O Parlamento Europeu

histoire politique

En résumé (grâce à un LLM libre auto-hébergé)

  • Documento datado de 26 de fevereiro de 2010, mencionando revelações sobre as aposentadorias generosas dos políticos e a ampliação das indenizações de desemprego.
  • Análise dos desvios do Tratado de Lisboa e das críticas do Parlamento Europeu por Nigel Farage.
  • Exposição das implicações militares francesas no genocídio ruandês, baseada em uma investigação de Serge Farnel.

Documento sem nome

Crônica de 26 de fevereiro de 2010 até......

É preciso abrir uma nova página. Gostaria de colocar aqui novamente a confissão de John Perkins, provavelmente o vídeo mais importante que já vi passar nos últimos anos.

http://www.dailymotion.com/video/xa636d_john-perkins-confessions-dun-corrup_news

http://www.dailymotion.com/video/xa636d_john-perkins-confessions-dun-corrup_news

Se você já viu, passe adiante. S

Senão, o que há de novo sob o sol? ---

Por que desejar se tornar um representante do povo?

Aqui estão dois documentos que explicam por que as pessoas lutam tanto para se tornar "representantes". Começaremos com um PowerPoint que se refere a uma lei aprovada discretamente em fevereiro de 2010, e sobre a qual apenas o Canard Enchaîné e &&& se fizeram eco. A lei trata da ampliação das indenizações de desemprego para deputados, caso não sejam reeleitos.

5.177 euros por mês durante seis anos

Em uma época em que nos preparam para apertar o cinto, vemos que esse discurso não se dirige a todos os cidadãos.

O segundo documento é um vídeo que aborda as aposentadorias generosas de nossos políticos. De fato, essas aposentadorias são cumuladas. Segurem-se. Enquanto os franceses descobrem que todos deverão contribuir por 40 anos, descobrimos a extensão dos "regimes especiais de aposentadoria"....

As aposentadorias douradas de nossos políticos

O mais extraordinário ainda: uma aposentadoria de 9.000 euros por mês, com 50 anos, para os... funcionários da União Europeia!

Rico ou pobre, o que importa, desde que tenhamos dinheiro


No Parlamento Europeu, o inglês Nigel Farage denuncia os desvios do Tratado de Lisboa

Parlamento Europeu

O Parlamento Europeu

O inglês Nigel Farage, presidente do grupo EFD, durante uma sessão no Parlamento Europeu em 9 de fevereiro de 2010, denuncia os desvios do Tratado de Lisboa e seus desvios totalitários.

Nigel Faragehttp://www.dailymotion.com/video/xc67d9_une-main-de-fer-a-saisi-l-europe-ni_news

O inglês Nigel Farage, presidente do grupo EFD

Europa da Liberdade e Democracia, a Europa da Liberdade e da Democracia

http://www.dailymotion.com/video/xc67d9_une-main-de-fer-a-saisi-l-europe-ni_news

Alguns aplaudem, outros sorriem. ---

Essa reação não deixa de lembrar o texto vigoroso que Audiard colocou na boca de Gabin, no filme "O Presidente". Se você ainda não viu esse vídeo, dê uma olhada. Era profético.

A diatribe de Gabin no filme O Presidente contra a Europa dos bancos

Gabin em O Presidentehttp://www.dailymotion.com/video/x970st_europe-gabin-visionnairey_news

A diatribe de Gabin sobre a Europa dos bancos, no filme O Presidente, texto de Audiard

http://www.dailymotion.com/video/x970st_europe-gabin-visionnairey_news


A participação dos militares franceses no massacre dos tutsis no Ruanda

Aqui está um texto enviado por um de meus leitores, Luc Pilonnel:

http://www.dailymotion.com/video/xc67d9_une-main-de-fer-a-saisi-l-europe-ni_news

http://online.wsj.com/article/SB10001424052748704240004575085214201591380.html****


Você encontrará abaixo um artigo traduzido do

Wall Street Journal.

Três coisas merecem destaque especialmente.

  1. O trabalho de investigação de longa duração (quase um ano inteiro), realizado sozinho e a custa própria por Serge Farnel. Serge fornece uma contribuição histórica e factual decisiva para a compreensão do genocídio ruandês. Conhecendo bem o Ruanda, tendo sido eu mesmo testemunha direta no terreno dos crimes cometidos pela armada francesa, sei que durante toda a sua investigação, Serge foi isolado, submetido a uma tensão extrema e sua segurança foi ameaçada pela extraordinária gravidade das revelações que preparava sobre a participação francesa no genocídio dos tutsis ruandeses. Ele teve que demonstrar uma solidez interior, um devotamento e uma empatia extraordinária em relação aos sobreviventes. Sem isso, esses últimos não teriam testemunhado como o fizeram. Deveria ser criado um prêmio especial, combinando direitos humanos, competência de jornalista investigativo e historiador, sem esquecer o coragem pessoal, para homenagear Serge. Obrigado, Serge, por essa contribuição notável.

