Relatório da Conferência COSMO-17
Paris, França, 28 de agosto a 1º de setembro de 2017
2 de setembro de 2017

Versão francesa
Acabo de retornar da 21ª Conferência Internacional Anual sobre Física de Partículas e Cosmologia (COSMO-17), realizada no campus da Universidade Paris Diderot, em Paris, França, de 28 de agosto a 1º de setembro de 2017. O evento foi organizado pelo Laboratório de Astropartículas e Cosmologia (APC). Suponho que os leitores se perguntem: "Então, como foi essa conferência?"
As reações foram as mesmas que em Frankfurt. Diria até que foi pior.
Primeiro, os usuários da internet precisam entender o que realmente é uma participação em uma conferência internacional ao apresentar um pôster. É uma apresentação péssima. Nenhuma comparação com as palestras orais, realizadas em salas, que são as únicas onde as pessoas podem "reagir", ou simplesmente desejar fazê-lo.
Havia 193 participantes vindos de 24 países, com muitos pesquisadores parisienses. Uma sala estava tão cheia que as pessoas sentavam-se nas escadas. Detalharei essas intervenções abaixo. Mas é útil descrever o que se tornaram os simpósios internacionais, pelo menos neste campo atualmente. Os palestrantes apresentam seus trabalhos durante 30 a 40 minutos, ilustrados por slides projetados em uma grande tela.
Nas salas durante essas apresentações, metade dos participantes — às vezes dois em cada três — tinham seus laptops sobre os joelhos. O que fazem? Quando se olha para suas telas, não tem absolutamente nada a ver com a apresentação que deveriam estar ouvindo. Como todos estão conectados à internet, é possível receber, ler e enviar e-mails e mensagens de texto durante as palestras. Eu estava sentado ao lado de uma jovem russa que trabalha em Bonn, na Alemanha, que passou todas essas sessões olhando fixamente para um texto cirílico exibido em uma pequena tablet, sem prestar a menor atenção às apresentações. Ela não hesitou em me dizer que estava lendo… um romance!

Em muitas sessões, diria que menos da metade dos participantes está ouvindo. Foi o mesmo em Frankfurt. Quando a apresentação termina, o presidente agradece calorosamente o palestrante, e a sala é então inundada de aplausos. Vi o mesmo fenômeno em Frankfurt. Mas antigamente, na época em que pude assistir a algumas conferências internacionais, nunca vi isso. É possível distinguir claramente os aplausos "normais" dos que vi. É quase uma ovacação em pé. Como se o público quisesse se desculpar por sua falta de atenção, ou validar o conteúdo, que geralmente é completamente vazio, especialmente em conferências teóricas.
Então? Por que esses pesquisadores participam de tais conferências? Para a maioria dos delegados, isso se resume à possibilidade de mencionar sua participação em um evento internacional em um relatório de atividade. Os líderes da pesquisa também podem se encontrar, apresentar o desenvolvimento de seus poderosos instrumentos de observação, com custo de dezenas de milhões de dólares. Sim, a observação está em plena forma. Os meios técnicos permitem coletar dados cada vez mais precisos, para fazer descobertas autênticas, como a do Grande Repulsor em janeiro de 2017.
Esse desinteresse durante as palestras pode parecer chocante. Mas no campo teórico em questão, não há unidade. O especialista da mão direita não entende nada do que diz o especialista da mão esquerda. É como uma overdose de conferências unilaterais.
Nesta conferência internacional de cosmologia realizada na França, não encontrei nenhum especialista francês: nem Thibaud Damour, nem Françoise Combes, nem Aurélien Barrau, nem Alain Riazuelo, nem mesmo Marc Lachièze-Rey, que é membro do laboratório que sediou o simpósio, o APC (Laboratório de Astropartículas e Cosmologia).
Fiz o recenseamento dos participantes, em ordem decrescente:
Japoneses: 32 (…)
Americanos: 31
Franceses: 27
Ingleses: 27
Coreanos: 12
Alemães: 10
Holandeses: 9
Espanhóis: 8
Canadenses: 8
Suíços: 6
Poloneses: 5
Chilenos: 4
Mexicanos: 4
Portugueses: 2
Estónios: 2
Brasileiros: 2
Finlandeses: 2
Italianos: 2
Iranianos: 2
Chineses: 1
Indianos: 1
Suecos: 1
Israelenses: 1
Emirados Árabes: 1
Total: 192 participantes, vindos de 24 países! Um evento internacional anual importante em cosmologia.
En passant: nenhum jornalista francês. Se falarem sobre isso, será por meio de testemunhos de segunda mão. Chamei quatro jornalistas da revista Ciel & Espace; nenhum compareceu.
Apresentei dois pôsteres no dia previsto (terça-feira, 29 de agosto de 2017). Mas não podia esperar uma reação além da curiosidade (no melhor dos casos) diante de algo tão colossal: considerar a substituição da equação de Einstein por duas equações de campo acopladas. No segundo pôster, apresentei minha alternativa ao modelo de buraco negro estelar: a estrela de nêutrons fugitiva, que evacua toda massa excedente acumulada a partir do vento estelar de uma estrela companheira. Dedico um vídeo inteiro a esse tema.
Passo em silêncio as conversas com jovens pesquisadores canadenses, japoneses e outros... que mostraram uma vaga curiosidade, mas infelizmente nada mais.
SEGUNDA-FEIRA.
Comecei a assistir a uma conferência sobre energia escura, apresentada pelo pesquisador italiano Flippo Vernizzi, do Instituto de Física Teórica (IPhT) do CEA-Saclay. Você pode facilmente encontrar seu currículo profissional no Google Scholar. Ele representa o arquétipo do físico teórico atual: campos escalares, quintessência, gravidade quântica, etc. Em sua apresentação sobre energia escura, ele fala de "fantasmas", de "gravidade massiva", de "quintessência", de "k-essência", de "teoria escalar-tensor". Descubro a palavra "Symmetron" (...). Ele conclui:
"Algo está faltando no nosso esquema". Certamente...

