Do pensamentos pré-históricos sobre o homo sapiens

En résumé (grâce à un LLM libre auto-hébergé)

  • O artigo explora as características anatômicas do Homo sapiens e compara as dos primatas.
  • Ele destaca a importância da articulação do ombro e da escápula na capacidade humana de levantar cargas.
  • O artigo questiona algumas teorias sobre a evolução da hominização e da bípede.

Pensamentos pré-históricos sobre o homo sapiens

Elogio da Ignorância

2° parte

24 de janeiro de 2005

Quando se anda entre árvores é bom poder orientar as "mãos inferiores" em todas as direções. Em um hominídeo como o chimpanzé ou o homem e em muitas outras espécies, o fêmur rola sobre o que se chama um "tibial".

Tibial. Note a que serve a "rótula": deslocamento das fixações dos tendões e travamento anterior

A parte inferior da nossa perna é composta por dois ossos gêmeos: o tibial e o perônio. Mas o fêmur apoiar-se apenas em um dos dois. A forma como o fêmur e o tibial permanecem constantemente em contato é um verdadeiro prodígio de mecânica e envolve uma curva matemática bastante notável. Tente conceber uma articulação sem eixo de rotação materializado, dispondo apenas de ligamentos, relativamente rígidos, para manter o contato entre os dois ossos. A solução "encontrada pela natureza" é absolutamente notável. Acredito, fazendo uma pequena digressão, que o que mais me impressionou no esqueleto humano foi a articulação do ombro, que permite uma posição espacial do braço absolutamente notável em relação ao seu movimento angular (que se expressa em termos de "ângulo sólido").

Isso foi possível graças a uma invenção, a de um suporte articulado móvel, diria "flutuante": a escápula, verdadeira descoberta.

Essa escápula permite ao halterofilista levantar cargas incríveis e mantê-las acima de si, com os braços estendidos, sem que os braços se desgarrassem e caíssem no seu calção!

A articulação fêmur-bacia ocorre segundo uma "cabeça do fêmur" que se coloca em um encaixe. É do tipo rótula (embora não tenha nada a ver com a rótula dos nossos joelhos, que desempenha um papel totalmente diferente, como vimos acima).

A articulação fêmur-bacia do australopiteco já era mais próxima da de um arborícola do que de um bípede, o que não foi notado imediatamente. Mesma observação sobre a estrutura do seu tibial, pelo que me lembro. O nosso possui uma aresta que limita muito fortemente o deslocamento angular do tibial em relação ao fêmur. Cerca de cinco graus, se os meus recordes são exatos. Por outro lado, e me refiro a uma conversa que tive há muito tempo com meu velho amigo Louis David, ex-diretor do museu Guimet de Lyon, essa aresta seria praticamente ausente, ou bem menos desenvolvida em arborícolas, permitindo um deslocamento angular de cerca de sessenta graus. As articulações dos tornozelos seriam bastante diferentes, sempre com base no modo de locomoção escolhido.

Subir ou andar, é preciso escolher

Somos bons escaladores. Eu mesmo fiz um pouco de montanhismo e fui por algum tempo instrutor auxiliar de escalada na Universidade Livre da Bélgica. Em termos de força nos braços, em relação à tração/peso, estamos bem atrás do chimpanzé e, muito mais, do gibbon. Por não ter pés preensíveis, nos dotamos de sapatos capazes de explorar o menor saliência. Mas lembro-me ainda que quando conhecemos Jean Lecomte e sua esposa Lulu, na ilha de Riou, diante das Calanques de Marselha, ilha deserta na época (1960), onde o casal veio para escalar e procurar um naufrágio de ânforas, não tínhamos sapatos. Nem mesmo tênis. A sola era feita de couro. Nós subimos, com Jean, as "Torres de Riou", descalços, o que indica que mesmo sem sapatos o ser humano pode se sair bem. Mas, em termos de flexibilidade, estamos bem atrás dos macacos.

Jean-Pierre Petit e Jean-Claude Mitteau em 1960 nas Calanques

A aresta tibial é quase ausente no australopiteco:

Junção fêmur - tibial no australopiteco

Há dez a quinze anos, meu amigo David duvidava das qualidades de bípede do que era considerado um pré-homem por causa disso. Devemos acrescentar os estudos feitos por Yvette Deloison em seu livro "La Préhistoire du Piéton". Após examinar os ossos do pé do australopiteco e os moldes de suas pegadas, ela demonstra a existência de um "dedo opositivo". Esse músculo persistiu, no nosso pé, mas está atrofiado. E ela conclui que a emergência do homem, como bípede, permanece um mistério completo.

A presença de um dedo opositivo constituiria um novo argumento para duvidar da bipedalidade no australopiteco. Finalmente, descobertas posteriores destruíram a ideia em torno da qual se criou a notoriedade internacional de Coppens. Finalmente descobriu-se esqueletos de australopitecos muito antigos, mais ao oeste, em regiões verdadeiramente arborizadas.

Fim da tese da bipedalidade como fenômeno de adaptação ao meio.