  2. Quanto às revelações trazidas por Serge. Ele prova que já em 13 de maio de 1994, ou seja, seis semanas antes do início da Operação Turquesa dos soldados franceses, eles intervieram diretamente nos massacres dos tutsis, especialmente nas colinas de Bisesero, onde a ação dos militares franceses foi decisiva no massacre de 40.000 pessoas. Ele traz uma dimensão adicional para a compreensão desse genocídio ao mostrar que as centenas de milhares de genocidas não eram, na verdade, mais do que subordinados agindo sob comando francês.

  3. A investigação de Serge mostra que, no máximo até meados de maio, o genocídio estava à beira do colapso e só pôde continuar e terminar no final de julho graças à participação direta do exército francês. Sem essa participação, é provável que o Exército Patriotico Ruandês (a ala armada do FPR) tivesse encerrado o conflito muito antes. Talvez já em maio. (Lembre-se de que a capital Kigali caiu em 4 de julho).

Saudações

Luc Pillionnel




O genocídio do Ruanda: a história que não foi contada Por Anne Jolis © Wall Street Journal e © Metula News Agency para a versão francesa sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 Traduzido do inglês por Llewellyn Brown A Sra. Anne Jolis é redatora no Wall Street Journal Europe.

"Conto como o vi", diz Fidèle Smugomwa, antigo chefe da milícia extremista hutu durante o genocídio ruandês, em uma entrevista com Serge Farnel, realizador de documentários. "Os soldados franceses estavam posicionados em uma colina e atiravam nos tutsis... Nós [os milicianos hutus. Ndlr. Ména] tínhamos um sinal distintivo para que os franceses não nos atirassem — nos escondíamos sob folhas de árvores".

Um a um, os antigos genocidas filmados por Serge Farnel contam a mesma história; ou seja, que, em 13 de maio de 1994, pequenos grupos de homens brancos, que descrevem como "soldados franceses", usando roupas de camuflagem e transportados em jipes ou caminhões, se reuniam nas alturas no interior oeste do Ruanda. Eles atiravam nas colinas de Bisesero para expulsar os tutsis.

Em seguida, visavam diretamente homens, mulheres e crianças que fugiam. Quando os tiros cessaram, os assassinos hutus invadiram as colinas. Usando facas de serra, lanças, porretes com pregos e suas próprias armas de fogo, eles acabaram com os feridos. Cerca de vinte sobreviventes me contaram uma versão idêntica dos eventos.

Naquele dia e no dia seguinte, 40.000 tutsis foram massacrados. Em total, cerca de 800.000 pessoas — tutsis e hutus opositores do genocídio — morreram brutalmente naquele primavera de 1994.

      • Poucos eventos da história contemporânea deixaram cicatrizes mais profundas na consciência ocidental do que o genocídio ruandês.

Samantha Power, conselheira do presidente Obama, vencedora do Prêmio Pulitzer em 2003 pelo seu livro Um Problema do Inferno: a América e a Era do Genocídio [A Problem from Hell: America and the Age of Genocide], retrata um quadro sombrio da forma como a administração Clinton evitava e permanecia passiva durante o genocídio.

Mais tarde, o presidente Clinton, em visita a Kigali, a capital, apresentou suas desculpas em nome dos Estados Unidos e da "comunidade mundial".

Na França, no entanto, a narrativa oficial do genocídio apresenta uma imagem mais brilhante do papel do Hexágono. O site do Ministério das Relações Exteriores afirma que: "Nas décadas de 1990, a França se envolveu nos esforços da comunidade internacional para conter as tensões no [Ruanda]... A França foi o primeiro país a denunciar o genocídio e empreendeu uma missão humanitária." Essa missão, que começou em junho de 1994, com o nome de Operação Turquesa, supostamente tinha como objetivo criar zonas de segurança humanitária.

Neste ponto da nossa análise, um pouco de história se impõe. Embora o Ruanda fosse uma colônia belga antes de sua independência em 1962, os franceses o consideraram, durante muito tempo, como parte da Françafrique: o conjunto de países africanos de língua francesa sobre os quais a França continua a exercer influência paternalista, muitas vezes positiva, mas geralmente oportunista.

