O nervo da guerra

En résumé (grâce à un LLM libre auto-hébergé)

  • O filme 'O Nervo da Guerra' explora os laços entre os Estados Unidos e a guerra, destacando o complexo militar-industrial.
  • Apresenta depoimentos de cidadãos americanos e responsáveis políticos, enfatizando a forma como a guerra é motivada por interesses econômicos.
  • O diretor critica a manipulação da informação e convoca à reflexão independente sobre os temas globais.

O nervo da guerra

Na mesma noite:
Os dois lados do mundo

16 de fevereiro de 2005

Ontem à noite, tivemos duas transmissões surpreendentes. Primeiro, na ARTE, na terça-feira, 15 de fevereiro, às 20h45, um filme de Eugène Jarecki de uma hora e vinte minutos, intitulado "O Nervo da Guerra", cujo tema era "os Estados Unidos e a Guerra". Depois, na ARTE, às 23h50, outro documentário intitulado "Argélia 1988-2000, autópsia de uma tragédia".

( Observação: se alguém tiver gravado um desses documentos, ou até os dois, e puder me enviar uma cópia em DivX ou Avi, ficaria extremamente grato, pois são documentos realmente de estudo).

Quando a televisão nos mente, é preciso denunciar isso. Nenhuma está isenta dessa regra. Mas a informação não é homogênea, nem em um sentido, nem no outro. Como digo e repito: "aprenda a pensar por si mesmo, caso contrário, outros pensarão por você". Naquela noite de terça-feira, 15 de fevereiro de 2005, parece que dois meios de comunicação nos colocaram diante de um só golpe os dois extremos dos grandes problemas do mundo, de maneira a mais crua possível.

1 - A NOVA ROMA

Vamos começar com o primeiro filme. Há duas imagens obsedantes, como pano de fundo. A primeira é um discurso de Eisenhower, aquele que ele proferiu no dia em que deixava a vida política e alertava seus concidadãos e todo o mundo para se cuidarem de um possível domínio do país por aquilo que ele chamava (inventando o termo na ocasião) "o complexo militar-industrial". O realizador volta constantemente a essa sequência ao longo do filme. Ela serve como introdução e conclusão.

Tudo é abordado. Entrevistam-se cidadãos comuns americanos sobre a guerra no Iraque.

- O que é que nós fomos fazer lá?

As respostas são variadas:

*- Defender a liberdade... nossas liberdades.

  • Fomos lá porque era preciso fazer isso.
  • Suponho que, se o nosso presidente enviou nossos homens para lá, deve ter tido suas razões.
  • Eu... não sei... para ser franco, não sei nada disso.*

Este filme apresenta uma série de documentos mostrando as declarações de Donald Rumsfeld, Dick Cheney e Bush antes do início dessa operação. Basta ouvir suas próprias frases.

- Sabemos que Saddam Hussein está desenvolvendo armas de destruição em massa... temos provas disso... um dia ele poderá bombardear nosso próprio país... Precisamos agir agora, antes que seja tarde demais... Saddam está desenvolvendo a bomba atômica... sabemos que tentou adquirir urânio na África (esse fato na verdade remontava a 1980)... É preciso que as pessoas e os países que apoiam os terroristas paguem por isso.

Mais adiante no filme, uma frase de Bush:

- Não há ligação entre Saddam Hussein e o terrorismo... sinto muito, não havia armas de destruição em massa.

O realizador utiliza outro testemunho: o de um policial de Nova York, cujo filho foi morto no colapso de uma das torres gêmeas. Ele viu tudo de perto, pois estava no trem do metrô quando aconteceu. Ele serviu no Vietnã. Conta que era jovem, metralhador a bordo de um helicóptero. Voava sobre o solo a cem, duzentos metros de altitude.

- Atirávamos em formigas, eu as via correr como formigas, conta ele.