Filippo Vernizzi, teórico da energia escura
Departamento de Astrofísica do CEA-Saclay
Vou encontrá-lo durante a pausa para café. Ele me encara com evidente mau humor. Após mencionar os pontos principais da minha abordagem (mas ele claramente não está escutando), continuo citando o que poderia ter impacto em seu campo, a mecânica quântica:
"Atualmente, a expansão acelerada do universo implica supor, na teoria quântica de campos, estados de energia negativa. Você concorda? Como você disse em sua palestra principal (diante de todos os participantes, não em pequenos grupos mais tarde à tarde), essa aceleração cósmica implica uma pressão negativa. Logo, estados de energia negativa."
Continuo apesar do franzir de sobrancelhas de irritação:
"Uma pressão também é uma energia por unidade de volume, ou seja, uma densidade de energia."
"Inpossível!" protesta ele. "Uma pressão é uma força por unidade de superfície. Isso não tem nada a ver com energia. Mesmo uma pressão negativa implica uma energia positiva."
"Sinto muito, mas é um erro. Se você quiser abordar esse problema de pressão como uma força por unidade de superfície, vamos lá. É um assunto que conheço muito bem, já que fiz muito trabalho sobre a teoria cinética dos gases. Coloque uma parede em um meio fluido. Ela sofre colisões com partículas incidentes. Essas últimas transmitem então parte de seu momento linear à parede, correspondente à componente de seu vetor velocidade V perpendicular a ela. Você concorda?"
"Sim..."
"Ora, esse momento linear é mV. Então, se um fluido em contato com uma parede exerce uma pressão negativa, ele não empurra a parede, mas a atrai. Assim, se falamos de uma pressão negativa, essas colisões são devidas a partículas com momento linear negativo. Como E = mc², a energia dessas partículas também é negativa. Você concorda?"
"Sim, sim — Não se irrite. Certo, essa energia é negativa, você tem razão. Vou agora considerá-la." (…)
"Não é só isso. Quando você fala de problemas de instabilidade devido a estados de energia negativa, pensa em emissão de energia por fótons com energia positiva. Mas partículas com energia negativa emitem fótons com energia negativa. E isso, a teoria quântica de campos não o trata."
"Sim... Muito bem — Vou considerá-lo, prometo."
Irritado, ele vira imediatamente as costas e se afasta diretamente.
Claramente me tomou por um tolo, recusando toda discussão. Não consegui obter nada mais. Essas pessoas evitam todo diálogo.
Voltamos à sala. Próxima apresentação: Robert Brandenberger, Universidade McGill, Quebec, Canadá. Título de sua comunicação:
"Atualização sobre cosmologias rebatidas e emergentes". São ideias em moda. Ele se apresenta como "teórico de cordas". Todas as palavras em moda estão lá: o "Grande Rebote", a "gravidade quântica", o "gás de cordas" (...), a "temperatura de Hagedorn" (além da qual os hádrons não podem mais existir — estimada em cerca de 10³⁰ K — alguns até leram que essa temperatura seria "intransponível").
Brandenberger faz referência à inflação como a única teoria capaz de resolver o paradoxo do horizonte. Conclui:
"Não há alternativa à teoria da inflação."
No final de sua apresentação, durante a sessão de perguntas e respostas, levanto a mão:
"Como alternativa à teoria da inflação, o que pensa de um modelo com constante variável, que envolve especialmente VSL, uma velocidade da luz variável, que questiona essa teoria de inflação? Publiquei artigos revisados por pares sobre esse tema já em 1998, e antes em 1995, onde proponho uma variação conjunta de todas as constantes físicas como um processo de calibração —"
Mas Brandenberger evita imediatamente a pergunta, me remetendo a um jovem pesquisador canadense que ele aponta na multidão, que também teria trabalhado nessa direção:
"Você será melhor inspirado conversando com esse pesquisador do que comigo."
Fim da discussão. Na realidade, Brandenberger tem ideias muito rígidas. Axions, gás de cordas, gravidade quântica... é sério. Mas uma velocidade da luz variável: que ideia! Deixe os loucos discutirem entre si.
Vou ter um intercâmbio depois com esse jovem canadense, que aliás é uma pessoa simpática, que me disse:
"Olhei seu pôster e conversei com colegas. Parece interessante. Mas sobre esse modelo de velocidade da luz, eu não fiz muito, sabe. Nada a ver com seu trabalho nesse campo."
Manhã tardia: apresentação de Eric Verlinde sobre a "gravidade emergente". Não é uma revisão dos métodos empíricos de modificação da gravidade, como faz o israelense Milgrom com o MOND, mas uma teoria muito complexa que faz da gravitação uma propriedade "emergente". Cito a frase-chave:
"Usando a intrincação no subespaço do código (...), podemos reproduzir o comportamento estranho da região de dualidade (...)"
TERÇA-FEIRA.
Participei após a segunda apresentação do segundo dia, situando os diferentes elementos de concordância entre o modelo dominante atual (modelo ΛCDM) e os dados observacionais como o CMB. Silvia Galli, do Instituto de Astrofísica de Paris (IAP), se envolve nessa longa investigação.
Levanto a mão. Alguém me entrega o microfone:
"Como considera a compatibilidade entre o modelo ΛCDM e o Grande Repulsor?"
"... O... O quê?"
"O Grande Repulsor, ou Repulsor do dipolo, apresentado na Nature em janeiro de 2017 por Hoffman, Courtois, Tully e Pomarède, onde mostram uma região vazia a 600 milhões de anos-luz, totalmente vazia, que repele as galáxias, inclusive a nossa, a 631 km/s."
Ela não tem memória disso e fica ali, boquiaberta. Então outros na sala confirmam minhas palavras. Há um grande momento de constrangimento quando a pesquisadora do IAP diz finalmente:
"Não tenho conhecimento disso."