No Ruanda, essa influência assumiu a forma de uma relação estreita com a ditadura de Juvénal Habyarimana, que defendia a supremacia hutu. Durante a guerra civil ruandesa, no início da década de 1990, as forças francesas socorreram Habyarimana em sua guerra contra as forças de oposição do Front Patriotico Ruandês (FPR) — majoritariamente tutsi e também anglófonas — vindas de Uganda, sob o comando de Paul Kagamé, atual presidente do Ruanda.

Hoje, tão absurdo quanto isso possa parecer, o governo do presidente na época, François Mitterrand, temia que uma vitória do FPR significasse a perda, não apenas de um aliado confiável, mas também a perda do Ruanda para o mundo "anglofônico".

O evento que acabou por desencadear o genocídio ocorreu em 6 de abril de 1994, quando um avião transportando Habyarimana foi abatido. A identidade dos culpados permanece um dos mistérios não resolvidos da história contemporânea.

Um respeitado magistrado francês acredita que o assassinato foi orquestrado pelo FPR, e ele lançou inúmeros mandados de prisão contra colaboradores próximos do Sr. Kagamé. No passado, os franceses também afirmaram com insistência que o que aconteceu no Ruanda foi um "duplo genocídio", argumentando que os tutsis eram tanto agressores quanto vítimas nas fases iniciais e no auge do colapso ruandês.

No entanto, essa versão dos eventos também tem seus detratores. O Sr. Kagamé nega categoricamente qualquer envolvimento na morte de Habyarimana, que estava prestes a concluir um acordo de paz com o FPR no momento de seu assassinato.

O governo ruandês alegou por muito tempo que a França atuou de forma ativa, apoiando os extremistas ruandeses durante o genocídio, citando muitos genocidas notórios que viveram abertamente e pacificamente na França durante anos.

Em 1998, o jornalista francês Patrick de Saint-Exupéry, que visitou os soldados franceses durante a Operação Turquesa, escreveu uma série de artigos no Figaro, contando como as "zonas humanitárias" francesas serviam principalmente para proteger os assassinos hutus, enquanto eles fugiam diante da avanço das forças do FPR.

Esses artigos provocaram indignação na Assembleia Nacional, chegando ao ponto de provocar a criação de uma comissão de investigação, que acabou concluindo que a França não tinha responsabilidade especial pelo genocídio e, no pior dos casos, havia sido vítima inocente de mal-entendidos.

Foi nesse momento que entrou em cena Serge Farnel, um parisiense de grande porte, com 44 anos, formado em engenharia aeroespacial. A curiosidade de Sr. Farnel pelo genocídio foi despertada, há alguns anos, quando ouviu comparações entre as ações da França no Ruanda e o comportamento do regime de Vichy durante a Segunda Guerra Mundial.

Durante uma viagem ao Ruanda, em abril do ano passado, ele encontrou um sobrevivente tutsi que afirmava que os soldados franceses estavam realmente presentes em maio de 1994, quando, supostamente, não havia nenhum. No início, Farnel supôs que a memória de uma pessoa traumatizada estava lhe pregando peças, mas manteve sua versão da história. Farnel começou então a entrevistar outros testemunhas, filmando seus relatos.

Resultado: 100 horas de filme, que consistem principalmente em entrevistas com indivíduos e grupos, tanto vítimas quanto autores do massacre, além de reconstruções minuciosas das cenas do massacre.

É difícil exagerar a rigidez com que Sr. Farnel conduziu as entrevistas: no filme, os entrevistados às vezes se impacientam quando ele os chama de volta para fazer outras perguntas — como se fossem testemunhas chamadas ao tribunal — saltando sobre qualquer incoerência em seu testemunho.

Nem todos os sobreviventes dos massacres de maio de 1994 afirmam lembrar da presença de soldados franceses em Bisesero, no entanto, há muitos que afirmam isso, e seus relatos são coerentes. Após assistir a esses depoimentos filmados, decidi me juntar a Sr. Farnel no Ruanda, no local de sua investigação, para confirmar essas histórias pessoalmente.

Ruandeses esperam para dar seu testemunho sobre os eventos de 1994. "Os brancos estavam posicionados nas colinas, e primeiro nos desmascararam de nossos esconderijos com tiros... Eles pararam quando os Interahamwe [a milícia hutu] chegaram, e depois recomeçaram quando resistimos", diz Sylvestre Niyakayiro, um tutsi com 22 anos na época, que se lembra de ter sido expulso de colina em colina durante os três ataques realizados naquele dia, liderados por brancos.

Sr. Farnel pergunta repetidamente se Sr. Niyakayiro não está confundindo as datas, se os brancos de meados de maio, que ele se lembra, não eram na verdade os soldados franceses que chegaram no final de junho para a Operação Turquesa, quando outro ataque foi lançado contra os poucos tutsis que ainda permaneciam nas proximidades de Bisesero.

