Testes nucleares geologia atenuação segurança
O relatório do US Geological Survey
RELATÓRIO NÃO CLASSIFICADO N° 01-28
Restrições relacionadas à engenharia e geologia sobre a viabilidade de testes nucleares subterrâneos em grandes cavidades com atenuação da explosão (decoupling).
Dr. William Leith
US Geological Survey
Reston, Virgínia 20192
Departamento do Interior dos Estados Unidos
Análise das questões geológicas
Até uma data muito recente, este relatório podia ser baixado a partir das Publicações do site do USGS (US Geological Survey) no endereço:
http://geology.er.usgs.gov/eespteam/pdf/USGSOFR0128.pdf
Este relatório já não existe mais, nem mesmo nas bases de dados do USGS (http://search.usgs.gov/).
Um arquivo de segurança encontra-se aqui: http://membres.lycos.fr/atar/Archives/Report01_28.pdf
Devemos esta salvaguarda providencial à prudência de Christophe Giudicci, que havia descoberto sua existência. Trata-se de uma peça fundamental do dossier "testes nucleares clandestinos". Este dossier foi apresentado ao juiz durante o processo em apelação no início de 2003, que me opôs a Antoine Giudicelli, resultando na minha condenação por difamação. Comentei amplamente este documento durante a audiência quando o juiz desejou "chegar ao fundo do assunto". Não foi mencionado na sentença. Veja também os comentários sobre a sentença.
A seguir, um breve resumo do conteúdo deste relatório.
Trabalhos preliminares
Durante as últimas 40 anos, o escritório de monitoramento geológico americano manteve seu esforço para controlar os testes nucleares realizados em todo o mundo e garantir que os tratados referentes a eles fossem respeitados.
- Sistemas de detecção de explosões nucleares – Efeitos na superfície do solo e no ambiente, principalmente em testes realizados no exterior. Localização dos locais de experimentação
- Avaliações sobre os chamados "testes nucleares realizados com fins pacíficos"
- Estudos comparativos dos efeitos sísmicos causados por explosões nucleares e aqueles atribuídos à sismicidade natural e a explosões associadas à mineração
- Intervenção e participação na elaboração dos tratados de limitação de testes nucleares
- Criação de bases de dados sísmicos para facilitar a detecção de explosões nucleares – Diferenciação entre explosões nucleares e efeitos de terremotos
- Estudos sobre a atenuação de ondas na crosta terrestre
- Estudo da capacidade de atenuação natural de solos porosos, em diferentes profundidades (Matzko, 1995)
- Cavidades naturais adequadas para instalação de dispositivos de atenuação, com foco em domos de sal ou camadas onde o sal se apresenta em camadas, ou em áreas propícias para a construção de grandes cavernas subterrâneas
Um cenário de atenuação (decoupling)
Um dos pontos críticos dos tratados de não proliferação de armas nucleares (Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares – CNTB) é a capacidade de avaliar a possibilidade de países realizarem testes em total sigilo, ou seja, capazes de escapar dos sistemas usuais de detecção. Entre os vários cenários possíveis, destacam-se:
- Realizar uma explosão nuclear no espaço
- Durante um terremoto
- Em um meio que ofereça atenuação natural
- Em um ambiente marinho muito distante
- Na atmosfera terrestre quando esta está sob forte cobertura de nuvens
- Evitando a detecção ao explodir as cargas em cavidades suficientemente grandes e localizadas em profundidades adequadas
Todas essas metodologias foram objeto de estudos aprofundados e inúmeros artigos foram escritos sobre o tema (Herbst e Werth, 1980; Glenn e Goldstein, 1994; Sykes, 1995; Linger e Al., 1995).
Desde que a técnica de atenuação baseada na explosão de uma carga em uma cavidade foi proposta por Albert Latter em 1959 (Latter e Al., 1961), um trabalho considerável foi realizado para tentar modelar esse fenômeno teoricamente. Os EUA e a URSS realizaram testes em condições de atenuação de sinal, conforme relatado em artigos de Springer e Al., 1968; Murphy e Al., 1995; Reinke, 1995.
Em 1988 chegou-se à conclusão de que a vigilância poderia ser realizada para explosões superiores a 10 quilotons, e que com tais potências não se dispunha de métodos para eliminar o sinal sísmico.
Abaixo de 1 a 2 quilotons, concluiu-se que explosões poderiam ser realizadas em violação dos tratados em meios como granito, aluvionares ou depósitos salinos, e que, nessas condições, não se dispunha de métodos confiáveis para detectar tais testes com a tecnologia atual.
Entre esses dois limites (cargas superiores a 10 quilotons ou inferiores a 1 quiloton) existe uma faixa em que, mesmo com técnicas de atenuação, a detecção permanece problemática.
O objetivo deste artigo é fazer um balanço sobre as técnicas de atenuação ao explodir cargas em cavidades (Sykes, 2000). Esta revisão de questões refere-se a cavidades preenchidas com ar. Mas outras metodologias de atenuação foram consideradas. Também se estudaram materiais porosos, alveolares, capazes de se comprimir durante a explosão, absorvendo a energia. Demonstra-se a viabilidade de testes nucleares subterrâneos em rochas alveolares cujo coeficiente de porosidade atinge de 5% a 20%. Existem regiões, como o Kalahari, onde a porosidade pode ultrapassar 20%.
A seguir, os critérios que permitem considerar a realização de explosões nucleares furtivas.
- O sinal sísmico deve estar abaixo do limiar de detecção dos instrumentos de monitoramento.
- A profundidade em que o teste é realizado deve ser suficiente para garantir o confinamento dos produtos radioativos após a explosão, de forma que os sistemas de detecção de produtos radioativos não possam identificar o fenômeno, diferenciando-o de sinais de origem natural.
- O local do teste deve poder escapar a qualquer vigilância por satélite.
Atenuação em cavidades elipsoidais
Americanos e soviéticos realizaram numerosos testes com explosivos químicos de alta potência em cavidades cuja elongação atingia 4:1. Na União Soviética, esses testes foram conduzidos na Quirguistão em 1960. Testes semelhantes foram realizados em Magdalena, Novo México, em 1994. Esses testes tiveram como objetivo verificar a precisão dos modelos preditivos.
Fator de atenuação no sal e no granito
De acordo com um relatório publicado em 1988 pela OTA, diâmetros de cavidades esféricas de 25 metros no sal e de 20 metros no granito seriam suficientes para proporcionar atenuação adequada para cargas de 1 quiloton, com as cargas sendo detonadas a profundidades de 825 metros. Sykes (1995) considera que essas avaliações deveriam ser revisadas para cima, mas essas alterações permanecem pequenas, podendo-se considerar esses valores significativos.
Os ambientes no caso da instalação de uma cavidade subterrânea.
A técnica de atenuação de...