Não acreditava que causaria tamanha vergonha com essa pergunta precisa. Vamos em frente.
Em uma apresentação posterior de Daniel Harlow, MIT, tratando de buracos negros, informação quântica e o "princípio holográfico", tento atrair a atenção para os fundamentos do modelo de buraco negro:
"Gostaria de destacar que a teoria dos buracos negros repousa em uma publicação de Karl Schwarzschild em 1916. Mas quem sabe que Schwarzschild, no início de 1916, pouco antes de sua morte em maio, não publicou apenas um artigo, mas dois?"
Incompreensão na sala. Continuo:
"O conteúdo desse segundo artigo, traduzido apenas para o inglês em 1999, é muito importante. Quem sabe que esse segundo artigo existe?"
Silêncio... Então pergunto:
"Então, entre os especialistas em buracos negros presentes aqui, quem leu o primeiro artigo de Schwarzschild, aquele de janeiro de 1916?"
Silêncio absoluto.
Isso confirma o que supunha. Nenhum especialista em buracos negros leu os artigos originais de Schwarzschild, Einstein, Hilbert. Sempre trabalharam, desde as décadas de 1950, sobre comentários após comentários. Não insisto.
QUARTA-FEIRA.
Terceiro dia. Hendrik Hildebrandt, chefe do grupo de pesquisa Emmy Noether no Instituto de Astronomia AIfA da Universidade de Bonn, apresenta as técnicas de lente fraca, que distorcem as imagens das galáxias. Tudo está orientado para a confiabilidade das conclusões tiradas dessa análise, em relação ao "viés", ou seja, aos erros possíveis decorrentes de uma hipótese assumida no processamento dos dados.
Assim, o interesse de Hildebrandt reside na confiabilidade dessas análises.
Levanto a mão:
"Em esse tipo de tratamento de dados observacionais, há uma hipótese básica: esse efeito é devido a uma matéria escura de massa positiva. Há alguns anos, um grupo de pesquisadores japoneses publicou um artigo na Physical Review D, mencionando que se uma massa positiva gera uma distorção azimutal, uma massa negativa produziria uma distorção radial."
O documento ao qual me refiro é:
Izumi, K. et al. (2013). « Gravitational lensing shear by an exotic lens object with negative convergence or negative mass ».
Physical Review D
.
88
: 024049. doi:10.1103/PhysRevD.88.024049.
arXiv:1305.5037
.
Continuo:
"Você considerou analisar seus dados, referentes a um milhão de galáxias, atribuindo as distorções não a uma massa positiva, mas a uma massa negativa? Penso que isso exigiria apenas uma pequena modificação em seu programa de processamento."
"Temos já distorções radiais", responde Hildebrandt, "quando há um vácuo na matéria escura. Um tal vácuo age como se tivesse uma massa negativa ali."
"Bem, mas aqui estou falando de concentrações reais de massa negativa, semelhantes às que, acredito, criam o efeito do Grande Repulsor."
É claro que minha observação o desconcerta. Ele não entendeu realmente a extensão da minha proposta e deve estar se perguntando: "Quem é esse cara? Onde trabalha? Nunca o vi antes, não o conheço..."
Não insisto.
É muito difícil incomodar as pessoas assim. Após sua apresentação, Hildebrandt entrou em uma longa conversa com outros colegas, provavelmente envolvidos em estudos semelhantes. Eu, por outro lado, sou... completamente exótico nesse jogo. Massas negativas? Que ideia!
Em outra apresentação por um pesquisador do laboratório francês local, o APC (Laboratório de Astropartículas e Cosmologia) da Universidade Paris Diderot, Chiara Caprini discute os resultados de simulações numéricas pelas quais "esperamos aprender mais sobre a física da matéria escura". Ela acrescenta:
"Quanto às galáxias, elas permanecem objetos muito misteriosos."
Nesse momento, penso no trabalho que iniciei em 1972, que estou finalizando atualmente, sobre dinâmica galáctica (sim, retomei esse trabalho 45 anos depois). Um trabalho baseado na resolução conjunta da equação de Vlasov e da equação de Poisson.
Ela faz uma apresentação bastante abrangente.
Peço novamente o microfone e digo:
"Desde segunda-feira, as pessoas na sala entenderam que não acredito na existência de matéria escura na forma de partículas com massa positiva, que ninguém observa, seja em túneis, minas, a bordo da Estação Espacial Internacional ou no LHC. Pessoalmente, acho que essas astropartículas nunca serão detectadas, pois esses elementos invisíveis não estão onde vocês os procuram. Acredito que a massa negativa, invisível, está no centro dos grandes vazios cósmicos e entre as galáxias, garantindo seu confinamento e favorecendo imediatamente sua formação ao final da era dominada pela radiação. É também essa massa negativa circundante que produz sua estrutura em espiral, por fricção dinâmica. Acho que se vocês introduzirem outras
Revue canadienne de physique 67
(9) : 919–926. doi : 10.1139/p89-158.
arXiv : gr-qc/0102055
.
Um trabalho totalmente ignorado (Abrams faleceu em 2001). O físico italiano Salvatore Antoci retomou esse trabalho:
Antoci, S. ; Liebscher, D.-E. (2001). « Reconsiderar a solução original de Schwarzschild ».
Astronomische Nachrichten
.
322
(2) : 137–142.
arXiv : gr-qc/0102084
.
Antoci, S. (2003). « David Hilbert e a origem da solução de Schwarzschild ».
Météorologische und geophysikalische Fluiddynamik
. Bremen: Wilfried Schröder, Edição científica.
arXiv : physics/0310104
.
Tentei contatá-lo, infelizmente ele não respondeu.
Acho que entendeu que não era bom questionar o objeto de culto da cosmologia atual.
Vou mostrar (e você entenderá minhas explicações) que o buraco negro repousa em um erro topológico que dura desde um século. Em Frankfurt, gostaria de ter perguntado a todos os participantes se haviam lido os artigos de Schwarzschild, especialmente Maldacena. Aposto que teria tido a mesma resposta negativa que na minha intervenção oral na terça-feira passada.
É assustador. Nenhum dos especialistas que fazem do buraco negro seu pão diário leu os dois artigos fundadores publicados em janeiro e fevereiro de 1916 por Karl Schwarzschild, há um século. É verdade que seu primeiro artigo (a "solução externa") só foi traduzido para o inglês em 1975. Durante 59 anos, aqueles que não leem alemão se contentaram com "comentários após comentários", e erros se espalharam, sobre os quais praticamente ninguém voltou. Quanto ao segundo artigo de Schwarzschild (a "solução interna"), publicado em fevereiro de 1916, três meses antes de sua morte, só foi traduzido por Antoci em... dezembro de 1999!
Como o meio me percebe?
A primeira resposta é muito simples: "ele não me percebe de forma alguma". Não se presta atenção a um tipo que obtém apenas uma apresentação exposta, ainda mais introduzindo uma massa negativa na cosmologia!
Quanto aos que assistiram às minhas repetidas "interrupções" em sala: o que pensaram? Suponho que não entenderam nada do que eu dizia. Uma massa negativa entre as galáxias? Nunca ouvi falar disso...
Ninguém se aproximou para saber mais. Ao questionar a existência de buracos negros, ou mesmo da matéria escura, sugerindo outras vias de pesquisa, talvez tenha sido visto como "um pesquisador aposentado, um pouco enferrujado, fora dos grandes fluxos da cosmologia atual", como Alain Riazuelo do Instituto de Astrofísica de Paris (IAP), grande criador de CGI de buracos negros, me escreveu.
O público geral tem uma ideia totalmente errada da comunidade científica. As pessoas imaginam sábios atentos a novas ideias, prontos para debater. Enquanto a maioria se comporta como religiosos. Nos últimos anos, surgiram novos movimentos que não têm base observacional alguma. O mais espectacular é a "gravidade quântica". Talvez saiba que a gravitação ainda não foi quantificada. Toda tentativa de criar um graviton enfrenta problemas de divergência insuperáveis. Mas tem-se a impressão de que, falando de "gravidade quântica", repetindo essas palavras como uma incantação, a coisa acabará por existir.
Basta pensar na maneira como o buraco negro é anunciado, na maneira como é literalmente "vendido" a você. Durante trinta anos, ouviu-se a mesma frase, repetida sem fim pelos meios de comunicação sob a influência desse meio (eles vendem o que lhes é dado):
"Ainda que não haja nenhuma confirmação observacional da existência de buracos negros, nenhum cientista duvida mais de sua existência."
Essa frase merece ser considerada científica? Vamos continuar engolindo isso sem reagir? Enquanto tudo repousa em um único caso, o do sistema binário Cygnus X-1, detectado em 1964, onde a companheira emissora de raios X é creditada com uma massa de oito a quinze massas solares (portanto superior à massa crítica de 2,5 massas solares). Durante 50 anos, durante meio século, foi o único caso de "buraco negro estelar". Distância: 6.000 anos-luz. Há, portanto, uma incerteza evidente na medição da distância e na avaliação resultante da massa dos dois objetos orbitando em torno de um centro de gravidade comum.
Há duzentos bilhões de estrelas em nossa galáxia. Metade são sistemas múltiplos, geralmente binários. Haveria entre dez e cem milhões de "buracos negros" em nossa galáxia, objetos evidentemente mais próximos de nós que Cygnus X-1. E não os observamos durante 50 anos, enquanto nossos meios de observação melhoram a cada ano!
No centro das galáxias: "buracos negros gigantes". No nosso, um objeto cuja massa equivale a quatro milhões de massas solares. Imediatamente "é um buraco negro supermassivo". Mas esse objeto não se comporta como um buraco negro. O gás que o rodeia não emite raios X. Em 1988, o satélite Chandra foi colocado em órbita, capaz de detectar tal radiação. Foi apontado para o centro da Via Láctea: nada.
"É um buraco negro cheio", até ouvi dizer!
Em 2011, um fluxo de gás interestelar se dirigiu a ele. Simulações foram feitas para mostrar o que aconteceria: a massa gasosa se deformaria e seria sugada.

Verão de 2013: a matéria passa perto e... nada. Sobre isso, veja a conferência de Françoise Combes sobre buracos negros gigantes às 12:33 (em francês).
Seria... um buraco negro anoréxico?
Você já ouviu falar de quasares. Lá novamente, é um buraco negro que... etc. O modelo? Na mesma vídeo: quando o buraco negro comeu o suficiente, ele "vomita"... O mecanismo desse acesso cósmico? Desconhecido, não descrito.
É insano! É a astrofísica e a cosmologia de hoje. Palavras, vaidade, teorias que não são. Argumentos de autoridade, visões míticas e imagens geradas por computador. Alguns até adicionam um grande entusiasmo lírico de ambição poética. Confronto com a observação? Por que, é tão importante? Avancemos, como com essa besteira do multiverso!
SEXTA-FEIRA.
Sentei na primeira fila. Dessa vez, o presidente me avisou sobre o programa apertado e que não toleraria perguntas longas. Um discurso dissuasivo.
Um coreano faz uma apresentação sobre os diferentes candidatos à matéria escura. Toda a gama da poeira de fada é revisada.
No final da apresentação, levanto a mão. Mas o presidente, que está a dois metros de mim, vira a cabeça, fingindo não me ver, e se apressa pelo corredor para buscar outros oradores na sala. Na primeira fila, fico com o braço completamente levantado.
Essa estratégia é bem conhecida. Dois ou três oradores são selecionados e recebem a palavra, após o que o presidente volta ao potencial perturbador dizendo:
"Sinto muito, mas agora esgotamos o tempo."
Mas ele encontra apenas uma pessoa que deseja falar. Ele então volta para mim e, para cortar qualquer comentário que eu pudesse fazer:
"Quero fazer uma pergunta. Uma só."
Todos os participantes ouviram. Ele me entrega o microfone de má vontade.
Então pergunto:
"Nesse contexto do comportamento dos candidatos à matéria escura, como considera o efeito do Grande Repulsor?"
O coreano me encara com olhos arregalados. Parece atordoado. Como asiático, "perde a face". Insisto:
"Sabe, o Grande Repulsor, tal como mostrado em janeiro passado por Hoffman, Courtois, Pomarède e Tully. Um vácuo a 600 milhões de anos-luz, onde não há nada, e que, no entanto, repele as galáxias."
Mais uma vez. O coreano não está informado. Não insisto...

