China economia globalização política

histoire Chine

En résumé (grâce à un LLM libre auto-hébergé)

  • O texto fala sobre a crescente importância da China na economia mundial e sua influência sobre a história do mundo.
  • Ele compara a situação atual à da França antes da Revolução de 1789 e destaca os desafios da globalização.
  • A China é descrita como um país pragmático, nacionalista e eficaz, que busca sair da pobreza e desenvolver sua economia.

China economia globalização política

China, dossier nº 1


*| Ah, ça ira, ça ira, ça ira | Os aristocratas à la forca | Ah, ça ira, ça ira, ça ira | Os aristocratas, os enforcarão |
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Aqui, no mundo, nem sequer existe o projeto de Estados-Gerais do mundo. Já De Gaulle dizia: "a ONU, esse tal de coisa...". Como se lerá nos dois textos de Pomagalsky, as manobras econômicas uns dos outros se dobram com manobras estratégicas, de um lado e do outro. No Oriente Médio, os americanos "não lutam contra o terrorismo", que é apenas uma desculpa. Eles buscam limitar, adiar o acesso da China às grandes fontes de abastecimento de petróleo e seu desenvolvimento fulgurante.

Como ainda destaca Pomagalsky, se os americanos fazem isso, não é por ganância, embora os líderes do país tenham todos ligações estreitas com as companhias petrolíferas (Exxon, etc.). Os EUA lutam pela sua sobrevivência em prazo relativamente curto (20 anos). Como se verá, a China se armazena discretamente, tentando ocultar a verdadeira dimensão de seu orçamento militar. Alianças se formam, sem o menor escrúpulo. Amanhã, países assinarão "acordos" porque é seu interesse, econômico e estratégico comum, se importando pouco com "a democracia", "os direitos humanos" ou "os direitos da mulher". Países como a China, a Rússia, o Irã e até mesmo a Coreia do Norte.

Tudo isso ultrapassa largamente o impacto que as populações dos países europeus sentem, que constatam cada vez mais produtos vindos da China e cada vez mais europeus nas ruas, sem emprego.

A China é um gigante cuja dimensão, força e poder são difíceis de imaginar, assim como a Índia. A situação atual não é fruto do acaso. Não é surpresa. É o resultado de vinte anos de esforço contínuo, ligado à forma como a China decidiu se transformar em exército, em "marabunta" (as formigas guerreiras que às vezes marcham na América do Sul e devoram tudo). Ela não faz isso para prejudicar o resto do mundo. Faz isso para sair da pobreza em que viveu por tanto tempo. Para isso, os quadros altamente autoritários do Partido Comunista Chinês são utilizados ao máximo. Assim, a China é uma ditadura extremamente eficaz. Na China, os sindicatos simplesmente não existem.

Ainda que haja exceções como "singularidades técnicas fronteiriças", como os muçulmanos Uigures, sobre os quais Pomagalsky fala, há uma notável unidade étnica e cultural. A China é essencialmente pragmática e... nacionalista. Acho que é a palavra que melhor caracteriza os chineses, e que devemos gravar na cabeça. Ela é "sem escrúpulos". Toda a população chinesa também tem uma enorme vingança a realizar. As atrocidades japonesas (os ensaios de armas bacteriológicas conduzidos pelo general Hi Shi na Manchúria), os massacres, a Guerra do Ópio não foram esquecidos.

A China se importa profundamente com as consequências econômicas e sociais que seu expansionismo econômico, perfeitamente legítimo, cria no resto do mundo. Os chineses simplesmente aplicam as regras do jogo (liberais) em vigor no resto do mundo, que outrora foram usadas para arrasar o Império do Meio. Mas têm a grosseria de fazê-lo com eficiência estonteante. São comerciantes lendários. Quando se faz negócios com chineses, há 99% de chances de ser enganado, com um sorriso. Os ocidentais são, nesse terreno, incrivelmente ingênuos (penso nas pessoas da Eurocopter que decidiram colaborar com os chineses para produzir juntos helicópteros). Os chineses sabem admiravelmente explorar a concorrência, negociando alternadamente com um ou outro parceiro para obter o que desejam sobretudo: o transferimento tecnológico. Para conquistar o mercado e ganhar vantagem a curto prazo, sempre haverá um tolo disposto a fornecer os planos, o processo de fabricação, e voltar dizendo: "nós ganhamos sobre tal ou tal país concorrente".

Os ocidentais, inconscientemente, mantêm uma ideia bastante primitiva dos chineses. Têm na cabeça uma imagem de seres desgrenhados, bárbaros e rudes, transmitida por velhos filmes como "O Canhoneiro do Yang Tsé" ou "Os Cinquenta e Cinco Dias de Pequim", com Charlton Heston (um filme que retrata o cerco das embaixadas estrangeiras em Pequim por "hordas desenfreadas" na época em que os ocidentais arrasavam o país, aplicando um colonialismo sem escrúpulos). Ali, ocidentais "civilizados" enfrentam hordas brutais e sanguinárias, astutas, que só reconhecem a força e ignoram a piedade. A visão geral permanece colonialista. A imagem do chinês evoca a do índio dos westerns dos anos 50 ou a do "amarelo" das séries B americanas. Os ocidentais os imaginam mal inteligentes, pouco criativos, incapazes de desenvolver conhecimento de ponta em todas as direções. Essa subestimação é um fenômeno geral. Nas décadas de 50, os ocidentais subestimavam completamente os russos, por exemplo, no domínio espacial. Como pessoas tão mal vestidas, incapazes de produzir bons batons e meias de boa qualidade, com computadores de válvulas parecidos com antigos osciloscópios dos anos 50, com design horrível, poderiam aventurar-se no espaço? Até o final dos anos 60, lembro-me de que em congressos, o primeiro cuidado dos soviéticos, ao chegarem ao exterior, era ir comprar meias sintéticas que, enfim, não lhes caíam mais nos tornozelos.

Já contei a surpresa dos ocidentais ao descobrir, em 1982, a existência de uma MHD chinesa tão avançada quanto a deles, fervilhando em complexos científicos parecidos com velhas cimenteiras. É verdade que ainda há muita pobreza na China. A terra chinesa é pobre e as chuvas raras. Pomagalsky fornecerá números eloquentes. Em Xangai, estamos plenamente no terceiro milênio, mas esse "milagre chinês" está concentrado principalmente na faixa costeira sudeste. Basta pegar um trem e andar cem quilômetros para logo encontrar campos sujos. Na China costuma-se dizer: "comemos tudo que voa, exceto aviões". Comemos cães. Existem realmente restaurantes, embora isso seja proibido em tese, onde se pode comer animais vivos, com o auge do refinamento sendo as cerebros de macacos decapitados diante do cliente. Camponeses pobres vendem seus filhos por quatrocentos e cinquenta yuans a "serviços", a funcionários que os revendem a estrangeiros que desejam adotá-los, por dez vezes mais, aproveitando para encher o bolso com esse confortável suplemento. Os direitos humanos permanecem uma noção bastante vaga num país tão imenso. O ocidental associa o que percebe como barbárie (quando, na verdade, às vezes faz algo pior usando a fome como arma) à atraso. Mas não se deve esquecer que a China é o terceiro país a colocar homens no espaço, o que implica todo um fundo científico e técnico que os europeus não possuem.

Quando os ocidentais comerciam com a China, se percebem ingenuamente como detentores de uma vantagem tecnológica difícil de superar. Engano grave. O despertar, próximo, será extremamente brutal. Os chineses "digere" tudo, em silêncio...