Internacionalização Amazônia humanismo petróleo
INTERNACIONALIZAÇÃO
21 de junho de 2006

A INTERNACIONALIZAÇÃO DO MUNDO INTEIRO
Entrevista do ministro brasileiro da Educação nos Estados Unidos.
Durante um debate numa universidade nos Estados Unidos, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, foi questionado sobre o que pensava a respeito da internacionalização da Amazônia. O jovem estudante americano começou sua pergunta afirmando que esperava uma resposta de um humanista e não de um brasileiro.
Eis a resposta do Sr. Cristovam Buarque
Com efeito, como brasileiro, eu me levantaria simplesmente contra a internacionalização da Amazônia. Qualquer que seja a insuficiência da atenção dos nossos governos para com esse patrimônio, ele é nosso.
Como humanista, consciente do risco de degradação do meio ambiente do qual sofre a Amazônia, posso imaginar que a Amazônia seja internacionalizada, como aliás tudo o que tem importância para toda a humanidade. Se, em nome de uma ética humanista, devêssemos
deveríamos internacionalizar as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia o é para o nosso futuro. E, apesar disso, os donos das reservas de petróleo se sentem no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo, como de aumentar ou não seu preço.
Da mesma maneira, dever-se-ia internacionalizar o capital financeiro dos países ricos. Se a Amazônia é uma reserva para todos os homens, ela não pode ser queimada pela vontade de seu proprietário, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores da economia global. Não podemos deixar as reservas financeiras queimar países inteiros para o bel-prazer da especulação.
Antes da Amazônia, eu gostaria de assistir à internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é o guardião das mais belas obras produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, da mesma forma que o patrimônio natural da Amazônia, ser manipulado e destruído segundo a fantasia de um único proprietário ou de um único país.
Há algum tempo, um milionário japonês decidiu enterrar consigo o quadro de um grande mestre. Antes que isso aconteça, seria preciso internacionalizar esse quadro.
Enquanto este encontro se desenrola, as Nações Unidas organizam o Fórum do Milênio, mas alguns Presidentes de países tiveram dificuldades para comparecer, por causa de dificuldades nas fronteiras dos Estados Unidos. Creio, portanto, que seria preciso que Nova York, local da
sede das Nações Unidas, fosse internacionalizada. Ao menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Como aliás Paris, Veneza, Roma,
Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade com sua beleza particular, e sua história do mundo deveriam pertencer ao mundo inteiro.
Se os Estados Unidos querem internacionalizar a Amazônia, por causa do risco que representa deixá-la nas mãos dos brasileiros, então internacionalizemos também todo o arsenal nuclear dos Estados Unidos. Nem que seja só porque são capazes de usar tais armas, o que provocaria uma destruição mil vezes mais vasta que os deploráveis incêndios das florestas brasileiras.
Ao longo de seus debates, os atuais candidatos à Presidência dos Estados Unidos apoiaram a ideia de uma internacionalização das reservas
florestais do mundo em troca de um perdão da dívida. Comecemos, então, por usar essa dívida para assegurar que todas as crianças do
mundo tenham a possibilidade de comer e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças, tratando-as, onde quer que nasçam, como um patrimônio que merece a atenção do mundo inteiro. Mais ainda que a Amazônia. Quando os dirigentes do mundo tratarem as crianças pobres do mundo como um Patrimônio da Humanidade, não as deixarão trabalhar quando deveriam ir à escola; não as deixarão morrer quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a ideia de uma internacionalização do mundo. Mas enquanto o mundo me tratar como um brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. E somente nossa!
Esta resposta não foi objeto de divulgação na imprensa
A INTERNACIONALIZAÇÃO DO MUNDO INTEIRO
Entrevista do ministro brasileiro da Educação nos Estados Unidos.
Durante um debate numa universidade nos Estados Unidos, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, foi questionado sobre o que pensava a respeito da internacionalização da Amazônia. O jovem estudante americano começou sua pergunta afirmando que esperava uma resposta de um humanista e não de um brasileiro.
Eis a resposta do Sr. Cristovam Buarque
.
Com efeito, como brasileiro, eu me levantaria simplesmente contra a internacionalização da Amazônia. Qualquer que seja a insuficiência da atenção dos nossos governos para com esse patrimônio, ele é nosso.
Como humanista, consciente do risco de degradação do meio ambiente do qual sofre a Amazônia, posso imaginar que a Amazônia seja internacionalizada, como aliás tudo o que tem importância para toda a humanidade. Se, em nome de uma ética humanista, devêssemos
deveríamos internacionalizar as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia o é para o nosso futuro. E, apesar disso, os donos das reservas de petróleo se sentem no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo, como de aumentar ou não seu preço.
Da mesma maneira, dever-se-ia internacionalizar o capital financeiro dos países ricos. Se a Amazônia é uma reserva para todos os homens, ela não pode ser queimada pela vontade de seu proprietário, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores da economia global. Não podemos deixar as reservas financeiras queimar países inteiros para o bel-prazer da especulação.
Antes da Amazônia, eu gostaria de assistir à internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é o guardião das mais belas obras produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, da mesma forma que o patrimônio natural da Amazônia, ser manipulado e destruído segundo a fantasia de um único proprietário ou de um único país.
Há algum tempo, um milionário japonês decidiu enterrar consigo o quadro de um grande mestre. Antes que isso aconteça, seria preciso internacionalizar esse quadro.
Enquanto este encontro se desenrola, as Nações Unidas organizam o Fórum do Milênio, mas alguns Presidentes de países tiveram dificuldades para comparecer, por causa de dificuldades nas fronteiras dos Estados Unidos. Creio, portanto, que seria preciso que Nova York, local da
sede das Nações Unidas, fosse internacionalizada. Ao menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Como aliás Paris, Veneza, Roma,
Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade com sua beleza particular, e sua história do mundo deveriam pertencer ao mundo inteiro.
Se os Estados Unidos querem internacionalizar a Amazônia, por causa do risco que representa deixá-la nas mãos dos brasileiros, então internacionalizemos também todo o arsenal nuclear dos Estados Unidos. Nem que seja só porque são capazes de usar tais armas, o que provocaria uma destruição mil vezes mais vasta que os deploráveis incêndios das florestas brasileiras.
Ao longo de seus debates, os atuais candidatos à Presidência dos Estados Unidos apoiaram a ideia de uma internacionalização das reservas
florestais do mundo em troca de um perdão da dívida. Comecemos, então, por usar essa dívida para assegurar que todas as crianças do
mundo tenham a possibilidade de comer e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças, tratando-as, onde quer que nasçam, como um patrimônio que merece a atenção do mundo inteiro. Mais ainda que a Amazônia. Quando os dirigentes do mundo tratarem as crianças pobres do mundo como um Patrimônio da Humanidade, não as deixarão trabalhar quando deveriam ir à escola; não as deixarão morrer quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a ideia de uma internacionalização do mundo. Mas enquanto o mundo me tratar como um brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. E somente nossa!
Esta resposta não foi objeto de divulgação na imprensa
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