A hominização é uma questão-chave. Não é apenas o modo de locomoção que diferencia o homem do macaco. Há também a capacidade de comunicar-se com um linguagem articulada. Para emitir sons modulados, é necessário dispor de cordas vocais, fixadas em ossos esfenoídeos. Os simianos não possuem nem um nem outro. Quando esses ossos surgiram? Antes, depois ou ao mesmo tempo que a bipedalidade? Outro vasto campo de ignorância. Sabemos, porém, após ter descoberto e estudado as capacidades desses chimpanzés anões chamados Bonobos, que mesmo privados da capacidade de fonação, esses seres são muito inteligentes, capazes de distinguir o passado do futuro, de memorizar promessas feitas por seus companheiros-humanos, de aprender sequências de gestos ao observá-las em telas de vídeo, etc. É realmente aí que se tem vontade de dizer "a eles não falta mais nada, exceto a fala!".

Falar das origens do homem sem evocar essa questão da hominização, sobre a qual não temos resposta, e onde ninguém parece capaz de formular a pergunta corretamente, é um pouco se rir do mundo. Quando se vê esse filme, tem-se a impressão de que os cientistas resistem em dizer "não sabemos". O documentário está repleto de muitas aparições de cientistas reconhecidos, mandarins bem estabelecidos que se exibem tanto quanto possível em locais muitas vezes luxuosos, enquanto a paleoantropologia, um dos muitos filhos pobres da ciência, normalmente concede a seus pesquisadores apenas uma gaveta vaga e um canto de mesa em um escritório já ocupado.

Coppens participou de uma obra escrita em colaboração com Hubert Reeves e Joël de Rosnay, intitulada "La Plus Belle Histoire du Monde", livro onde o jornalista entrevista "essas três grandes figuras da ciência". Entre os três, nem Reeves nem de Rosnay jamais descobriram nada pessoalmente, mas essa obra é "do quark ao homem", um verdadeiro monumento de ideias prontas. Coppens desenvolvia então a teoria em torno da qual se concentrava sua carreira, que o tornou famoso. Mas hoje essa ideia não é mais defendível. Em vez de admitir a ignorância, ele escolheu começar a história do homem com o homo erectus (portanto... já em pé).

No filme supervisionado por Coppens, assiste-se a uma cena surpreendente. Uma fêmea de homo erectus dá à luz de pé um... homo sapiens. Nada disso é inocente. Coppens aprova essa hipótese que nada mais é do que a de uma passagem brusca, resolutamente não-darwiniana da primeira espécie à segunda. Tem-se a impressão, de fato, que, assim fazendo, ele se deixa todas as saídas possíveis com essa discreta evocação, no caso de a ventania, de repente, virar em torno dessa questão. De fato, o volume encefálico passaria bruscamente de 600 cc para 1200. Os sulcos orbitais desapareceriam. O ângulo facial seria profundamente modificado, o queixo apareceria, etc.

Essa sequência é introduzida porque é preciso, de alguma forma, explicar a aparição do personagem central desse filme: o homo sapiens. Em vez de simplesmente dizer:

- Disponemos de fósseis de vários hominídeos. Entre eles, o homo sapiens, que aparece há cerca de cem mil anos no Oriente Médio, parece muito próximo do homem moderno por vários pontos e cuja emergência, no estado atual dos conhecimentos, é um mistério.

Resta esclarecer, o que é feito no filme, que o homo erectus, saindo da África, sabia cortar "bifaces". Já estamos longe dessa "cultura de pedras", muito primitiva. O homo erectus também domina... o fogo, o que não é nada (400.000 anos antes de nossa era. Alguns paleontólogos dizem que esse número poderia ser dobrado). Ao construir assim seu filme, Coppens evita a questão essencial, central:

  • Onde, quando e como começa a hominização?

Em um momento, dá-se a palavra a um paleontólogo chinês, o professor Wu Xin Zhi, que nos fala do "homem de Java" e do "homem de Pequim", que teriam povoado o continente asiático há 500.000 anos. O chinês duvida da "sinização" do homo sapiens importado por imigração e afirma que características asiáticas (rosto plano, estrutura craniana estendida nas bochechas) já existiam nos espécimes mais primitivos, o que implicaria que o fenômeno de emergência do homo sapiens poderia ter ocorrido em pontos do globo muito distantes (origem polipilética do homem, segundo vários ramos). Mas o filme não se detém muito nessa questão-chave.

Coppens cavalga a tese dominante baseada em uma origem monofilética do homem (com "um único ramo"). Essa tese nada mais é... do que uma simples crença. Até uma data recente, quando a tese de Coppens, sobre o nascimento da bipedalidade, desmoronou, essa origem única do homem e seus antecessores era a tese oficial na paleontologia ocidental. Encontra-se, de fato, no folheto acompanhando o CD-ROM o esquema de povoamento do planeta, a partir de um berço único: o rift africano. É o tema de "tudo fora da África". Não há medida nos discursos de Coppens ou outros que se expressam nesse filme, nenhum recuo, nenhum dúvida.