"Os dias 13 e 14 [de maio] foram inesquecíveis", responde Sr. Niyakayiro.

Mas quem eram exatamente esses "brancos" — supondo que estivessem realmente presentes? "Sua informação não é credível, pois não se baseia em nenhuma realidade histórica", escreveu o general Jean-Claude Lafourcade, que comandava a Operação Turquesa e que agora dirige uma associação de soldados que serviram no Ruanda, em resposta por e-mail às minhas perguntas, acrescentando "parece que você está sendo manipulado".

Assim como o Eliseu, a associação afirma que "não havia soldados franceses no Ruanda no mês de maio de 1994". O Instituto François Mitterrand, dirigido por Hubert Védrine, conselheiro próximo do ex-presidente, recusou comentar sobre este artigo.

Paul Barril é um francês que estava no Ruanda na época. Certamente é um dos antigos membros mais ilustres do GIGN, um corpo de elite de intervenção. Sr. Barril era conselheiro de Habyarimana na época da morte do presidente. Segundo suas memórias, publicadas em 1996 em "Guerras secretas no Eliseu", onde ele anota que "após o ataque, começou um ciclo de massacres que levou ao estabelecimento da ditadura tutsi do pró-americano Paul Kagamé. Mais de um milhão de pessoas morreram no Ruanda. Que importância isso tem?"

Meus esforços para contatar Sr. Barril por telefone e por e-mail no contexto deste artigo foram em vão. "Ele não quer ser encontrado", disse-me seu editor.

Um relato das atividades de Sr. Barril encontra-se em "Nenhum testemunha deve sobreviver: o genocídio no Ruanda" [Leave None to Tell the Story: Genocide in Rwanda], escrito pela renomada especialista Alison Des Forges, uma americana que faleceu em um acidente aéreo no ano passado.

Des Forges escreve que Sr. Barril foi contratado pelo Ministério da Defesa no Ruanda para treinar até 120 homens em tiro e táticas de infiltração para uma unidade de elite, com o objetivo de ataques atrás das linhas do FPR. A operação tinha o nome em código "Operação Inseticida", para designar uma operação destinada a exterminar os inyenzi, os "baratas"... Quando foi questionado sobre esse programa de treinamento em uma entrevista com um pesquisador da Human Rights Watch, Sr. Barril negou qualquer conhecimento sobre o assunto e encerrou abruptamente a conversa. Os ruandeses que Sr. Farnel e eu encontramos insistiram no fato de que as forças francesas estavam envolvidas nos massacres de meados de maio. "Eu sei que eram forças francesas, porque já estive com eles em Mutara em 1991", diz Semi Bazimaziki, cabo no exército ruandês durante o genocídio. "Conhecia muito bem sua maneira de operar". Outro ex-genocida, Jean Ngarambe, conta que foi rejeitado como guia para os brancos em visita, porque "não falava francês". Em seu lugar, eles pegaram outro homem que falava francês.

Um incidente descrito tanto pelos carrascos quanto pelas vítimas é particularmente convincente. Alguns dos ex-genocidas se lembram de que, em 12 de maio, o dia anterior ao início da carnificina, foram convocados a um vilarejo.

Dizem que um funcionário hutu local, chamado Charles Sikubwabo, atualmente procurado pelo Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, apresentou "soldados franceses", vindos para servir de reforço.

Sr. Sikubwabo ordenou aos assassinos ruandeses reunidos que seguissem uma certa rota sem atacar ou se aproximar dos tutsis no caminho. Eles se encontraram alguns quilômetros adiante, em um lugar chamado Mumubuga, onde encontraram mais de 50 tutsis. Envolvido por homens brancos, Sr. Sikubwabo disse aos tutsis para não terem medo, que os brancos estavam ali para ajudá-los, e que deveriam voltar às colinas para esperar ajuda.

Sabíamos que era uma armadilha contra os tutsis", diz Raphaël Mageza, cunhado de Sr. Sikubwabo. Os brancos serviam como isca, para reunir informações sobre os locais onde os tutsis se escondiam. Gudelieve Mukangamije, uma das potenciais vítimas de Sr. Mageza, concorda: "Eles [os brancos] não nos deram lonas [como haviam prometido]. Nos mataram. E nos entregaram aos Interahamwe."

