado acima do reator, como no caso do número 1, mas em partes profundas do sistema, o que teria causado o envio de massas importantes de concreto, fracturadas
O manual insiste sobre a autostabilidade da instalação, ou seja, sobre o fato de que, nesses reatores a água, se uma "reatividade" anormal se manifestar, se o núcleo lançar muitos nêutrons, isso causará o aquecimento da água, e sua dilatação. Esse efeito é então suficiente para atenuar
a ação moderadora
dessa água (reduzindo o frenagem dos nêutrons). Há então redução do número de nêutrons lentos, portanto diminuição de atividade no núcleo, pois sabemos que as fissões do urânio ocorrem mais facilmente com nêutrons lentos do que com nêutrons rápidos.
Seguem páginas de esquemas mostrando todos os dispositivos de emergência.
Falta um capítulo intitulado:
O que fazer em caso de terremoto e tsunamis?
Acho que falta.
A segunda observação refere-se ao envelhecimento das instalações nucleares. A radiação fragiliza o aço do tanque, com o tempo. Quando se estima que este tanque já não pode suportar a pressão, estima-se que o reator chegou ao fim de sua vida.
B
26 de março de 2011:
Um leitor, do CEA, me envia o relatório (diário) do Instituto de Proteção Radiológica e Segurança Nuclear, francês (IRSN), especificando "aqui estão as verdadeiras informações sobre o estado do site de Fukushima".
Este fato parece menos otimista do que o dado pelo engenheiro francês que vive no local, comentando as informações fornecidas pelos serviços oficiais japoneses.
O relatório do IRSN de 25 de março de 2011.
Excertos:
IRSN
Instituto de Proteção Radiológica
e Segurança Nuclear
Nota de informação
Situação das instalações nucleares no Japão após o terremoto
grande ocorrido em 11 de março de 2011
Situação do dia 25 de março às 08h00
Estado dos reatores
O IRSN permanece fortemente preocupado com a situação atual dos reatores nº 1, 2 e 3
(risco de falha de alguns equipamentos devido à presença massiva de sal nos tanques e nas cápsulas, ausência de sistema duradouro capaz de evacuar a potência residual ...). Esta precariedade deverá durar semanas ou meses devido à dificuldade
O IRSN está analisando
os cenários de agravamento possível da situação,
notadamente os cenários possíveis
em caso de ruptura do tanque do reator nº 3
. Será difícil demonstrar a realidade de um cenário como esse, mas o impacto em termos de emissões radioativas no ambiente está
em análise.
Reator nº 1
A vazão de injeção de água do mar no tanque foi ajustada (10 m3/h) para controlar a temperatura acima do núcleo. Esta vazão deve permitir a evacuação da potência residual. A pressão medida na cápsula de contenção se estabilizou. Não deve haver necessidade de despressurizar esta cápsula a curto prazo.
Reator nº 2
A injeção de água do mar no tanque é mantida para garantir o resfriamento do núcleo, que permanece no entanto parcialmente desprovido de água. A cápsula de contenção pode estar danificada. A situação não evoluiu e as operações de despressurização da cápsula de contenção não são mais necessárias atualmente. A sala de controle deve ser reabastecida com eletricidade hoje.
Reator nº 3
A injeção de água do mar no tanque seria mantida para garantir o resfriamento do núcleo, que permanece no entanto parcialmente desprovido de água.
A cápsula de contenção não parece mais hermética segundo as indicações de pressão; esta perda de hermetismo seria a causa de emissões radioativas "contínuas" não filtradas no ambiente.
Os desprendimentos de fumaça constatados no dia 23 de março cessaram. O IRSN analisa as causas potenciais de falha na contenção do reator nº 3.
Uma das hipóteses analisadas pelo IRSN refere-se à possibilidade de uma ruptura do tanque seguida de uma interação entre o corium (mistura de combustível e metais fundidos) e o concreto no fundo da cápsula de contenção.
O impacto em termos de emissão no ambiente está em análise.
Três operadores foram contaminados no dia 24 de março no prédio da turbina do reator nº 3.
Os trabalhos de verificação dos equipamentos foram interrompidos. Estes trabalhos visam restabelecer o abastecimento do reator com água doce.
Reator nº 4
O núcleo deste reator não contém combustível.
Reatores nº 5 e 6
Os reatores estão corretamente refrigerados (núcleo e conjuntos em piscina de desativação).
Pode-se ler que o problema dos engenheiros japoneses é que o sal trazido pelo resfriamento com água do mar não bloqueie válvulas elétricas, que só podem ser controladas à distância. Um defeito desse tipo poderia ter consequências imprevisíveis e seu preocupação é poder voltar o mais rápido possível para um resfriamento com água doce.
Então, qual é a solução? ....
Tenho informações "quentes" para comunicar sobre a Z-machine, que são de primeira mão, pois as recolhi em dois congressos internacionais, Vilnius 2008 e Jeju, Coreia, outubro de 2010) e junto com Malcom Haines. Nexus aceitou publicar o artigo, que sairá em seu próximo número. Essas informações multiplicarão conjuntamente os esperanças e os temores relacionados a esta nova tecnologia das altas temperaturas. Sem revelar o assunto (o artigo será rápido de redigir):
Os americanos realmente obtiveram 3,7 bilhões de graus em 2005 na Z-machine da Sandia. Optando pelas aplicações militares em primeiro lugar (bombas de fusão pura), eles desinformam em todos os lugares. Com ZR a intensidade passou de 17 a 26 milhões de ampères e as performances do equipamento são agora mantidas em segredo.
Ir para o início desta página dedicada à catástrofe nuclear japonesa
20 de março de 2011
: Deve-se manter um folhetim sobre este acidente japonês? Há tantos outros assuntos catastróficos na Terra que não sabemos mais onde dar a pluma. O que se pode dizer é que esta catástrofe é mais uma vez devido à estupidez humana: construir reatores nucleares na beira do mar (o que é o caso de todos os reatores japoneses) em um país periodicamente devastado por tsunamis. Além disso, construir reatores baratos, para se meter o máximo de ienes no bolso. Ignorar as recomendações dos especialistas em sismologia, que pediam para aumentar as medidas de segurança contra terremotos.
Imprudência.
Os japoneses nos surpreendem com os notáveis progressos de sua robótica. No Japão, robôs sabem andar de bicicleta, falar, sorrir. Criam robôs humanoides com bela aparência, que talvez um dia sejam vendidos, como cães artificiais ou garotas eletrônicas de companhia, aos cidadãos solitários. Isso lembra um capítulo do livro de Ray Bradbury "Crônicas Marcianas", que o encorajo a ler ou reler.
Mas, no Japão, ninguém investiu em robôs de segurança, capazes de escalar escombros, mas principalmente dotados de eletrônica blindada com chumbo, capazes de resistir ao intenso fluxo de radiação. Tiveram que trazê-los do exterior.
Tivemos a oportunidade de ver um dos responsáveis por esta tragédia criminosa, "abatido pela emoção", derramar lágrimas de crocodilo (mas ele não teria chegado a se sentar ao lado dos condutores dos veículos que, para tentar resfriar os reatores, se aproximam perigosamente). No Japão, os responsáveis políticos ou os atores econômicos que arruinaram centenas de milhares de pessoas decentes vêm periodicamente, nos meios de comunicação, apresentar desculpas públicas. O responsável por uma catástrofe nuclear derrama algumas lágrimas. Isso substitui o clássico Seppuku, o suicídio com arma branca.
Este vídeo animado nos mostra a disposição dos resíduos provenientes da exploração de um reator a água fervente, estes sendo manipulados remotamente e armazenados em um tanque cheio de água, esta servindo como escudo, absorvendo as radiações.
Você deve entender uma coisa. Na indústria nuclear, os produtos da atividade de produção de eletricidade, resíduos altamente radioativos e perigosos de manipular, são simplesmente armazenados
próximos ao reator
, em simples piscinas. A água é suficiente para fazer tela às diferentes radiações. Isso só será possível posteriormente que esses resíduos possam ser transportados para "centros de reprocessamento" como o da Hague, para extrair o combustível futuro dos ... reatores de nêutrons rápidos. Esses resíduos
não são em absoluto inertes
e constituem um material tão perigoso quanto o conteúdo do próprio reator.

.
A "piscina" de armazenamento dos elementos usados.
Ela se encontra próximo ao reator, por razões de manipulação.
Um zoom no desses "conjuntos" que reúnem os "canos":

Cada elemento paralelepípedo, que termina com um anel de manipulação, é um "conjunto"
Ao aumentar o zoom um pouco mais, detalhamos os "canos", que constituem os "conjuntos". São tubos de zircônio (também chamados de "gines"), preenchidos com "pastilhas de combustível": óxidos de urânio ou, no caso do "MOX", mistura de óxido de urânio e óxido de plutônio. Se a água na qual esses conjuntos estão imersos evapora, o calor residual liberado por esses conjuntos, em fileiras compactas, é suficiente para danificar rapidamente os tubos de zircônio e permitir que as pastilhas escapem e se acumulem no fundo da piscina. A menos que um fenômeno explosivo espalhe esses produtos ao redor do reator.

60 "canos" por "conjunto" nos reatores japoneses V
aqui está a fonte do que vai seguir:
http://allthingsnuclear.org/tagged/Japan_nuclear

O tanque (aqui, aberto) e a "piscina" estão conectados por portas,
servindo de esgotos
Periódicamente "o reator é desligado". As barras de controle são
levantadas
, reduzindo sua atividade ao mínimo, mas não a zero, pois os produtos de fissão continuam a evoluir, a se decompor liberando calor (60 megawatts, um décimo da potência nominal em regime de funcionamento). A comporta isolando a parte superior do reator com a piscina de armazenamento está aberta. A água invade todo o espaço disponível. A manipulação dos conjuntos é então realizada
na água
, com o uso do guindaste e do braço telescópico, seja para a remoção de conjuntos "usados" ou para substituí-los por conjuntos "novos". De qualquer forma, a menos que uma filial de reprocessamento estilo a da Hague assuma o papel, os "conjuntos usados" serão armazenados na piscina adjacente, onde continuarão a aquecer a água da "piscina de armazenamento de elementos consumidos e transição para a entrada de elementos novos".

Manipulação dos conjuntos, sob uma cobertura de água, servindo de escudo contra as radiações V
aqui está uma foto mostrando uma tal manipulação, tirada em um reator instalado nos Estados Unidos, na usina Brown Ferry, na Alabama.

Transferência de um conjunto usado para a piscina de armazenamento (Alabama)
A palavra "cattle chute" foi escolhida por causa da semelhança entre esses guindastes e os passagens que levam os bovinos para o local onde serão abatidos.
A foto foi tirada pelo operador do guindaste. Sob seus pés: a água que o protege das radiações.
A alguns metros abaixo, distingue-se claramente a luz azulada correspondente ao efeito sobre a água das radiações emitidas pelos elementos combustíveis "usados". Pode-se ver que não está em absoluto inerte !!!

Aqui uma outra foto de uma piscina de armazenamento para reator americano (Alabama), vazia, antes do uso.
Há décadas, eu tinha visitado um reator de piscina experimental Pégase instalado em Cadarache. Olhando através dessa água, clara, via-se "toda a interioridade do reator", cercada por uma luz azulada, situada dez metros mais abaixo. Era ver a morte de frente, o veneno nuclear de perto. As partículas emitidas eram a uma velocidade que não era superior à velocidade da luz, no vácuo, mas superior a essa velocidade
na água
, que é de apenas 200.000 km/s. A relação 200.000/300.000 = 1,5 corresponde a
o índice de refração
da água. As partículas eram, portanto, emitidas "a velocidade supersônica" em relação à velocidade da luz no meio e podia-se ver claramente coisas que pareciam "ondas de choque", o que corresponde ao que se chama
efeito Cerenkov
. Em um meio diferente do vácuo, o tempo de propagação da luz é alongado devido ao tempo de absorção-emissão dos fótons pelos átomos ou moléculas. Mas entre dois átomos, os fótons se deslocam a 300.000 km/s.

PEGASE (35 megawatts térmicos), reator de pesquisa e ensaios, divergência em Cadarache em 1963, é uma pilha onde são realizados ensaios de combustíveis para pilhas refrigeradas a gás.
A piscina do reator Pégase foi convertida em 1980 para armazenar 2.703 contêineres fechando 64 kg de plutônio.
Aqui estão as fontes do que vai seguir:
http://www3.nhk.or.jp/news/genpatsu-fukushima
http://allthingsnuclear.org/tagged/Japan_nuclear

Cada elemento do conjunto (ver acima) pesa 170 kg e contém 60 "canos". A piscina de armazenamento do reator 3 continha tantas barras "usadas, mas altamente tóxicas" quanto ... seu núcleo.
Abaixo uma imagem divulgada pela rede japonesa NHK, indicando que o aspersão (com água do mar) deve ser feita a 22 metros de altura.

A aspersão dos reatores japoneses requer enviar a água (de
mar) a 22 metros de altura (fonte: televisão japonesa NHK).