- Isso aconteceu, então eles fizeram isso...

O filme abunda em incongruências manifestas, que Coppens aprova de fato. Cito um exemplo. Para tentar dar ao conjunto um pouco de roteiro, fazem falar um velho que revela sua origem ao seu neto. O ancestral confessa que teria sido criado por lobos. Vê-se uma cena onde os homo sapiens encontram uma manada de lobos, acompanhados por uma criança que parecia ter pelo menos cinco ou seis anos. Integrado à tribo, o garoto mantém por um tempo uma atitude "um pouco selvagem", mas, após poucos anos, aprende a falar e termina se tornando o sábio, o xamã da tribo.

Quando se avança algo, é preciso poder se apoiar em alguns fatos, se possível. Conhecemos na história casos verificados de crianças que sobreviveram vivendo integradas a uma manada de animais diversos. Na Índia, há vários casos de crianças que aparentemente foram criadas por lobos. Em um dos casos, a criança, por imitação, adotou uma quadrupedia de emergência correndo... sobre os cotovelos, que tinham desenvolvido calos impressionantes. Na França, temos o caso de Victor de l'Aveyron, uma criança encontrada nua no departamento de l'Aveyron, se alimentando de frutos e caroços, cuja vida se acredita que tenha sido semelhante à dos javalis.

Em todos os casos, nenhuma reabilitação foi possível. O ser humano passa por estágios nos quais adquire diferentes atributos comportamentais, incluindo a aptidão para manusear uma linguagem. Quando se perde essa boa fase, aparentemente não é mais recuperável. Foi o que foi constatado com Victor de l'Aveyron, que, apesar dos louváveis esforços do médico tentando reabilitá-lo para uma vida social humana, revelou-se incapaz de articular uma palavra.

A sequência apresentada no filme é, portanto, uma pura ficção, que vai contra o pouco de experiência que temos sobre o assunto. As ficções abundam. Um amigo paleontólogo me lembrava da sequência onde o roteirista acreditou que seria bom mostrar uma turma de homo sapiens atravessando uma passagem de montanha alta, sob a sugestão de uma "mulher-xamã". Tremendo de frio, eles são... salvos pelos neandertais! De fato, se os homo sapiens passaram na França, foi ao longo da costa, e não ao se aventurar em um cenário de montanha alta. Mas isso faz "belas imagens". Imagens falsas, absurdas, mas românticas.

Esses mesmos amigos paleontólogos lamentaram que os roteiristas não tenham dedicado nem uma sequência para mostrar o tamanho dos sílex, por percussão, enquanto não faltam, na França, pessoas que perfeitamente sabem reconstituir esses gestos extraordinários de eficácia. Mas como pedir isso a um... coreógrafo, encarregado pela produção de coordenar toda a gestualidade e vocalizações das pessoas que são supostas serem nossos antepassados?

Na verdade, quando se vê todo o filme acompanhado de um comentário tão monótono e ininterrupto, pensa-se inevitavelmente no excelente filme de Annaud: "La Guerre du Feu". Annaud é um diretor extremamente talentoso, autor de filmes extremamente variados, dentre os quais este clássico que é "Au Nom de la Rose". Nessa adaptação do livro escrito em 1912 por Rosny Aîné sobre as andanças de um grupo de homo rerectus, Annaud, que se deu o luxo de nos envolver durante duas horas e nos fazer compreender muitas coisas em um filme onde as palavras pronunciadas são em "pré-histórico sem legendas". Ele consultou bons especialistas e seu filme não está manchado pelas inúmeras erros que salpicam aquele patrocinado por Coppens. É notável que Annaud tenha se voltado para etnólogos e não para pré-históricos.

Outro exemplo extraído do filme, onde Coppens, escrito no crédito, é apresentado como "Diretor Científico": Em um momento, vê-se homo sapiens trabalhando em equipe com neandertais (…), atacando… mamutes com lanças de madeira equipadas com pontas de pedra. "Eles assustam os animais com tochas". Do pouco conhecimento que tenho da África, sei que esse medo do fogo, para muitas espécies, existe apenas… na imaginação dos escritores (como o medo da "flor vermelha", em "O Livro da Selva"). Em uma região de risco no Quênia ou Tanzânia, eu não aconselharia ninguém a dormir tranquilamente ao lado de um fogo imaginando estar assim protegido de animais potencialmente muito agressivos como hienas.

Quando se quer realizar um filme sobre a pré-história, não seria o mais simples ir observar as pessoas que vivem realmente nessa época, como os Bushmen ou os Papuas. Entre as técnicas de caça, há algumas que Coppens e sua equipe não mencionam e que certamente surgiram muito cedo, dada sua eficácia: o veneno, amplamente utilizado na Terra, pelos amazônidas ou pelos Bushmen, por exemplo (esses caçam com arcos que parecem brinquedos, cujas pontas se comportam na verdade como "seringas"). Há outra cena (decididamente, o filme parece ser uma sucessão ininterrupta de incongruências) onde se vê homo sapiens atacando gazelas com lanças. Um deles é atingido… na bunda. Dizem então que ela está "ferida de morte" e, de fato, na sequência seguinte, a vê-se rígida morta, no mesmo local, no chão. Isso não é credível em absoluto. Coppens parece não ter a menor ideia da resistência dos animais da savana. Com uma ferida dessas, uma antílope desse peso seria capaz de percorrer dezenas de quilômetros, correndo o risco de morrer mais tarde de infecção ou sob as garras de um predador.