      • Ontem, Nicolas Sarkozy foi o primeiro presidente francês a pisar no Ruanda desde um quarto de século. "O que aconteceu aqui obriga a comunidade internacional, incluindo a França, a refletir sobre esses erros que a impediram de prevenir e parar esse crime terrível", disse ele. Sr. Sarkozy sugeriu anteriormente que um comitê de historiadores deveria investigar o que aconteceu durante o genocídio. O presidente francês, acrescenta o ministro das Relações Exteriores Bernard Kouchner, "não se opõe a que a França olhe para sua história." Se for esse o caso, a melhor maneira de começar seria para a França e seus historiadores olharem para os extraordinários testemunhos recolhidos no intenso documentário de Sr. Farnel. Eles têm um dever moral e histórico de considerar as consequências das provas apresentadas por Farnel. Como diz Sr. Farnel: "Nenhum país pode fugir de sua história".

O genocídio do Ruanda: a história que não foi contada Por Anne Jolis © Wall Street Journal e © Metula News Agency para a versão francesa, sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 Traduzido do inglês por Llewellyn Brown A Sra. Anne Jolis é redatora do Wall Street Journal Europe.

"Conto isso como o vi", disse Fidèle Smugomwa, antigo líder da milícia extremista hutu durante o genocídio ruandês, em uma entrevista com Serge Farnel, realizador de documentários. "Os soldados franceses estavam posicionados em uma colina e atiravam contra os tutsis... Nós [os milicianos hutus. N. do R. Ména] tínhamos um sinal distintivo para que os franceses não nos atirassem — escondíamo-nos sob folhas de árvores".

Um a um, os antigos genocidas filmados por Serge Farnel contam a mesma história; ou seja, que, em 13 de maio de 1994, pequenas equipes de homens brancos, que descrevem como "soldados franceses", vestidos com roupas de camuflagem e transportados em jeeps ou caminhões, se reuniam nas elevações no interior ocidental do Ruanda. Atiravam tiros nas colinas de Bisesero para expulsar os tutsis.

Em seguida, miravam diretamente homens, mulheres e crianças que fugiam. Quando os tiros cessaram, os assassinos hutus invadiram as colinas. Com machados, lanças, porretes cravados e seus próprios rifles, eles acabaram com os feridos. Cerca de vinte sobreviventes me contaram uma versão idêntica dos eventos.

Naquele dia e no dia seguinte, 40.000 tutsis foram massacrados. Em total, cerca de 800.000 pessoas — tutsis e hutus opositores do genocídio — morreram brutalmente naquele primavera de 1994.

      • Poucos eventos da história contemporânea deixaram cicatrizes mais profundas na consciência ocidental do que o genocídio ruandês.

Samantha Power, assessora do presidente Obama, vencedora do Pulitzer em 2003 pelo seu livro Um Problema do Inferno: a América e a Era do Genocídio [A Problem from Hell: America and the Age of Genocide], retrata um quadro sombrio da forma como a administração Clinton evitava e permanecia passiva durante o genocídio.

Mais tarde, o presidente Clinton, em visita a Kigali, a capital, apresentou desculpas em nome dos Estados Unidos e da "comunidade mundial".

Na França, por outro lado, a narrativa oficial do genocídio apresenta uma imagem mais brilhante do papel do Hexágono. O site do Ministério de Assuntos Estrangeiros afirma que: "Nas décadas de 1990, a França se envolveu nos esforços da comunidade internacional para conter as tensões no [Ruanda]... A França foi o primeiro país a denunciar o genocídio e empreendeu uma missão humanitária.". Essa missão, que começou em junho de 1994, com o nome de Operação Turquoise, supostamente tinha como objetivo criar zonas de segurança humanitária.

Neste ponto da nossa análise, um pouco de história se impõe. Embora o Ruanda fosse uma colônia belga antes de sua independência em 1962, os franceses o consideraram, durante muito tempo, como parte da Françafrique: o conjunto dos países africanos de língua francesa sobre os quais a França continua exercendo influência paternalista, muitas vezes positiva, mas geralmente oportunista.

No Ruanda, essa influência assumiu a forma de uma relação estreita com a ditadura de Juvénal Habyarimana, que defendia a supremacia hutu. Durante a guerra civil ruandesa, no início da década de 1990, as tropas francesas ajudaram Habyarimana em sua guerra contra as forças de oposição do Front Patriotico Ruandês (FPR) — majoritariamente tutsi e também anglófona — vindas de Uganda, sob o comando de Paul Kagamé, atual presidente do Ruanda.

Hoje, embora isso pareça absurdo, o governo do presidente na época, François Mitterrand, temia que uma vitória do FPR significasse não apenas a perda de um aliado confiável, mas também a perda do Ruanda para o mundo "anglofônico".

O evento que acabou desencadeando o genocídio ocorreu em 6 de abril de 1994, quando um avião transportando Habyarimana foi abatido. A identidade dos responsáveis permanece um dos mistérios não resolvidos da história contemporânea.