.
A vara de aspersão, fixada em um veículo móvel

Teste dessa vara de aspersão
22 de março de 2011
: Como informado por um leitor, isso parece ser uma vara de descarga de concreto à distância, como indica esta imagem que ele me enviou (e eu o agradeço no passo) :

Realmente, à esquerda, o caminhão transportador de concreto, com seu misturador girando.
Na frente, uma grande placa sobre a qual a vara articulada pôde permitir a disposição desse concreto de forma regular.
Claro, pode-se usar uma vara como essa para depositar água a 22 metros de altura, onde o resfriamento pode ser mais eficaz. Se fosse para submergir o reator com cimento, isso seria muito mais grave. Isso significaria que os órgãos de resfriamento dos reatores, ou de um deles, teriam sido destruídos.
Esperemos...
Não podemos fazer outra coisa senão esperar, para os japoneses, que a situação não seja tão crítica quanto parece no front nuclear (modulo o fato de que as vítimas do tsunami chegam a mais de vinte mil até hoje).
Mas, apesar disso, esses eventos nos colocam bruscamente em contato com os perigos do nuclear.
21 de março de 2011
: Coloquei esta informação na data em que apareceu no site do jornal Ouest-France. Mas ela só me foi sinalizada por um leitor no dia 26 de abril, mais de um mês depois.
Fonte
:
Poderia ser titulado
:
A FIERTE DOS JAPONESES
De fato, os imbecis e irresponsáveis da TEPCO de fato recusaram uma oferta feita pelos franceses de lhes enviar robôs capazes de intervir em um local onde reina uma forte radioatividade.

As autoridades japonesas recusaram a oferta francesa de envio de robôs especializados para intervir na usina nuclear acidentada de Fukushima, julgando esses equipamentos "inadaptados" à situação, informou na segunda-feira a Autoridade de Segurança Nuclear francesa (ASN).
EDF anunciou na sexta-feira o envio no local de robôs controlados remotamente capazes de intervir no lugar do homem em caso de acidente nuclear. Este equipamento do grupo Intra está localizado logo ao lado da usina nuclear de Chinon (Indre-et-Loire).
Grupos de tradutores voluntários.
Alguns leitores propuseram participar da difusão desta análise da situação (assim como outras páginas deste site) oferecendo seus serviços como tradutores voluntários. Alguns são tradutores profissionais, ou (/e) bilingues. Mas não é necessário ter um nível tão alto para participar. O essencial é que a informação passe.
Para o espanhol,
entre em contato com
Emilio Lorenzo
que gerenciará as diferentes traduções, possivelmente segmentando as páginas

Para o inglês,
diferentes candidatos se manifestaram, especialmente para traduzir. É evidente que é a língua mais importante, que terá chances de atingir o maior número de pessoas.
Peço aos leitores que entrem em contato uns com os outros. Se um deles puder se encarregar de distribuir as páginas, possivelmente segmentadas.
Já se manifestaram:

Se ofereceu para traduzir uma parte desta página, que vou dividir em segmentos, com comprimento equivalente a 5 páginas de texto:

9 de abril
: Concordo em traduzir para o inglês:
François Brault
Aceitou ser coordenador para todas as traduções das páginas do meu site para o inglês:

Vou segmentar as páginas do meu site, que serão um pouco longas, como esta, introduzindo linhas divisórias coloridas (verdes)
assim como um rastreamento por letras alfabéticas. Começarei, para estas páginas que fazem parte de crônicas, pelo fim: A, B, C; D etc...
Isso me permitirá eventualmente fazer adições, identificadas: D+, D++, D+++
Essas seções adicionais também estarão bordadas por linhas divisórias. Isso permitirá manter a tradução atualizada.
Para o italiano, a coordenadora é:

Ir para o início desta página dedicada à catástrofe nuclear japonesa
13/5/11 :
No Agoravox, como as centrais nucleares constituem verdadeiras espadas de Dâmocles
http://www.agoravox.fr/actualites/societe/article/nucleaire-la-cible-terroriste-93801
Ao Leste, Nada de Novo
8 de abril de 2013
Adicionei este elemento no final desta grande página dedicada à catástrofe de Fukushima, em sua época. É verdade que eu trabalhei muito sobre este assunto, no momento dos eventos. Mais adiante, você encontrará um link para uma palestra do professor Hinoaki Koide, que se ocupava do mestrado em Energia Nuclear na Universidade de Kyoto. Ele apresenta bem as coisas.
Isso parece uma picada de lembrete. Esses eventos parecem tão distantes agora. O Japão está no hemisfério sul, como nos disseram na época Cécile Duflot.
Acabei de completar 76 anos, e digo "e agora, o que faço?". Quando vi
as decisões imediatas tomadas pelo governo Hollande
, confesso que fiquei um pouco abalado. Mas seria esperado "socialistas" outra coisa que o que foi feito durante o exercício anterior da presidente da República? Hollande é simplesmente um idiota. Ah, ele acabou de confirmar a decisão de construir o EPR. Eu deveria ter adicionado uma seção na página que está em link. Mas confesso que não tive coragem.
Há outra, que eu apresento como um scoop. É tudo fresco, acabou de sair. A
DCNS
acabou de ganhar um contrato para a fornecimento de uma usina nuclear submersa
Flexblue
, para um país estrangeiro. Esta deverá ser entregue em quatro anos.

Usina nuclear submersa Flexblue, reutilização civil da tecnologia dos reatores dos submarinos nucleares
Especialidade Cadarache
Vou tentar entrar em contato com Honoaki Koide. Ajudo como posso Michel Guéritte, que luta contra o enterramento de resíduos de longa duração no local de Bure, na Champagne. O governo está forçando, com seu idiota de ministro "do meio ambiente". Enquanto Fioraso, outra idiota, se extasia diante do ITER ("que nos levará às estrelas"). Que idiotas, nesse ministério! É verdade que um idiota tem grandes chances de se cercar de seus pares.
Uma revista de grande audiência está prestes a lançar um artigo muito bem documentado, sobre esta questão de enterramento, que preocupa muito os defensores do projeto CIGEO, e os nuclearistas de todos os tipos. Pois o enterramento é a chave do plano francês, completamente louco, de "desdobramento de reatores de quarta geração", alias reatores aceleradores funcionando com plutônio (o EPR, funcionando a 100% MOX representa a transição entre os reatores a água pressurizada e os reatores aceleradores funcionando com sódio).
O enterramento em Bure, serão 100.000 vagões Castor (inventados e desenvolvidos pelo meu vizinho Klaus Janberg), cheios de materiais radioativos. Uma operação de enterramento, automatizada, que deverá durar ... um século. Nesse conjunto, de resíduos de todos os tipos, incluindo plásticos que, ao se decomporem, liberarão hidrogênio. É ... incontornável. E quando o ar estiver carregado com mais de 5% de hidrogênio, há risco de explosão. Adicione-se que muitos "pacotes" são fechados com betume, inflamável a uma temperatura relativamente baixa. E tudo isso "selado por centenas de milhares de anos".
Nossos descendentes nos maldirão. Mas talvez o drama aconteça muito mais cedo.
Como lembra Jesse Ventura em seus vídeos:
- Se você quer entender, siga o rastro do dinheiro.
Guérite e sua equipe teriam a possibilidade financeira de trazer Koide para a França. Koide é um "arrependido" do nuclear (ver mais adiante). Ele entendeu tarde, após Fukushima, que era "manual de suicídio".
Tenho também um projeto entre tantos outros: completar meu álbum
Energéticamente seu
, sobre o nuclear, que já existe
em versão japonesa
, no
site Savoir sans Frontières
, cujo tesoureiro, Gilles d'Agostini, acabou de pagar sua 400° tradução e adicionou uma 37° língua à sua lista: o finlandês. Isso fazia muito tempo que eu esperava esta língua, por causa de uma piada do filme
Hellzapoppin
. Um filme absolutamente sem sentido de Harry Codman Potter. Um dos personagens, Peppi, é interpretado por
Mischa Auer
. Nesse filme, Mischa interpreta o papel de um finlandês, e há o seguinte diálogo:
- Você tem um estranho sotaque. Você não é inglês?
( Você tem um estranho sotaque. Você não é inglês? )
- Não
. ( Não )
- De qual país você é?
( De qual país você é? )
- Sou finlandês
. ( Sou finlandês )
- Mas você não fala finlandês ....
( Mas você não fala finlandês? )
-
Não. ( Não )
-
Por quê? ( Por quê? )
-
O finlandês é muito difícil. ( O finlandês é muito difícil )
Meu amigo Gilles d'Agostini, que gerencia comigo, desde sua criação em 2005, o site Savoir sans Frontières, fez um bom trabalho. Agora, se você for para
a página inicial
e passar o mouse sobre os bandeiras, uma mensagem em balão indicará a língua em questão.
Nenhum eco midiático em cinco anos, se excluirmos um breve passeio em "La Tête au Carré", na France-Inter, há alguns anos. Mas isso não impede a máquina de continuar seu pequeno caminho. Os fãs do Savoir sans Frontières reabastecem a caixa periodicamente. E funciona, sem subvenções, sem ajuda do Ministério da Educação Nacional ou da UNESCO. Funciona com pequenos donativos de pessoas boas. Você encontrará sua lista no site. Vinte euros aqui, cinquenta euros ali. Obrigado, amigos, vocês fazem um trabalho muito bom!
Eu sou apenas o mensageiro.
Isso muda das histórias como a de Cahuzac. Confesso que não vi
a sequência de vídeo
onde este acrobata da finança e da evasão fiscal desenrola seus mentiras diante da Assembléia Nacional, enquanto ele é ... ministro do Orçamento, e se deu como missão lutar contra tais práticas.
O personagem, um grande bocó:
https://www.youtube.com/watch?v=6OjYNB6ogdU
Dê uma olhada, agora, na vídeo seguinte, vale a pena.

- Senhor Cahuzac, você teve, sim ou não, uma conta na Suíça não declarada?
http://www.youtube.com/watch?v=BxemczLqgsk
Quando esta pergunta é feita a ele, em voz alta e inteligível, por um parlamentar da UMP, Danielle Fasquelle, que menciona as revelações de
Mediapart
, site de Informação e Atualidade, há muitas vaias no hemiciclo (provavelmente para estigmatizar "ataques políticos baixos"), emanando de deputados que não podem ignorar que essas suspeitas pesam sobre seu "confrade" há três meses. Como a interpelação é feita por um deputado da oposição, da UMP, é muito provável que estas protestas venham de deputados socialistas. Manifestações de solidariedade, entre membros de uma mesma "família", emanando de pessoas que, se investigassem seus contas, teriam certamente muitas coisas desse tipo sobre as quais deveriam se explicar.
Mas o hemiciclo teria sido o palco de protestos emanando da direita, se a interpelação tivesse sido feita por um eleito da esquerda.
De qualquer forma, alguém pega um para bater no outro.
Parfraseando um personagem famoso, alguém poderia dizer:
- Que aquele que não tem uma conta não declarada lhe jogue a primeira pedra!
Durante o exercício presidencial anterior, tínhamos uma garde des sceaux que confundia, ato falho,
inflação
e
falta
, o que permitia todas as especulações sobre sua ascensão no meio político. Uma mulher que se engravidou tentando arrancar uma pensão de um homem muito rico.
Hoje Taubira, sempre que se irrita, fala na Assembléia Nacional como uma peixeira do velho porto.
Um amigo me lembrou ontem que em um ano 45 funcionários da polícia se suicidaram. Lembro-me de ter tido uma ligação telefônica com uma mulher, responsável por uma equipe da gendarmeria, que falava sobre as condições de trabalho, a falta de equipamento, o desvio da missão dos gendarmes transformando-os em coletores de impostos, aos quais se pedia "fazer números". E ela acrescentou "Às vezes recebo jovens gendarmes que desmoronam completamente no meu escritório".
O número de tipos desgraçados, desempregados no fim dos direitos, desesperados de todos os tipos, que usam a SNCF para terminar suas vidas, chega a 450 por ano. Um a cada vinte horas. Recentemente, peguei um TGV que foi parado, o tempo de extrair um cadáver. A SNCF se desculpou por este atraso. Neste contexto, os enriquecimentos fraudulentos, dos que usam as artimanhas do "sistema" sem nenhum escrúpulo, têm algo revoltante.
Voltemos a este caso Cahuzac. Este animal declarou à imprensa que este caso "o havia
destruído
", depois "que ele havia sido tratado de forma
inhumana
". Finalmente, sobre seus mentiras "mas todo mundo mente, na Assembléia Nacional! Se tivessem que apontar todos os mentirosos, haveria muita gente ".
Este homem me faz pensar em Cardignac, um dos personagens da série Largo Winch (o álbum número 2).