Antes de apresentar essa cena onde uma dúzia de homo sapiens trabalhando juntos com neandertais atacam um "jovem mamute" e acabam vencendo-o, enfundando seus dardos "nas regiões mais vulneráveis, como o ânus ou os flancos", alguém, nessa brilhante equipe, se deu ao trabalho de perguntar aos Maasai (que possuem, eles, lanças com pontas metálicas) se alguma vez alguém da sua etnia conseguiu vencer um elefante? Coppens percebe que a pele de qualquer elefante tem pelo menos dois bons centímetros de espessura e que, antes de esperar perfurá-la com pontas de sílex, pode sempre acordar cedo.

Ou então, para caçar o mamute, é preciso ser dois. Primeiro, aproximar-se da besta por trás, contra o vento, sem que ela o note, enquanto ela está comendo. O primeiro caçador levanta rapidamente a cauda do animal enquanto o segundo lhe coloca a lança diretamente no ânus. Se a lança for suficientemente longa, ao dar um forte empurrão, ele tem chances de atingir o coração. O animal cai no chão, fulminado.

Poderia-se dizer muitas coisas muito mais pertinentes e filmá-las inteligentemente, como Annaud fez em seu filme. Por exemplo, talvez a integração do lobo às técnicas de caça tenha surgido do recolhimento de jovens, após os pais terem sido exterminados por uma tribo. O animal domesticado então é "desnaturalizado", "domesticado". O homem que tenta integrar um animal selvagem ao seu ambiente pratica as ideias de Conrad Lorenz, criador da impreñação. Segundo Lorenz, para muitas espécies, o primeiro ser que eles veem (ou sentem) no momento de seu nascimento é identificado como seus progenitores. Assim, foi possível levar pombos a considerar como sua mãe uma simples "cortadora de grama".

Se um cão obedece ao homem é porque o considera um ser "dominante". Quando um "cachorro-cachorro" se deita de lado e lhe oferece o ventre, adota na verdade uma atitude de submissão, oferecendo a parte de seu corpo mais vulnerável. A domesticação do lobo foi sem dúvida um trabalho bastante longo. Mas exemplos africanos mostram simbioses surpreendentes entre homens e espécies consideradas a priori extremamente perigosas. Sem saber muito bem por quê, eu mesmo pude constatar que é possível acampar às margens do Lago Baringo, no Quênia, e ver o acampamento invadido por "hipopótamos pacíficos" que vêm pastar ao lado das tendas. Garanto que isso faz um efeito muito curioso de abrir a porta da sua tenda e ver diante de você o focinho dessa criatura enorme, pesando várias toneladas, considerada perigosa na África (é excluído de se aproximar, por exemplo, perto do rio Mara, onde vivem em grande número).

Eu passei várias vezes em "Klein’s camp" perto da reserva Mara, onde búfalos coexistem com os homens, dormindo entre suas casas e cabanas de tijolos. Ninguém, no acampamento mantido por guardas, ousaria acariciá-los, mas as coisas são assim. Fui testemunha ocular. Tornando-me um pouco confiante, eu mesmo afastei um búfalo do nosso acampamento jogando pedras, após o que o guarda me perguntou "se tratamos os búfalos dessa forma no nosso país".

Eu conheci muitos exemplos semelhantes.

Ao voltar às supostas caçadas ao mamute, é preciso reconhecer que foram encontradas cabanas construídas com dentes e ossos desses animais. Mas o que prova que eles teriam sido mortos pelos homens? No Quênia, na Tanzânia, encontrei esqueletos completos de elefantes, por toda parte.

Como morrem os pachidermes, especialmente os elefantes? Eles são pouco vulneráveis aos predadores. Eles não dormem deitados. Eles fazem pequenas sonecas, em pé, mas se alimentam praticamente 24 horas por dia, dada a massa vegetal que precisam engolir e seu baixo "rendimento alimentar". Os felinos não se atrevem a atacá-los. Seu ponto fraco está em sua dentição. Eles possuem durante sua vida apenas dois jogos sucessivos de molares. Mas quando o segundo jogo cai ou se desgasta, eles estão condenados a morrer de fome, praticamente, tornando-se incapazes de mastigar. Os velhos elefantes freqüentam os pântanos, onde as brotas são mais tenras. Eles podem se embolar e é nesse contexto que os homens pré-históricos poderiam ter alegado ter vencido essas montanhas de carne.