Em cada vez que falei, tentei manter um tom calmo, para não parecer um louco energético. Um exercício difícil nesse contexto. Forçei-me a fazê-lo. Estava presente nesta conferência graças à ajuda financeira dos internautas. Tinha, portanto, que mostrar até onde as coisas haviam ido.
Minha esposa disse:
"Ao criar situações tão embaraçosas, o que você corre é o risco de ver as portas das conferências internacionais sobre esse tema se fecharem diante de você."
Muito provável. No futuro, isso acontecerá da mesma maneira, evidentemente. Mas em momento algum fui agressivo ou ofensivo. Todas minhas intervenções tocaram uma corda sensível. O que mais me assustou foi o físico teórico italiano, especialista em energia escura, que me disse que pressão negativa não ia de par com densidade de energia negativa. Como ele podia dizer uma tolice assim? Ali, fiz um inimigo mortal, mais um.
Felizmente, a sequência dos vídeos JANUS, legendados em inglês, acabará por ter impacto internacional e despertar o interesse de alguns cientistas. Não necessariamente positivo, aliás. Pense nessa observação do jovem pesquisador italiano em Frankfurt, que me disse:
"Vi seus artigos sobre seu modelo cosmológico Janus. Vejo como você é recebido aqui. Como pode esperar que essas pessoas façam outra coisa senão virar as costas para você? O que você propõe é destruir a base mesmo do trabalho deles!"
A primeira barreira é o ceticismo. Algumas faíscas de curiosidade se acenderam entre os jovens, mas nada mais. Durante o jantar, quinta-feira à noite, quando tentei conversar com um jovem pesquisador americano sentado à minha direita, ele me considerou claramente um louco, mesmo quando citei meus artigos revisados por pares de 2014 e 2015. Era tão teimoso quanto os outros. O que esses "jovens pesquisadores" estão procurando? Um tema de tese apaixonante? Não. Eles procuram uma perspectiva de cargo dentro de um grupo de pesquisadores do mesmo tipo, onde poderiam facilmente co-publicar. Ou um contrato bem pago sob a direção de um patrono poderoso.
Acreditar que os jovens pesquisadores se interessarão por essas ideias novas é uma ilusão, penso eu. Têm tudo a perder, assim como seus chefes.
Um leitor me falou sobre essa jovem de 24 anos, Sabrina Pasterski, apresentada como a futura Einstein.

Perfil de Sabrina Pasterski no Forbes
É verdade que seu percurso é surpreendente. Veja o vídeo onde ela é mostrada construindo um avião leve, com 13 a 14 anos, que voará sozinha aos 16 anos. Após ingressar no MIT, demonstrou imediatamente grandes aptidões para a física teórica, e depois se juntou à equipe de pesquisa de Andrew Strominger.
Andrew Strominger
Com 61 anos (e portanto relativamente jovem), recebeu inúmeras premiações por suas contribuições para a teoria das cordas.
Sua jovem discípula tem um site:
physicsgirl.com
que indica que já foi convidada em todo lugar, e a imprensa fala dela em todo o mundo.
Dizem-me: "Talvez essa garota...?"
Tenho também o endereço de e-mail dessa jovem "gênio". Vou escrever para ela também.
Vou escrever para Strominger pedindo que venha me conhecer e apresentar minhas ideias e trabalhos. A ajuda financeira dos internautas me permitiria realizar tal missão. Mas ele responderá?
De qualquer forma, hoje, escrevo a dois laboratórios, aos responsáveis por seminários:
– do Laboratório de Astropartículas e Cosmologia (APC) da Universidade Paris Diderot, onde estão ligados George Smoot e Marc Lachièze-Rey.
– do Laboratório de Astrofísica do CEA-Saclay, onde trabalha o físico teórico Filippo Fabrizzi.
pedindo permissão para apresentar meus trabalhos lá.
Aposto que, mais uma vez, ninguém me responderá. E depois, eu mencionarei esses comportamentos nas vídeos Janus, que permanecerão online por tempo indeterminado, com os nomes das pessoas envolvidas. Porque esse tipo de evitamento sistemático é anormal.
É um sinal de que essa parte da ciência está se tornando cada vez mais poderosa.
Relatório da conferência anterior (KSM 2017)
O Modelo Cosmológico Janus no YouTube
Versão original (inglês)
Relatório da conferência COSMO-17
Paris, França, 28 de agosto a 1º de setembro de 2017
2 de setembro de 2017

Versão francesa
Acabo de voltar da 21ª conferência anual internacional sobre física de partículas e cosmologia (COSMO-17), realizada no campus da Universidade Paris Diderot em Paris, França, de 28 de agosto a 1º de setembro de 2017. O encontro foi sediado pelo Laboratório de Astropartículas e Cosmologia (APC). Imagino que os leitores estão se perguntando: "Então, como foi?"
As reações foram as mesmas de Frankfurt. Até diria que foi pior.
Primeiramente, os usuários da internet precisam saber o que realmente é uma participação em uma conferência internacional ao apresentar um pôster. É uma apresentação mínima. Nenhuma comparação com apresentações orais, em uma sala, que são as únicas onde as pessoas podem "reagir", ou simplesmente desejar reagir.
Havia 193 participantes de 24 países, com muitos pesquisadores parisienses. Uma sala estava lotada até o limite, então as pessoas sentaram nas escadas. Detalharei essas intervenções abaixo. Mas vale a pena descrever o que se tornaram os simposios internacionais, pelo menos nessa especialidade hoje. Os palestrantes apresentam seu trabalho, durante 30 a 40 minutos, ilustrado com slides em uma tela grande.
Nas salas durante essas apresentações, metade dos participantes – às vezes dois de cada três – têm seu laptop no colo. O que estão fazendo? Quando você olha para a tela, não tem nada a ver com a apresentação que deveriam ouvir. Como todos estão conectados à internet, é possível receber, ler e enviar e-mails e mensagens de texto durante as apresentações. Eu estava pessoalmente sentado ao lado de uma jovem russa que trabalha em Bonn, Alemanha, que passou todas essas sessões com os olhos fixos em um texto cirílico exibido em um pequeno tablet, sem prestar atenção às palestras. Ela não hesitou em me dizer que estava lendo... um romance!

Em muitas sessões, diria que menos da metade dos participantes ouve. Por sinal, foi o mesmo em Frankfurt. Quando a apresentação termina, o presidente agradece muito ao palestrante, e a sala é então tomada por aplausos. Presenciei o mesmo fenômeno em Frankfurt. Mas nos dias anteriores, as poucas vezes que consegui comparecer a uma conferência internacional, nunca vi isso. É possível distinguir claramente entre "aplauso normal" e o que vi. É quase uma ovacão de pé. Como se o público quisesse se desculpar pela falta de atenção, ou validar o conteúdo, que geralmente é completamente vazio, quando se trata de palestras teóricas.
Então, o que? Por que esses pesquisadores participam de tais conferências? Para a maioria dos delegados, pode-se resumir como a possibilidade de mencionar sua participação em um evento internacional em um relatório de atividades. Os senhores da pesquisa também podem se encontrar, apresentar o desenvolvimento de seus poderosos instrumentos observacionais, no valor de dezenas de milhões de dólares. Sim, a observação está tão boa quanto um fiddle. Meios técnicos permitem coletar dados cada vez mais precisos, fazer descobertas autênticas, como a do "Grande Repulsor" em janeiro de 2017.
Essa falta de atenção durante as apresentações pode parecer impressionante. Mas no campo teórico em questão, não há unidade. O especialista da mão direita não ouve nada do que o especialista da mão esquerda tem a dizer. É como uma overdose de palestras unidirecionais.
Nessa conferência internacional sobre cosmologia realizada na França, não encontrei nenhum dos especialistas franceses: nem Thibaud Damour, nem Françoise Combes, nem Aurélien Barrau, nem Alain Riazuelo, nem mesmo Marc Lachièze-Rey, que é membro do laboratório que sediou o simposio, o APC (Laboratório de Astropartículas e Cosmologia).
Fiz a contagem dos participantes, em ordem decrescente:
Japoneses: 32 (…)
Americanos: 31
Franceses: 27
Ingleses: 27
Coreanos: 12
Alemães: 10
Holandeses: 9
Espanhóis: 8
Canadenses: 8
Suíços: 6
Poloneses: 5
Chilenos: 4
Mexicanos: 4
Portugueses: 2
Estonianos: 2
Brasileiros: 2
Finlandeses: 2
Italianos: 2
Iranianos: 2
Chineses: 1
Indianos: 1
Suecos: 1
Israelenses: 1
Emirados: 1
Total: 192 participantes, de 24 países! Um marco anual internacional importante na cosmologia.
Por sinal: nem um único jornalista francês. Se eles ecoarem esse evento, será segundo testemunho. Liguei para quatro jornalistas da revista Ciel & Espace; nenhum veio.
Apresentei dois pôsteres no dia programado (terça-feira, 29 de agosto de 2017). Mas não devo esperar nenhuma reação além de curiosidade (no máximo) em relação a algo tão grande: considerar substituir a equação de Einstein por duas equações de campo acopladas. No segundo pôster, apresentei minha alternativa ao modelo de buraco negro estelar: a "estrela de nêutrons com vazamento", que evacua qualquer massa em excesso que tenha sido acumulada a partir do vento estelar de uma estrela companheira. Dedicarei um vídeo inteiro a esse assunto.
Passo por discussões com jovens pesquisadores canadenses, japoneses e outros... que mostraram uma curiosidade vaga, mas infelizmente nada mais.
SEGUNDA-FEIRA.
Comecei a assistir a uma palestra dedicada à energia escura, apresentada pelo pesquisador italiano Flippo Vernizzi, do Instituto de Física Teórica (IPhT) do CEA-Saclay. Você pode facilmente encontrar seu histórico profissional no Google Scholar. Ele é o arquétipo do físico teórico de hoje: campos escalares, quintaessência, gravidade quântica, etc. Em sua apresentação sobre a energia escura, ele fala de "fantasmas", "gravidade massiva", "quintaessência", "k-essência", "teoria escalar-tensorial". Descubro a palavra "Simmetron" (…). Ele conclui:
"Algo está faltando no nosso esquema"
. Certamente.....

