Mitterrand nos jardins do meu observatório

histoire Mitterand

En résumé (grâce à un LLM libre auto-hébergé)

  • François Mitterrand apresenta queixa por tentativa de assassinato em 1959 após um incidente nos jardins do Observatório.
  • Ele é acusado de ter organizado um atentado falso com Robert Pesquet, um antigo deputado poujadista.
  • O caso resulta em prisões, uma anistia e um arquivamento, confirmando que o atentado era fingido.

Mitterand nos jardins do meu observatório

O caso do Observatório.

Referências: « Le Crapouillot », n° 20 Nova Série, março-abril de 1972; n° 59 Nova Série, verão de 1981; n° 2 Extra Série, junho de 1994.

Informado por Y. Langard

A versão de Mitterrand

Na noite de 15 para 16 de outubro de 1959, François Mitterrand, senador, ex-ministro do Interior e da Justiça sob a Quarta República, apresenta queixa à polícia: teria sido vítima de um atentado.
Segundo ele, ao sair da brasserie Lipp, no boulevard Saint-Germain, por volta de meia-noite e meia, e retornar de carro — uma Peugeot 404 (*) azul — para sua residência na rua Guynemer, número 4, ao lado dos jardins do Luxemburgo, uma Renault Dauphine teria o seguido. Inquieto (o clima era de atentados, ligado à Guerra da Argélia), teria alterado seu itinerário, e, ao chegar diante do Senado, teria virado à esquerda em direção ao boulevard Saint-Michel, em vez de virar à direita rumo à sua casa. Mas, como o carro suspeito o seguiu, teria acabado virando à direita na rua Auguste-Comte, abandonando então o veículo e pulando por cima da cerca dos jardins do Observatório, justo a tempo de evitar uma rajada de metralhadora, sete balas disparadas contra seu carro por seus perseguidores.

O juiz de instrução Braunschweig abre uma investigação "contra X" por tentativa de assassinato e encarrega o comissário Clot, chefe da brigada criminal da polícia judiciária, de conduzir uma investigação muito ativa durante vários dias.

(*) Talvez um erro de digitação. A 404 não existia naquela época, salvo engano. Acredito que se tratasse de uma "403". Segundo esta fonte, a 404 teria sido lançada "simbolicamente com o advento da década de 60".
http://www.caradisiac.com/php/collection/voitures_legende/francaises/peugeot_404.php

6 de setembro de 2005. Era realmente uma 403:

O veículo de Mitterrand após o "atentado" (foto da agência de imprensa)

Minha observação: os arames metálicos estão lá para indicar os impactos e as trajetórias das balas. Eles estão no nível do assento do condutor. Contam-se seis. O carregador da metralhadora Sten possui 20 balas; se se supõe que o atirador o esvaziou, isso explicaria o estilhaçamento dos vidros. Como Mitterrand é suposto ter saltado do veículo, este deve ter colidido com algo. Daí os danos na carroceria. Por outro lado, como me faz notar Bernard D., que me enviou esta foto, por que a coluna de direção está completamente torcida, se o condutor teria sido suposto sair do carro no momento do impacto? A seguir, trecho do livro de Pesquet.

O escândalo estoura

Seis dias depois, em 22 de outubro de 1959, o semanário de direita Rivarol afirma que Mitterrand não foi vítima de um atentado, mas o organizador de um falso atentado contra si mesmo, executado com um cúmplice, o ex-deputado poujadista (de direita) Robert Pesquet, derrotado nas eleições de 1968.

A versão de Pesquet

No mesmo dia, Pesquet se apresenta perante o juiz. Relata que Mitterrand, encontrado na quarta-feira, 7 de outubro, no Palácio da Justiça, teria lhe oferecido "sair da mediocridade" se ele aceitasse realizar certos serviços para ele, executando "algumas missões perigosas"; proposta renovada em 14 de outubro e confirmada em 15 de outubro, data em que lhe teria sido confiada a missão de simular um atentado contra Mitterrand, a fim de restituir ao último a popularidade perdida desde que De Gaulle estava no poder. Todos os detalhes da operação — horários, itinerários — teriam sido definidos naquele dia pelos dois homens, segundo Pesquet.
Revela que o carro seguidor, uma Dauphine, era conduzido por ele, Pesquet, e que a metralhadora era segurada por Abel Dahuron, seu caçador. Ambos teriam esperado, como combinado, até que Mitterrand estivesse a salvo nos arbustos dos jardins para atirar contra seu carro vazio.

A segunda versão de Mitterrand

Apresenta uma queixa dupla: por tentativa de assassinato e por difamação. Segundo ele, Pesquet, com quem tinha pouca familiaridade, teria "envenenado" sua mente ao "revelar" que um verdadeiro atentado estava planejado contra ele por seus adversários, partidários da Argélia Francesa; que Pesquet deveria ser o executor, mas preferiu avisar sua futura vítima para salvá-la, sugerindo, em vez disso, um atentado falho. Proposta que Mitterrand teria aceitado por medo de ser realmente morto por outros "amigos" de Pesquet, caso este lhes dissesse que desistia.

A reação do juiz

O juiz inculpa Pesquet e Dahuron por posse ilegal de armas de guerra, pois não possuíam licença para porte de armas; além disso, tinham atirado em via pública.
Inculpa também um cúmplice, André Péquignot, que forneceu a metralhadora (um "souvenir" da Resistência), sem saber, no entanto, para que ela seria usada.
Finalmente, e porque este ex-ministro da Justiça colocou a polícia e a justiça em um caminho falso, ao apresentar a queixa após o atentado sem mencionar Pesquet nem suas relações com ele — o que provocou uma investigação inútil da polícia judiciária durante vários dias —, o juiz manifesta o desejo de inculpar Mitterrand por ofensa a magistrado.
Mas Mitterrand é senador, ou seja, protegido pela imunidade parlamentar. O juiz então solicita ao Senado que levante a imunidade de Mitterrand, o que ocorre em 25 de novembro de 1959, por 175 votos contra 27. Assim, com Mitterrand, há quatro inculpados.

As consequências

Exceto por um imprevisto secundário, em que Pesquet é preso por alguns dias por outro caso e é levado a uma greve de fome, o caso do Observatório ainda se arrasta por sete anos.
No final de 1965, De Gaulle se candidata à eleição presidencial. Dois de seus adversários políticos mais ferrenhos se apresentam contra ele: Mitterrand e Tixier-Vignancour, candidato de extrema direita, antigo advogado de Pesquet. Mas o caso do falso atentado do Observatório nem sequer é mencionado pelos gaullistas, que talvez temam que Mitterrand, ex-ministro da Justiça, também possua seus arquivos contra eles (e particularmente contra Michel Debré, acusado de ser um dos mandantes do atentado com bazooka cometido em Argel em janeiro de 1957).
De Gaulle reeleito em janeiro de 1966, uma lei de anistia é publicada em junho seguinte, como costuma acontecer após uma eleição presidencial. Ela apaga, entre outros, o delito de porte de armas de Pesquet e Dahuron. Mas, pela primeira vez na história, ela se estende também ao delito de ofensa a magistrado: Mitterrand é, portanto, também absolvido, e agora é proibido mencionar sua inculpação. Esse "presente" de De Gaulle a seu adversário mais feroz parece confirmar que os gaullistas temem que Mitterrand revele seus "arquivos".

O desfecho

Em 8 de agosto de 1966, dois meses após essa anistia, o juiz Sablayrolle, que substituíra o juiz Braunschweig, emite uma decisão dupla sobre Pesquet e Dahuron: arquivamento em tribunal de correção (de forma puramente formal, já que o processo estava encerrado).