Seria mais simples, mais racional, apresentar esse tipo de cena, mais plausível. Os dados arqueológicos não faltam elementos tangíveis e impressionantes sobre as estratégias de caça. Conhecemos a rocha de Solutré onde homens pré-históricos acorrentavam cavalos selvagens trazendo-os a cair em um precipício onde se espatifavam, fornecendo-lhes reservas de carne fresca sem muito risco. Os homens se contentavam em assustar os animais.

Portanto, emitirei uma opinião muito negativa sobre o filme dirigido por Coppens, que me parece testemunhar uma grande ignorância do mundo dos homens vivendo em condições tecnicamente muito próximas das dos homens da idade da pedra. A apresentação é rude, como nos "filmes de Tarzan". O homem pré-histórico se exprime com grunhidos, tem gestos brutais, come como o último dos porcos, se veste com retalhos de pele. Enquanto sabemos que as tribos chamadas primitivas são muitas vezes dotadas de organizações sociais muito sofisticadas, de ritos iniciais muito complicados e que a elegância é uma característica. Coppens e seus colaboradores parecem considerar os "homens primitivos" como completos imbecis, enquanto eram pessoas cheias de recursos. Se eu estivesse no lugar dele, por exemplo, teria mostrado como eles poderiam, cortando uma pele em espiral com um simples fragmento de sílex, obter uma "corda" de boa extensão e dar robustez e flexibilidade aos seus arcos tratando-os com fogo. Não tomarei o exemplo dos Papuas, pois eles já estavam, quando os australianos os descobriram em 1932 na vila de Waagi, no estágio da agricultura (batatas-doce) e da criação (porcos pretos).

Há muitos momentos extraordinários no filme de Annaud, a "Guerra do Fogo", ou a evocação de progressos técnicos, habilmente integrados ao roteiro, passam sem comentários. Após aprender a fazer fogo, Naoh volta com seus companheiros ao seu habitat natal, a caverna que havia deixado. Ele se depara então com um dos membros de sua tribo e seus irmãos, fortemente armados e muito fortes, que lhe bloqueiam o caminho. O confronto é inevitável. E aí vemos Naoh e seus companheiros rapidamente derrotarem os outros três usando um acessório desconhecido para eles: o propulsor, que permite o tiro a maior distância. Os organizadores do emboscada são assim mortos pelos dardos de Naoh e seus irmãos sem mesmo poder se afastar o suficiente para poder usar suas próprias armas. A demonstração é notável.

Se quisesse "fazer científico", seria mais apropriado criar um filme com mais unidade, sem misturar constantemente o presente e o passado, mesmo que se tivesse que reutilizar (em um CD-ROM) sequências do filme com comentários, chamando a atenção do espectador pouco observador para detalhes. Mas isso seria exigir muito de mandarins mais preocupados em parecer do que permitir ao espectador fazer uma prodigiosa mergulho no passado.

No filme de Coppens, tudo respira improvisação, falta de unidade e bricolage. No kit oferecido há dois CD-ROMs. Um contém um "filme sobre o filme", que explica como este foi concebido e realizado. Trata-se de uma produção franco-canadense. O produtor francês é Barthélémy Fougeas. Os autores do roteiro são os diretores Malaterre e Michel Fougeas, sem dúvida parente do produtor. Eles dizem que "Coppens os levou pelo conhecimento". Eles deveriam dizer que ele os levou pela nossa ignorância. Quanto a Coppens, ele diz que após ter dado "alguns conselhos técnicos", era bom que os diretores fizessem seu trabalho de autores, o que eles fizeram com a ajuda de um... coreógrafo, um certo Grégory (Annaud se assegurou da ajuda de etnólogos). O "filme sobre o filme" nos diz que há "80 papéis principais" e figurantes. Isso é muito, de gente.

Ah, notei ao rever esse documento que Coppens nos dá sua definição:


| - Do homem: | o recipiente de uma matéria pensante.... | . | - Da consciência: | Um certo nível de reflexão para

calmar uma angústia

resultado de meio século de reflexão paciente.

O resultado, cinematograficamente falando, pode ser qualificado de "não profissional" em comparação com o excelente trabalho feito por Annaud (que, lembremos, com requisitou os conselhos de mais etnólogos do que de pré-históricos). Os atores dirigidos por ele realmente "pareciam no seu tempo". Os do filme de Coppens, apesar dos grandes esforços feitos para os maquiagens, parecem figurantes, não estão no seu papel. Por que não se pediu a Annaud que gerenciasse essa empresa, ou ao menos que servisse como conselheiro para uma produção que certamente beneficiou-se de um orçamento considerável?

Passo sobre a mediocridade da banda desenhada cujas algumas páginas amostram acompanham o CD-ROM. Ela provavelmente cairá das mãos. De fato, corra ao seu livreiro e compre o livro "Les Temps Préhistoriques", na editora Hachette, na série "la vie privée des hommes", você encontrará melhor em todos os aspectos, incluindo as ilustrações de um verdadeiro mago das formas e da cor: Pierre Joubert.