Filippo Vernizzi, teórico da energia escura
Departamento de Astrofísica no CEA-Saclay
Vou encontrá-lo durante o intervalo do café. Ele me encara com evidente desagrado. Após evocar as linhas principais do meu método (mas ele obviamente não escuta), vou continuar citando o que pode ter impacto em seu campo, mecânica quântica:
"Atualmente, a expansão acelerada do universo implica assumir, na teoria quântica de campos, estados de energia negativa. Você concorda? Como você disse em sua apresentação principal (diante de todos os participantes, não em pequenos grupos em salas menores durante a tarde), essa aceleração cósmica implica uma pressão negativa. Portanto, estados de energia negativa."
Continuo apesar de sua cara de irritação:
"Uma pressão também é uma energia por unidade de volume, ou seja, uma densidade de energia."
"Não pode ser!" Ele protesta. "Uma pressão é uma força por unidade de área. Isso não tem nada a ver com energia. Mesmo uma pressão negativa implica uma energia positiva."
"Desculpe, mas este é um erro. Se você quiser abordar este assunto de pressão como força por unidade de área, vamos. Este é um assunto que conheço muito bem, pois fiz muito trabalho sobre a teoria cinética dos gases. Coloque uma parede em um meio fluido. Ela sofre colisões com partículas incidentes. Essas transferirão parte do seu momento para a parede, correspondendo à componente da velocidade vetorial V perpendicular a ela. Você concorda?"
"Sim…"
"Mas este momento é mV. Portanto, se um fluido em contato com uma parede tiver uma pressão negativa, ele não repele a parede, mas a atrai. Assim, se falamos de uma pressão negativa, essas colisões são devido a partículas com momento negativo. Como E = mc², a energia dessas partículas também é negativa. Você concorda?"
"Sim, sim — Não se irrite. OK, esta energia é negativa, você está certo. Eu agora a considerarei." (…)
"Não é tudo. Quando você fala sobre problemas de instabilidade devido a estados de energia negativa, você pensa em emissão de energia usando fótons de energia positiva. Mas partículas de energia negativa emitem fótons de energia negativa. E isso, a teoria quântica de campos não lida com isso."
"Sim… Tudo bem — Eu vou considerar isso, prometo."
Irritado, ele imediatamente vira-se e sai diretamente.
Ele obviamente me tratou como um tolo, recusando qualquer discussão. Eu não consegui mais. Essas pessoas fogem de qualquer diálogo.
Voltamos à sala de aula. Próxima apresentação: Robert Brandenberger, Universidade McGill, QC, Canadá. Título da sua comunicação:
"Atualização sobre cosmológias de "Big Bounce" e emergentes"
. Estas são as ideias em voga. Ele se apresenta como "um teórico das cordas". Toda palavra vibrante está lá: o "Big Bounce", "gravidade quântica", o "gás de cordas" (…), a "temperatura de Hagedorn" (acima da qual hádrons já não podem existir – estimada em cerca de 1030 K – um até leu que alguns pensam que essa temperatura seria "inultrapassável").
Brandenberger menciona a inflação como a única teoria capaz de resolver o paradoxo do horizonte. Ele conclui:
"Não há alternativa à teoria da inflação."
No final da sua apresentação durante o Q&A, eu falo:
"Como alternativa à teoria da inflação, o que você acha de um modelo de constante variável, que implica especialmente VSL, uma velocidade da luz variável, que desafia esta teoria da inflação? Eu publiquei artigos revisados por pares sobre este assunto desde 1998 e 1995, onde proponho uma variação conjunta de todas as constantes físicas como um processo de calibre —"
Mas Brandenberger imediatamente desvia o assunto, me redirecionando para um jovem pesquisador canadense que ele aponta na multidão, que também teria trabalhado nessa direção:
"Você teria mais vantagem em falar com este pesquisador do que comigo."
Fim da discussão. Na verdade, Brandenberger tem ideias muito fixas. Axions, gás de cordas, gravidade quântica… isso é sério. Mas uma velocidade da luz variável: que ideia! Deixe os malucos discutirem entre si.
Terei uma troca depois com este jovem canadense, que é uma pessoa gentil, que me disse:
"Eu dei uma olhada no seu pôster e falei com colegas. Parece interessante. Mas quanto a esse modelo de velocidade da luz, eu não fiz muito, sabe. Nada a ver com o seu trabalho nessa área."
Meio-dia: a apresentação de Eric Verlinde sobre "Gravidade Emergente". Não é uma revisão dos métodos empíricos de modificação da gravidade, como o israelense Milgrom com o MOND, mas de uma teoria muito complexa que faz da gravitação uma "propriedade emergente". Cito a frase-chave:
"Usando a entrelaçamento no subespaço de código (…) podemos reproduzir o comportamento enigmático da região de dualidade (…)"
TERÇA-FEIRA.
Participo após a segunda apresentação do segundo dia, situando os diferentes elementos de concordância entre o modelo dominante atual (modelo ΛCDM) e dados observacionais como o CMB. Silvia Galli, do Instituto de Astrofísica de Paris (IAP), está envolvida nessa longa pesquisa.
Levanto a mão. Alguém me dá o microfone:
"Como você considera a compatibilidade entre o modelo ΛCDM e o Grande Repulsor?"
"… O… O que?"
"O Grande Repulsor, ou Repulsor do Dípelo, apresentado na Nature em janeiro de 2017 por Hoffman, Courtois, Tully e Pomarède, onde eles mostram uma região vazia de 600 anos-luz, totalmente vazia, que repele galáxias, incluindo a nossa a 631 km/s."
Ela não se lembrava disso e ficou boquiaberta. Então outros na sala confirmaram o que eu disse. Houve um momento de embaraço quando a pesquisadora do IAP finalmente disse:
"Não estou ciente disso."