Este tipo tem o mesmo sangue-frio que o personagem da série. Porque, para mentir assim, diante da Assembléia do Povo Francês, é preciso possuir órgãos genitais de aço inoxidável. Mas é o mesmo em todos os meios. Tenho vários livros em projeto, e entre eles, escreverei um sobre o meio científico. E você verá que, nesse meio, há belos exemplos de vendidos. Quando não são vendidos, são covardes e mentirosos, além do que se pode imaginar.
12 de abril
: Volto a esta página. De fato
....
Gilles Bernheim, Grande Rabino de Paris, foi denunciado como plagiário. De fato, em seu livro Quarenta Meditações Judias, foram encontrados vários trechos que são empréstimos de outros autores, palavra por palavra. Diante da evidência, o homem se enrola:
- Eu havia pedido a um estudante para redigir alguns trechos, e ele traiu minha confiança, fazendo colagem.

O Grande Rabino plagiador
Claro, é ... a culpa do estudante!
Nada mais!
O jornal Le Monde especifica que a investigação sobre mostrou que ele não possui o título de agregado de filosofia, que figurava em suas biografias e, mais recentemente, no Who's Who.
No mundo em que vivemos, que está em completa decadência, resta apenas rir dessas revelações. Outro que deve estar "destruído".
Lembro-me de um programa do domingo de manhã em que um judeu crente tentava dialogar com aquele que era o Grande Rabino da França na época. Acredito que fosse Sitruck. Este notável, médico, defendia sua causa:
Minha esposa e eu somos profundamente crentes e praticantes. Nosso filho casou-se com uma não judia (uma "goy"). Eles tiveram dois filhos. Nós lhes demos uma educação religiosa. Mas quando atingiram 13 anos, a idade de sua Bar Mitzvah
( o equivalente à "primeira comunhão" dos católicos, no mundo judaico )
foram rejeitados.
-
É normal. Sua mãe não é judia. Vocês sabem muito bem que a judaísmo se transmite pelas mulheres. Se seu pai fosse um goy, seria possível acolhê-los na sinagoga. Mas no caso de seus dois netos, isso é impossível...
-
Será que não poderíamos considerar uma modificação? ...
O rabino sorria e esse bom homem estava perdendo seu tempo. Muitos comportamentos sociais são assim, em todo o mundo, restringidos por atitudes de outra época. Aliás, essa regra não está presente no Pentateuco, na parte da Bíblia correspondente ao Antigo Testamento. É um aporte posterior,
rabínico,
como uma infinidade de costumes do mundo judaico.
O Grande Rabino Bernheim é ashkenazi, cujos antepassados são originários da Europa Central (em oposição aos sefarditas, oriundos do mundo oriental). Sua esposa aplica as regras ashkenazis da maneira mais rigorosa. Li que ela usaria uma... peruca. Por quê? Porque, disse-me um amigo judeu, a regra ashkenazi mais rigorosa prescreve às mulheres rasparem a cabeça. Quanto ao Rabino Bernheim, ele não aperta a mão das mulheres.
Entre esses e os muçulmanos integristas, tomaríamos mesmo um por outro. .
Vou propor, para mudar de ar, ouvir as palavras de um homem íntegro, Hiroaki Koide. Isso nos mudará, mesmo que para encontrar um pouco de ar não contaminado tenhamos que ir buscá-lo até o Japão.

http://www.youtube.com/watch?v=VUbWz9ydm0I&NR=1&feature=endscreen
Em nosso país, pessoas desse tipo simplesmente não existem.
Veja também:
http://fukushima.over-blog.fr/ J
Não tinha entendido por que, em certas linhas do metrô parisiense, um sistema de portas automáticas duplas proibia o acesso às vias.
É para... impedir que as pessoas se suicidem!
26 de abril de 2013.
Reação de um leitor.
Boa noite, Jean Pierre,
Acabei de ler seu artigo de 8 de abril de 2013,
O que me perturba na revelação do ministro fraudulento é "a árvore que esconde a floresta",
A direita hipócrita grita "lobo", a esquerda faz teatro. Me Benkasem finge chorar lágrimas de crocodilo quando seu ministro confessa seus pecados (praticados por todos)...
Mas me lembro de uma frase que me causou impacto quando o antigo chefe da ELF, escondido na Tailândia, foi trazido de volta à França com as mãos algemadas, a primeira frase que ele emitiu no Roissy CDG diante dos jornalistas foi, citando:
- Tenho condições de explodir mais de 200 vezes a República
Ele anunciou, entre outras coisas, que 70% dos deputados possuem contas na Suíça ou em paraísos fiscais (a sopa está boa, todo mundo entendeu há muito tempo), mas assim que voltou da Tailândia, com a língua afiada pronta para denunciar, eles se viram obrigados a fazê-lo se estrangular sozinho durante o sono em uma cela de prisão...
Essas revelações nunca serão vistas, em virtude do acordo correspondente a um pacto de não agressão entre os dois grandes partidos corrompidos. Mas eu teria gostado muito que a UMP publicasse em grande escala os detalhes das comissões retroativas de Ziad Takhiedine no caso das vendas de armas ao Paquistão, entre outras coisas..., e os envelopes da diretora da OREAL, e tantos outros que nunca saberemos, a anistia agora sendo de cinco anos e os políticos sendo automaticamente anistiados...
Tudo isso dá a impressão de uma farsa de grande porte onde a Nobreza e a Corte fingem,
à moda das "Précieuses Ridicules", fazer crer ao povo que são imaculadas...
Como você bem diz, os suicídios de desesperados são diários, e são muito mais que 450 por ano.
Conheci, em junho de 2006, de 4 a 5 suicídios por semana na linha de metrô N°1 entre Défense e Étoile.
Começava às quintas-feiras à tarde ou mesmo às quartas, e só cinco anos depois colocaram vidros de policarbonato nas portas automáticas que só se abrem quando o metrô está parado, e isso em todas as estações da linha 1, há cerca de dois anos.
Mas pouco importa, os suicídios ainda estão lá e agora se transferiram principalmente para a linha do RER B,
em trechos onde alternam trens omnibus e diretos passando pela estação a alta velocidade.
Além disso, o que me chocou foi ver, durante vários anos, e ainda vejo à noite em Paris pessoas idosas sem-teto, incapazes de pagar seu aluguel, dormindo em grande número nas estações do RER como a de AUBER. Elas têm até "espaços reservados" disponibilizados pela RATP, onde dormem sobre caixas e cobertores desgastados, um verdadeiro hospício para pessoas que contribuíram para a economia do país quando eram mais jovens.
Mas pior ainda: há cerca de um ano e meio, sob o governo de Sarko I, vi numerosas pessoas idosas sem-teto, ao ar livre no frio, na estação de metrô Saint-Michel, na esquina do Boulevard Saint-Germain e a poucos passos do Gibert, um senhor, numa noite de inverno, desesperado, parecia não querer mais nada além de morrer. Sentado ao longo de um prédio, deixava-se morrer no frio. Apesar da intervenção de dois transeuntes, recusava toda ajuda, os bombeiros chegaram.
Mas isso nunca havia sido visto antes.
Penso no palhaço do serviço, o palhaço da época, Sarkozy, porta-voz das mafias bancárias, que se comprava um avião de megalo.
Já não aguento mais, estou explodindo, e essa deriva está em todos os níveis... só há castas...
Como essas pessoas provenientes das fábricas dos enarques, onde apenas a classificação prevalece sobre o pensamento intelectual, que não podem servir honestamente um país: já estão pré-formatadas para servir seus interesses e seu carreira, como vemos claramente depois.
Mesmo pequenas associações humanitárias em Paris ainda eram desmanteladas há um ano, por ordem de Delanoé, e seus locais arrasados com bulldozers sob o pretexto de que toda intervenção social junto a pessoas em situação de vulnerabilidade deveria primeiro obter a aprovação do PS, passando por ele. Delanoé é marketing político carreirista, e para ele o destino das pessoas que sofrem não importa.
Andamos de cabeça para baixo.
Temendo fortemente uma onda de fascismo puro e duro na Grécia e na Espanha, onde os franquistas ainda estão na sombra. A única coisa que essa absurda política de incompetentes de todos os lados, ao serviço do establishment financeiro, conseguirá implementar, será a instalação de Estados fascistas na Europa.
Basta que a Itália entre em colapso e será o colapso em cadeia em seguida. Depois, Hollande fará as reformas que Sarko queria fazer, mas adicionando um pouco de óleo para que passe menos bruscamente. Ele vai, em breve, desregular totalmente o preço do gás. Margaret Thatcher teria aplaudido, e ele permitirá a exploração de gás de xisto. Standard & Poors, cujo trabalho é ser banqueiro mafioso, um "bangster", acabou de criar uma filial para a exploração de gás de xisto e nos dirão que tudo isso é por nosso bem...
Hollande está ao serviço dos mesmos donos de ordens que o governo anterior.
O tom foi dado na formação do governo quando Me Benkasem anunciou e isso me marcou, eu então saltei, citando:
- Por motivos de solidariedade com as pessoas que sofrem, os ministros decidiram reduzir seus salários de 17.900 euros por mês para 13.900 euros por mês.
(é claro, todos os custos pagos além do "salário" em questão, é claro...)
Apenas quatro dias após a eleição de Hollande, eu já sabia exatamente o que esperar, e pensei:
- Farsa, a sopa está muito boa, eles fazem e farão como os outros.
A "mudança" havia mergulhado nos abismos em apenas quatro dias...
E dado que há poucas pessoas íntegras, de todos os lados, praticamente não há futuro nem esperança de mudança,
Todos passaram pelos mesmos moldes, saíram das mesmas escolas e defendem os mesmos interesses e os mesmos lobbies. Talvez seja necessário um pseudo-Roosevelt que coloque os sistemas bancários sob controle com direito de veto, mas temo fortemente que, no longo prazo, a situação econômica desvie para o cenário da Argentina, e o surgimento de governos fascistas em um quarto ou um terço da Europa.
Vemos afundar um mundo que, pelo apelo e pelo desejo ilimitado de dinheiro por si só, cortou a ramificação sobre a qual está sentado, e não vejo muito o que virá depois...
Com os melhores cumprimentos.
Philippe M.
Estou totalmente de acordo com este leitor.
Algumas novidades por enquanto. No verão de 2012, com a ajuda de um amigo, gravei seis horas de vídeos, três dos quais sobre energia nuclear, especialmente sobre fusão. Mas, para colocá-los online, era necessário dotá-los de ilustrações. Eu não podia fazer esse trabalho aos 76 anos, além de tudo o que já tenho para gerir. A princípio, um homem de Marselha cuida disso. Assim, esses vídeos concorrerão com os que gravei e que
Jean Robin
vende em formato DVD, com lucro exclusivo, embora tivesse sido acordado que ele devolveria 3 euros a
Savoir sans Frontières
para cada DVD vendido. Um claro abuso de confiança. Mas o que se esperar de alguém assim, um verdadeiro "camaleão ideológico", que se apresenta como "gaulista liberal"?
Se esse jovem que cuida das ilustrações desses vídeos, que estavam parados desde agosto de 2012 no meu disco rígido, fizer esse trabalho, eles serão imediatamente postos no YouTube, e vocês serão avisados instantaneamente.
Um internauta que mora em Aix virá amanhã de manhã me ajudar a consertar minha piscina de aquagym, à qual minha saúde está ligada, e que estava com defeito há três meses.
Estou ilustrando um novo livro, que não será confiado a um editor (incompetente e pouco escrupuloso).
Amigos me ajudam a converter meu site (7 gigas!) para WordPress, tarefa que só podia confiar a pessoas em quem tenho toda a confiança.
Gostaria de ter opiniões de leitores sobre as produções de
Jesse Ventura
. Aqui estão algumas de suas vídeos, que foram dubladas.
25 de abril de 2013:
Antes de vocês irem mais longe. Não demorou e tive a resposta à pergunta que me fazia, em poucos dias. Veja o quadro seguinte, onde dei os endereços dos vídeos de Jesse Ventura, dublados em francês.
Esses vídeos foram rapidamente removidos. Coincidência singular: chamo atenção para esses vídeos, e logo desaparecem! Quem os tinha dublado em francês (canadenses? O sotaque do país não está lá). Eles tinham passado por uma emissora francesa ou apenas por uma emissora francófona?.....
Uma coisa me parece decorrer dessa remoção massiva: esses vídeos são perturbadores. Pessoalmente, conhecendo esses assuntos, achei os que eu havia indicado bem feitos. Mas muitos se apressaram em denunciar o "sensacionalismo de Ventura". Isso posto, não importa como ele aborda esses temas, tão urgentes, acho que ele tem coragem, o que parece ser um fenômeno raro na França, especialmente no mundo dos jornalistas.
Alguém salvou esses arquivos? Podem ser consultados em outro lugar?
Ventura faz sensacionalismo, certamente. Mas, ao fazê-lo, se dirige à América profunda, e acerta o alvo. Um milhão e seiscentos mil espectadores na primeira emissão, algo nunca visto antes. E continuou nesse ritmo.
Mas como falar com surdos, com pessoas que não querem se questionar, senão martelando as palavras?
Recebi mensagens de pessoas que me disseram: "essas teorias da conspiração já foram desmontadas há muito tempo. Vejam essas análises..."
Robert Salas, o oficial americano que estava em seu bunker no local de lançamento de mísseis Minuteman, em Malström, em 1967, viu os dez mísseis que controlava com um companheiro, a 25 metros abaixo do solo, serem desativados por um OVNI estacionado acima dos silos, que aterrorizava os soldados de plantão na superfície. Veja a conferência de imprensa realizada em Washington sobre esse assunto.
http://www.dailymotion.com/video/xfakhq_ovni-conference-de-presse-27-septem_news#.UXmqcoX83bk
Salas escreveu um livro, The Faded Giant (O Gigante Derrotado), que publicou por conta própria. Na sua conclusão, página 53, ele escreve:
Ninguém quer um governo que parece servir apenas a uma elite. Ninguém quer ser governado por pessoas cuja principal preocupação é controlar suas vidas. A história nos mostra que é assim com o povo. Se for verdade que nosso governo tem mantido em segredo informações sobre visitantes extraterrestres, e extraiu alguma tecnologia desses visitantes sem o conhecimento público, então temos um governo secreto que perdeu o contato com seu povo.
Tradução:
Ninguém deseja um governo que parece servir apenas a uma elite. Ninguém quer ser governado por pessoas cujo principal objetivo é controlar suas vidas. A história nos mostra que é assim com o povo. Se for verdade que nosso governo tem mantido em segredo informações sobre visitantes extraterrestres e extraiu alguma tecnologia desses encontros sem o conhecimento público, então temos um governo secreto que perdeu o contato com seu povo.
Essas frases pareciam fortes. Entrei em contato com Salas, e ele me visitou no verão de 2012. Ele trouxe um arquivo sobre "trabalhos científicos relacionados ao caso OVNI" que havia coletado. O que eu poderia dizer a ele? Que tudo isso era fascinante: eu mentiria. Que esses documentos não valem nada? Eu o ofenderia. Fiquei em silêncio e fiz boa cara. Propus que escrevêssemos um livro juntos, para publicar nos Estados Unidos. Que ele encontrasse um editor. Fiz ainda mais. Mais tarde, propus tentar contatar o ex-ministro da Defesa canadense, Paul Hellyer, sugerindo que ele o convidasse a assinar um livro em três autores. Hellyer teria certamente uma boa cobertura midiática.
http://www.dailymotion.com/video/xdajjp_ovni-revelations-ex-ministre-canadi_news#.UXmpi4X83bk
Há nesses comentários elementos que acho que posso explicar cientificamente. Penso que quando um OVNI "inverte sua massa", essa massa deixa de interagir com as moléculas de ar ao redor. Esse volume então é "percebido" por essas moléculas como vazio de toda matéria. Então o ar se precipita para esse vácuo, o que pode criar uma forte perturbação aerodinâmica nas proximidades, chegando a desmontar um avião. Assim, essa destruição da aeronave não corresponde a uma manobra agressiva, mas a uma manobra de fuga.
É assim que imagino
a destruição da aeronave do piloto Mantel
em
Salas não fez nada e está terminando de escrever um segundo livro. Uma abordagem que não brilha pela tenacidade. Os anos passaram e Salas tornou-se mais um... ufólogo.
Diante desse silêncio, dessa inércia, tive a ideia de escrever para ele, perguntando o que achava do vídeo de Ventura sobre o 11 de setembro (que acho excelente, corajoso e bem documentado). Ele logo se ridicularizou do indivíduo, denunciando seu gosto pelo sensacionalismo. Além disso, denunciava o conteúdo, dizendo-me: "Você, que é um cientista, não vai acreditar nesses disparates irracionais, vai?"
Rapidamente ficou evidente que Salas nunca se interessara por esse assunto. É "monotarefa", concluiu meu amigo Alix, responsável pelo reopen 9/11.
Insisti, perguntando:
- Neste vídeo sobre o 11 de setembro, você acha que Ventura é irracional?
Sem resposta.
Salas viveu eventos incontestáveis, transcendentais, capazes de forjar nele uma convicção inabalável, exposta em seu livro, de que os incidentes de Malström, sendo obra de visitantes extraterrestres, significavam "atenção, nuclear, perigo!".
Mas seu "despertar" para isso termina. Para o resto, sua inteligência permanece estagnada no nível do americano médio. A menos que esteja sofrendo pressões, ou que ao contar sua história esteja sendo usado para tirar de sombras pessoas envolvidas em fatos semelhantes e que "o governo secreto", tendo assim identificado, poderia neutralizar.
Mas talvez nem mesmo isso seja. Veja Hastings, o instigador dessa conferência de imprensa em Washington. Ele é feito da mesma massa. Por trás, há um ego tolo, um desejo de notoriedade.
Ainda não terminei com esse assunto, longe disso.
Vídeos de Jesse Ventura:
Inacessível desde 25 de abril de 2013 (alguns dias depois)
Os campos da FEMA
http://www.youtube.com/watch?v=PwN36UTzqxQ
Inacessível desde 25 de abril de 2013 (alguns dias depois)
O 11 de setembro
http://www.youtube.com/watch?v=F7ZLK6xchMY
Inacessível desde 25 de abril de 2013 (alguns dias depois)
O grupo Bilderberg
http://www.youtube.com/watch?v=sm3FZJ94t1M
Inacessível desde 25 de abril de 2013 (alguns dias depois)
Projeto HAARP
Inacessível desde 25 de abril de 2013 (alguns dias depois)
http://www.youtube.com/watch?v=y3SNIdHMYuk
Assassinato de JFK
http://www.youtube.com/watch?v=HLOturMN5Wo
Em inglês: o Pentágono
http://www.youtube.com/watch?v=f9tvrYg85qU
O jornalista que sai (2009) do reopen 9/11 (legendado)
Ventura acende esse especialista em desinformação: David Icke, com sua teoria da invasão por répteis
(em inglês. Uma pena. Alguém poderia legendá-lo?)
http://www.youtube.com/watch?v=yYpMBJNL0TU
Reação imediata de muitas pessoas:
- Esse cara faz sensacionalismo!
É verdade, mas convenhamos que ele tem um coragem considerável. Sua emissão sobre o 11 de setembro está bem feita.
Conhecem a máxima latina:
IS FECIT CUI PRODEST
Referir-se às páginas do Larousse que dão a tradução das máximas latinas. Acho que essa máxima se aplica bastante bem a este caso.
Nas investigações conduzidas por Ventura, veja a sobre Bilderberg, que é excelente. Como 120 pessoas, entre as mais poderosas do planeta, podem se reunir anualmente em uma "reunião privada", sendo que são figuras públicas! Há algo aí. O quê? Isso ainda precisa ser determinado.
Paralelamente, registro as ações de pessoas como David Icke. Ele afirma há 20 anos em 55 países que a Terra está sob o controle de "répteis". Esses têm o poder de se apossar de figuras políticas importantes e até de pessoas da mídia. Ventura descobre (isso consta no vídeo que se refere a esse caso) que o Time Magazine catalogou as diferentes "Teorias da Conspiração". E listou tudo sobre o que Ventura se debruçou, acrescentando "a conspiração dos répteis". Segundo Icke, eles estariam preparando uma dominação total da humanidade, seguida de sua eliminação. Deixo a vocês descobrir quais políticos são, na verdade, répteis. Clinton e sua esposa estariam entre eles.