Fazer filmes, compor quadrinhos, é uma profissão. Não é mesmo uma questão de meios técnicos, mas principalmente de ideias. Não conheço os "serviços" desses dois diretores que são Malaterre e Fougeas.

Lembre-se da primeira imagem do filme de Annaud "La Guerre du Feu". O que vemos? Quase nada. A floresta, a noite. Mas, ao longo de um plano geral, no meio de toda essa escuridão, surge subitamente um pequeno fogo, que inflama nossa imaginação. Toda nossa sociedade prometeica está concentrada nessa curta sequência, notavelmente apoiada pelo seu som. O fogo está lá, que será o centro de toda a história, busca desses homens que, de repente, o perdem e se põem a procurá-lo. Que tema fantástico, completamente perdido de vista pela equipe de Coppens (...). Mas o tema é Homo Sapiens. Ora, em princípio, o homo erectus já conhecia o fogo e possuía ferramentas. Infelizmente, o fogo ainda desempenhou um papel extremamente importante na pré-história. Mas aí, é "fora de assunto".

Imagino como a banda desenhada que foi prevista para acompanhar o filme dirigido por Coppens foi composta. Os paleontólogos, Coppens à frente, procuraram um "ilustrador", cujo talento era bastante mediano, que fez o seu melhor para transformar os discursos desses sábios personagens e o resultado será extremamente chato. Isso já se vê nas quatro páginas acompanhando o CD. Da mesma forma, um professor do Collège de France, se pode fascinar um público disciplinado, se transforma em ator medíocre se for integrado em um documento que quer ser um filme, com roteiro.

Tomemos um exemplo. Antes que "O Mundo Silencioso" aparecesse, os filmes sobre o mundo subaquático eram apenas simples... documentários. De repente, nesse filme as imagens tornam-se mágicas, memoráveis, elas se animam. Lembro-me da primeira sequência. Vemos três mergulhadores descendo novamente para as profundezas, carregando lanternas subaquáticas que emitem jatos de bolhas. As imagens são extraordinárias, assim como essa visão onde se vê a âncora da Calypso deslizando lentamente no fundo antes de subir para a superfície. Havia isso e mil outras coisas ainda, com ângulos de visão visivelmente reflexionados, iluminações mágicas. Mas por que, de repente, esse salto qualitativo, essa emergência de uma obra de arte no meio de quilômetros de documentários bastante chatos?

Porque o diretor não era outro que o jovem Louis Malle, que realizou esse filme para Cousteau em troca de sua participação em uma volta ao mundo fascinante.

Da mesma forma, na etnologia surgiu subitamente um pesquisador do CNRS, o simpático, carismático Jean Rouch, recentemente falecido. Não houve outro como ele, que era ao mesmo tempo etnólogo e cineasta, assim como Louis Malle era cineasta e mergulhador. Hoje, no CNRS, temos o Serdav, o "Service d'étude et de réalisation de documents audio-visuels", fundado por Jean-Michel Arnold, que nunca conseguiu produzir nada que pudesse ser difundido e que fosse útil lembrar, enquanto cada filme de Jean Rouch é um documento de antologia.

Acredito ser o único capaz de reivindicar ser ao mesmo tempo um cientista de alto nível e um profissional da quadrinha. Quando se quer pendurar pequenos Mickeys em um discurso acadêmico, não funciona. Nunca funcionou. Houve muitas tentativas que resultaram apenas em resultados medíocres em comparação com a série Lanturlu. O diretor do filme sobre a pré-história fez o que pôde, foi aconselhado, guiado e conduzido por pré-historiadores que não tinham a menor noção do que era uma imagem, um som, um cenário, um movimento, uma iluminação, um roteiro e que só sabiam fazer o que estavam acostumados: figurar em uma plataforma com um traje, uma gravata, uma barba e falar... falar.

Além dessa alternância de cenas que pretendem ser "realistas", os discursos das "figuras da paleontologia" cortam todo o ritmo do documentário. Cinematograficamente, é muito desajeitado. Sempre é preciso que uma imagem seja significativa. A imagem é um verdadeiro ofício. As sequências onde nossos cientistas modernos se exibem são uniformemente chatas, esses personagens não são cinematográficos nem um pouco, assim como os cenários que servem de fundo, que estão lá apenas para enfatizar sua sucesso social. Mas a vaidade é frequentemente o grande ponto fraco dos acadêmicos. O objetivo, além de uma vulgarização, que acho totalmente mal-sucedida, não era se mostrar?