Não pensei que criaria tamanha embaraço com esta pergunta específica. Vamos pular isso.
Em uma apresentação subsequente de Daniel Harlow, MIT, que trata de buracos negros, informação quântica e o "princípio holográfico", tento despertar interesse pelos fundamentos do modelo de buraco negro:
"Gostaria de chamar a atenção para o fato de que a teoria do buraco negro se baseia em uma publicação feita por Karl Schwarzschild em 1916. Mas quem sabe que Schwarzschild, no início de 1916, pouco antes de sua morte em maio, publicou não uma, mas duas artigos?"
Incompreensão na sala. Continuo:
"O conteúdo deste segundo artigo, que foi traduzido apenas em inglês em 1999, é muito importante. Quem sabe que este segundo artigo existe?"
Silêncio… Então pergunto:
"Então, entre os especialistas em buracos negros aqui, quem leu o primeiro artigo de Schwarzschild, aquele de janeiro de 1916?"
Silêncio ensurdecedor.
Isso confirma o que eu supunha. Nenhum dos especialistas em buracos negros leu os artigos originais de Schwarzschild, Einstein, Hilbert. Eles sempre trabalharam, desde as décadas de 1950, baseados em comentários após comentários. Não insisti.
QUARTA-FEIRA.
O terceiro dia, Hendrik Hildebrandt, chefe do grupo de pesquisa Emmy Noether no instituto de astronomia AIfA da Universidade de Bonn, apresenta as técnicas de lente fraca, que distorce as imagens das galáxias. Tudo é orientado para a confiabilidade das conclusões tiradas dessa análise, em relação a "viés" ou possíveis erros devido a uma hipótese feita para o processamento de dados.
Assim, o interesse de Hildebrandt é a confiabilidade dessas análises.
Falo:
"Em este tipo de processamento de dados observacionais, há uma hipótese básica, que este efeito é devido a matéria escura de massa positiva. Há alguns anos, um grupo de pesquisadores japoneses publicou um artigo na Physical Review D, referindo-se ao fato de que se uma massa positiva gera uma distorção azimutal, uma massa negativa criará uma distorção radial."
O documento ao qual me refiro é:
Izumi, K. et al. (2013). "Gravitational lensing shear by an exotic lens object with negative convergence or negative mass".
Physical Review D
.
88
: 024049. doi:10.1103/PhysRevD.88.024049.
arXiv:1305.5037
.
Continuo:
"Você já pensou em analisar seus dados, sobre um milhão de galáxias, imputando as distorções, não a uma massa positiva, mas a uma massa negativa? Acredito que isso exigiria apenas uma pequena mudança no seu programa de processamento."
"Já encontramos distorções radiais", responde Hildebrand, "quando há uma lacuna na matéria escura. Tal lacuna age como se fosse massa negativa ali."
"Claro, mas aqui estou falando sobre concentrações reais de massa negativa, semelhantes à que, acredito, cria o efeito do Grande Repulsor."
Obviamente, meu comentário o desorientou. Ele não entendeu realmente o escopo da minha proposta e deve se perguntar "Quem é este cara?" Onde ele trabalha? Eu nunca o vi antes, não o conheço…"
Não insisti.
É muito difícil incomodar pessoas assim. Após sua apresentação, Hildebrandt entrou em grande conversa com outros colegas, provavelmente envolvidos em estudos semelhantes. Eu sou… completamente exótico nesse jogo. Massas negativas? Que ideia – !
Em outra apresentação por um pesquisador do laboratório francês local, o APC (Laboratório de Astropartículas e Cosmologia) da Universidade Paris Diderot, Chiara Caprini discute os resultados de simulações numéricas pelas quais "esperamos aprender mais sobre a física da matéria escura". Ela acrescenta:
"Sobre galáxias, elas ainda são objetos muito misteriosos."
Nesse momento, estou pensando no trabalho que iniciei em 1972, e que estou atualmente finalizando, sobre dinâmica galáctica (sim, retomei este trabalho 45 anos depois). Um trabalho baseado na resolução conjunta da equação de Vlasov e da equação de Poisson.
Ela fez uma palestra bastante completa.
Peço novamente o microfone e digo:
"Desde segunda-feira, as pessoas no público entenderam que eu não acredito na existência de matéria escura como partículas de massa positiva, que ninguém observa, seja em túneis, minas, a bordo da Estação Espacial Internacional, ou no LHC. Pessoalmente, acredito que essas partículas astro não serão detectadas, porque esses elementos invisíveis não estão onde vocês estão procurando. Acredito que a massa negativa, invisível, está no centro dos grandes vazios cósmicos e entre as galáxias, garantindo sua confinamento e favorecendo imediatamente sua formação no final da era dominada pela radiação. Também é esta massa negativa que produz sua estrutura espiral, por atrito dinâmico. Acredito que, se você introduzir outros dados em suas simulações, com uma massa negativa de alta densidade, gravitacionalmente auto-atrativa, mas que interage com massa positiva segundo repulsão mútua, você encontrará muitas coisas interessantes. A estrutura em grande escala, por exemplo, como descrito pelo israelense Tsvi Pirán, tomando a forma de bolhas de sabão adjacentes."
Frases que imediatamente criam surpresa, desencadeiam um silêncio geral. Eles devem pensar "este cara realmente irrita todo mundo com suas massas negativas!"
A apresentadora fica incomodada, não sabe a quem se virar, o que dizer. Faria uma comparação com uma intervenção em um serviço religioso. Imagine-se, em um país ocidental, dentro de uma igreja, tomando a palavra e de repente dizendo ao padre e aos fiéis:
"Como vocês sabem que a base da sua crença é uma realidade, que a história que vocês estão falando como fatos realmente aconteceu?"
A surpresa seria comparável. Não estamos mais em uma reunião científica onde ideias são debatidas, mas, no caso das partes puramente teóricas, em uma série de serviços religiosos, um desfile de crenças livres de qualquer suporte observacional.
A jovem mulher continua e fala sobre como as simulações mostram a influência de buracos negros supermassivos na dinâmica galáctica.
Levanto a mão novamente:
"Você fala de buracos negros gigantes. Mas que prova você tem de que eles são realmente buracos negros?"
"Errr — baseamos-nos no aumento das velocidades das estrelas perto do centro galáctico."
"Claro, e seu movimento implica a presença de um objeto de massa muito grande ali. Mas se você colocar, em uma esfera com o raio da órbita da Terra, um gás com uma densidade média que seria a da água – o que corresponde à densidade média dentro do Sol – então você encontraria seus quatro milhões de massas solares. Quanto ao suposto buraco negro, onde está a assinatura espectral que confirma sua presença? Você sabe que quando o satélite Chandra foi lançado há 17 anos, esperávamos receber um forte jato de raios X. Mas não recebemos nada. Você também sabe que em 2013, um grupo de gás interestelar passou por ali e seu comportamento não foi nada do que deveria ter se passasse perto de um buraco negro. A observação contradiz totalmente as previsões baseadas nas simulações."
Essas observações deveriam desencadear um debate entre os cientistas presentes. Mas não, nada. É preciso acreditar que a Ciência está morta. Há apenas um brilho nos olhos de alguns jovens que ouvem uma fala diferente. Mas para a maioria deles, e para seus chefes, sou apenas um Charlie que perturba o bom andamento do simposio.
Assim, acho que devo tentar me conectar com "grandes nomes" e, durante o intervalo do café, decido abordar George Smoot, ganhador do Prêmio Nobel de 2006, que atualmente trabalha no Laboratório de Astropartículas e Cosmologia da Universidade Paris Diderot.

George Smoot, ganhador do Prêmio Nobel de Física em 2006
Este recebeu o Prêmio Nobel por mostrar que a radiação cósmica de fundo corresponde a uma radiação de corpo negro. Fico ao seu lado enquanto ele sobe as escadas.
"Senhor Smoot, gostaria de apresentar meu trabalho em um seminário no seu laboratório."
"Será difícil, pois estou prestes a sair para Hong Kong em breve."
"Não há urgência. Podemos marcar a data."
Ele aumenta o passo, irritado.
"Você pode ter visto meu pôster. Desenvolvi um modelo onde o universo é populado por massas positivas e negativas."
"Quando tais massas opostas se encontram, elas correm uma atrás da outra e a energia cinética da massa positiva cresce infinitamente…"
"Sim, este é o efeito de fuga mostrado por Bondi em 1957. Mas exatamente, no meu modelo, este efeito desaparece. As leis de interação resultantes da aproximação newtoniana com duas equações de campo acopladas fazem com que as massas negativas se tornem auto-atrativas e as massas de sinais opostos se repelirem mutuamente segundo a anti-Newton."
Smoot serviu-se de uma xícara de café, aparentemente não prestando a menor atenção ao meu objetivo. Ele não me deu um olhar em nenhum momento, não virou a cabeça para mim. Nunca vi tamanha grosseria em minha vida. Acabei dizendo a ele:
"Você está me tratando como se eu fosse um doido. Mas sou uma pessoa séria. Publiquei meu trabalho em revistas revisadas por pares —"
Não terminei minha frase ainda Smoot já havia virado as costas para mim e estava se afastando. Totalmente chocante da parte deste Nobel.
Talvez ele tenha sido informado contra mim pelos seus colegas franceses, que não me permitem apresentar meu trabalho em nenhum de seus laboratórios e nem mesmo respondem aos meus e-mails.

