A raiva cresce

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Cansaço e Perplexidade

26 de outubro de 2017

A internet está cheia de alertas sobre o que chamam de "conferências predatórias".

Como isso acontece? Bem, um dia você recebe um e-mail elogioso (ver mais abaixo), que menciona seus trabalhos, suas apresentações recentes. Você é sugerido para participar de um colóquio de aparência apresentável. E para complicar ainda mais, "os organizadores" lhe oferecem imediatamente uma palestra oral, não um pôster.

Aqui está a página do colóquio, e a correspondente:

Um evento "certificado acadêmico". Nunca vi uma menção tão estranha. Olhe nos sites acadêmicos que relatam as diferentes manifestações científicas. Essa não está mencionada.

Olhe no programa científico.

Significado do adjetivo "tentativa": provisório, a título indicativo. O que vemos ao explorar essa página? Uma lista interminável de nomes e títulos de comunicações.

Nesse caos de nomes, vejo aparecer o de um colega, pesquisador de 1ª classe do CNRS, diretor-fundador de um laboratório do CNRS que se dedica às teorias cosmológicas. Envio um e-mail a ele perguntando se confirma que ele se candidatou a participar desse colóquio. Sua resposta chegará alguns dias depois. Ele não sabia...

Respondo mesmo assim ao e-mail enviado por uma certa Preity Sae. Esse nome indica que ela é indiana.

A mensagem:

  • Você é a pessoa dotada de experiência significativa na disciplina que é capaz de produzir uma comunicação marcante, capaz de estimular jovens mentes, ao mesmo tempo que elimina os obstáculos que se levantam no campo em questão, o que seus trabalhos provam. Acreditamos que sua apresentação contribuirá para dar ao colóquio uma dimensão importante.

Em resposta, pergunto ao único contato se é possível ter acesso aos proceedings de um primeiro colóquio, do ano anterior, em dezembro de 2016 em Dallas.

Nenhuma resposta.

Pergunto se é confirmado que meu colega francês (mencionei seu nome) estará presente nesse evento.

Nenhuma resposta, mas seu nome desaparece da lista...

O valor desse colóquio. Mínimo 1000 dólares. O local: aparentemente um centro comercial. Ausência de ambiente acadêmico.

Descubro o nome de Weinberg na lista das pessoas do comitê científico.

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Para ter certeza, escrevo para Preity Sae que alguns patrocinadores estariam dispostos a financiar minha viagem lá, mas essas pessoas desejariam receber uma cópia da carta ou da mensagem enviada por Steven Weinberg, onde ele aceita figurar no comitê de patrocínio desse evento.

E aí, surpresa, ela me responde enviando uma cópia de um e-mail de Steven Weinberg:

A partir desse momento, não sei mais o que pensar...

Mas, tratando-se desse colóquio, embora eu tivesse condições de participar com o dinheiro que os internautas me enviaram, a questão não se coloca mais hoje. Minha esposa descobriu há duas semanas um problema de saúde sério, que terá de ser gerenciado e que me manterá no lar conjugal pelos próximos meses.

Acabo de instalar a quinta parte da vídeo JANUS 22, que me exigiu um mês de trabalho completo. Ela é acompanhada de um pdf de 85 páginas onde estão os detalhes dos cálculos acessíveis a leitores com nível matemático superior.

O que traduz essa iniciativa?

Desde há quarenta anos, para mim, ela se centra na questão da viabilidade das viagens interestelares com seu corolário inevitável: o fenômeno ovni. No entanto, dentro da comunidade científica (internacional), esse tema é imediatamente rejeitado, como se tratasse de um tabu completo. A questão nem sequer é colocada. Penso em uma recente vídeo onde Etienne Klein entrevista um homem que, no CNES, considera a questão de uma vida extraterrestre, sob o ângulo do impacto dessa questão no plano teológico. E Etienne Klein diz, de imediato, que se trata apenas de uma questão filosófica, pois sabemos muito bem que essas viagens são impossíveis (...).

Para mim, essa posição é claramente ideológica e não científica.

Normalmente diria que tais viagens, devido às restrições impostas pela teoria da Relatividade, implicariam em durações de viagem incompatíveis com a vida humana. Mas o modelo Janus muda drasticamente as coisas. Ele propõe um modelo onde o universo é "bimétrico", o que pode ser traduzido como "a hipersuperfície espaço-tempo possui um avesso e um direito e, em ambas as faces, o espaço e o tempo, bem como as velocidades, são medidos de forma diferente". E nesse avesso, percorrido por massas negativas e partículas de energia negativa, a velocidade da luz é dez vezes maior e as distâncias cem vezes menores. Ganho no tempo: um fator mil. Dessa forma, é possível viajar, desde que se descubra como inverter a massa de um veículo e de seus ocupantes.

É isso que bloqueia tudo, provoca essa surdez dentro da comunidade científica, faz com que, há anos, todas as minhas tentativas de solicitação de palestras em seminários ou encontros com personalidades científicas tenham terminado em silêncio, apesar do fato de que esses trabalhos tenham sido publicados em revistas de alto nível.

Isso é inaceitável, chocante, mas é assim. O que representou essa longa série de vídeos? Uma forma de se dirigir a um público de... não especialistas, e até mesmo de não científicos, pois a comunidade científica rejeita obstinadamente a abordagem e o debate dessa questão.

A tarefa era delicada, pois as ideias a implementar, de natureza majoritariamente geométrica, eram numerosas e sofisticadas. Acontece que, isso se confirma, os próprios cientistas, bem como os especialistas em cosmologia, também estão tão pouco preparados, do ponto de vista de sua intuição espacial, para assimilar esses conceitos de espaço ligados por uma estrutura de garganta, quanto o homem da rua. Paradoxalmente, encontramos no público pessoas sem formação científica que, ao contrário, estão bastante à vontade com essas visões geométricas. Aproveitando minhas qualidades de desenhador e meus talentos de pedagogo, fiz o meu melhor para apresentar todas essas coisas tentando torná-las acessíveis ao maior público possível. Parece que isso funcionou razoavelmente bem.

Acontece que os elementos-chave dos meus trabalhos estão acessíveis a quem sabe o que é uma exponencial, um logaritmo, seno e cosseno, uma derivada. A peça importante do dispositivo é, portanto, esse pdf anexado. Nele, ao passar por trechos comentados, extraídos do excelente livro de Adler Schiffer e Bazin "Introduction to General Relativity", Mc Graw Hill 1967, um clássico do gênero, cuja qualidade não pode ser contestada, descobre-se como os cosmologistas se enganaram ao optar por uma interpretação errada da solução encontrada em 1916 pelo alemão Karl Schwarzschild.

Ao contrário, minha abordagem está sólida. Os leitores competentes têm em mãos o que pode lhes permitir formar sua própria opinião. Qual é a opinião dos especialistas? A esperamos. Até o momento, resta um silêncio ensurdecedor.

Como essa situação pode evoluir? Não sei. Comporrei a última vídeo da série, a 23, que será, de fato, dedicada à viabilidade das viagens interestelares. Acredito que os especialistas, e até mesmo os cientistas em geral, continuarão a reagir...