Existem muitas cenas no filme de Annaud que evocam a condição do homem pré-histórico e os problemas relacionados a encontros entre duas etnias com níveis culturais e tecnológicos diferentes. Sem que isso seja explicitamente dito, o filme de Annaud evoca uma luta entre homens erectus, a tribo de Naoh, vivendo em cavernas e homens sapiens, que lhes ensinariam a arte e a maneira de produzir fogo por si mesmos. Uma das cenas mais fortes do filme é aquela em que se vê Naoh observando outro homem pré-histórico (papel que, acredito, foi interpretado por um autêntico Maasai) fazendo fogo por fricção, girando rapidamente entre suas mãos uma vara de madeira. A cena não é trucada e ocorre diante dos olhos do espectador em tempo real. É realmente assim que essas pessoas acendem seu fogo. O equipamento é autêntico. Pode-se imaginar que tenha ocorrido assim em nosso passado. E é porque essa cena é totalmente plausível que ela literalmente explode a tela. Há um lado emocional profundo no filme de Annaud, que está totalmente ausente no filme de Coppens. Diz-se que Annaud, em um filme sem palavras compreensíveis, consegue transmitir mais coisas do que nossos especialistas, que, muitas vezes, tentam nos fazer engolir pílulas grandes como megalitos.

Eu me alegrava em ver esse filme. Fui muito decepcionado.

O passado distante do homem é fascinante, cheio de muitos mistérios. Coppens quer dar-lhe uma homogeneidade tecnológica e cultural global, enquanto hoje nem mesmo isso é o caso. Até 1932 ( ! ... ) coexistiram a cerca de cem quilômetros de distância, a distância que separava a vila de Waagi da costa, já colonizada há muito tempo, homens modernos de origem australiana e outros vivendo 30.000 anos em seu passado. Por que a história de nossos antepassados distantes teria mostrado a homogeneidade sugerida no filme de Coppens? Civilizações provavelmente floresceram e depois extinguiram-se, como aconteceu na época em que o que chamamos de história realmente começou. Como imaginar que, na Idade Média, o Egito era habitado por homens que, em termos tecnológicos e culturais, não tinham absolutamente nada em comum com aqueles que ocupavam o terreno mil anos antes?

Já disse: as questões essenciais são ignoradas. Como a tese sobre a hominização, a passagem para a posição ereta foi abandonada, então tenta-se pintar uma história do povoamento global, obsessivamente monofilética, enquanto não sabemos nada. Coppens pinta um romance entre um homem sapiens e uma neandertal. Todos os roteiros são fracos. A questão essencial, fascinante, desaparece atrás de uma narrativa anedótica frequentemente desprovida de qualquer fundamento, sem interesse e não crível. Não temos nenhuma base arqueológica para afirmar que as duas tribos, os neandertais e os sapiens, já se misturaram. Nunca foi encontrado um túmulo onde sapiens e neandertais tenham sido enterrados próximos. Por outro lado, a questão fascinante é: "eram geneticamente compatíveis?". No filme é lembrado que nunca foi encontrado restos que sugiram hibridação, embora mais de quinhentos esqueletos de neandertais tenham sido descobertos.

Na mesma época, duas espécies humanas, que talvez fossem geneticamente incompatíveis, coexistiram, ambas dotadas da arte de cortar pedras, de fazer fogo, de conceber armas, técnicas de caça, de enterrar os mortos, de criar adornos, etc. Uma sobreviveu, a outra desapareceu. Ela "extinguiu-se" ou foi eliminada por sua concorrente?

Não há apenas "bons selvagens" por aí. Os colonizadores eliminaram muitas etnias, mas às vezes foram guerras tribais que levaram à extinção de grupos inteiros. Os Watusis, no norte do Quênia, niloamitas de muito grande altura, mais de dois metros, desapareceram totalmente e você só os encontrará mencionados no filme "As Minas do Rei Salomão" com Stewart Granger, verdadeiro documento etnográfico. Os Papuas se envolvem em combates territoriais permanentes e cronicamente sangrentos, cujos efeitos foram apenas parcialmente contidos no final dos anos sessenta. Antes de serem agricultores e criadores, são antes de tudo guerreiros. O homem moderno é agressivo, territorial. Seu antepassado também era e os neandertais podem ter simplesmente sido dizimados pelos sapiens. No seu filme, Coppens não mostra o que é, de fato, uma realidade em certas regiões do globo habitadas por homens tecnologicamente muito primitivos: o estado de guerra, periódico ou permanente. Pense no genocídio recente entre Tutsi e Hutu, um conflito antigo de séculos, ou até mais.

Quando os Maasai invadiram o Quênia e a Tanzânia há vários séculos ( &&& em que época? ) eles passaram por cima de tudo o que encontraram no caminho, com eficiência militar. Eu me perguntei várias vezes, dada a forma dos seus lanças, que lembram o pilum, sua disciplina no combate (em comparação com o desfile desordenado das outras tribos), seus largos mantos roxos, a maneira como escultam seus cabelos com lama, às vezes dando-lhes aparência de capacetes, seus sapatos e a maneira como desenham traços de lama em seus tornozelos, evocando um amarrado, se não se tratava dos restos de mercenários treinados pelos ... romanos na época em que eles ainda ocupavam a África do Norte. Uma idéia, assim.

Em um momento, o filme de Coppens menciona o que ainda é um mistério totalmente opaco entre os povos das eras antigas: a ereção de menires, a manipulação de megalitos impressionantes. Em Antequarra, na Espanha, homens construíram portas, passagens cobertas com pedras monstruosas. A placa de trás pesa 600 toneladas, o conjunto das 31 pedras: 1300 toneladas!

