Mísseis terroristas e proteção de aviões comerciais
Por que os mísseis de terroristas não atingiram o avião comercial
1º dez 2002, reeditado em 19 abr 2003
Há uma grande diferença entre aviões militares e aviões comerciais. Estes últimos geralmente são equipados com motores de "fluxo duplo", enquanto os aviões militares, em geral, não possuem esse tipo de motor. Na entrada do motor de um avião civil, há uma grande turbina. Apenas a parte central do fluxo é enviada ao turbojato, enquanto o restante forma uma espécie de camada de gás frio.

- O rendimento propulsivo global é aumentado.
- O motor é menos ruidoso, pois as ondas sonoras emitidas pela tocha do turbojato são refletidas pela camada de ar frio.
- A radiação infravermelha emitida pela tocha também é refletida por essa camada de ar frio, devido à diferença nos valores do índice de refração entre o jato quente e a camada gasosa. Em termos dessa emissão infravermelha, todo o jato se comporta então como uma "fibra óptica", concentrando a emissão infravermelha, assim como a sonora, ao longo do eixo de voo do aparelho, para trás.
É por isso que mísseis guiados por infravermelho, que deveriam se direcionar para a ou as tochas de um avião e até explodir diretamente nelas, têm dificuldade em realizar seu autoguiamento no jato proveniente de um motor de fluxo duplo, a menos que sejam disparados no rastro do avião.
Se as companhias aéreas quiserem se proteger de ataques terroristas, deverão conseguir controlar cuidadosamente as áreas de terreno situadas ao longo do eixo das pistas. Os Stinger podem atingir alvos até altitudes de três mil metros. Enquanto o avião comercial não atingir essa altitude, ele não estará seguro, especialmente porque realiza sua subida em uma posição muito inclinada para cima. O que complica ainda mais a situação é que, com frequência, os aviões viram logo após a decolagem, fazendo com que sua parte traseira fique voltada para outra área de terreno.
No longo prazo, se esse tipo de terrorismo se desenvolver, considerando seu "rendimento", seria necessário equipar os aviões civis com lançadores semelhantes aos utilizados em aviões militares, que são disparados lateralmente, para a direita e para a esquerda do avião. Trata-se de "fogos de artifício" projetados para atrair mísseis guiados por infravermelho.
19 abr 2003. Um "Missile Defense Act" foi apresentado ao Congresso americano em fevereiro de 2002. Dessa situação, conclui-se que seria necessário gastar entre sete e dez milhões de dólares apenas para proteger os aviões americanos. Apenas os aviões que transportam políticos estão atualmente equipados com sistemas capazes de detectar mísseis em aproximação e lançar iscas. Uma solução consiste em soltar iscas térmicas, com o risco de provocar incêndios no solo (as iscas militares queimam por 5 segundos). Uma alternativa é soltar iscas com menor tempo de combustão em baixas altitudes. É preciso lembrar que 95% dos aviões atingidos por tiros feitos do solo foram abatidos por "Manpads" (defesa aérea portátil), leves, facilmente transportáveis e indetectáveis até serem disparados.
Os "SAM-7" têm guias infravermelhos não refrigerados que funcionam no infravermelho próximo (comprimento de onda: 1 a 2 microns). Mais avançados, os "SAM-14 Gremlins" possuem guias mais sensíveis. Os "Stingers" americanos são mais recentes e têm detectores de antimônio de índio que funcionam no infravermelho médio (3 a 5 microns). Esses mísseis conseguem "ver" não apenas os gases da tocha, mas também as partes quentes da estrutura do avião.
A extensão da ameaça: Na época em que a CIA apoiava o Afeganistão contra os soviéticos, forneceu 250 suportes com 1.000 a 1.200 mísseis. Não se sabe quantos foram utilizados. Em 1989, a Força Aérea Americana havia registrado 269 aeronaves soviéticas abatidas com 340 mísseis disparados, o que representa uma taxa de sucesso de 80%. Estima-se que ainda existam entre 300 e 600 desses dispositivos em circulação. De tempos em tempos, mísseis recuperados são usados contra diferentes aeronaves. Alguns visam aviões indianos sobrevoando o Caxemira. Stingers foram disparados por rebeldes chechenos e pelos Tigres Tamulus. Vinte e sete movimentos de guerrilha possuem mísseis portáteis. Foram produzidos 50.000 mísseis Sam-7. O artefato foi copiado, entre outros, pelos chineses. Engenheiros paquistaneses desenvolveram sua versão do Sam-7: o Anza, e os egípcios criaram a sua: Ayn as Saqr. Os russos produziram dispositivos mais avançados, os SA-14, SA-16 e SA-18. Os SA-14 são facilmente transportáveis. A Unidade os possui, assim como o Exército Irlandês da Libertação. Os israelenses encontraram quatro exemplares em um navio apreendido em 2001, o "Santorini".
Os mísseis portáteis atingiam seus alvos em altitudes que não ultrapassavam 3.000 metros. No entanto, mísseis mais recentes podem abater aeronaves voando a seis mil metros. Proteger os aviões civis exigiria, portanto, o controle de uma área circundante aos aeroportos com raio de 50 km...
A terceira guerra mundial já começou. Uma escolha entre a Pax Americana e a Pax Islâmica.
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