Bill Clinton nas duchas de seu clube de tênis

Monica Lewinsky V
Ventura explode e decide conduzir sua própria investigação. Se você não entende bem o inglês, aqui está um resumo. Ele começa seguindo homens e mulheres que afirmam saber algo sobre a presença desses répteis no território dos Estados Unidos. Ele segue um homem que o leva a uma área desolada, onde se esconderia uma base cheia de répteis. Eles são acompanhados por uma mulher completamente histérica, que afirma "sentir os répteis, bem perto" e está aterrorizada.
Nenhum réptil mais do que manteiga em um pão.
Consciente, Ventura encontra uma mulher que se diz híbrida entre terrestre e réptil. Nova demonstração de histeria, com comunicação por meio de médium.
No fim de uma busca que se torna água de bico, Ventura decide encontrar David Icke. Uma reunião filmada.
Como todos os bons mestres espirituais, é preciso admitir que Icke se safa bem com as mulheres, mesmo que a foto possa estar um pouco antiga:

David Icke, em seus pés, chega ao encontro combinado para enfrentar o monstro Jesse Ventura (ex-lutador de luta livre, ex-nadador de combate e ex-governador do estado do Minnesota)

David Icke, logo desconfortável, diante de Jesse Ventura
Se alguém pudesse legendá-lo, isso esclareceria mais de um e mais de uma. É visível a expressão descomposta de Icke diante de Ventura. Está claro que ele não está à altura e faz uma cara feia desde o início.

David Icke já não sorri J
esse Ventura o pressiona imediatamente. David Icke:
-
As respostas às suas perguntas estão em um livro de 700 páginas que escrevi.
-
Você acha que vou ler um livro de 700 páginas para obter uma resposta a uma pergunta simples: como posso me encontrar diante de um réptil?
Icke perde o controle, explica que para ver que alguém é um réptil, é preciso ser capaz de perceber, fugazmente, uma "luz invisível". Ventura ri na cara dele.

Perceber uma... luz invisível! Está brincando?
Estamos perto do fim. Icke diz que realizou conferências durante 21 anos em 58 países. Ventura aplica o princípio de suas investigações:
- Siga a pista do dinheiro.
Icke se defende de fazer isso por dinheiro, mas Ventura lhe mostra seus contas. Com tudo o que recebe de seus 19 livros, conferências e direitos sobre programas, o total chega a 1,9 milhão de dólares por ano.

- Acho que você trabalha principalmente para ganhar dinheiro. Vou lhe dar números.
David Icke se levanta e sai do estúdio dizendo:
- Eu achava que nesse encontro deveríamos falar sobre o que está acontecendo no mundo...

.
David Icke foge
E aí, você entende o que estamos enfrentando. Homens como David Icke fazem desinformação amplificada (enquanto enchem os bolsos), como esse bom "Dr. Greer" que mistura livremente fenômenos OVNI e "energia do ponto zero". Como Nassim Haramein, pilar científico do grupo Thrive.

O "movimento Thrive" ("florescimento", em inglês) abrange muito, atrai atenção para a fome no mundo, denuncia conspirações, a FED, misturando tudo com bobagens. No caminho, o apresentador-guru de emergência apresenta o objeto central, o ídolo da seita: o toro sem garganta ("tão abundante na natureza"). Imagine um vídeo de Jean-Pierre Petit onde eu produziria inúmeras imagens da superfície de Boy. O toro sem garganta (obtido girando um círculo tangente a uma reta em torno dessa reta, que provoca no homem um estado completo de iluminação.
Pense no honrado Sr. Keshe, nessas besteiras como o projeto Camelot, nas vídeos podres apresentadas por Bill Ryan, etc... etc...

O projeto Camelot, de Bill Ryan, e, por um tempo, de Kerry Cassidy, outros tolos da mídia alternativa.
Revise
esta página
sobre tolos de todos os tipos. A lista é longa, passando por Jean Marc Roeder e Claude Poher com suas besteiras dos "Universons".
Tudo isso é lastimoso e me deixa furioso.
Sim, vocês estão desinformados, em pleno. Desinformados por agentes reais, patrocinados, pagos. Ou por mentirosos manipulados, o que dá no mesmo. Ou por temíveis geradores de dinheiro como David Icke e o "Dr. Steven Greer", que acabou de lançar seu filme-conferência "Sirius", que vi este tarde. Esse aí está bem feito, e vocês terão que trazer provas de que ele desinforma por toda parte.
Mas informações verdadeiras,
como o fracasso evidente do NIF (National Ignition Facility,
o fiasco do projeto de fusão a laser nos EUA
), sobre o qual falei no número de janeiro-fevereiro da revista NEXUS, vocês não encontrarão nenhuma outra parte (exceto em meios alternativos como Gizmodo e "20 minutos". Em outros lugares, em todas as revistas como Pour la Science, La Recherche, Science et Vie, etc.: um silêncio de chumbo que deixa os especialistas perplexos.
Se o rapaz que está em Marselha fizer o trabalho de inserção de imagens e vídeos curtos nos arquivos de vídeo que ele recebeu de mim e que gravei em agosto de 2012 com meu amigo Alix (reopen 9/11), farei outros. O que é longo e penoso é a ilustração. Também darei entrevistas sobre energia nuclear, em áudio, para Info-Libre (link na minha página inicial). Comprei um conjunto fone-microfone para obter um som melhor. Saibam que o rapaz que cuida disso, David, está sozinho. Ele finaliza seu editorial de áudio toda semana, dedicando um bom número de horas de trabalho, e sem qualquer lucro.
Voltarei nessas entrevistas a ideias realmente interessantes, como o projeto de fusão impulsiva MagLif, derivado dos projetos "Z". Agora que meu amigo Malcom Haines morreu há dois meses, sou o único na Europa capaz de falar com credibilidade sobre esse tema. Além disso, há a possibilidade de uma fusão aneutronica. E isso vale realmente a pena se agarrar a essa mudança para tirar algo simplesmente viável da energia nuclear, enquanto o resto nos leva à ruína.
Isso é outra coisa que essas agitações gentis sobre fusão fria, verdadeira alucinação da física-química.
Sobre o livro de Jean-Paul Biberian:
A FUSÃO
EM TODOS OS SEUS ESTADOS
Fusão Fria, ITER, Alquimia
Transmutações biológicas ...
Edições Trédaniel, 2012