Vemos a famosa cena em que Bush está no meio dos escombros do World Trade Center, segurando um bombeiro pelo ombro e declarando:

- Quem fez isso terá que pagar!

E todos sorriem, formam uma multidão em torno do presidente dos Estados Unidos. Lembram-se dos membros do Congresso cantando em coro "Deus Abençoe a América".

O policial de Nova York, a boa gente americana por excelência, o puro concentrado de ingenuidade, conta sua raiva:

- Queria fazer algo que tivesse sentido diante da morte do meu filho. Queria que essas pessoas sujassem, os que fizeram isso. Então pensei que poderíamos colocar o nome dele em uma das bombas lançadas sobre Bagdá e fui atrás disso. No final, consegui.

De fato, vê-se uma imagem, em um dos porta-aviões, onde o nome do filho dele está inscrito em uma das bombas guiadas por laser que será pendurada sob um dos aviões.

Há outra sequência, que o realizador vai introduzindo ao longo do documentário. Entrevista os dois pilotos que lançaram duas bombas de 900 quilos sobre um palácio presidencial em Bagdá, à noite, com seus F-117A, o primeiro ato de guerra dos Estados Unidos. Há uma confiança total deles na eficácia de sua tecnologia. Eles defendem a precisão inabalável de seus ataques, o fato de essa técnica evitar todos os danos colaterais, as mortes de civis. Em contraponto, ouvimos Rumsfeld dizer:

- Hoje alcançamos uma precisão em nossos bombardeios que ultrapassa o que vocês poderiam imaginar.

No filme, aguardamos o lançamento dessas bombas. A ordem veio da Presidência, que, pela primeira vez na história dos Estados Unidos, obteve o direito de iniciar hostilidades onde quisesse e quando quisesse. Um sinal verde, uma carta branca completa. Vemos o voo dos F-117A à noite. O repórter em Bagdá diz que, por enquanto, tudo está calmo na cidade, completamente iluminada. As bombas são efetivamente lançadas, mas pelo menos uma delas erra o alvo e cai em um bairro popular vizinho. Imagens de civis, de crianças mortas.

Há uma multidão de imagens que se chocam neste filme. O realizador explica até que ponto os membros do Congresso se tornaram estreitamente ligados ao complexo militar-industrial. Este cria empregos em suas circunscrições. Recusar dar o sinal verde para iniciar a indústria de guerra seria perder seu assento. As peças do quebra-cabeça são meticulosamente montadas. O nervo da guerra é o dinheiro. E o que o realizador nos mostra é que ele também é o motor, a essência (sem brincadeira). Insiste-se na personalidade de Eisenhower, que foi o chefe supremo das operações combinadas durante o desembarque das tropas aliadas na Normandia. Repete-se trechos de seus discursos da época:

- Homens vão morrer. Mas precisamos dar nossas vidas para preservar o bem que nos é mais precioso: nossa liberdade.

Naquela época, ele acreditava, seus homens acreditavam, e era verdade. Era preciso parar o delírio megalomaníaco dos nazistas. E a guerra era a única solução. Mas, após a guerra, Eisenhower percebeu que outras forças surgiam: as forças do dinheiro, para quem a guerra é simplesmente um fim, um meio de enriquecer. O filme nos revela os números impressionantes dos gastos americanos com armamentos, que nos fazem entender que pode realmente se tratar de um fim em si mesmo. A produção de armas rende muito. Um executivo de uma empresa acrescenta:

- Temos acionistas. E quando eles não recebem retorno suficiente de seus investimentos, protestam, acreditem em mim.

Para haver bons retornos, é preciso um livro de pedidos cheio. E para haver pedidos, é preciso consumir, é preciso destruição. Em resumo, precisa-se de guerras para manter a indústria de armas funcionando. Nunca, como neste filme, fomos confrontados com uma evidência tão clara. Há entrevistas com industriais, com "responsáveis por produtos". São frequentemente mulheres. Uma vietnamita em...