Um respeitado magistrado francês acredita que o assassinato foi orquestrado pelo FPR, e já lançou inúmeros mandados de prisão contra colaboradores próximos do Sr. Kagamé. No passado, os franceses também afirmaram com insistência que o que aconteceu no Ruanda foi um "duplo genocídio", argumentando que os tutsis eram tanto agressores quanto vítimas nos momentos iniciais e no auge da agonía ruandesa.

No entanto, essa versão dos eventos também tem seus detratores. O Sr. Kagamé nega categoricamente qualquer envolvimento na morte de Habyarimana, que estava prestes a concluir um acordo de paz com o FPR no momento em que foi assassinado.

O governo ruandês alegou por muito tempo que a França desempenhou um papel ativo ao apoiar os extremistas ruandeses durante o genocídio, citando numerosos genocidas notórios que viveram abertamente e pacificamente na França durante anos.

Em 1998, o jornalista francês Patrick de Saint-Exupéry, que visitou os soldados franceses durante a Operação Turquoise, escreveu uma série de artigos no Le Figaro, relatando como as "zonas humanitárias" francesas serviam principalmente para proteger os assassinos hutus enquanto eles fugiam diante da avanço das forças do FPR.

Esses artigos provocaram grande indignação na Assembleia Nacional, chegando ao ponto de levar à criação de uma comissão de investigação, que finalmente concluiu que a França não tinha responsabilidade especial pelo genocídio e, no pior dos casos, foi vítima inocente de mal-entendidos.

Foi nesse momento que entrou em cena Serge Farnel, um parisiense de grande porte, com 44 anos, formado em engenharia aeroespacial. A curiosidade do Sr. Farnel pelo genocídio despertou, há alguns anos, quando ouviu comparações entre as ações da França no Ruanda e o comportamento do regime de Vichy durante a Segunda Guerra Mundial.

Durante uma viagem ao Ruanda, em abril último, ele encontrou um sobrevivente tutsi que testemunhou que os soldados franceses estavam realmente presentes em maio de 1994, quando, supostamente, não havia nenhum. No início, Farnel pensou que a memória de uma pessoa traumatizada estava lhe pregando peças, mas manteve sua versão da história. Farnel começou então a entrevistar outros testemunhas, filmando seus relatos.

Resultaram 100 horas de filme, que consistem principalmente em entrevistas com indivíduos e grupos, tanto vítimas quanto autores do massacre, além de reconstituições minuciosas das cenas do massacre.

É difícil exagerar a rigorosidade com que o Sr. Farnel conduziu as entrevistas: no filme, os entrevistados às vezes se impacientam quando ele os chama de volta para fazer outras perguntas — como se fossem testemunhas chamadas ao tribunal — saltando sobre qualquer incoerência em seu testemunho.

Nem todos os sobreviventes dos massacres de maio de 1994 afirmam lembrar a presença de soldados franceses em Bisesero, mas há muitos que o fazem, e seus relatos são coerentes. Após assistir a esses depoimentos filmados, decidi me juntar ao Sr. Farnel no Ruanda, no local de sua investigação, para confirmar essas histórias pessoalmente.

Ruandeses esperam para dar seu testemunho sobre os eventos de 1994: "Os brancos estavam posicionados nas colinas, e primeiro nos desmascararam de nossos esconderijos com tiros... Pararam quando os Interahamwe [a milícia hutu] chegaram, depois recomeçaram quando resistimos", disse Sylvestre Niyakayiro, um tutsi de 22 anos na época, que se lembra ter sido expulso de colina em colina durante os três ataques realizados naquele dia, liderados por brancos.

O Sr. Farnel pergunta repetidamente se o Sr. Niyakayiro não está confundindo as datas, se os brancos da metade de maio, que ele se lembra, não eram na verdade os soldados franceses que chegaram no final de junho para a Operação Turquoise, quando outro ataque foi lançado contra os poucos tutsis que ainda permaneciam nas proximidades de Bisesero.

"Os dias 13 e 14 [de maio] foram inesquecíveis", respondeu o Sr. Niyakayiro.

Mas quem eram exatamente esses "brancos" — supondo que estivessem realmente presentes? "Sua informação não é credível, pois não se baseia em nenhuma realidade histórica", escreveu o general Jean-Claude Lafourcade, que comandava a Operação Turquoise e agora dirige uma associação de soldados que serviram no Ruanda, em resposta por e-mail às minhas perguntas, acrescentando "parece que você está sendo manipulado".