Jean-Paul Biberian
Estou convencido de que condições próprias para garantir reações de fusão por catalise
devem existir.
Na medida em que a energia nuclear é apenas a química dos núcleos. A fissão é uma dissociação auto-catalisada. As reações de fusão são análogas a reações químicas. É, portanto, lógico pensar que não seja impossível que o mundo da energia nuclear contenha reações exoenergéticas com catalise, possivelmente em baixa temperatura. Todos os alunos do ensino médio viram o catalisador de espuma de platina esquentar sob o efeito do calor liberado pela combustão de hidrogênio no oxigênio. Mas a espuma de platina não serve apenas para permitir que essa reação comece em baixa temperatura. Se depositássemos essa espuma sobre um tubo metálico percorrido por um líquido refrigerante, a reação continuaria à temperatura ambiente, ou até abaixo.
Recentemente aposentado da Universidade de Aix-Marseille, Jean-Paul Biberian acabou de publicar um livro "A fusão fria em todos os seus estados", com o subtítulo "Fusão fria, ITER, Alquimia, transmutações biológicas..."
Não, eu não tenho "um ressentimento contra o tipo", já o conheci e ele é muito simpático. Mas francamente, quanto mais pesquiso na leitura do seu livro, mais descubro coisas que o desacreditam.
Ele abrange muito. Comprei seu livro. O que nele se encontra não difere do que ele diz em conferências e que pode ser seguido em seus vídeos. É... vazio. Muito papo, anedotas, discursos que pouco têm a ver com o tema (como essa análise pessoal, muito incompleta, por falta de competência suficiente, sobre o ITER, tema ao qual dedica um capítulo).
Na capa, ele indica:
Fusão fria, ITER, Alquimia, transmutações biológicas...
Quem conhece Biberian e o segue há tanto tempo concorda:
O livro está "carregado" por "publicações científicas, ou apresentadas como tais".
Mas consulte a página 192. Cito:
Em 2003, na reunião ICCF10 (Décima Conferência Internacional sobre Fusão Fria), realizada nos EUA, decidiu-se criar uma sociedade científica sobre fusão fria.... Por causa das dificuldades encontradas para publicar nossos resultados em revistas científicas,
nos pareceu necessário criar nosso próprio jornal,
do qual sou editor-chefe desde 2006,
com uma equipe de seis outros editores regionais... No início dessa iniciativa, Peter Hagelstein, do MIT (o prestigiado Massachusset Institute of Technology), era o editor-chefe.
Ele desejava uma revista de alto nível. Infelizmente, houve muito poucas propostas de artigos desse calibre...
Depois de duas anos infrutíferos, Hagelstein me passou a direção. Achei que essa revista deveria ser menos ambiciosa e simplesmente um meio de comunicação da comunidade...
Assim, estávamos abertos a dados menos bem estabelecidos
(...). Já não tentávamos mais provar em cada artigo a realidade da fusão fria, já que todo o público estava convencido (...); isso nos permitiu produzir artigos com credibilidade, certamente não absoluta (...), mas que contribuíam sempre para o campo.
Quanto aos artigos teóricos, pensei que julgar a validade de uma teoria é muito difícil, então assumi o risco, como editor-chefe e sem saber o que o futuro reservará, de permanecer aberto às novidades.
É melhor ser um pouco mais flexível
(...), com uma probabilidade maior de encontrar uma teoria correta, do que ser muito rigoroso e perdê-la, pois saindo muito dos caminhos tradicionais.)
Esse laxismo é o fim de toda credibilidade. Esse reconhecimento abre a porta para um auto-descredito.
Biberian dedica 5 páginas à alquimia
e menciona seu encontro com o alquimista Albert Cau, em 1998. Ele tenta, sob sua direção, uma experiência e, na página 161:
Uma solução seria aparentemente possível: fazer cair chumbo derretido em cal. O choque térmico deveria produzir a transmutação. Realizei algumas experiências desse tipo, mas também sem sucesso.
Um pouco mais adiante, neste breve capítulo de 5 páginas, Biberian menciona sua análise de "moedas de prata supostamente alquímicas", detidas em um museu alemão. Teste sobre as abundâncias isotópicas, na esperança de descobrir uma proporção diferente da encontrada no prata natural. Resultado negativo.
Em resumo, este capítulo poderia ser resumido na frase:
- Quando não tenho nada a dizer, digo isso...
Isso significa que a Alquimia é uma farsa? Não iria tão longe e citaria, de passagem, uma experiência pessoal (tenho tantas coisas para contar e... para fazer).
Por volta da mesma época, Cau entrou em contato comigo. Vivendo miseravelmente em um pequeno quarto, em Paris, ele procurava um patrocinador que financiasse suas pesquisas. Para fazer alquimia, a primeira coisa de que se precisa é de um forno digno desse nome. Cau não podia experimentar em seu sótão. Assim, realizou essas experiências no jardim da irmã, nas proximidades de Paris.
Sabia que eu era amigo de Alain D., um rico industrial do sul da França, que possuía um avião particular usado para seus numerosos deslocamentos profissionais, e foi diante dele que propôs realizar sua demonstração de transmutação de um material em ouro. Propusemos o seguinte acordo: nós mesmos compraríamos os materiais e conduziríamos as experiências com nossas próprias mãos, sob sua orientação. Ele não tocaria em nada. Se o resultado fosse positivo, Alain lhe pagaria um forno de indução elétrica, capaz de aquecer amostras de alguns centímetros cúbicos a altas temperaturas, colocadas em uma cadela. Alain pagaria viagem e hospedagem.
Cau aceitou. Tratava-se de manipulações chamadas de espagiria, onde o prata seria transmutado em ouro. Alain comprou prata e o segundo ingrediente: cal. Sua mulher fazia cerâmica em um forno, que usamos. Cauteloso, Alain havia comprado máscaras de plexiglás e luvas de proteção. Cau permaneceu distante e não tocou em nada. A dez metros de distância, dava suas instruções. Executamos seus ordens:
-
Colocamos em fusão, no forno e em uma cadela refratária, uma mistura de prata e cal.
-
Eu era responsável pela abertura e fechamento da porta do forno.
-
Quando se estimava que a mistura estava em estado de fusão, abri a porta. Alain pegou a cadela com pinças e derramou rapidamente a mistura de prata derretida e cal em uma bacia cilíndrica de 30 cm de diâmetro e 40 cm de altura, cheia de água da torneira.
-
A água ferveu violentamente. Mas, logo em seguida, quando o fenômeno da ebulição cessou, pudemos recuperar um objeto. Na verdade, essa mistura em fusão se transformou em algo que se assemelha muito a pipoca, inclusive em suas dimensões.
Cau nos advertiu: não funciona em todos os casos. Mas ainda assim relativamente com frequência. Digamos,
uma vez a cada duas
. Então ouvimos o equivalente a um forte golpe de martelo, o que evoca uma onda de choque. E então, ó surpresa, essa pipoca está "revestida de ouro". Não se trata de uma leve iridescência. Não, todas essas bolhas metálicas, ocos e de pequeno diâmetro, ficaram completamente "douradas na borda".
Infelizmente não guardei. Alain talvez tenha uma em casa.
É ouro? Cau intervém, dissolve uma dessas pequenas esferas douradas, extraída com uma pinça, desse objeto de 4 ou 5 cm de tamanho, e a mergulha em ácido nítrico (seguimos seus gestos o tempo todo). O prata se transforma em nitrato de prata, líquido. Restam no fundo do tubo de ensaio finas escamas. A quantidade é ínfima e pode ser calculada em frações de miligramas. Mas distinguimos muito bem esse depósito.
Cau continua a análise. As escamas são dissolvidas em
água régia
. E conclui: "é realmente ouro".
Teria sido necessário continuar com um espectrômetro de massa. Mas, de qualquer forma, o aspecto dourado e brilhante das "bolhas" era indiscutível. O prata bruto é de cor cinza opaca.
Alain pega seu caderno de cheques e aumenta o valor do forno de indução: 3000 euros. Cau parte para Paris na mesma noite. Ao levá-lo à estação, digo:
- Claro que, se for verdadeiro ouro alquímico, não se pode dizer que o processo seja economicamente viável industrialmente, considerando as quantidades produzidas e a energia gasta. Mas vejo aqui uma forma de ganhar um pouco de dinheiro. Por que, com o forno que Alain lhe oferece, você não produziria essas escamas? Poderia incluí-las em resina transparente e vender esses objetos como medalhões, colares, anéis, a um preço razoável, como amostras de ouro alquímico, com um certificado assinado por você, mais explicações.
Cau me fulmina com o olhar. Não sei o que se tornou desse homem.
Ficamos por aí. Alain e eu tínhamos muitos outros problemas na época. Não tivemos tempo para esclarecer esse assunto. Além disso, abrindo e fechando a porta do forno, danificamos o equipamento devido às tensões térmicas. A porta não fechava mais e a mulher de Alain reclamou porque danificamos seu utensílio. A alquimia, ela não se importava. Só homens sonham com coisas assim.
O prata que usamos continha traços de ouro? Teria sido fácil verificar. Bastaria pegar uma pequena quantidade desse prata, "não tratado", da mesma massa que a amostra analisada por Cau, e dissolvê-la em ácido nítrico. Se contivesse ouro, este formaria um depósito no fundo do tubo de ensaio.
Se não houvesse esse depósito, então seria extremamente interessante.
Mas a vida é um rio. Nunca conseguimos voltar a esse tema. Se alguém quiser repetir essa experiência, ela está sem sombras, em nenhum momento, e penso que é muito provavelmente reprodutível. Alain adquiriu "prata industrial", Cau não pôde fraudar.
De qualquer forma, permanece um efeito incrivelmente espectacular. Mesmo que esse prata contivesse ouro, qual fenômeno poderia ter projetado esse metal, revestindo, provavelmente em algumas dezenas de micrômetros de espessura, a superfície externa da "pipoca de prata"?
Biberian dedica um capítulo de... 7 páginas às transmutações biológicas,
anunciadas de forma sensacionalista na página de capa.
Na página 151, ele escreve:
- Não sendo químico, e não sabendo como fazer medições químicas quantitativas... nunca gostei de química, com seus tubos de ensaio e dosagens precisas (...)
Ele menciona logo experiências realizadas por um certo Kervran. Em seu artigo da página 207,
Corentin Louis Kervran
é citado na página 212. Parece ter falecido (1901-1983). Traduzo:
- Kervran é certamente o cientista mais conhecido que trabalhou nesse campo das transmutações biológicas. Possuía um amplo conhecimento sobre instalações, geologia e física nuclear. Publicou suas descobertas em francês em dez livros. Alguns foram traduzidos para o inglês. Também foi indicado para o prêmio Nobel.
Na Wikipedia lê-se:
Em 1993, recebeu
( postumamente )
o prêmio paródico Ig Nobel de física por concluir que o cálcio das cascas de ovos de galinha é criado por um processo de fusão fria.
O prêmio Ig Nobel
(nomeado brincando com "prêmio Nobel" e o adjetivo ignóbil) é um prêmio paródico concedido a pessoas cujas "descobertas" ou "realizações" podem parecer estranhas, engraçadas ou absurdas. Às vezes depreciativas e críticas, os prêmios têm como objetivo celebrar o inusitado, homenagear a imaginação e estimular o interesse nas ciências, medicina e tecnologia.
Parece haver uma diferença clara entre "
... receber o prêmio paródico Ig Nobel
" e "
... ser indicado para o prêmio Nobel
". Tem-se a impressão de que o livro de Jean-Paul Biberian é um lixo onde ele não verifica nada, apenas "reúne fatos que considera comprovados". De fato, toda vez que me reafundo em seu livro, cujo discurso se baseia no mais completo vago artístico, descubro novas... falhas.
Na página 152,
Biberian escreve:
- Reproduzi com sucesso parte das experiências de Kervran.
Onde, quando, como? Onde foi publicado?
Não sei se essas transmutações biológicas são ou não uma realidade. Já vi o suficiente em minha vida para saber que conclusões precipitadas, em qualquer sentido, são sempre arriscadas. Lembro-me de discussões sobre o cálcio nos ovos das galinhas "que elas não poderiam ter absorvido em sua alimentação". Um comentador de Kervran sugeriu que esses animais poderiam ter extraído o cálcio de seu esqueleto, ou mais geralmente, do já presente em seu corpo, em suas células.
Na página 205
de seu livro, você lerá
ANEXOS
Seleção de artigos científicos publicados
em diferentes revistas com comitê de avaliação
, em língua inglesa
Começa com um artigo de Jean-Paul Biberian. Olhe no topo o que está escrito, em letras pequenas:
- Condensed Matter Nucl. Sc. 7 (2012) 11-25
É... a revista cujo diretor de publicação e único revisor para a língua francesa Biberian é desde 2006. A lista dos outros membros do comitê editorial está indicada em nota na página 192.
De fato, tudo o que brilha não é ouro.
Publiquei obras sobre um assunto extremamente controverso: OVNIs. Alguns de meus livros incluíram reproduções de artigos e comunicações científicas. Mas em cada caso tratou-se de publicações de alto nível, com verdadeiro comitê de avaliação e apresentações em congressos internacionais, no topo da especialidade. Na Coreia, em 2009, e em Praga, em 2012, Doré e eu apresentamos resultados experimentais incontestáveis e de alto nível, provenientes de experiências realizadas no... meu garagem. Em qualquer momento estaria pronto para responder imediatamente a qualquer dúvida sobre esses trabalhos. O corajoso Doré finaliza, sempre naquela garagem, os trabalhos que serão objeto de nossa próxima comunicação, em um congresso onde rendemos... graças a doações feitas à nossa associação
UFO-science
.
Pessoalmente, sou "proibido de seminários" há anos. Pelo menos vinte anos. A porta do Instituto de Estudos Avançados de Bure-sur-Yvette me está fechada pelo acadêmico Thibaud Damour, que não gostaria de me enfrentar em público, cara a cara. O mesmo ocorre com o seminário de Carlo Rovelli, em Marselha. O mesmo no Instituto de Astrofísica de Paris ( caso Alain Riazuelo ), ou em relação a Joa Magueijo no Imperial College, Londres (sobre o tema da velocidade da luz variável). Todos se esquivaram lamentavelmente. Todos sabem que, em quarenta anos, em seminários, nunca perdi um combate. Riazuelo não aguentaria um round contra mim em seu território, e ele sabe muito bem.
Alain Blanchard também já se esquivou publicamente, diante de uma solicitação que fiz diante de meus colegas, durante um seminário que ele ministrava no Observatório de Marselha, quando ainda estava ativo lá. Li diante de meus colegas a crítica tola que ele havia formulado sobre meus trabalhos de cosmologia, no âmbito da comissão do CNRS da qual dependia. Como resposta, Blanchard pegou seus slides e fugiu correndo pela porta dos fundos. E um de meus colegas presentes se levantou dizendo:
- Vocês viram! Ele está fugindo!
Parece que ele dirige o Instituto de Astrofísica de Toulouse. Lá me disseram: "se eu pedisse para dar um seminário ali, seria visto como uma provocação" ( ... ).
- Covardes, covardes, covardes, sem coragem, sem honra!
Dei três seminários de duas horas no departamento de matemática da Universidade de Toulouse-Mirail nos dias 5 e 6 de dezembro. Público: seis pessoas no primeiro seminário, três nos dois seguintes, incluindo o matemático que me convidou (a meu custo), e... que não tenho notícias desde então. Com 71 anos, é um especialista experiente no campo das álgebras de Clifford. Seu projeto era que escrevêssemos juntos uma obra, publicada por uma grande editora científica alemã, onde ele tinha acesso. Ele deveria entrar em contato comigo.
Duvido que o faça.
Críticas durante esses seminários? Nenhuma,
pelo contrário
. O matemático que me pediu para dar esses seminários estava feliz "porque a sintonia foi boa". Essa primeira visita deveria ser seguida por outras. Mas desde minha chegada a Toulouse, a hostilidade dos astrofísicos era evidente.
Após essa excursão toulousaine:
- Ouvi ecos sobre sua apresentação. O curioso é que, em geral, os astrofísicos concordam com seus trabalhos, mas, paradoxalmente, não querem se interessar por eles.
É claro "por causa do contexto OVNI", de tudo o que esses trabalhos implicam, sobre a não impossibilidade de viagens interestelares (uma segunda matéria, dentro da qual a velocidade da luz é 50 vezes maior que a nossa).
Enfrentei matemáticos geométricos de alto nível, com quem, de fato, "a sintonia foi boa". No primeiro seminário, o subdiretor do instituto de astrofísica estava presente. Um bom sujeito, mas parecia um jogador de pingue-pongue perdido no Central de Roland Garros no dia de uma final.
Acho que foi realmente lá, após 38 anos de trabalho, que entendi que o que faço só é realmente compreensível por matemáticos-geômetras. Mas pelo menos com essas pessoas, o diálogo pode ser estabelecido. Com astrofísicos, não.
Voltando ao livro de Jean-Paul Biberian. Colegas que o conhecem há muito tempo dizem:
- Jean-Claude, é um oriental...
É verdade, seus vídeos, assim como seu livro, lembram um pouco os Contos das Mil e Uma Noites. Essa fusão fria, que se diz ter produzido, às vezes, até 24 watts de calor anormal, ocasionalmente, e muitas vezes se estagna em torno do watt, ou mesmo do... milivat, está parada. Você encontrará neste livro, que se lê como uma visita a um souk, a lista exaustiva de todos os tentadores de fusão fria. Essas experiências estão nas mãos de amadores. Nenhum propõe um modelo teórico, nada. Coloca-se "isso e aquilo, imersos nisso" e observa-se o que acontece. O que mais se assemelha à fusão fria é a culinária.
Biberian menciona várias vezes a máquina de fusão fria de Rossi.
-
Se esse conceito for válido...
-
Se, como dizem os espartanos.
Se você gosta de contos orientais, vá em frente com seus 18 euros. Espero que esta obra vazia não faça "barulho" na internet e não suscite debates apaixonados nos grandes meios de comunicação, pois, no estado atual, a montanha dá à luz um rato. Penso que há caminhos mais urgentes para os quais deveríamos nos voltar, em vez de seguir sonhos sem consistência real, marcados por inúmeros fracassos.
- Não funcionou. Nenhum desprendimento de energia pôde ser constatado...
Ficaríamos felizes em dar eco a avanços notáveis, a ideias com coerência. Mas os anos passam e a fusão fria permanece "um tema sobre o qual se pode conversar entre amigos".
O que me irrita é que, há 40 anos, respeito rigorosamente as regras científicas, colocando meus "objetivos" (ao preço de quantas gotas de suor!) nos verdadeiros campos de jogo, em revistas e congressos de alto nível, enquanto na abordagem de Biberian a falta de rigor está em toda parte. Não tenho nada contra o homem, absolutamente nada. Acho pessoalmente que pesquisas sobre uma fusão catalisada deveriam ser apoiadas.
Antes de mencionar o que poderia ser tentado na direção da sonofusão, terminemos citando mais trechos do livro de Biberian.
No seu livro, diz uma coisa, e logo em seguida seu oposto, a poucas páginas de distância. O leitor julgará. Passando por muitas frases onde se lê "ele demonstrou", "ele provou", encontramos numerosos relatos de fracassos.
Página 73:
- Infelizmente, após vários anos de trabalho, dezenas de cartas e experiências tão variadas quanto possíveis, ainda não chegamos a um resultado conclusivo (...).
Página 79:
- Tentamos essas bolas francesas, mas os resultados não foram suficientemente convincentes para serem publicados. No melhor dos casos, obtivemos apenas alguns por cento de energia extra. Isso não era suficiente para nos convencer a nós mesmos, muito menos para convencer os outros (...)
Página 104:
- No campo da fusão fria, a situação é difícil porque, atualmente, não há nenhuma teoria para verificar (...)
Esse constatação não impede Biberian, na página 133, de dedicar
o capítulo 6
de seu livro às "Teorias da Fusão Fria".
No final da obra, assina sua conclusão, na página 194. Reproduzo este trecho integralmente:
página 194
QUE FUTURO PARA A FUSÃO FRIA?
Desde 1989, grandes avanços foram realizados no campo da fusão fria (...). Começamos a entender melhor quais são os ingredientes importantes, as condições necessárias para que o sistema funcione (...). Não apenas a experiência inicial dos dois descobridores foi reproduzida, mas novas experiências mostraram outras maneiras de obter resultados semelhantes. Também vimos que o fenômeno é muito mais geral do que se pensava no início dessas pesquisas e que pares diferentes do paládio-deutério são possíveis. Talvez um dos pontos importantes seja que a compreensão de que o par níquel-hidrogênio é uma solução do futuro. Os resultados obtidos pela equipe de Andrea Rossi na Itália e os da empresa Defkalion na Grécia são extremamente encorajadores e mostram que as pesquisas podem levar a aplicações em breve.
Aqui está o epílogo. Após um quarto de século de dificuldades, correndo atrás de experiências muitas vezes não reprodutíveis, medições altamente problemáticas. Andrea Rossi vai salvar a situação, passando de frações de watt a... megawatts. Que o céu o proteja de que essa história não se desinche como um balão! Assunto a ser acompanhado.
A propósito do livro de Jean-Paul Biberian, desculpe-me por ter sido francamente negativo quanto à sua construção. Repito, não tenho nada contra o homem. Mas há, na verdade, uma marginalização sistemática dessas equipes, com montagem de congressos e criação de uma revista onde o comitê de avaliação se identifica com os autores dos artigos e onde o laxismo é apresentado com toda sinceridade, mas também com ingenuidade, como uma prática comum. Como confiar em publicações feitas com tamanha leveza?
Se há alguém que é pago para saber que a comunidade científica é violentamente hostil a tudo que sai dos caminhos tradicionais, esse sou eu. As publicações que consegui em revistas de alto nível foram obtidas com combates inimagináveis, esgotantes.
Pior ainda: não apenas essa comunidade é hostil, mas também é
francamente desonesta,
foge covardemente do confronto, do encontro face a face, do necessário choque de ideias em seminários. Isso sendo assim, fugir para uma ilha deserta, publicar em sua própria revista, não constitui a solução, especialmente quando se admite de pronto que essas mesmas publicações estarão contaminadas por laxismo.
J.P. Petit, 20 de abril de 2013
22 de abril de 2013.
Pouco tempo após colocar online minha análise do livro de Jean-Paul Biberian, um colega pesquisador, Frédéric Heny Couannier, assistente universitário na Universidade de Aix-Marseille, também citado no livro nas páginas 95 e 96, respondeu-me com a mensagem abaixo, que reproduzo com seu consentimento.
É verdade que os resultados alegados pelo italiano Andrea Rossi representariam um salto adiante de mil vezes em termos de produção de energia térmica por fusão fria, segundo uma filiação níquel-hidrogênio, tecnologia que teria sido objeto de demonstrações e pedidos de patentes.
É também verdade que, se essa inovação tivesse substância, provocaria reações extremamente violentas dadas as quantias envolvidas, bem como os impactos geopolíticos decorrentes do surgimento dessa nova tecnologia, reações que poderiam chegar a ameaças de morte ao interessado.
Mas recordemos que já tivemos, mesmo na França, fraudes de escala inimaginável, como os "aviões aspiradores". Veja esta incrível investigação:
http://www.youtube.com/watch?v=agoshqLW59Y
Assunto a ser acompanhado.
J.P. Petit
De: Frédéric Henry-Couannier fhenryco@yahoo.fr
Para: Jean-Pierre Petit jppetit1937@yahoo.fr
Enviado em: Segunda-feira, 22 de abril de 2013, às 0h09
Assunto: Re: Livro de Biberian sobre fusão fria.
Jean-Pierre,
Temendo que tenha passado por cima da mensagem mais importante do livro de JP Biberian, e que se encontra na prefácio de Stanley Pons, co-descobridor da fusão fria, cito este trecho da prefácio, página 11:
- Rapidamente, percebi que o assunto havia sido declarado morto na América, embalsamado na América e enterrado na América; e quanto a mim, fui, de maneira não oficial, exilado para sempre pelos "homens do presidente".
Parece evidente que os laboratórios militares do DoD (Departamento de Defesa) se apropriaram dessa fusão fria, arranjando-se para desacreditar o tema no plano midiático. Uma descoberta assim obviamente tinha implicações estratégicas. Como poderia ser diferente?
Daí, na minha opinião, o bloqueio sistemático de patentes (de Rossi), o fenômeno de tabu mantido nos meios de comunicação (como no caso da memória da água), o bloqueio de publicações em revistas prestigiadas, com a consequência de que os pesquisadores trabalhando sobre o tema são obrigados a criar suas próprias revistas (observa-se a mesma tendência em todos os setores que se situam fora da ciência convencional).
Esse assunto também é abandonado pelos físicos teóricos sérios, que muitas vezes são muito mais dependentes do paradigma dominante do que os experimentadores.
Não esqueça que Biberian é exclusivamente experimentalista. O que você esperava que ele fizesse além de tentar contar todas as experiências que realizou, na maioria sem sucesso, mas algumas vezes com resultados positivos que confirmam os de colegas e alimentam sua convicção da realidade do fenômeno, tudo isso em um tateamento total devido à ausência de um quadro teórico consensual sobre o tema?
Quanto a Rossi, a possibilidade de erro metodológico pode ser excluída, pois o homem:
-
Afirma que está fazendo funcionar suas próprias fábricas (é um industrial) com a energia produzida por seus reatores - Insistiu no fato de que o vapor que sai do seu e-cat foi testado para verificar que era realmente seco: resposta à principal crítica metodológica que lhe é frequentemente feita.
-
Afirma poder fazer funcionar seu reator em ciclo fechado uma vez que este esteja em regime de cruzeiro (usando parte da energia produzida para re-injetá-la como entrada para manter a reação) e, portanto, nesse modo, evitar qualquer consumo de energia externa.
Então, ou ele diz a verdade, ou é um farsante total, mas:
- Quando se vê o tamanho da fraude, ainda assim é impressionante:
http://www.youtube.com/watch?v=5osJcNalags - Rossi cooperou (concluiu acordos) com a empresa grega Defkalion por um curto período, após o qual houve uma separação que pareceu bastante conflituosa. Pouco tempo depois, a empresa Defkalion anunciou também poder oferecer rapidamente um reator doméstico com desempenho semelhante ao de Rossi e publicou seus resultados independentes na conferência de verão de 2012. Muitos detalhes aqui:
http://nickelpower.org/2013/04/10/my-visit-to-defkalion-canada/
Defkalion e Rossi tornaram-se agora concorrentes. Então, se houver fraude, não apenas é monumental (dado os recursos consideráveis envolvidos), mas também é contagiosa, pois envolve agora uma empresa (Defkalion) com dezenas de engenheiros e cientistas que publicaram resultados de forma totalmente independente de Rossi, exatamente sobre a mesma tecnologia (níquel-hidrogênio)!
http://defkalion-energy.com/technology/
O que acredito:
Rossi, bloqueado e ameaçado de morte, teria organizado vazamentos para a Defkalion, única saída para ele, para dar futuro às suas descobertas... senão qual seria a probabilidade de que ambos tivessem conseguido independentemente desenvolver o famoso truque que multiplica por mil as performances da fusão fria, enquanto centenas de pesquisadores independentes no mundo tentando adivinhar esse truque de Rossi não conseguem?
Quando publiquei no fórum da Defkalion, todos meus posts foram excluídos. Pedi explicações e eles se desculparam, alegando um erro de manipulação, mas não puderam restaurar meus posts (com links para meu site e trocas no fórum). Ia voltar a postar no fórum quando o site da Defkalion simplesmente desapareceu durante vários meses! Depois o site reapareceu recentemente, mas sem fórum.
A Defkalion havia convidado dezenas de "especialistas" para uma demonstração na primavera passada. JP Biberian era um deles... na véspera, tudo foi cancelado!
A última mensagem de Rossi parece bastante clara: o e-cat doméstico está bloqueado (patentes), enquanto o e-cat MegaWatt está atualmente em posse de uma organização militar secreta! No entanto, pode-se ler aqui
http://nickelpower.org/2013/04/10/my-visit-to-defkalion-canada/
que inicialmente:
Defkalion foi criada para comercializar a tecnologia da caixa preta que Rossi afirmava ter em escala global, excluindo os Estados Unidos da América e todas as aplicações militares.
Isso dá uma impressão de blackout.
Há anos tento esclarecer JP Biberian sobre o que realmente impede a fusão fria, mas acho que só recentemente ele realmente entendeu. Aposentado, poderá mais facilmente considerar que esse obstáculo à pesquisa decorre de um verdadeiro complô, enquanto estava em atividade.
Fred
Voltando ao que poderíamos considerar um complemento a essa análise do livro, uma digressão sobre a esperança de obter uma
sonofusão
.
Tudo começa com o fenômeno de cavitação, identificado em 1917 por Lord Raleigh (co-inventor, entre outros, da instabilidade de Raleigh-Taylor, fenômeno que condena as tentativas de fusão por laser no NIF americano e no futuro no banco Megajoule francês). No início do século, descobriu-se que as hélices de bronze dos navios de guerra da Grã-Bretanha pareciam atacadas por traças. A explicação é a seguinte. Quando a hélice gira, uma zona na parte externa da pala fica em depressão. A pressão cai abaixo da pressão de vapor saturante da água. Uma bolha hemisférica de vapor se forma então e cresce. Mas, levada pelo fluxo líquido, essa bolha de vapor passa então para uma zona da pala onde a pressão aumenta. O hemisfério de vapor é então recomprimido. Ou seja, ao longo dessa fronteira água no estado líquido-vapor, a pressão sobe subitamente. Isso provoca então o início de uma onda de choque hemisférica centrípeta que converge para o centro geométrico desse pequeno volume, localizado na parede. Essa onda de choque, auto-focalizada, concentra a energia em uma área minúscula, que então sofre um impacto correspondente a uma pressão muito alta (várias milhares de atmosferas). Em uma área muito localizada, a temperatura ultrapassa a do ponto de fusão do bronze. Combinando o efeito do choque mecânico e do choque térmico, obtém-se uma abrasão (rápida) do metal.
O fenômeno de cavitação também pode ser obtido submetendo a água a oscilações de pressão criadas por cristais piezoelétricos, gerando ultrassons. Quando estamos na fase de expansão, a cavitação se manifesta no interior do líquido, com a formação de microbolhas esféricas de vapor. Na fase de compressão, o mesmo cenário, com partida de uma onda de choque centrípeta esférica. Novamente, a pressão e a temperatura atingidas alcançam valores consideráveis (5000 barras, 5 a 10.000 graus). A alta temperatura provoca a excitação das moléculas de água, sua dissociação e a emissão de uma luz azulada (fenômeno de
sonoluminescência
).
Não há dúvida de que, localmente, temperaturas muito elevadas são atingidas em um meio líquido ao criar um fenômeno de microcavitação por meio de ultrassons. De fato, é possível comprar na internet um kit relativamente barato, uma sonda que produz ultrassons, que pode ser imersa na água. Assim, se tudo for colocado na escuridão, a água emite uma luz azulada de efeito muito bonito.
Biberian menciona, em seu livro, páginas 73-74, uma tentativa dos californianos Roger Stringham e Russ George de obter reações de fusão operando com ultrassons sobre água pesada, na qual, nas moléculas de água, o hidrogênio é substituído por seu segundo isótopo, o deutério. Eles colocavam nesse volume de D₂O uma folha de paládio, um material mágico usado por Pons e Fleischmann em 1988, um metal capaz de absorver 900 vezes seu volume de hidrogênio, até se expandir.