Imagem extraída do excelente livro "Les Temps Préhistoriques", publicado pela Hachette na série "la vie privée des hommes", magnificamente ilustrado por Joubert

Como, por quê? Tudo isso é mencionado de forma rápida em alguns segundos, ou vê-se homens vestidos de trapos puxando, é claro, sem ferramentas, pedras monstruosas.

Em outra sequência do filme; Coppens menciona a forma como diferentes regiões do globo poderiam ter sido povoadas por via marítima, incluindo a Austrália. Assistimos então a uma cena lastimável. Alguns homens pré-históricos se acomodam em um bote feito de pedaços de bambu amarrados e deixam-se levar pelas correntes. Nenhuma remo, nada para enfrentar o mar. Enquanto gravuras muito antigas, encontradas na pedra na Noruega, descrevem canoas já bastante elaboradas. Mais uma vez, nossos pré-historiadores subestimam seus distantes antepassados. Mas, em geral, tudo no nosso passado distante é sistematicamente subestimado, sacrificado no altar do gradualismo a qualquer custo.

Penso no trabalho que Thor Heyerdahl teve para legitimar sua tese de uma travessia do Pacífico em jangadas de balsa, a vela. Em qualquer momento, o pré-histórico toma seu antepassado por um idiota, enquanto seu próprio cérebro não está mais equipado do que o de seu antepassado, dotado como ele do senso de observação, imaginação, poder de reflexão, elaboração, juntamente com uma grande habilidade manual. No filme de Coppens, nossos náufragos da pré-história são verdadeiramente lastimáveis. Em qualquer momento, manifesta-se a incapacidade de ser modesto, de dizer "sabemos pouco. Os dados de que dispomos são poucos. É possível que grandes partes da nossa pré-história nos escapem".

Esta imagem é extraída do excelente livro publicado pela Hachette, intitulado "Les temps préhistoriques", na série "la vie privée des hommes".

A verdade é que sabemos muito pouco sobre nossa pré-história e que nosso planeta abunda de restos que são para nós mistérios absolutos.

Quanto ao povoamento da América do Norte, lembrar-se-á que foi recentemente encontrado pedras cortadas que pertencem, se bem me lembro, ao Périgordiano (fim da última glaciação). Sabe-se que rituais e técnicas podem ser perpetuados por um número impressionante de gerações, por milênios, não necessariamente por falta de imaginação, mas porque a construção de objetos manufaturados, bem como mais tarde a metalurgia, pode estar intimamente ligada a uma concepção do mundo, a rituais mágicos (entre os antigos egípcios, toda manipulação da pedra tinha um aspecto religioso. Esculpir era "tocar o corpo de Amon"). Portanto, não é impensável que, parcialmente pelo menos, o Novo Mundo tenha sido povoado por homens que teriam atravessado o Atlântico. Como? Mas a pé, simplesmente, seguindo uma banquisa que se estendia muito ao sul, como os próprios eskimos, pescando na borda e apenas expandindo seu território. Entre menos doze mil anos antes de Cristo e menos seis mil, essa banquisa desapareceu totalmente. Entre esses homens, alguns permaneceram nessas regiões frias, outros, tendo se adaptado ao clima mais ameno, desceram para o sul. Até uma data muito recente, ninguém simplesmente pensou nessa forma original de atravessar o Atlântico: a pé.

Às vezes, homens conseguem estar na confluência de duas disciplinas. Lamento que os excelentes filmes de Jean-Pierre Cuny, sobre o comportamento de espécies vivas, borboletas, sapos, minhocas, caracóis, não sejam mais encontráveis em fitas de vídeo, embora sejam verdadeiras maravilhas de inteligência, originalidade e humor. Acredito que nunca se tenha visto filmes que sejam pequenos clássicos com uma equipe reduzida a duas ou três pessoas e uma ausência quase total de recursos (a não ser comprar sequências de zoologia e etologia a equipes alemãs de pesquisadores). Em qualquer produção, há talento. Esse talento está ausente do filme realizado por Malaterre e Faugeas e supervisionado por Coppens. Lá, não são homens de talento, seja em imagem, vulgarização ou narrativa, que se expressam, mas homens e mulheres de aparelho, que pretendem ser os garantes exclusivos de saberes, que detêm as chaves do poder, portanto as do financiamento e que querem especialmente se mostrar. Não tenho absolutamente nada contra Coppens, com quem nunca tive contato. Achei até bastante simpático que ele tenha tomado a iniciativa de denunciar publicamente sua própria teoria sobre a origem da bipedestação. Mas fiquei realmente decepcionado ao ver que se destinaram meios tão importantes a um assunto tão fascinante para um resultado tão incoerente e medíocre, além de cientificamente muito questionável.


26 de janeiro de 2005. **Relatado por Frédéric Baudemont, interessantes referências bibliográficas: **

http://ma.prehistoire.free.fr/bibliosite.htm


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