Armazenamento de antiméteria nos cristais
O armazenamento de antiméteria nos cristais
18 de setembro de 2007
É uma ideia que não é nova. Acredito que o primeiro a propô-la, há mais de dez anos, foi o físico Gospner.
Suponha que tenhamos átomos de antiméteria, especificamente átomos leves: hidrogênio antimatéria. Sabemos sintetizar esses átomos. Também sabemos armazená-los em garrafas magnéticas. Sabemos direcionar esse átomo com uma grande precisão, da ordem de angströms, desde meados da década de 1970. Suponha que tenhamos uma estrutura cristalina metálica. Os átomos estarão dispostos em uma ordem muito estrita e precisa. Podemos então "disparar" esse átomo de antiméteria em direção a uma estrutura com forma de gaiola, de modo que o átomo entre nessa gaiola com seu elétron-companheiro.
Em um metal há muitos elétrons livres. É isso que dá à esses materiais sua condutividade elétrica e térmica. Se um par próton-antielétron penetrar nessa gaiola, o antielétron se aniquilará com um elétron. Essa aniquilação quebrará a neutralidade elétrica do meio. A "resposta" do cristal metálico será aprisionar o próton-antimatéria em uma gaiola onde ficará "segurado com firmeza". A aniquilação do antielétron liberará energia. Mas essa é duas mil vezes menor que o equivalente-energia do próton-antimatéria. Assim, átomo por átomo, poderemos "dopar" esse cristal, colocando uma quantidade considerável de antiméteria confinada eletrostaticamente. Abaixo, um resultado científico publicado na revista Science et Vie.

A única coisa que poderá liberar esses prótons-antimatéria é a deslocação da estrutura cristalina desse metal, aqui: ouro. Podemos jogar esse cristal contra uma parede, isso não liberará os prótons-antimatéria de suas gaiolas. Porém, basta provocar a fusão de um pequeno elemento, por efeito Joule, para desencadear a liberação de energia.
*Você se lembra desse filme em que James Bond enfrenta um assassino que usa apenas balas de ouro? * ---