É claro que os pesquisadores buscam um desprendimento anormal de calor, o que é problemático, já que os ultrassons fornecem energia à água. Além disso, no hangar onde as experiências eram realizadas, variações frequentes de temperatura tornavam as medições por calorimetria problemáticas. Mas Biberian, que colaborou nesses trabalhos, após levantar essas questões, escreveu: "No entanto, pude contribuir com minha pequena parte e demonstrar claramente que havia um desprendimento incomum de calor".
Como? Mistério. Na linha seguinte, ele fornece uma precisão importante: Stringham e ele eram vegetarianos (não estou inventando nada, você lerá isso).
Stringham acreditava que as bolhas formadas na superfície do paládio provocavam reações nucleares. E Biberian comenta, página 74, dizendo:
- De fato, na folha de paládio era possível observar ao microscópio eletrônico áreas derretidas, crateras, indicando a presença de reações violentas.
No livro, ele confessa sua incompetência em química. Se Biberian examinasse hélices de barcos, também observaria traços de "reações violentas".
Não, não são reações, mas o efeito da focalização de ondas de choque minúsculas, fenômeno conhecido há muito tempo pelos físicos.
25 de abril de 2013:
E-mail de Jean-Paul Biberian, que reproduzo com sua autorização.
Meus comentários estão em vermelho.
De: Jean-Paul Biberian
Para: Jean-Pierre Petit jppetit1937@yahoo.fr
Enviado em: Quarta-feira, 24 de abril de 2013, às 9h47
Assunto: Sobre os comentários sobre meu livro
Olá, Jean-Pierre,
Acabei de ler com espanto a crítica que você fez ao meu livro: A Fusão em Todos os Seus Estados: Fusão Fria, ITER, Alquimia, Transmutações Biológicas, editado pela Trédaniel.
Primeiramente, meu nome é Jean-Paul, e sou aposentado da Universidade Aix-Marseille e não do CNRS, e agradeço que não tenha mágoa contra mim!
Desculpe-me. Corrigi imediatamente. Se você me informar seu cargo na universidade antes de sua aposentadoria, posso mencioná-lo.
Este livro é destinado ao público em geral, não é uma obra científica. Não é "baboseira", estou realmente contando uma história, a minha, através da minha trajetória científica. Descrevo o que fiz, as pessoas com quem me deparei, o que funcionou e o que falhou. Em resumo, a vida de um cientista que o público em geral não conhece necessariamente. Não sou um modelo, mas apenas minha jornada. Muitas das coisas que escrevi, eu realmente disse em minhas conferências, é normal, tenho apenas uma vida para contar.
Se você conta sua vida, então deveria ter colocado outro título. Você colocou "A Fusão Fria em Todos os Seus Estados: Fusão Fria, ITER, Alquimia, Transmutações Biológicas...". Deveria ter colocado algo como:
"Memórias de um pesquisador caminhando fora dos trilhos", por exemplo.
Quanto ao ITER, fiz um breve ponto sobre a situação e dei minha opinião. Não podia me aprofundar muito nesse assunto, pois nunca trabalhei diretamente com tokamaks, mas sei o suficiente para formar uma opinião e compartilhá-la.
Não. Você não sabe o suficiente. É um problema muito complexo, que exige conhecimentos de ponta em física de plasmas e MHD, que você não possui. É apenas uma digressão, fraca em conteúdo. O ITER é um problema grave no plano internacional. É um desvio de fundos públicos considerável, sem precedentes. Se você quisesse falar sobre esse tema e me consultasse antes, eu teria fornecido dados mais precisos. Os verdadeiros especialistas em fusão, os experts (e eu me tornei um deles), sabem que essa máquina nunca dará o que se espera dela, que será apenas um fantástico desperdício. É muito instável, e essas instabilidades crônicas e prejudiciais parecem incuráveis. Dê uma olhada no discurso de Wurden em Princeton em 2011, no meu site.
A fusão fria é um campo científico totalmente novo, e até hoje não há uma teoria inteiramente satisfatória para explicá-la.
Então, como pretender ser divulgador em um domínio que ninguém domina?
É possível que com os conhecimentos atuais de mecânica quântica e física do sólido se consiga explicar o fenômeno, mas não é certo. Também é possível que seja um fenômeno novo que exija novas ideias além do que é conhecido.
É por isso que uma revista científica como a que sou editor-chefe: Journal of Condensed Matter Nuclear Science deve manter uma abertura de espírito na escolha dos artigos publicados. Relembro que é uma revista com revisão por pares, e todos os artigos publicados foram revisados.
A revista em questão publica artigos sobre fusão fria. Se esses artigos forem validados por revisores, então eles devem ser automaticamente especialistas nesse domínio. Como pessoas podem se apresentar como especialistas em um campo que ninguém domina? Isso não faz sentido. Pode ser um boletim de ligação entre membros de uma mesma comunidade, talvez. Mas uma revista com revisão por pares, não. Alguém deveria ter dito isso.
Um controle muito rígido talvez deixasse passar uma ideia interessante. Não se trata aqui de desacreditar, mas de abrir espaço para novas ideias. Deixe o leitor julgar por si mesmo.
Essa frase me choca. Como um homem comum poderia julgar uma abordagem científica descrita em artigos? Uma abordagem que só pode ser validada por fatos concretos. E, desde um quarto de século, a fusão fria está estagnada em termos de fatos notáveis. A não ser pelo avanço alegado por Andrea Rossi. Ali, trata-se de algo muito importante. Na situação atual, há apenas três opções possíveis:
-
Ou se trata de uma descoberta importante. Nesse caso, ela deveria se instalar o mais rápido possível no cenário energético internacional. Deveriam ser colocados recursos à disposição para desenvolver essa nova linha de produção.
-
Segundo cenário: essa descoberta é real, mas sufocada pela armada, pelos poderes financeiros, como sugerido por Frédéric Henry Couannier. Nesse caso, deveria haver investigação, e se comprovado, tornar público e fazer tudo para libertar essa descoberta.
-
Terceira opção: é uma farsa cujo eco atingiu todo o planeta. Nesse caso, deveria ser reconhecido e denunciada tal prática. A escala dos recursos envolvidos não tem precedentes. Veja o caso dos aviões farejadores:
http://www.youtube.com/watch?v=agoshqLW59Y
A alquimia é um tema interessante, pois pressupõe transmutações. Ao contar minha experiência experimental na alquimia, simplesmente quis mostrar que um pesquisador deve estar aberto a novas ideias. Como experimentador, tentei reproduzir experiências alquímicas. Não tenho "nada a dizer", simplesmente não encontrei nada. Acredito que isso tenha sua importância. Um resultado negativo ainda é um resultado interessante.
Acho que seu capítulo não acrescenta nada. É apenas anecdótico. Se for um episódio de sua vida profissional, deveria mudar o título do capítulo. Colocou "Capítulo 9, A ALQUIMIA", e na capa a palavra atraente: "Alquimia".
Deveria ter colocado:
"Capítulo 9: 'Couve-flor na alquimia', ou 'Minha desventura na alquimia'."
Você viu em meu comentário que citei a experiência que fiz sob as diretrizes de Cau. Mesmo que não tenha havido transmutação (o que deveria ser esclarecido), a projeção de ouro na superfície da amostra permanece um fenômeno indiscutível e perfeitamente reprodutível, que mereceria ser estudado.
Quanto às transmutações biológicas, acredito que esse tema é importante, poucas pessoas sabem que existem, era importante falar sobre isso, especialmente porque fiz trabalhos com sucesso nesse campo. Na ciência, nem tudo é publicado. Meus resultados sobre a reprodução dos trabalhos de Kervran serão publicados assim que terminar novas experiências em andamento.
Aqui estão experiências que não foram publicadas, nem mesmo concluídas, e você escreve, página 152:
"A partir daí, reproduzi com sucesso parte das experiências de Kervran."
O primeiro artigo revisado no apêndice do meu livro é uma revisão sobre transmutações biológicas. É o primeiro artigo desse tipo. Foi publicado no Journal of Condensed Matter Nuclear Science, do qual sou editor-chefe, mas como todos os outros artigos da revista, passou por um revisor. Não sou o revisor para o francês; os artigos são todos em inglês, sou apenas o único francês na equipe editorial.
Mesma observação feita anteriormente. Sua publicação deveria se chamar "Boletim de ligação dos pesquisadores trabalhando em produção de energia por fusão a baixa temperatura, em matéria condensada".
Isso é apenas um boletim de ligação, não uma revista com revisão por pares, já que não existe nenhum especialista nesse campo, não dominado.
De fato, sendo de origem armênia, tenho um lado oriental, e gosto de histórias. Aliás, a ciência que gostamos é aquela em que nos contam uma história, seja sobre a origem do universo, a extinção dos dinossauros, a descoberta da radioatividade, dos raios-X ou ainda da supercondutividade.
Este livro não é um "souk", é uma jornada por uma trajetória de vida de um pesquisador. A fusão fria pode ser semelhante à busca do filamento adequado para a lâmpada incandescente de Edison, que experimentou muitos materiais antes de encontrar o certo. Quando não temos uma teoria para nos guiar, tentamos em várias direções até encontrar o correto. O experimentador é, de fato, um pouco um "cozinheiro" que tenta adicionar um pouco disso, um pouco daquilo.
Não vejo as coisas como você, mesmo que eu goste também de histórias e tenha escrito muitas. Tenho quarenta anos de pesquisa atrás de mim e, com 76 anos, continuo. Em setembro de 2013, Doré e eu apresentaremos um trabalho experimental de MHD, 100% original e sem sombras, em um colóquio internacional de Física de Plasmas de alto nível, em Varsóvia, após colóquios internacionais em Vilnius (MHD), Bremen (aerodinâmica supersônica), Coréia (Física de Plasmas). Em Varsóvia apresentaremos experiências centradas em "aerodinos MHD discoïdaux". Publicamos três artigos na Acta Physica Polonica, uma revista autêntica com revisão por pares, e continuaremos nessa direção.
Minha vida profissional não é um souk. Trabalhei em muitas direções, de forma racional, metódica, organizada, sustentada. Tive que lutar muito e ainda preciso continuar fazendo isso. As publicações visadas estão sempre em revistas com revisão por pares, de alto nível. Alguns experimentadores são cozinheiros, não eu. Em minhas pesquisas, a construção e a publicação de trabalhos teóricos e as experiências que confirmaram as previsões sempre foram paralelas.
Jean-Pierre, não se preocupe, os grandes meios de comunicação não se interessam pelo assunto. O bloqueio é completo. No entanto, no nível superior, todos estão cientes. Stanley Pons diz claramente na prefácio que teve a honra de escrever. Minha reunião com os RG que relato no livro também é significativa.
É especialmente lamentável que os pesquisadores da fusão fria não tenham produzido fatos experimentais apresentáveis e reprodutíveis. Longe de mim o desejo de criticá-los. É, de certa forma, normal quando se está explorando um tema não dominado. Meu amigo Benveniste teve os mesmos problemas, provavelmente porque não entendeu que frascos de água destilada comprados por seu laboratório podiam diferir, apesar da pureza, de acordo com a forma como essa água era "nano-estruturada", e que poderia haver não uma água, mas várias águas. Mas, diante dos meios de comunicação, isso não simplifica as coisas.
A fusão fria já tem 24 anos, e desde o início os progressos foram importantes, compreendemos muito melhor o que está acontecendo, o que é necessário para ter sucesso, e principalmente o que não se deve fazer.
Como pode-se "compreender melhor o que está acontecendo" na ausência de um modelo capaz de interpretar o que se observa?
Aprecio que você "achar que pesquisas sobre fusão catalisada deveriam ser apoiadas", pois atualmente não é o caso.
Meu apoio nesse ponto é total. Sempre foi.
Mais uma vez, o Journal of Condensed Matter Nuclear Science publica artigos de muitos autores que não fazem parte do comitê de revisão. Não se trata de "laxismo", mas de abertura a ideias novas e não ortodoxas.
Não fui eu quem falou em laxismo. Foi você, no seu livro, página 192, cito:
"É melhor ser um pouco laxista..."
Quanto às experiências de sonofusão com Roger Stringham, é claro que, se menciono a fusão do paládio, é por causa do excesso de calor que observamos. É evidentemente possível que isso seja apenas devido a um efeito de cavitação. É a correlação entre fusão e calor anormal que observei. Além disso, é evidente que retiramos das nossas medições o calor diretamente fornecido pelos ultrassons!
Não foi essa medida que contestei, mas a interpretação dos pontos de fusão na superfície da eletrodo, que você associa a "reações violentas". Cito:
Página 74:
- De fato, na folha de paládio era possível ver ao microscópio eletrônico áreas derretidas, crateras, indicando a presença de reações violentas.
Enquanto o impacto das ondas de choque ligadas à cavitação pode perfeitamente fundir esse metal, fenômeno conhecido desde... um século.
Fazendo votos para que um dia a produção de energia por reações nucleares a baixa temperatura, e se possível sem resíduos, possa se estabelecer no cenário energético internacional.
Jean-Pierre
Após aceitação da publicação do e-mail, na resposta:
Boa noite,
Era Professor Titular.
Estou totalmente de acordo com você sobre o ITER. Não fiz um estudo aprofundado do tema como você fez, mas sei que é um projeto morto-nascido. Infelizmente, é um projeto internacional muito difícil de parar, e continuará gastando muito dinheiro por muito tempo...
Obviamente ouvi falar bastante sobre máquinas magnéticas superunidades, mas ainda não vi nenhuma funcionando.
Por outro lado, não é porque não temos uma teoria que não podemos estudar um tema científico. Levou 50 anos para entender a supercondutividade de baixa temperatura, e ainda não sabemos por que a de alta temperatura funciona. A catalise funciona, embora não haja uma teoria completa, e os pesquisadores continuam desenvolvendo catalisadores com muitos ensaios.
Totalmente de acordo.
A supercondutividade foi descoberta em 1911 pelo holandês Kamerlingh Onnes, com mercúrio, levado à temperatura do hélio líquido. Essa descoberta estava dentro de um programa lógico: o estudo das propriedades dos materiais a temperaturas extremamente baixas. Imediatamente, o fato experimental pôde ser mantido no tempo e revelou-se perfeitamente reprodutível. Os parâmetros experimentais puderam ser definidos. Isso fez com que esse trabalho assumisse imediatamente seu lugar como uma nova área da física; sem qualquer possibilidade de contestação. Ninguém pôde se levantar dizendo "não acredito na supercondutividade". E, nessas condições, pouco importa que a modelagem teórica ainda não esteja pronta. Os astrônomos não esperaram que se esclarecesse o funcionamento das estrelas (fusão) para estudá-las, por meio de estudos espectroscópicos, e classificá-las de acordo com sua assinatura espectroscópica. Mas todos os astrônomos que visavam a mesma estrela encontravam o mesmo espectro. É diferente quando as pesquisas apresentam grandes dificuldades de reprodutibilidade. Segui diariamente os esforços (dramáticos) do meu querido amigo Jacques Benveniste (éramos muito ligados). Ele não dominava, e ainda hoje não medimos os parâmetros experimentais. E você sabe que quando organizou um colóquio sobre fusão fria em Marselha, vocês tentaram montar uma demonstração que poderia ser mostrada à imprensa e aos céticos, e infelizmente naquele dia não deu certo.
Pode deixar meu e-mail, de qualquer forma é fácil encontrá-lo no meu site.
Com carinho
Seria interessante criar essa cavitação, não com ultrassons, mas usando uma tocha convergente-divergente, uma tocha disco, que produz um alto índice de expansão. E isso com uma pressão de entrada em milhares de bares.