Assim como o Eliseu, a associação afirma que "não havia soldados franceses no Ruanda no mês de maio de 1994". O Instituto François Mitterrand, dirigido por Hubert Védrine, antigo conselheiro do presidente, recusou comentar sobre este artigo.

Paul Barril é um francês que estava no Ruanda na época. Certamente é um dos ex-membros mais ilustres do GIGN, um corpo de elite de intervenção. O Sr. Barril era conselheiro de Habyarimana na época da morte do presidente. Segundo suas memórias, publicadas em 1996 em Guerres secrètes à Élysée, ele afirma que "após o ataque, começou um ciclo de massacres que levou ao estabelecimento da ditadura tutsi do pró-americano Paul Kagamé. Mais de um milhão de pessoas morreram no Ruanda. Que importância isso tem?"

Meus esforços para entrar em contato com o Sr. Barril por telefone e por e-mail neste artigo foram infrutíferos. "Ele não quer ser encontrado", disse-me seu editor.

Um relato sobre as atividades do Sr. Barril está em "Nenhum testemunha deve sobreviver: o genocídio no Ruanda", escrito pela renomada especialista Alison Des Forges, americana que faleceu em um acidente aéreo no ano passado.

Des Forges escreve que o Sr. Barril foi contratado pelo Ministério da Defesa do Ruanda para treinar até 120 homens em tiro e táticas de infiltração para uma unidade de elite, com o objetivo de ataques atrás das linhas do FPR. A operação tinha o nome em código "Operação Inseticida", para designar uma operação destinada a exterminar os inyenzi, os "baratas"... Quando questionado sobre esse programa de treinamento em uma entrevista com um pesquisador da Human Rights Watch, [o Sr.] Barril negou qualquer conhecimento sobre o assunto e encerrou abruptamente a conversa. Os ruandeses que o Sr. Farnel e eu encontramos insistiram no fato de que as tropas francesas estavam envolvidas nos massacres da metade de maio. "Eu sei que eram tropas francesas, porque já tinha estado com eles em Mutara em 1991", disse Semi Bazimaziki, cabo no exército ruandês durante o genocídio. "Conhecia muito bem a forma como operavam". Outro ex-genocida, Jean Ngarambe, conta que foi rejeitado como guia para os brancos visitantes porque "não falava francês". Em seu lugar, eles pegaram outro homem que falava francês.

Um incidente descrito tanto pelos carrascos quanto pelas vítimas é particularmente convincente. Alguns dos ex-genocidas lembram que, em 12 de maio, o dia anterior ao início da carnificina, foram convocados a um vilarejo.

Dizem que um funcionário hutu local, chamado Charles Sikubwabo, atualmente procurado pelo Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, apresentou os "soldados franceses", vindos para servir de reforço.

O Sr. Sikubwabo ordenou aos assassinos ruandeses reunidos que seguissem uma certa rota sem atacar ou se aproximar dos tutsis no caminho. Eles se encontraram alguns quilômetros adiante, em um lugar chamado Mumubuga, onde encontraram mais de 50 tutsis. Envolto por homens brancos, o Sr. Sikubwabo disse aos tutsis para não terem medo, que os brancos estavam ali para ajudá-los, e que deveriam retornar às colinas para esperar ajuda.

"Sabíamos que era uma armadilha contra os tutsis", disse Raphaël Mageza, cunhado do Sr. Sikubwabo. Os brancos serviam como isca para reunir informações sobre os locais onde os tutsis se escondiam. Gudelieve Mukangamije, uma das potenciais vítimas do Sr. Mageza, concorda: "Eles [os brancos] não nos deram lonas [como tinham prometido]. Nos mataram. E nos entregaram aos Interahamwe."

      • Ontem, Nicolas Sarkozy foi o primeiro presidente francês a pisar no Ruanda desde um quarto de século. "O que aconteceu aqui obriga a comunidade internacional, incluindo a França, a refletir sobre esses erros que a impediram de prevenir e parar esse crime terrível", disse ele. Sarkozy sugeriu anteriormente que um comitê de historiadores deveria investigar o que aconteceu durante o genocídio. O presidente francês, acrescenta o ministro dos Assuntos Estrangeiros Bernard Kouchner, "não se opõe a que a França olhe para sua história." Se for esse o caso, a melhor maneira de começar seria para a França e seus historiadores olharem para os extraordinários testemunhos reunidos no intenso documentário do Sr. Farnel. Eles têm um dever moral e histórico de considerar as consequências das provas apresentadas por Farnel. Como diz o Sr. Farnel: "Nenhum país pode fugir de sua história".