QUINTA-FEIRA.
Quarto dia. Decido descansar. A temperatura em Paris está muito quente. 31 °C (88 °F) ao final do dia, e tenho dificuldade para dormir. Essas "intervenções hostis" são muito cansativas. De qualquer forma, as apresentações do dia tratam da detecção de ondas gravitacionais, um assunto que ainda não abordei. Vou até o jantar noturno no restaurante "Le Train Bleu", perto da Gare de Lyon, onde o jantar tradicional é realizado, reunindo todos os participantes.
Por sinal: uma refeição de 90 euros absolutamente escandalosa. Um ajudante derrama um dedo de vinho tinto. Havia tão pouco que se pensaria que era para provar. O prato de queijos: ridículo com fatias de 2 mm de espessura. O pão, meio duro, visivelmente congelado. Entradas e sobremesas vindas diretamente de um supermercado. Resta a decoração, os quadros no teto. O menu deste restaurante Le Train Bleu, Gare de Lyon: teríamos comido melhor em um snack!
Não encontro os poucos jovens com quem conversei nos dias anteriores, então sento-me aleatoriamente em uma mesa. Tento iniciar uma conversa com meu vizinho da direita, um jovem americano. Ele não é pesquisador, mas apenas um estudante. Sou então confrontado com o conservadorismo mais simples, típico dos Estados Unidos. Este rapaz já está bem "formatado", muito seguro de si, totalmente imune a qualquer coisa que possa desviar do que foi ensinado em seus estudos. Nossa troca é curta.
Meu vizinho da esquerda é o diretor de um laboratório de alta energia. Evoco o fracasso da busca por superpartículas. Mas nada abala sua convicção de que devemos perseguir todos os projetos em andamento: "Encontraremos algo, eventualmente", diz ele. O mesmo se aplica ao trabalho da italiana Elena Aprile, que, em seu túnel sob a montanha Gran Sasso, caça o neutralino em uma tonelada de xênon líquido (e descobre... nada!).
Em um momento, ele sai, zombando:
"Vai ver, se ninguém prestou atenção à sua teoria, pode ser porque ela não se sustenta?"
Você pode acreditar que este não lerá meus artigos.
Em Frankfurt, eu havia pecado pela timidez. Não é conveniente falar diante de duzentas pessoas, apoiando ideias diametralmente opostas às deles. Ideias que, ainda pior, se confirmadas, derrubariam todo o seu trabalho.
Frankfurt é o local de nascimento de Schwarzschild. A conferência foi chamada de "Encontro Karl Schwarzschild" e as "esperanças jovens da cosmologia" foram premiadas com um "prêmio Schwarzschild". Você viu (aqui, meu relato dessa conferência) que um pesquisador alemão sênior confessou-me que nunca leu esses artigos fundamentais. Em sua apresentação, Juan Maldacena referiu-se a este primeiro trabalho, que foi publicado exatamente um século atrás como "algo que criou confusão, mas depois essas coisas foram esclarecidas."
Mostrarei que é exatamente o oposto. Houve uma interpretação errada da solução de Schwarzschild pelo grande matemático David Hilbert. E todos seguiram o mesmo caminho. O primeiro a notar isso foi um americano, Leonard Abrams, que publicou um artigo na Canadian Journal of Physics:
Abrams, L. S. (1989). "Black Holes: The Legacy of Hilbert's Error".
Canadian Journal of Physics 67
(9): 919–926. doi:10.1139/p89-158.
arXiv:gr-qc/0102055
.
Uma obra totalmente ignorada (Abrams faleceu em 2001). O físico italiano Salvatore Antoci tomou este trabalho:
Antoci, S.; Liebscher, D.-E. (2001). "Reconsidering Schwarzschild’s original solution".
Astronomische Nachrichten
.
322
(2): 137–142.
arXiv:gr-qc/0102084
.
Antoci, S. (2003). "David Hilbert and the origin of the Schwarzschild solution".
Meteorological and Geophysical Fluid Dynamics
. Bremen: Wilfried Schröder, Science Edition.
arXiv:physics/0310104
.
Tentei me comunicar com ele, infelizmente ele não respondeu.
Acredito que ele percebeu que não era bom questionar o objeto de culto da cosmologia atual.
Mostrarei (e você entenderá minhas explicações) que o buraco negro se baseia em um erro topológico que durou um século. Em Frankfurt, eu teria gostado de perguntar a todos os participantes se eles leram os artigos de Schwarzschild, especialmente Maldacena. Aposta que eu teria recebido a mesma resposta negativa, como eu recebi em minha intervenção oral na terça-feira.
Isso é impressionante. Nenhum dos especialistas que fazem do buraco negro seu pão de cada dia leu os dois artigos fundamentais, publicados em janeiro e fevereiro de 1916 por Karl Schwarzschild, um século atrás. É verdade que seu primeiro artigo (a "solução externa") foi traduzido para o inglês apenas em 1975. Por 59 anos, aqueles que não lêem alemão se contentaram com "comentários após comentários", e erros se espalharam, sobre os quais praticamente ninguém voltou. Quanto ao segundo artigo de Schwarzschild (a "solução interna") publicado em fevereiro de 1916, três meses antes de sua morte, foi traduzido por Antoci apenas em... dezembro de 1999!
Como o meio me percebe?
A primeira resposta é muito simples: "não me percebe de forma alguma". Ninguém presta atenção a um cara que só tem uma apresentação de pôster, que além disso introduz massa negativa na cosmologia!
Sobre aqueles que presenciaram minhas repetidas "intervenções" na sala de aula: o que pensaram? Suponho que não entenderam uma palavra do que eu disse. Massa negativa entre galáxias? Nunca ouviram falar disso…
Ninguém veio até mim para saber mais. Ao contestar a existência de buracos negros, e até mesmo a da matéria escura, sugerindo outros caminhos de pesquisa, eu certamente fui percebido como "um pesquisador aposentado, bastante desgastado, fora das grandes correntes da cosmologia atual", como Alain Riazuelo do Instituto de Astrofísica de Paris (IAP), grande criador de CGI de buracos negros, escreveu-me.
O público geral tem uma ideia totalmente errada da comunidade científica. As pessoas imaginam os cientistas como estudiosos atentos a novas ideias, prontos para debater. Enquanto a maioria deles se comporta como pessoas religiosas. Nos últimos anos, novas correntes surgiram que não estão baseadas em nenhum fundamento observacional. A mais impressionante é a "gravidade quântica". Você pode saber que a gravitação ainda não foi quantificada. Qualquer tentativa de criar um gravitão se depara com problemas de divergência insuperáveis. Mas parece que ao falar de "gravidade quântica", repetir essas palavras como um encantamento, a coisa eventualmente existirá.
Basta pensar como o buraco negro é anunciado, como é literalmente "vendido" para você. Por trinta anos, você tem ouvido a mesma frase, repetida ininterruptamente pelos meios de comunicação sob o calcanhar deste meio (eles vendem o que lhes é dado):
"Embora não haja confirmação observacional da existência de buracos negros, nenhum cientista duvida mais de sua existência."
Tal frase merece ser chamada de científica? Você continuará engolindo isso sem reagir? Enquanto baseamos tudo em um único caso, aquele do sistema binário Cygnus X-1, detectado em 1964, onde a companheira que emite raios X é creditada com uma massa de oito a quinze massas solares (portanto maior que a massa crítica de 2,5 massas solares). Por 50 anos, metade do século, é o único caso de um "buraco negro estelar". Distância: 6.000 anos-luz. Assim, há evidente incerteza sobre a medição da distância e a avaliação resultante da massa dos dois objetos que giram em torno de um centro comum.
Há duzentos bilhões de estrelas em nossa galáxia. Metade são sistemas múltiplos, geralmente binários. Haveria entre dez e cem milhões de "buracos negros" em nossa galáxia, obviamente objetos que estariam mais próximos de nós do que Cygnus X-1. E não os observamos há 50 anos, enquanto nossos meios de observação são refinados ano após ano!
No centro das galáxias: "buracos negros gigantes". Em nossa, um objeto cuja massa é equivalente a quatro milhões de massas solares. Imediatamente "é um buraco negro supermassivo". Mas este objeto não se comporta como um buraco negro. O gás em torno não emite raios X. Em 1988, o satélite Chandra foi colocado em órbita, capaz de detectar tal radiação. Foi apontado para o centro da Via Láctea: nada.
"É um buraco negro repleto", ouvimos até mesmo!
Um fluxo de gás interestelar se dirige para ele em 2011. Simulações são feitas para mostrar o que acontecerá: a massa gaseosa se deformará e será aspirada.