Quando o líquido for empurrado para a parte divergente, como não pode se expandir como um gás, ele se preencherá, por cavitação, de bolhas de vapor. Uma nova mudança de seção, com uma parte periférica convergente, provocará a implosão dessas bolhas, com novo início de uma onda de choque esférica centrípeta.

A cavitação na tocha-disco

O mecanismo da implosão de uma bolha na cavitação
Poderia-se intensificar a expansão colocando face a face, não discos, mas dois troncos de cone.
Penso que a energia associada a essa implosão poderia então ser maior do que a comunicada às microbolhas por um atuador de ultrassons. E não excluo que no centro dessas bolhas as temperaturas atingidas ultrapassem centenas de milhões de graus, permitindo considerar reações de fusão.
Por que não uma compressão-expansão-recompressão brusca de uma mistura deutério-trítio no estado líquido? Por que não uma compressão-expansão-recompressão de hidreto de lítio (o explosivo das bombas de hidrogênio), ou de hidreto de boro no estado líquido? (visando uma fusão sem nêutrons).
Para encerrar esta página, antes que o arquivo desapareça da internet, se quiser se distrair, veja ou reveja este clássico de Jules Romains, o filme Knock, com Jouvet. Um filme que não envelheceu, ao contrário de muitos filmes antigos aos quais agora podemos ter acesso na internet:
Knock com Jouvet
http://www.youtube.com/watch?v=QXNDOtd0vYw
Enquanto isso, sugiro também:
A construção das pirâmides no Antigo Egito com de Closets.
http://www.youtube.com/watch?v=OU1IiPr_1uI
Um filme um pouco antigo, com belas imagens e, de vez em quando, um toque de humor (adoro a sequência do pré-título), onde de Closets repete várias vezes "não, essas pirâmides não são túmulos". Estou de acordo com ele. Se os ladrões saquearam túmulos, seria lógico que tivéssemos à mão fragmentos de tecido, faixas, madeira, algo para analisar. Mas não há nada. Será que passavam a aspiradora ao saírem? Se elementos foram retirados das câmaras funerárias, reforçando a teoria de que eram túmulos, onde estão e o que se obteve de sua análise?
Os egiptólogos teriam, ao longo dos anos, cuidadosamente limpo as câmaras funerárias de todos os detritos, "para torná-las mais apresentáveis". Isso não é impossível. Há muito tempo me deparei com o sítio de Entremont, a oeste de Aix-en-Provence, logo após a saída da cidade. Um oppidum galo descoberto durante a Segunda Guerra Mundial, quando os alemães queriam instalar um radar ali. Cavaram então em busca de água e foi nessa ocasião que se descobriu que aquela elevação abrigava um rico sítio arqueológico.
Após a guerra, Fernand Benoit, tornando-se responsável pelas escavações arqueológicas na região Provença-Costa Azul, realizou escavações. Encontraram-se no local montes de "cerâmicas empilhadas". Benoit deu suas ordens:
- Limpe tudo isso, que eu veja claramente!
Assim foi feito. E foi assim que desapareceram todas as peças dos quebra-cabeças que eram apenas fragmentos dos fornos gálicos, quebrados após o uso para extrair a galette de ferro. Informações preciosas que foram para o lixo, em toneladas inteiras.
Se você visitar o sítio, encontrará sem dificuldade um muro com três pequenas entradas. O solo à frente foi... betonado. Se observar essas três entradas com atenção, notará que não têm a mesma altura. A parte inferior da pequena porta à esquerda é mais baixa que a parte superior da pequena porta à direita.
Penso que se trata de um forno longitudinal, onde a porta da esquerda era a entrada de ar e a da direita a saída. A porta central servia para o enchimento e limpeza desse canal. O fato de o ar permanecer mais tempo permitia obter temperaturas mais altas, portanto refinar melhor a galette obtida. As galettes a refinar eram colocadas em um túnel acima, construído em argila, que era destruído quando se recuperavam essas galettes enriquecidas.
Nenhum arqueólogo se preocupou com isso.
Voltando às pirâmides, inclino-me a pensar que eram antes de tudo lugares iniciáticos. Pelo menos algumas delas, como as de Dashour. A "pirâmide vermelha", por exemplo. Lá, os neófitos eram trancados. Para serem iniciados, tinham que entrar em um estado vegetativo semelhante ao que os iogues sabem alcançar. Redução do ritmo cardíaco, abaixamento da temperatura, etc. Penso que era um pouco como se dissesse ao candidato:
- Se quiser viver, primeiro precisa morrer e depois renascer.
Se sua preparação espiritual fosse suficiente, o aspirante passava na prova. Caso contrário, era encontrado morto no aposento.
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