Eu fiz esta página rapidamente, porque leitores me pediam para repassar informações. Terminei a colorização de uma nova tirinha:

Capa dos mil exemplares distribuídos (nos CDIs, nas bibliotecas)

capa dos mil exemplares vendidos

Capa dos mil exemplares vendidos em prol da associação Ciência e Cultura para Todos
Nada impede que você reserve seu exemplar enviando um cheque de 8,5 euros (9,5 euros para estrangeiros)
endereçado a J.P. Petit, BP 55, 84122 Pertuis, mas com o valor indicado como Ciência e Cultura para Todos (e não Saber sem Fronteiras)

quarta capa

Quarta capa, comum às duas edições. O ISBN será adicionado hoje, e os tiragens serão iniciadas

Um álbum de 64 páginas. Acho que não perdi a mão. Como já disse, mil exemplares, conforme contrato de patrocínio com a Fundação Free (o hospedador), serão enviados gratuitamente aos CDIs e bibliotecas municipais que solicitarem. Paradoxalmente, apesar da anúncio feito na France Inter, estamos tendo dificuldades para obter os endereços de e-mail desses organismos para enviar um mailing. É preciso dizer que essa proposta não é comum.

Montei um arquivo PDF com páginas amostra extraídas deste álbum.

Este álbum patrocinado será, de qualquer forma, impresso nos próximos dois meses. A metade será distribuída e a outra colocada à venda em prol de uma associação "irmã" do Saber sem Fronteiras (que desejo isenta de qualquer atividade de venda), a associação Ciência e Cultura para Todos.

Em seguida, comecei outro álbum, cujo título será "Fishbird". Se meus leitores tivessem a boa ideia de comprar os álbuns impressos, isso me motivaria a criar novos trabalhos, já que esses livros são coloridos. Como não posso correr o risco de ficar com grandes quantidades de livros em mãos, estou considerando uma fórmula de edição por assinatura. Precisaria de duas centenas de pedidos firmes para cobrir os custos da impressão de um álbum. Pretendo oferecer esses álbuns por cerca de 8,5 euros cada, com frete incluso (para a França). Para o estrangeiro, seria necessário subir para 11,5 euros, também com frete incluso. Precisaria de 200 cheques nesse valor, representando 200 pedidos firmes. Receberia esses cheques até atingir o número necessário, e então lançaria a impressão. Eis uma página do álbum, ainda não colorida:

fishbird página 11

[ e aqui estão as primeiras páginas de Fishbird, por enquanto em preto e branco ](/legacy/find/hep-th/1/au_+Steer_D/0/1/0/all/0/illustrations/The Fishbird.pdf).

Se você estiver interessado neste novo álbum Fishbird, envie-me um cheque de 8,5 euros, se reside na França, e de 10,5 euros se está no exterior. Cheque nominativo a meu nome, Jean-Pierre Petit, endereçado a

J.P. PETIT BP 55, 84122 Pertuis

com o endereço para envio do livro. Não cobrarei esses cheques senão se receber um número suficiente para iniciar a impressão. Bem, se isso funcionar, vocês terão reativado a máquina que produz esses álbuns de quadrinhos científicos. Lanturlu, Sophie e eu ficaríamos felizes.

Este verão, quando voar para Vinon, retomarei com meu amigo Charpentier o projeto de álbum sobre o tempo que havíamos esboçado há dois anos.

Além disso, quando a loja finalmente estiver desimpedida (o armário está OK, enfim), darei continuidade ao meu projeto de montar um miniestúdio para produzir vídeos gratuitos. Material: vários videocâmeras, microfones HF, um retroprojetor. Essa decisão decorre do que havia mencionado em uma página anterior. Da boca dos irmãos Bogdanoff, tive a confirmação de que estava proibido de aparecer nos meios de comunicação, exceto em raras exceções, como aquela breve entrevista na emissão La Tête au Carré, na France Inter, há algumas semanas. Ninguém consegue lembrar de ter visto um dos meus artigos em revistas como Science et Vie, Pour la Science, La Recherche, etc., nos últimos vinte anos, nem de ter visto meus livros, quaisquer que sejam, mencionados nesses mesmos órgãos da imprensa. A menos que a emissão que passou na Direct8 e que não terá continuidade, todas as minhas aparições na televisão sempre ocorreram em programas de uma mediocridade insondável. Lembro-me de uma senhora que encontrei em uma loja e que me disse:

- Nós o vimos, meu marido e eu, na televisão, e sofremos com você...

No fundo, inútil continuar assim. O melhor é criar seus próprios meios de comunicação. Já é isso que representa um site na internet. Resta dar o próximo passo: o vídeo. "Tele-Pertuis", soa bem. Mas duvido que a prefeitura goste do que direi sobre o ITER, nosso vizinho. Teremos de encontrar outra coisa.


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