Verão de 2013: o material passa perto e… nada. Para falar a verdade, veja a conferência de Françoise Combes sobre buracos negros gigantes às 12:33 (em francês).
Seria… um buraco negro anoréxico?
Você ouviu falar de quasares. Aqui novamente, é um buraco negro que… etc. O modelo? No mesmo vídeo: quando o buraco negro comeu o suficiente, ele "cospem"… O mecanismo deste "arrotar" cósmico? Desconhecido, não descrito.
Isso é insano! É astronomia e cosmologia hoje. Palavras, bluff, teorias que não são. Argumentos de autoridade, visões míticas e imagens geradas por computador. Alguns até adicionam um grande voo de poesia de ambição. Confrontação com a observação? Por que, é tão importante? Vamos em frente, como com essa bobagem do multiverso!
SEXTA-FEIRA.
Fiquei sentado na primeira fileira. Desta vez, o presidente me alerta sobre o apertado cronograma e que perguntas longas não serão permitidas. Um discurso dissuasivo.
Um sul-coreano faz uma apresentação sobre os diferentes candidatos para a matéria escura. Toda a gama de pó mágico é revisada.
No final da apresentação, levanto a mão. Mas o presidente, que está a dois metros de mim, vira a cabeça, aparentemente me ignorando, e entra no corredor para procurar outros questionadores na sala. Na primeira fileira, fico com o braço completamente levantado.
Essa estratégia é bem conhecida. Dois ou três palestrantes são selecionados e lhes é dado o direito de falar, após o que o presidente volta para o potencial perturbador, dizendo:
"Desculpe, mas já esgotamos o tempo."
Mas ele encontra apenas uma pessoa que pede para falar. Ele então volta para mim e, para cortar qualquer comentário que eu tenha para ele:
"Quero fazer uma pergunta. Apenas uma."
Todos os participantes da sala ouviram. Ele relutantemente me dá o microfone.
Então pergunto:
"Em contexto do comportamento dos candidatos à matéria escura, como você considera o efeito do Grande Repulsor?"
O cara sul-coreano me olha com grandes olhos redondos. Ele parece abalado. Como asiático, ele está "perdendo face". Insisto:
"Sabe, o Grande Repulsor, como mostrado em janeiro passado por Hoffman, Courtois, Pomarède e Tully. Um vazio de 600 milhões de anos-luz de distância, onde não há nada, mas que repele galáxias."
Aqui vamos nós de novo. O coreano não está ciente. Não insisto...

Cada vez que falei, tentei manter uma postura contida, para não parecer um doido energético. Um exercício difícil nesse contexto. Forçava-me a fazê-lo. Estava presente nessa conferência graças à ajuda financeira de usuários da internet. Tinha, portanto, que demonstrar até onde as coisas haviam chegado.
Minha esposa disse-me:
"Depois de criar situações tão embaraçosas, o que você corre o risco é ver as portas das conferências internacionais dessa especialidade se fecharem diante de você."
Muito provável. Nas próximas conferências, isso acontecerá da mesma forma, evidentemente. Mas em nenhum momento fui agressivo ou ofensivo. Todas as minhas palestras tocaram uma corda sensível. Acho que o mais assustador foi o teórico italiano, especialista em energia escura, que me disse que pressão negativa não ia de mãos dadas com densidade de energia negativa. Como ele podia dizer tamanha besteira? Ali fiz um inimigo mortal, mais um.
Felizmente, a continuação dos vídeos
JANUS
, legendados em inglês, acabará por ter impacto internacional e despertar interesse entre alguns cientistas. Nem necessariamente positivo, aliás. Pense nessa observação feita por um jovem pesquisador italiano em Frankfurt, que me disse:
"Vi os seus artigos sobre o seu modelo cosmológico Janus. Estou vendo como você é recebido aqui. Como pode esperar que essas pessoas façam outra coisa senão virar as costas para você? O que você está propondo é destruir a própria base do trabalho deles!"
O primeiro obstáculo é o ceticismo. Alguns lampejos de curiosidade surgiram entre os jovens, mas nada mais. Durante o jantar na quinta-feira à noite, quando tentei conversar com um jovem pesquisador americano sentado ao meu lado, ele me considerou claramente um maluco, mesmo quando citei meus artigos revisados por pares de 2014 e 2015. Era tão teimoso quanto os outros. O que esses "jovens pesquisadores" buscam? Um tema de tese empolgante? Não. Eles procuram uma perspectiva de posição dentro de um grupo de pesquisadores do mesmo tipo, onde possam facilmente co-publicar. Ou um contrato bem pago sob a liderança de um chefe poderoso.
Acreditar que jovens pesquisadores se voltarão para essas ideias novas é uma ilusão, penso eu. Eles têm tudo a perder, assim como seus chefes.
Um leitor me contou sobre essa jovem de 24 anos, Sabrina Pasterski, apresentada como o futuro Einstein.

Perfil de Sabrina Pasterski no Forbes
É verdade que sua trajetória é surpreendente. Veja o

vídeo em que ela é mostrada construindo um avião de luz
, com 13 ou 14 anos, que voou sozinha aos 16. Ao ingressar no MIT, demonstrou logo grandes aptidões para a física teórica e depois se juntou à equipe de pesquisa de
Andrew Strominger
.
Andrew Strominger
Com 61 anos (e portanto relativamente jovem), recebeu inúmeros prêmios por suas contribuições para a teoria das cordas.
Sua jovem discípula tem um site:
physicsgirl.com
, que afirma que já foi convidada a todos os lugares, e que a imprensa fala dela em todo o mundo.
Dizem-me: "Talvez essa garota...?"
Tenho também o endereço de e-mail dessa jovem "gênio". Vou escrever para ela também.
Vou escrever a Strominger, pedindo que venha me conhecer e apresentar minhas ideias e trabalhos. A ajuda financeira dos usuários da internet permitiria realizar tal missão. Mas ele responderá?
De qualquer forma, hoje estou enviando mensagens a dois laboratórios, aos organizadores dos seminários:
– ao Laboratório de Astropartículas e Cosmologia (APC) da Universidade Paris Diderot, onde estão vinculados George Smoot e Marc Lachièze-Rey.
– ao Laboratório de Astrofísica do CEA-Saclay, onde trabalha o físico teórico Filippo Fabrizzi.
pedindo permissão para apresentar meus trabalhos lá.
Aposto que, mais uma vez, ninguém responderá. E então mencionarei esses comportamentos nos vídeos Janus, que permanecerão disponíveis sem limite de tempo, com os nomes das pessoas envolvidas. Porque essa evitação sistemática é anormal.
É um sinal de que essa parte da ciência está se deteriorando cada vez mais.
Relatório da conferência anterior (KSM 2017)
O Modelo Cosmológico Janus no YouTube